quarta-feira, 4 de março de 2015

Opinião - Gata Branca

Título Original: White Cat (#1 The Curse Workers)
Autor: Holly Black
Editora: Presença
Número de Páginas: 268


Sinopse
Cassel Sharpe é um jovem de 17 anos que deseja ter uma vida normal. Mas quando se nasce numa família com uma forte tradição em manipulação de maldições a normalidade não é algo fácil de alcançar. Cassel vive ensombrado pela ameaça de, a qualquer momento, os poderes maléficos que correm na sua família se manifestarem também em si.

Por diversas vezes, a sua vida é posta em risco quando, em sucessivos episódios de sonambulismo, passeia pelos telhados do colégio interno que frequenta. De volta a casa, torna-se cada vez mais claro para Cassel que um tenebroso segredo familiar ameaça destruí-lo. Desejoso de perceber quem realmente é, o jovem inicia uma cruzada de autodescoberta que o leva a enfrentar perigos cada vez maiores.

Holly Black, autora da série bestseller As Crónicas de Spiderwick, traz-nos uma narrativa fascinante que abre um novo capítulo neste género literário, o thriller noire.


Biografia
  Holly Black cresceu numa decrépita mansão vitoriana e a mãe colocou-a numa dieta rigorosa de histórias de fantasmas e contos de fadas. Fica assim explicado a sua colecção de livros antigos de folclore, as bonecas assustadoras, os chapéus excêntricos e o facto de escrever livros de fantasia.

  Em 2002 escreveu o seu primeiro livro, Tithe, mas foi com as Crónicas de Spiderwick que ficou conhecida.

  Gata Branca foi publicado em 2010 e está traduzido para onze línguas.


Opinião
  Apesar de ter lido As Crónicas de Spiderwick há uns anos, a verdade é que foi série que não me deixou grandes recordações, ao contrário de tantos outros livros que li na mesma altura. Por isso não parti para a leitura de Gata Branca com as expectativas muito altas, e ainda bem, porque acabou por se revelar um livro bem mais interessante do que estava à espera. Holly Black tem uma escrita que me agrada. Sorumbática e sombria mas também com uma grande dose de ironia e humor, que facilmente nos cativa, e contribui bastante para a aura de excentricidade, estranheza e perigo que rodeia a história. Um livro que homenageia e, ao mesmo que tempo, nos dá um retrato caricato dos ardis da máfia, com certas parecenças com Ocean’s Eleven, sem ser excepcional, é contudo uma história repleta de magia e vigarices que nos prende do início ao fim.

  O início é lento e pouco revelador, dando-nos a impressão que não encontraremos grandes surpresas pelo caminho mas, rapidamente, nos apercebemos que estamos enganados. Afinal, esta é uma narrativa sobre manipulações e mentiras, ambição e azar, em que cada elemento está intricadamente ligado a outro, e tal como uma matrioska ao ser revelada, os segredos desta história apanham-nos de surpresa, dando uma novo e inesperado rumo ao enredo. Aparentemente simples, este mundo sombrio está cheio de perigos, seduções e jogos, que pouco a pouco, nos demonstram que pouco ou nada sabemos sobre o que se está a desenrolar a nossa frente. Não que isso lhe retire o encanto, pelo contrário, pois obriga-nos a ler página atrás de página com um certo desespero para saber o que acontecerá a seguir. Mas não agoira a seu favor a forma abrupta e pouco esclarecedora com que o mundo nos é apresentado, infelizmente. Compreendo a aura de mistério em redor da história mas gostava de ter sido apresentada convenientemente à magia que aqui impera pois ela não é simples de todo.

  As personagens não são simpáticas, tirando uma ou outra. São sim enganadoras, misteriosas, assustadoras por vezes. Cassel, o protagonista é tudo isso, mas ganha pela sua total e aberta honestidade. Ele sabe o que é e que não vai mudar. Aceita o seu mundo e a sua família, mesmo que por vezes não goste deles. Não é um herói que vai mudar o mundo, mas é um rapaz que compreende o que o rodeia e que sabe que é preciso saber as regras para as quebrar. E se ele as quebra. É um vigarista e adora sê-lo, e nós não nos importamos nada com isso. Entre a família doida em que nasceu, a máfia e os colegas da escola, temos uma miríade de personagens, e cada uma delas tem um papel a desempenhar.

  Gata Branca é um livro a ler se é fã de vigarices bem conseguidas, tramas que não são o que parecem e se tem um certo gosto por personagens que adoram ser más.

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