domingo, 15 de março de 2015

A Rainha Manda... *Scarlet*


  Este mês a p7 do Bookeater/Booklover escolheu para mim uma leitura muito, muito especial. Afinal, estámos a falar de um livro do qual a ouço falar desde que a "obriguei" a comprá-lo e pelo qual ela tem fangirlado que nem uma doida. Falo de Scarlet de A.C. Gaughen. Obrigada por, depois de ter sido tão mázinha, me teres "mandado" ler uma coisa tão absolutamente fantástica.

Tal como havia explicado neste primeiro post, depois de lidos os livros, cada uma de nós faz algumas perguntas à outra, agregadas a temas,  sobre o livro que escolhemos para ela. Aqui encontrarão as perguntas que a p7 me fez, e aqui, podem encontrar as que lhe fiz sobre a sua leitura, It Happened One Autumn, de Lisa Kleypas.




p7: Scarlet, a pequena grande protagonista deste livro, é uma jovem extraordinária e uma pequena caixinha de surpresas. Apaixonou-te o seu percurso?
  Sim!!! Nem sei por onde começar quanto à Scarlet porque é uma personagem tão complexa, tão maravilhosa. Por um lado, é brusca, independente, lutadora e, apesar do seu ar de má e de tudo aquilo que já sofreu, acredita piamente que ela e o bando são capazes de fazer a diferença, nunca desistindo mesmo quando as coisas ficam ruins. E por outro lado, ainda há tanta tristeza e desilusão nela, o que faz com que seja muito fechada e misteriosa, como também frágil. E há tantas nuances na personalidade dela, nos seus rituais e ideais, que demonstram tão bem como ela tem um pé em cada "mundo". 

  Caixinha de surpresas é mesmo a melhor definição para ela porque, quando pensava que já a tinha percebido, descobria uma coisa nova sobre ela e lá me apaixonava outra vez. Aliás, é fácil adorar a Scarlet, mesmo nos seus maus momentos, mesmo que ela ache que está do lado errado da lei e que não merece admiração de ninguém, porque a verdade é que ela é tão honrada. Afinal, ela enfrenta os seus piores medos e sacrifica tudo pelos outros até quando não a valorizam. Não tem uma ponta de egoísmo nela, é tão corajosa, e sim eu sei que ela tem defeitos e que esconde e cala muita coisa, mas eu adoro-a profundamente.

p7: Robin, Much e John, os rapazes do bando. Queres falar um bocadinho sobre eles?
  Ai que bando que estes três me saíram, só me dão dores de cabeça mas eu gosto tanto deles. Quer dizer, neste momento não gosto muito do John, por isso comecemos por ele. Neste livro o Little John é uma espécie de galã imbátivel, super convencido que até tem graça tirando quando mete os olhinhos na minha menina e decide não perceber um não. Gajo, não é não, sim? E bem ele tem aquele momento horrível e invejoso no fim e apesar de ele ser um amigo leal e protector, estou zangada com ele. Assim, muito.

  Já o meu Robin dá-me cabo da paciência por ser tão honrado, por achar que tem de sacrificar tudo pelos outros (isto faz-me lembrar alguém, já agora), o que o leva a ter um péssimo timing quando diz uma coisa super fofa e isso deu-me cabo dos nervos. Mas a verdade é que, aquilo que me faz reclamar com ele, é exactamente o que me leva a gostar dele. O Robin é um líder excepcional, um bandido com um código de honra muito restrito, um príncipe do povo capaz de tudo para os proteger. É misterioso, teimoso e parece que consegue ler a nossa alma... O que é tão irritante quanto querido. Acho que percebo porque a Scarlet está caidinha por ele.

  O Much é o mais introspectivo dos três e espero ver mais dele nos próximos livros e descobrir mais sobre o seu passado. Mas do pouco que vi, é o mais sensato e inteligente do bando, apesar de não ter noção que não precisámos sempre de uma arma na mão para lutarmos, coisa aliás que ele faz exemplarmente.

p7: Tanto o Gisbourne como o Xerife de Nottingham fazem o papel de vilão na história. Que achaste deles, e tens preferência por algum dos dois?
  Bem, se me estás a perguntar qual deles odeio mais, obviamente é o Gisbourne. O tipo dá-me arrepios. Ele é tão assustador, tão maléfico e cruel que aposto que ele nunca teve um acto de bondade na vida. É preciso ser-se mesmo frio para fazer o que ele faz e, ainda por cima, ele nem louco é. Isso é o mais assustador nele para mim, é que ele é completamente racional quando faz as maldades que faz, ele sabe o que está a fazer. É simplesmente arrepiante.

  Quanto ao Xerife, bem nós não vemos muito dele ao longo do livro mas o final basta para me mostrar que ele não tem mesmo escrúpulos nenhuns. Isso e fazer as pessoas passarem fome só porque lhe apetece. Só que ao contrário do Gisbourne, o Xerife é mais impetuoso, perde a cabeça por quase nada e é tão divertido ver o bando a fazer com que ele se passe.



p7: O desenvolvimento da história está intercalado com algumas revelações sobre o passado da nossa heroína. Que achaste? Adivinhaste-as antes de serem expostas na página?
  Apesar de ter adivinhado cedo alguns dos segredos da Scarlet isso não tornou a história mais aborrecida ou previsível. Muito pelo contrário, só me fez ficar mais curiosa com o passado dela, porque bem é uma parte fulcral da lenda e aquela que a autora mais altera e, ao mesmo tempo, respeita. É difícil explicar sem spoilar, mas a A.C.  faz um excelente trabalho em tornar algo previsível num elemento completamente novo sem inventar demais.

p7: A história também passa pelo desenvolvimento da relação da Scarlet e do Robin. Gostaste de os acompanhar?
  Apesar de ter sido oh tão lenta e tortuosa e de eles serem uns teimosos demasiado honrados que acham que não se merecem um ao outro... Sim, sim e sim. À primeira vista, eles podem parecer duas pessoas completamente diferentes mas, a verdade, é que eles têm tanto, mas tanto em comum. E neste caso, não, os opostos não se atraem, porque a Scarlet e o Robin são duas almas demasiado gémeas. Demasiado teimosos, demasiado honrados, demasiado pessimistas, demasiado lutadores... Bem, eles são literalmente o espelho um do outro e, estranhamente, acho que é isso que torna a relação deles tão especial. Eles conhecem-se tão bem, compreendem os estados de espírito, os segredos e medos um do outro, exactamente como conhecem a própria mente ou melhor ainda. 

  Mas andam o raio do livro todo a evitarem-se quando só querem cair nos braços um do outro e só me apetecia dar-lhes safanões porque o amor por vezes torna-os tontinhos, desgraçados deles, e desgraçada de mim que sofria tanto a vê-los a andarem às voltas com uma coisa que é óbvia desde o início. E porque sou masoquista acho que eles são absolutamente adoráveis... quando não me apetece ir buscar a frigideira para lhes atirar em cima. E o Robin ainda decide ter aquele péssimo, PÉSSIMO  timing quando finalmente acorda para a vida, como se eu já não sofresse que chegasse. E o pior é que o momento acabou por originar, finalmente, o entendimento dos dois e por isso eu não pude reclamar (muito).

  Isto tudo para dizer que eles são um casal quase perfeito e que o Robin fica é bem com a Scarlet e não com a sonsa da Lady Marian.

p7: E aquele final? Explosivo? De morrer e chorar por mais?
  Oh deus aquele final... A A.C. queria matar-nos com todas aquelas cenas emocionantes a acontecerem ao mesmo tempo, só pode! Por momentos parece que vai tudo correr mal e vemos alguém a sacrificar-se para salvar a única esperança que o povo tem, outra pessoa decide declarar-se na pior altura possível, outra decide dizer uma coisa mesmo má enquanto os vilões estão convencidíssimos que ganharam, e nós quase queremos fechar os olhos para não vermos tudo a descarrilar. Pensei que o meu coração ia parar por momentos, juro!

  E depois, sabe-se lá como, o jogo muda por completo e, apesar de estar tudo mal e sabermos que o próximo livro não vai ser nada fácil, os nossos heróis pelo menos salvaram o dia e só esperámos que eles estejam preparados para o que aí vem, algo que queremos saber tipo para ontem.

  Portanto sim, foi um final explosivo que me foi matando e que ainda me faz chorar por mais enquanto o Lady Thief não chega.



p7: Que pensas desta adaptação duma lenda tão conhecida?
  Eu gosto muito da lenda do Robin Hood e o livro é muito fiel a grande parte do que conhecemos e associámos sobre ela mas também, tem uma grande mudança que para mim funcionou como a cereja no topo do bolo. É que eu nunca gostei da Lady Marian, e a verdade é que esta lenda não tem propriamente uma personagem feminina com carácter e é exactamente isso que a autora nos dá, um lado feminista que, estranhamente, resulta muito bem.

  A Scarlet é a grande alteração deste retelling e é dela que advém muitas das surpresas mas essas mudanças não interferem com a linha da lenda original, o que demonstra o excelente trabalho que a autora fez em recontar algo que todos conhecemos. Apesar de sabermos muitas vezes o que vai acontecer e adivinharmos algumas coisas cedo, isto nunca é aborrecido porque há surpresas onde menos esperámos e a Scarlet é uma caixinha delas.

p7: Apesar de lendária, esta história tem uma base real, em termos de local e época. Como historiadora, achaste que a apresentação dos mesmos foi bem conseguida?
  Do que vislumbrámos ao longo da leitura e, apesar da A.C. não aprofundar extensivamente o panorama histórico, penso que ela  conseguiu apresentá-lo muito bem através de pequenos detalhes. As armas, as roupas, o ambiente, como o povo vive, a posição das mulheres e dos nobres, entre outras coisas, está muito bem apresentado e mesmo com o lado mais feminista da história, ela consegue transportar-nos para a Idade Média e mostrar-nos como pensavam, como viviam e qual era a situação exacta de Notthingham nesta altura.



p7: Sentiste que a escrita da A.C. Gaughen conseguiu cativar-te para a história?
  Eu adorei a escrita dela porque tem aquele tom de tempos passados, extremamente evocativa da época em que o livro se passa e penso que seja essa uma das razões porque foi tão fácil entrar na história e sentir-me cativada por ela. 

 Para além disso, é uma escrita queconsegue fazer-nos sentir exactamente o que as personagens estão a sentir, seja boa disposição ou tristeza, e isso também ajuda a transportar-nos para a história.

p7: A autora toma uma opção singular para o diálogo da Scarlet. Tiveste dificuldade com isto? Que achaste desta escolha?
  É estranha mas aplaudo-a por isso. Não tive qualquer dificuldade em acompanhar os diálogos da Scarlet e até acho que deram um tom mais real à narrativa, bem como demonstra onde a Scarlet quer estar e a sua capacidade de adaptação.



Para quem tiver curiosidade acerca deste livro, pode ler a minha opinião.


E para o próximo mês as leituras serão...


A Rainha Manda...
A p7 este mês escolheu para mim o Quando Erámos Mentirosos da E. Lockhart:

"Escolhi este livro para a Patrícia porque estou tão curiosa para ver o que ela vai achar. É único, pelo modo como desenvolve o enredo, com várias camadas, que se vão desembrulhando pouco a pouco, e gostava de saber se ela consegue prever algumas das surpresas que o livro nos reserva.

E é uma história que não deixa ninguém indiferente, tanto no conteúdo como na forma – a escrita da autora –, por isso quero saber a opinião da Patrícia sobre ela, já que ando há quase um ano a falar-lhe dela.

Além disso, é uma história que é melhor experimentada sem se saber muito sobre ela, por isso até estou a fazer um favor à Patrícia ao escolhê-lo, para evitar que se arrisque a apanhar um spoiler se continuar sem o ler. Diverte-te, eheheh."


Eu escolhi para a p7 A Árvore do Verão de Guy Gavriel Kay e a explicação está no blogue dela.


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