sexta-feira, 24 de julho de 2015

Opinião - Incontrolável

Título Original: The Stranger I Married (#2 Historical)
Autor: Sylvia Day
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 328


Sinopse
O amor surge onde menos se espera

São o casal mais escandaloso de Londres. Isabel, Lady Pelham, e Gerard Faulkner, marquês de Grayson, são iguais em tudo: nos seus apetites sexuais, nos seus amantes constantes, na sua inteligência, nas reputações provocadoras e na recusa absoluta de arruinar o seu casamento de conveniência apaixonando-se um pelo outro. Isabel sabe que um rapaz tão encantador jamais lhe interessará e que nunca conseguirá influenciar o coração de libertino dele. É uma farsa muito agradável… até que uma surpreendente reviravolta tira Gerard do seu lado.
Agora, quatro anos mais tarde, Gerard regressou a casa para junto de Isabel. Porém, o homem despreocupado e travesso que partiu foi substituído por um homem taciturno, poderoso e irresistível que está decidido a empregar a sedução para conseguir o seu afeto. Desapareceu o companheiro despreocupado que partilhava a sua amizade e nada mais, e no seu lugar está a própria tentação… um marido que deseja o corpo e a alma de Isabel, e que não se deterá diante nada para conquistar o seu amor. Não, este não é o homem com que se casou. Mas é o homem que pode por fim roubar-lhe o coração… 


Biografia
Autora de mais de vinte romances premiados e traduzidos em mais de quarenta línguas, Sylvia Day é uma das romancistas de maior sucesso da actualidade, sendo também uma das mais lidas globalmente. Presidente actual da Romance Writers of America, Sylvia começou a escrever em 2001 mas foi com a sua série Crossfire, onze anos depois, que o seu nome ficou na boca do mundo. Considerada a rival mais directa de E. L. James, Sylvia já recebeu inúmeros prémios e, para além dos livros que já publicou, participou também em várias antologias e escreveu outros tantos contos. Participa em diversas conferências de leituras bem como em workshops e, para além de escrever como Sylvia Day, tem dois pseudónimos, escrevendo romance erótico em vários géneros. Crossfire tem os seus direitos para cinema vendidos à Lionsgate.

Publicado em 2007, Incontrolável foi o segundo dos quatro romances históricos que a autora escreveu antes de Crossfire, e está traduzido para nove línguas.


Opinião
  Depois de um início desconfiado e reticente com Sylvia Day, heis que hoje posso dizer, não sem algum espanto, que gosto. Sim, gosto dos seus livros, pelos menos dos seus romances históricos que é o que tenho lido. A verdade é que Sylvia sabe o que anda a fazer e negá-lo seria uma estupidez. Dona de uma escrita crua mas sensual, é com maturidade e experiência que esta autora cria as suas histórias, dando-nos um eco de realismo que a mulher do século XXI não só reconhece como agradece. E uma das provas disso é este Incontrolável, cuja história foge de preconceitos e normas, cujo casal se diferencia de tantos outros. E este posso dizer que, não só gosto, como é o meu preferido da autora. Sylvia excede-se com uma história que não é nada do que estamos a espera. Esta não é típica história de amor. Nem pensar. É uma história de amizade e luxúria, liberdade e extravagância que, nas suas linhas curvas e sedutoras, acabará por falar do amor como resultado de uma relação de compreensão entre duas almas feitas de fogo mas pouco dadas a afectos, duas pessoas que, no fundo, partilham uma igualdade raramente encontrada.

  Isabel e Gareth são tudo menos comuns e a sua história, feita de malícia e libertinagem, rapidamente nos envolve, não só pela química quase crua que os une como também pela amizade e respeito que nutrem um pelo outro. Sentimentos esses que no início lhes permite viver um casamento de liberdade e aceitação, mesmo com a diferença de idades e títulos à qual o mundo inteiro liga, menos eles. Mas um dia tudo muda e o que autora nos apresenta nesta narrativa é um jogo de luxúria e paixão, cujo prémio é, nada mais, nada menos do que a rendição. A premissa só por si, bastava para me deixar curiosa mas é a forma como Sylvia a desenvolve que realmente me agradou. Isabel e Gareth têm um acordo e uma relação sólida e estável capaz de o manter, mas mais do que isso, é a forma como se aceitam e respeitam, independentemente do resto do mundo, que me deixou intrigada com este casal. 

  O desenvolvimento da sua relação é escaldante de facto e a perseguição subtil e sedutora que Gareth faz a Isabel é capaz de deixar qualquer coração acelerado, mas é os pequenos gestos e hábitos entre eles mesmo quando as coisas estão a descambar que nos fazem acreditar que duas almas errantes como estas podem realmente ser felizes juntas. Não, a relação deles não começa nem é igual às outras, mas eles provam que ser livre para amar ou desejar, não condiciona que um dia não queiram ser amarrados à outra pessoa. Pelo contrário, o que eles acabam por provar com a sua história é que só vale a pena fazê-lo por alguém que não só se apaixone mas também compreenda e aceite a independência e personalidade da outra parte. Apesar da anterior relação existente entre eles, acabamos por assistir a uma conquista feita de pequenas aprendizagens, uma tentativa de ambas as partes para conhecerem por inteiro a outra pessoa, demonstrando que no amor é preciso esforço e dedicação mesmo quando a paixão arde de forma escaldante. Sim, porque estes dois são capazes de fazer corar até as pedras da calçada. A química entre estas duas personagens é qualquer coisa de assolador mas foi o resto que realmente me deixou enamorada deles. 

  Confesso que admiro Isabel. Admiro a sua independência, a sua força e coragem, a sua forma de ver a vida. É uma personagem forte e destemida que não liga patavina aos outros em seu redor e que vive como bem entende. É uma mulher com plena consciência do que é capaz e de quem é, e por isso é tão fácil gostar dela. Quanto ao Gareth, ele começa por ser um menino rebelde e libertino com um coração do tamanho do mundo mas depois de um certo acontecimento ele cresce e é tão espantoso ver como ele aprendeu com a vida, como agora dá valor a coisas realmente importantes. Ele muda, aceita outras prioridades, compreende que precisa de outras coisas na sua vida e faz por as ter, ele vai à luta como um verdadeiro gentleman, aceita a derrota quando tem de ser mas nunca desiste, e isso é de louvar. 

  Sim, Incontrolável é o meu livro preferido de Sylvia Day e aconselho-o às fãs do género, da autora, de casais extraordinários, de histórias escaldantes e amores fora do comum. Leiam-no, preferencialmente em casa, mas leiam-no porque esta senhora fez magia neste livro.


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