segunda-feira, 20 de julho de 2015

Opinião - Days of Blood and Starlight

Título Original: Days of Blood and Starlight (#2 Daughter of Smoke and Bone)
Autor: Laini Taylor
Editora: Little Brown Books for Young Readers
Número de Páginas: 513


Sinopse

Once upon a time, an angel and a devil fell in love and dared to imagine a world free of bloodshed and war.

This is not that world.

Art student and monster's apprentice Karou finally has the answers she has always sought. She knows who she is—and what she is. But with this knowledge comes another truth she would give anything to undo: She loved the enemy and he betrayed her, and a world suffered for it.

In this stunning sequel to the highly acclaimed Daughter of Smoke & Bone, Karou must decide how far she'll go to avenge her people. Filled with heartbreak and beauty, secrets and impossible choices, Days of Blood & Starlight finds Karou and Akiva on opposing sides as an age-old war stirs back to life.

While Karou and her allies build a monstrous army in a land of dust and starlight, Akiva wages a different sort of battle: a battle for redemption. For hope.

But can any hope be salvaged from the ashes of their broken dream?


Biografia
  Laini Taylor nasceu em Chico, Califórnia em 1971 mas passou a infância de um lado para o outro. Filha do meio, a segunda de três, Laini graduou-se em Inglês na Berkeley e, mais tarde, frequentou por três semestres aulas de Ilustração. As suas indulgências são livros e viagens, bem como sobremesas. Trabalhou como editora de livros de viagens para a Lonely Planet, livreira, empregada e ilustradora. Mas o que sempre quis ser mesmo foi… escritora. E conseguiu. Ah, e para o caso de não saberem, ela tem o cabelo cor-de-rosa. Mesmo.

  Começou a escrever em 2004 mas foi em 2011, depois de uma trilogia premiada e dois livros, que o seu nome começou a ser sussurrado com entusiamo e, de repente, a fama caiu-lhe em cima. Daughter of Smoke and Bone é a razão desse sucesso, o primeiro livro da sua trilogia mais famosa que terminou o ano passado e, chegou finalmente este ano à Portugal com o título A Quimera de Praga.

  Days of Blood and Starlight é a sua sequela e foi publicado em 2012, estando traduzido para vinte línguas, incluindo a nossa. Venceu o DABWAHA Romance Tournament for Best Novel with Romantic Elements.


Opinião
  Foi com reminiscências de conto de fadas, amores proibidos e extravagância que Laini Taylor me conquistou. Foi com bizarrias, sussurros de sonhos e o sabor de uma inimizade antiga e dolorosamente longa que me tentou. Mas foi a fútil vingança, o sangue inocente derramado e o eco de esperança que me fizeram adorá-la com convicção e quase, quase obsessão. Days of Blood and Starlight nada tem em comum com o seu antecessor e, muito menos, com o que imaginei que se seguiria. Sim, a sua imaginação monstrousamente bela está lá, entrelaçada com a escrita poética carregada de emoções, espelho da alma humana, quer na sua pureza, quer na sua vilania. Mas esqueçam a doçura e a inocência, risquem o felizes para sempre. Esta é uma sequela sangrenta e violenta, uma tempestade de selvajaria e desilusão. E é perfeita em cada linha de dor, em cada lágrima que provoca, em todos os arrepios que nos impõe. Poucos livros terão o poder devastador que este tem. E muito poucas autoras terão o ingrediente desconhecido que torna Laini Taylor uma contadora de histórias tão excepcional e única.

  Se Daughter of Smoke and Bone fosse o paraíso e o dia , este livro seria o inferno e a noite. Nada mais nos espera senão devastidão, sofrimento e morte nas suas páginas. Um povo destruído, um amor quebrado em mil pedaços, um sonho agora reduzido a cinzas marcam aquela que é uma jornada pelas razões inexistentes da guerra e do ódio. Página a página somos confrontados com uma realidade impossível de esquecer, que não deve aliás ser nunca esquecida. Não existem vencedores e perdedores. Causa alguma, diferença nenhuma é justificação para o massacre de inocentes. Razão nenhuma sobrevive ao derramamento do sangue e a culpa vergonhosamente nunca assumida, é de todos aqueles que colocam o ódio sobre a paz, a vingança sobre o perdão. Uma guerra cujos os primórdios se perderam em pecados mútuos, ela é a rainha destas linhas, a senhora que nos magoa sempre mais um bocadinho, aquela que provoca divisão e pesadelos, culpa e sacrifício naqueles que a abominam. E que, assustadoramente, faz delirar e apaixonar aqueles que nada mais conhecem senão os seus intuitos e desejos.

  Existe um abismo fundo, cheio de cicatrizes entre dois povos, dois amantes, um abismo cheio de remorsos, culpa e vergonha. Parece que não tem fim. Cada perda, cada palavra zangada, cada acto com intuito de magoar, apenas o aumentam ainda mais. Assistir impotente ao que a dor nos leva a fazer, é assustador por ser demasiado real. O que mais nos levaria a aliar-nos com o nosso pior inimigo, o que mais nos faria esquecer os nossos ideais e sonhos senão uma dor tão profunda? E afinal, o que é certo e errado? O que é mais importante? Um amor condenado pelas diferenças e pelo ódio ou as nossas raízes, o nosso povo massacrado, a nossa família destruída? São estas as questões que assolam Karou e a levam ao desespero, mesmo a desistir de tudo por um bem supostamente maior, por uma vingança que não compreende mas sente como sua. É difícil não tomarmos as suas dores, não compreendermos as suas indecisões e enfraquecimento, mas é o igualmente, a nossa vontade de a abanar e abraçar, de lhe abrirmos os olhos ou simplesmente protegê-la do seu coração dividido e estilhaçado. Por outro lado, sentimos o mesmo com Akiva e, esta mutualidade de sentimentos, leva-nos compreender que uma guerra nada mais é senão uma sequência de eventos destruidores que só muita coragem poderá parar.

  Apesar deste quadro negro, há contudo, um resquício teimoso e impossível de apagar, uma esperança fundada num amor idealista, um amor que criou um sonho, uma miragem onde a paz pode existir e persistir. Aquilo que Karou é, aquilo em que se pode tornar, é como uma corda bamba que não sabemos para onde irá pender, não sabemos se condenará tudo ou salvará o que resta. É, numas últimas páginas intensas, que se dão reviravoltas inesperadas, o auge de uma narrativa que, tal como uma tempestade, começa de mansinho até explodir com uma força esmagadora. E, de repente, o jogo mudou por completo, as peças trocaram de sítio, golpes são dados e, se uma guerra acabou de se tornar ainda mais assustadora, o impossível torna- possível. Mas poderão dores antigas ser esquecidas por uma causa maior? Não sabemos. No amor e na guerra, não há certezas. A alma humana é demasiado complexa, não existe preto e branco mas vários caminhos espinhosos onde nada é uma certeza.

  Days of Blood and Starlight é uma sequela complexa e devastadora, um hino ao coração humano, tanto nas suas falhas como nos seus méritos. É perfeição, e mesmo essa palavra parece tão fútil para descrever um livro que evoca em nós sentimentos tão poderosos. Quatro meses depois de o ter lido, ainda o sinto marcado a ferro. Sei que não o esquecerei e, certamente, que o final desta trilogia irá devastar-me. Sei também, que Laini Taylor se tornou uma musa a meus olhos, alguém que nunca terei palavras suficientes para descrever ou explicar. Devo-lhe um hiatus completo na minha rotina de blogger e leitora, mas agradecerei sempre cada linha por si escrita.





As minhas Opiniões da trilogia

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