domingo, 8 de março de 2015

Opinião - Rubi

Título Original: Rubinrot (#1 Edelstein Trilogie)
Autor: Kerstin Gier
Editora: Contraponto
Número de Páginas: 271


Sinopse
Pertencer a uma família cheia de segredos não é fácil, ou pelo menos é o que pensa Gwendolyn Sheperd, de 16 anos. Até que um dia se vê em Londres do final do século passado e se apercebe de que ela própria é o maior segredo da família. Do que Gwendolyn não se apercebera é que apaixonar-se quando se está presa num tempo diferente não é nada boa ideia. Tudo se pode complicar...


Biografia
  Nasceu em 1966 e é uma autora alemã que começou a publicar livros para adultos em 1996 com sucesso. Mas foi em 2009 quando se estreou no YA com Rubi, que saltou para o reconhecimento mundial. Vai publicar este ano o início de uma nova série, Dream a Little Dream.

  Rubi está traduzido para vinte e quatro línguas.


Opinião
  De vez em quando pegámos num livro e, mesmo antes de o lermos, já temos uma ideia do que nos espera. Achámos que, só pela e capa e pela sinopse, já sabemos exactamente o que vamos encontrar. Só que, por vezes, é nesses embrulhos aparentemente transparentes que se encontram as surpresas mais inesperadas. Rubi é um desses casos. Esperava uma leitura leve e fofinha, e ele é o de facto, mas também é muito mais do que isso. Sociedades secretas, viagens no tempo e segredos de família, são alguns dos ingredientes de um livro que apesar de saber a pouco, deixa o leitor totalmente vidrado nas suas páginas. É com uma capacidade extraordinária que Kerstin Gier tanto nos dá humor como drama, enquanto nos enreda numa trama que, apesar de fluída, é muito mais profunda do que aparenta à primeira vista. 

  Esta história começa tardiamente a revelar-se, mostrando pouco dos segredos e mistérios que a tecem. E estranhamente, é por isso mesmo que é tão viciante. A nossa curiosidade, que cresce de página para página, é alimentada por pistas e mais pistas que encontrámos ora em momentos de silêncios cheios de palavras, olhares entendedores e verdades muito mal contadas, ou mesmo num fantasma, num objecto ou papel amarelecido. Rivalidades entre famílias, amores proibidos, mortes estranhas ou inimigos escondidos, enchem esta narrativa de perigos, como senão faltassem encontros secretíssimos que já são perigosos o suficiente. Mas não só de mistérios perfeitamente tecidos e com o péssimo hábito de não se revelarem nem um bocadinho, é feita esta história. Também não faltam momentos de pura diversão, causados muitas vezes em lugares inesperados. Mas apesar de esta ser uma história leve, conseguimos perceber, mesmo que elas estejam muito escondidas, que há sombras nela, sombras essas que nos fazem antecipar um próximo volume mais perigoso que este. 

  Uma das razões para o sucesso deste livro é as suas personagens, sem dúvida. Entre a melhor amiga de Gwendolyn, a sua família meio louca e os que compõem a sociedade secreta, estamos perante um rol de personagens genialmente concebidas. Caricatas e excêntricas, todas elas contribuem um pouco para a aura humorística e misteriosa desta história. Gwendolyn é uma protagonista com uma voz que nos cativa de imediato. Apesar de por vezes infantil e ingénua para a idade, ela também tem os seus momentos de coragem e inteligência que nos provam que só precisava de sair da redoma em que a enfiaram sem terem noção, para provar que é muito mais do que aparenta. A única personagem de que não gostei tanto foi de Gideon porque ele é um emproado. Espero bem que isso mude. 

  Rubi é um livro demasiado introdutório é verdade, mas também se revelou uma boa surpresa. Pelo menos, deixou-me curiosa o suficiente para em breve partir para a leitura do segundo. Afinal, preciso de saber que raio de segredos e conspirações andam para aqui.

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