sábado, 7 de março de 2015

Opinião - A Educação de Felicity

Título Original: Refining Felicity (#1 Academia de Etiqueta)
Autor: Marion Chesney
Editora: ASA
Número de Páginas: 240


Sinopse
Numa época em que as mulheres da nobreza só dispõem de duas opções - casar ou esperar que um parente rico morra - as irmãs Tribble não têm sorte nenhuma. Não só ainda não encontraram o amor como, após anos de bajulação a uma intratável tia velha, veem o seu nome apagado do testamento aquando da sua morte.
As românticas Amy e Effie Tribble sonhavam com ricos jantares de carne assada e batalhões de criados aduladores mas agora estão oficialmente na penúria. Ironicamente, é neste cenário desolador que lhes ocorre uma ideia brilhante: colocar a sua educação esmerada ao serviço das jovens mais "difíceis", apresentá-las à sociedade e arranjar-lhes casamento.
Não contavam que a sua primeira cliente fosse Lady Felicity Vane, cuja rebeldia ameaça enlouquecer a sua própria mãe e arruinar o projeto sentimental de Amy e Effie. A jovem prefere caçar com os amigos a pensar em casar. Mal ela sabe que o seu suposto pretendente é o homem que mais a irrita (e que mais irritado se sente por ela). Felicity nunca admitirá que o seu coração treme ao ver Charles Ravenswood, principalmente porque o elegante marquês parece não ter paciência nenhuma para as suas extravagâncias. O clima entre ambos é tão tenso que, se soubessem o que as irmãs planeiam, o resultado seria, no mínimo, desastroso…


Biografia
  Nasceu em 1936 em Glasgow e o seu primeiro emprego foi como vendedora de livros responsável pelo departamento de ficção. Trabalhou em vários jornais e revistas, quer como crítica de cinema, quer como editora de moda ou repórter de crime. Depois de casar mudou-se para os Estados Unidos da América, onde começou a escrever romances históricos para passar mais tempo em casa com o filho.

  Sobre os seus vários pseudónimos, entre eles Marion Chesney, escreveu mais de cem romances históricos até que em 1985 começou a escrever policiais como M.C. Beaton. Acabou por regressar à Grã-Bretanha.

  A Educação de Felicity foi publicado em 1988 e é com que ele que a autora inicia a série Academia de Etiqueta. Esta é a primeira vez que o livro é traduzido.


Opinião
  Numa veia mais tradicional, A Educação de Felicity não é um romance histórico como os que estamos habituados. Inocência e doçura marcam este primeiro volume de Academia de Etiqueta bem como um certo moralismo e conformismo, adequados às convenções da época em que a narrativa se passa, mas que poderá causar estranheza à leitora actual. Existem contudo pequenos primores neste livro que o tornam uma leitura prazenteira a meus olhos, primores esses que não sendo a primeira coisa que procurámos numa leitura deste género, acabam por ter algum encanto. O trunfo de Marion Chesney é, sem qualquer dúvida, a sua escrita afincadamente marcada pelo humor e exagero, capaz de transformar a situação mais banal e desesperada num acontecimento bizarro e extravagante, arrancado-nos gargalhadas do início ao fim. Uma clara homenagem ao ideal do romantismo, esta história pode não ser exactamente o que pensámos mas guarda em si uma excentricidade e rebeldia inesperadas que, estranhamente, fazem um par à altura da etiqueta e moral.

  O romance neste livro não é, lamento informar-vos, nada que vos fará sonhar acordados. Infelizmente, o pecado desta história é aquele que um romance nunca deve ter, um amor nada convincente. Não há momento algum em que acreditemos ou nos sintamos sequer atraídos para o amor de Felicity e Ravenwood, pois até metade da história têm uma aversão completa um pelo outro e, de um momento para o outro estão inacreditavelmente apaixonados. Sem química, faísca ou o que seja. Mas sinceramente, quase que isso é indiferente porque as estrelas deste palco são as irmãs Tribble. Numa sequência imparável de peripécias, planos, asneiras e discussões, as duas solteironas proporcionam-nos momentos de tal hilaridade e extravagância que vão querer devorar as páginas deste livro num instante só para saber o que elas irão preparar a seguir. São Effie e Amy que realmente ganham o nosso carinho numa série de momentos em que tanto nos enlouquecem e divertem como enternecem. São estas duas senhoras que realmente nos fazem acreditar que o amor é possível e é por elas que quase fulminámos o casalinho para ficar junto, mesmo que não acreditemos neles como casal. 

  Felicity não é fácil de gostar. Nem quando é uma menina mimada armada em terrorista nem quando muda radicalmente para uma sedutora inocente e apaixonada. Algo que me entristece porque há algo nela que apela à nossa compreensão mas perde-se algures nas suas maldades e na mudança brusca de carácter causada pelo amor. Já Ravenwood, aborrece-me de morte que ele tenha um coração algures mas que quando se trata da Felicity o senhor pareça-me uma máquina de futilidades. Vale-nos as terríveis e amorosas irmãs Tribble, que com as suas personalidades opostas mas igualmente berrantes, fazem um par invencível. Effie que ainda se acha uma sedutora e segue a etiqueta à risca e Amy, bruta e directa demais para as convenções, parecem umas educadoras improváveis mas acabam por nos provar que na delicadeza de Effie se esconde uma mão de ferro e na indiscrição de Amy muita ternura. 

  A Educação de Felicity é uma leitura que recomendo apesar das suas falhas pois não quero negar a nenhum de vós a oportunidade de conhecerem as irmãs Tribble. Garanto-vos que só por isso, já vale a pena lerem este livro.

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