sábado, 31 de janeiro de 2015

Aquisições&Leituras *Janeiro*

  Depois de um mês Dezembro de loucos, veio o Janeiro. O fantástico e extraordinário Janeiro!

  Se este primeiro mês de 2015 for um auspício do resto do ano, tenho vos a dizer que vou ter um ano de sonho em leituras. Em nove leituras, a cotação mais pequena foi de 5*... a um livro. Yap, o resto foi corrido a 6* e 7* com muito amor e carinho. Mas já lá vamos.

  Quanto a aquisições, essas também foram muito boas, até porque poupei algum dinheirinho, o que é sempre bom. Mas bom mesmo é ver estas coisas lindas na minha estante. Por falar nisso, tenho uma estante nova! Dêem-me um aleluia!

A única coisa que me deixou um pouquinho insatisfeita este mês foi a falta de dinamização no blogue da minha parte. Preciso de rubricas novas, ou o que seja. Tenho de puxar pela cabecinha e ver se é este mês que faço isso...

  Mas mais importante do que isso tudo: O blogue fez 4 aninhos no dia 24 *.*




Aquisições

Os Luminares, Eleanor Catton
Longbourn, Jo Baker
Comprados com o cartão oferta da FNAC que a minha mãe me deu no Natal, estes dois livrinhos já eram desejados há algum tempo e finalmente vieram para casa.

 The Final Empire, Brandon Sanderson
Black Roses, Jane Thyne
Alguém me explica como podia eu resistir a minha edição preferida do The Final Empire,a metade do preço (ou menos) da edição da SdE? Pois, não podia. Muito menos podia resistur ao Black Roses a €4.

 Inverno Russo, Daphne Kalotay
Um Verão Inesquecível, Mary Balogh
Continuando a aproveitar promoções, estes dois estavam a 50% no Continente. E si, finalmente tenho o livro que deve estar há mais tempo na minha wishlist: o Inverno Russo. Já tenho desculpa para fazer um mês temático sobre a Rússia! Ou então não...

O Prazer, Nicole Jordan ~ Opinião
Oferecido pela parceira Quinta Essência, este livrinho não foi perfeito, mas também esteve longe de decepcionar.

 Eleanor&Park, Rainbow Rowell
Oferecido pela tia mais nova, apresento-vos a minha última leitura deste mês, próxima opinião, e um dos livros preferidos de sempre!!!! Corram a comprá-lo, corram!!!

Deep Blue - Opinião Rogue Wave, Jennifer Donnelly
Ignite, Sara B. Larson
Aproveitando o lançamento do Rogue Wave, aproveitei para o mandar vir e ao Deep Blue, que tinha lido o ano passado e gostado. Estes livros não têm uma capas lindas? O único senão é que o Deep Blue não veio na edição que queria, a da Disney-Hyperion. Pessoal, pesquisem os livros por ISBN, vão por mim, senão têm desgostos destes. Quanto ao Ignite, não amei de morte o seu antecessor mas estou suficientemente curiosa para o ler.

E claro que vos vou mostrar a estante nova! Nela estão os romances e a ficção histórica:




O Melhor do Mês
Ok, agora temos um pequeno problema... É que eu dei a cotação máxima a...3 livros.




O Pior do Mês
Este foi lido o mês/ano passado é certo, mas como fiz a opinião este mês, aqui está ele.




As outras Opiniões...

Separação, Lauren DeStefano
Um final devastador que me faz perdoar esta autora que adoro por ainda não ter escrito o livro perfeito.

Tentação Perfeita, Lisa Kleypas
Muito fofinho, este livro fez-me relembrar porque adoro a família Bowman. Ou melhor, os filhos.

Novo vício! Um início viciante e divertido que mostra como usar mitlogia nos livros sem andar a inventar (mais ainda).

The Assassin's Curse, Cassandra Rose Clarke
Outra nova autora preferida! Este livrinho é super divertido e cativante. Ideal para fãs de piratas.



E...


Passatempos de Aniversário I e II



Próxima Opinião


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Opinião - O Prazer

Título Original: The Prince of Pleasure (#5 Notorious)
Autor: Nicole Jordan
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 368


Sinopse
Jeremy Dare North, marquês de Wolverton, é um espião e um libertino. Frio e calculista, no passado tinha sido um jovem apaixonado, disposto a fugir e a deixar tudo pela sua amada. Mas a traição desta levou-o a alistar-se no exército e a fechar para sempre o seu coração. Anos mais tarde, quando a traição ameaça a Coroa, Dare vê-se forçado a recrutar Julienne, o seu primeiro e único amor, para o ajudar a desmascarar um traidor mortífero. Forçada a trair o único homem que amou, Julienne quer apenas esquecer a terna paixão que ambos conheceram em jovens. Porém, quando Dare anuncia publicamente que a tomará de novo como amante, ela responde ao desafio com um da sua autoria: fazer ajoelhar aquele homem arrogante. O reencontro do casal desencadeará muitas paixões e um perigoso jogo de sedução. No final, juntos descobrirão o que Dare negou toda a sua vida: que não existe maior prazer que o verdadeiro amor.


Biografia
  Tendo crescido num ambiente militar, Nicole mudou de casa frequentemente graças às deslocações do pai, acabando por fazer o ensino secundário na Alemanha. Acabaria por regressar para tirar Engenharia Civil no Georgia Tech e hoje mora com o marido nas Montanhas Rochosas mais as suas crianças (os cavalos).

  Com mais de vinte livros publicados, Nicole começou a escrever em 1987 e nunca mais parou. Cinco milhões de livros impressos, vários bestsellers e prémios, já a consagraram como uma das autoras mais lidas do género.

  O Prazer é o último volume da sua segunda série mais popular, Notorious, e a única publicada em Portugal. Está traduzido para cinco línguas e foi publicado pela primeira vez em 2003.


Opinião
  Eu não podia voltar a ignorar o poder de sedução de Nicole Jordan depois de ter lido o sonhador O Êxtase, livro que me relembrou a sua capacidade para escrever histórias cheias de humor e provocação. Por isso, foi com uma grande vontade de me perder por umas horas na escrita escandalosa e romântica desta senhora, que iniciei a leitura de O Prazer, um romance quase à altura das minhas expectativas. Escaldante do início ao fim, surpreendentemente terno e esperançoso nalguns momentos, este livro podia ter sido perfeito. Mas, mesmo não o sendo, é impossível não nos deixarmos arrebatar por um amor que sobreviveu a tudo, como o de Dare e Julienne.

  O romance é tórrido, de tal forma que muitas vezes sentimos o calor transbordar das páginas. É quase uma dança a forma como os protagonistas se enredam um no outro, primeiro por vingança e desejo, depois por amor e rendição. Ao longo de uma narrativa provocante, vamos desfazendo uma teia de mal-entendidos, traições e mentiras, o que culminará, finalmente, em confissões amargas e chocantes, mas também libertadoras. Da primeira à última página, somos arrebatados pela obsessão, pela intensidade da fúria e paixão que Dare e Julienne sentem um pelo outro, para depois sermos surpreendidos pela doçura das suas lembranças e dos seus perdões. Um casal que vai do gelado ao escaldante em segundos, eles são tão intensos que por vezes o leitor até se pode sentir sufocado pelos seus sentimentos extremos.

  Mas esta história não é só feita de lençóis enrodilhados. Temas controversos como a prostituição, a violação e a queda social são abordados ao longo desta história através do passado de uma personagem, que de uma forma admirável, acaba por expor as situações degradantes a que se sujeitou com grande coragem. Esta é, aliás, uma das razões porque gosto desta autora, por abordar assuntos tabu com tanta intensidade mas, neste livro achei que à dada altura já se estava a cair um bocadinho para o exagero. Por outro lado, a parte da espionagem serviu para trazer mais momentos de perigo e acção à história, pois apesar de incluir extorsão e assassinatos, serviu para desanuviar um pouco do romance.

  Não que eu não tenha gostado da Julienne e do Dare. A Julienne é uma mulher directa e corajosa, alguém que não tem pudor em assumir quem é. Já o Dare tem muitas camadas camufladas, ora um sedutor libertino, ora um menino perdido. Mas acabei por não criar uma verdadeira empatia com eles, apesar de funcionarem muito bem como casal, porque a relação deles é tão intensa que por vezes parecia exagerada. Além de que eles demoram imenso tempo a resolverem os problemas um com outro, quando é notário que isso devia ter sido a primeira coisa que deviam ter feito em vez de tornarem os seus sentimentos ainda mais confusos. 

  O Prazer só peca realmente por ser exagerado nalgumas partes. Preferia que a minha atenção tivesse sido conquistada e não exigida. Mas não quer dizer que não o aprecie nem recomende. Pelo contrário, acho que qualquer amante de romance histórico deve ler Nicole Jordan.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Opinião - Entre o Agora e o Nunca

Título Original: The Edge of Never (#1 The Edge of Never)
Autor: J. A. Redmerski
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 464


Sinopse
Camryn Bennett decide, com a impetuosidade dos seus 20 anos, abandonar um quotidiano previsível e aventurar-se numa viagem sem destino em busca de si própria. Entra num autocarro de longo curso e deixa-se ir ao sabor do momento. É então que conhece a pessoa que irá mudar para sempre a sua vida - Andrew Parish, um jovem que vive a vida intensamente. O espírito livre e aventuroso de Andrew exerce sobre Camryn um poderoso fascínio e, pouco a pouco, vai quebrando as suas defesas, libertando-a das convenções que a impedem de viver plenamente o presente e expondo os seus desejos mais secretos. Sensual e inspirador, este romance fala-nos do amor, da paixão, do erotismo... e da coragem de vivermos até ao limite sem nos trairmos a nós próprios. 


Biografia
  Jessica Ann começou a auto-publicar os seus livros em 2012 mas, com o sucesso gigantesco de Entre o Agora e o Nunca, rapidamente foi contactada por uma editora, com a qual publicou mais três livros, incluindo Entre o Agora e o Sempre. Apesar disso, continua a auto-publicar algumas das suas obras.
  Apaixonada por livros e cinema, J.A. tem entre os seus filmes preferidos Dracula de Bram Stocker, Clube de Combate, O Advogado do Diabo, Matrix, a saga Harry Potter e a trilogia O Senhor dos Anéis. Também é uma fã de séries, sendo a sua preferida The Walking Dead. E claro que um dos seus sonhos é viajar pelo mundo de mochila às costas acompanhada do seu “parceiro no crime”.

  Entre o Agora e o Nunca foi publicado em 2012 e está traduzido para dezassete línguas.



Opinião
  Enquanto leitora já encontrei centenas de histórias de amor. Algumas memoráveis e intemporais, outras banais e iguais a tantas outras. Quanto a este livro, estava céptica, confesso. Não acreditava que me fosse marcar de alguma forma. Achava que era mais uma história de amor que iria gostar mas esquecer rapidamente. Mas, por vezes engano-me. A verdade é que, Entre o Agora e o Nunca nada tem de banal. Muito pelo contrário. J.A. Redmerski dá-nos uma história feita de momentos vividos no presente, momentos cheios de intensidade e entrega, sem planeamento, sem regras e medidas. Com uma escrita que glorifica a juventude, o amor e o presente, esta autora envolve-nos através de uma escrita viciante e deliciosa, capaz de nos fazer rir às gargalhadas bem como chorar até ao infinito. Preparem-se para corar até aos pés, exasperarem-se de tal forma que os vossos olhos revirar-se-ão montes de vezes. Preparem-se para viver em plena luz do dia, os sonhos que não contaram a ninguém.

  Podia ser uma história como outra qualquer. Uma rapariga vira às costas à sua vida normal, às expectativas da sociedade, ao passado e ao futuro. Um rapaz tenta fugir das probabilidades e adiar o inevitável. Só que eles encontram-se. Perdidos e magoados com tudo, sedentos por tudo, juntos percorrerão os caminhos dolorosos e gloriosos do amor, numa tentativa quase obcecada de descobrir os sentidos da vida, os caminhos curvos do destino. Numa narrativa poderosa e arrepiante, os nossos alicerces são abalados, a nossa alma devastada. É impossível ficarmos indiferentes às emoções, pensamentos e actos de Cam e Andrew. É impossível não nos revermos neles, não os admirarmos, não sentirmos uma certa inveja da sua coragem para mandar tudo à fava e partirem sem rumo. 

  Uma história intensa, por vezes doce e calma, outras tempestuosa e dramática, ela acaba por nos fazer enfrentar os medos de uma geração da qual tudo foi exigido. Fala-nos de rejeitar as expectativas da sociedade e da família, sobre descobrirmos quem realmente somos e o que queremos, sobre viver o dia e não temer os anos longínquos. Um romance único e inesquecível sobre agarrar segundas oportunidades e deixar-nos levar ao sabor do vento, ou melhor, dos desejos, dos sonhos, das paixões, que nos provoca até ao limite e impede a passividade, este livro é, permitam-me a expressão, um grande vai-te lixar às comodidades, às banalidades, ao comum, ao aborrecido. Ao som de músicas memoráveis das décadas em que elas tinham um sentido e um propósito, do motor ronronante de um carro da altura em que eles eram feitos para ser admirados, somos apanhados numa estrada sem fim, cheia de maravilhosas possibilidades.

  Mas este livro não seria esta explosão de sentimentos senão tivesse Cam e Andrew como protagonistas. Nem pensar. São eles que dão alma e coração às páginas que devorámos insanamente. Cam com o seu jeito de miúda inocente e retraída, e que nos vai maravilhando com o seu deslumbramento enquanto descobre que quebrar as regras de vez em quando sabe demasiado bem. Andrew por ser quase perfeito, não fosse ser um insensato que esconde coisas que não devia. Sim, eles com os seus defeitos e medos é que nos levam aos limites. De tal maneira, que apesar de eu achar que no fim acontece tudo muito rápido, acabei por os perdoar. Porque afinal, eles não vivem a vida sobre as expectativas de ninguém. Nem mesmo dos leitores.

  Entre o Agora e o Nunca é um livro que deve ser devorado e apreciado. É uma história que nos canta à alma, que nos arrebata e, mesmo nos seus piores momentos, ensina-nos o quanto a vida é preciosa e que o presente é para ser vivido até ao limite. Afinal, o que é um futuro senão tivermos recordações resplandecentes do passado?

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Opinião - The Assassin's Curse

Título Original: The Assassin's Curse (#1 The Assassin's Curse)
Autor: Cassandra Rose Clarke
Editora: Strange Chemistry
Número de Páginas: 298


Sinopse
Ananna of the Tanarau abandons ship when her parents try to marry her off to another pirate clan. But that only prompts the scorned clan to send an assassin after her. When Ananna faces him down one night, armed with magic she doesn't really know how to use, she accidentally activates a curse binding them together. 

To break the spell, Ananna and the assassin must complete three impossible tasks--all while grappling with evil wizards, floating islands, haughty manticores, runaway nobility, strange magic...and the growing romantic tension between them.


Biografia
  Cassandra Rose Clarke formou-se em Inglês e Escrita Criativa, dando actualmente aulas sobre composição e retórica. É dona de dois gatos e fez de Oráculo numa adaptação de Rei Édipo inspirada em Star Wars.

  Publicou o primeiro livro em 2012, The Assassin's Curse, vencedor do YALSA's 2014 Best Fiction for Young Adult.


Opinião
  O meu fascínio por piratas vem de há muito tempo. Os livros de Emilio Salgari e o tenebroso A Ilha do Tesouro, suscitaram-me cedo o gosto pelas aventuras no mar, gosto que o franchising Piratas das Caraíbas e a série Velas Negras só viria a intensificar. Sou, aliás, daquelas pessoas que pensa que já não há livros suficientes sobre piratas, ou não tenho a sorte de os encontrar. Foi fácil então convencerem-me a ler este The Assassin's Curse, um livro sobre piratas e assassinos cheio de magia que se revelou uma leitura entusiasmante, impossível de se largar, que evoca os perigos e aventuras dessas saudosas histórias que me encantaram na infância. Cassandra Rose Clarke é detentora de uma imaginação fértil e de uma escrita fluída e viciante, que impregnada de humor e um leve drama, tem a capacidade de nos transportar para as páginas do seu livro, fazendo-nos esquecer o mundo real por umas deliciosas horas de diversão. Por isso não se espantem se, enquanto estiverem a ler, forem capazes de sentir o sabor salgado do mar ou a secura do deserto. Prometo-vos que é algo normal quando se trata deste livro.

  Com subtileza, é nos apresentado um mundo que vai buscar múltiplas culturas e conhecimentos, onde não falta magia de todos os géneros nem heróis e vilões de todos os tipos. Um mundo complexo e bem construído mas que deixa o suficiente em branco para que possamos dar rédea solta à nossa imaginação, esta história tem um pouco de Mil e Uma Noites, um pouco de Barba Negra, e outras coisas que nada têm a ver. Mas essa aparente salganhada acaba por resultar numa narrativa cheia de acção e percalços, com muitos momentos hilariantes e onde o mistério nunca acaba, pois cada revelaçãozinha só dá azo a uma curiosidade ainda mais insana. Cada aventura, fuga, luta, zanga, e sabe-se lá que mais tragédia que acontece, permite-nos descobrir um pouco mais desta história bem como das personagens. É engraçado como, apesar do ritmo viciante que esta leitura tem, o desenvolvimento da relação entre os protagonistas acaba por ser tortuosamente mais lenta, o que surpreendentemente, em vez de nos aborrecer, só nos leva a deliciar-nos ainda mais com Naji e Ananna, inimigos mortais que se exasperam até à medula.

Deixem-me falar aliás, de como o Naji é desesperante. Um túmulo sobre tudo o que a ele concerne, o assassino é capaz de nos irritar profundamente mas, conforme vamos descobrindo coisas sobre o seu passado e as suas fragilidades e temores, acabámos por lhe ganhar um certo carinho e uma necessidade de o proteger que, por mais que ele tente se fazer de mau, não evapora nem um bocadinho. Nem quando ele é parvo e esconde o que não deve. Já a Ananna, a nossa pirata, é impulsiva, resmungona e não precisa que ninguém a salve, pois é desenrascada e corajosa que chegue. É tão refrescante ter uma protagonista que não se deixa abalar por nada, mesmo quando a sua fé é perigosa e inconsciente. Apesar de serem tão diferentes, a Ananna e o Naji acabam por se complementarem e é muito interessante ver como a sua relação vai evoluindo conforme se conhecem melhor. As personagens secundárias são mais misteriosas mas não menos carismáticas, e para o mal ou para o bem, todas acabam por ter o seu papel nos destinos do assassino e da pirata.

  The Assassin's Curse é uma mistura entre velhas histórias e originalidade, o que lhe vale uma “personalidade” marcante e carismática que vicia o leitor nas suas páginas, tão bem criadas e desenvolvidas pela autora, Cassandra Rose Clarke, um talento escondido que merece e deve ser descoberta.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Baralho de Cartas *TAG*


  Vi esta TAG no blogue Danii Reads e achei que seria a ideal para 1ª TAG de 2015. Primeiro, porque adoro baralhos de cartas e jogar às cartas. Segundo, porque é muito gira. 

  Curiosidade: o meu naipe preferido é o de Espadas.

  É original do canal A Mulher que Ama Livros



Ás de Ouros - Ter muitos livros pode ser considerado uma herança. A quem deixarias os teus livros num testamento.
  Neste momento doava às minhas amigas e espero que isto não as leve a planear a minha morte precoce. Meninas eu adoro-vos e a vossa vida sem mim não teria piada, lembrem-se disso. 
  Mas gosto de imaginar os meus livros a passarem de geração em geração. Espero ser a primeira de um grande grupo de leitores na família.


Dois de Copas - Um casal improvável com bastante em comum. Junta duas personagens de livros diferentes mas que funcionariam como casal.
  Que fique bem explícito que acho que ambas as personagens estão muito bem entregues aos seus respectivos mas, quando li esta pergunta foram eles que me vieram à cabeça: o Heitor de Predestinados e a Essie do Stitching Snow. Ambos tentam fazer o melhor pelos outros antes de pensarem neles, são excelentes guerreiros e inteligentes, apesar do Heitor ferver mais depressa que a Essie. 
  Por isso, acho que ficariam bem juntos. Se, e só se, os respectivos não existissem.


Sete de Paus - Depois do trabalho árduo, a recompensa. Aquele livro com uma escrita difícil mas super endoidecedora.
  O Tolstoy pode dar comigo em doida com aquela escrita super descritiva mas, ao mesmo tempo, deixa-me literalmente a babar. Principalmente com o Anna Karenina.


Valete de Espadas - De batalhas é feita a história. Uma passagem descritiva de guerra/batalha que tenhas gostado de ler.
  A minha preferida e aquela que me ficou na memória como a mais épica é a batalha de Helm's Deep, em As Duas Torres. Ninguém nos arrepia com uma descrição de guerra como o Tolkien, ninguém.


Rainha de Copas - Figura forte e cheia de poder. Revela-nos um livro escrito por uma mulher que tenhas gostado muito.
Um?? Só um?? Isso é uma missão impossível... Ok, se tem mesmo de ser, a resposta óbvia é A Filha do Sangue de Anne Bishop. 


Joker - Num jogo sempre que o Joker aparece o valar das cartas altera-se. Qual foi o autor que entrou na tua vida e mudou muita coisa.
Sem dúvida a J.K. Rowling. O Harry Potter mudou a minha vida de leitora para sempre. Apesar de já ler, bastante, antes de conhecer esta saga, foi a primeira pela qual fiquei histérica, a que me levou a adorar fantasia, a primeira pela qual chorei, a primeira pela qual arranquei cabelos para ter o final. Essas reacções normais num bibliófilo.


sábado, 24 de janeiro de 2015

Passatempo Aniversário II

  E continuámos a comemorar o 4º Aniversário do blogue desta vez com o apoio da Planeta Manuscrito!

  Porque não só é um dia comemorativo pessoal mas, também, porque esta semana comemorámos o aniversário da libertação do campo de Auschwitz, tenho para vos oferecer um exemplar do livro 28 dias, de David Safier.

 Para se habilitarem a ganhar o livro, têm de ser obrigatoriamente seguidores do blogue, seja qual for o meio, responderem acertadamente às questões colocadas abaixo e devem ter em atenção as regras de participação. O sorteio será feito aleatoriamente pelo random.org. 

  As respostas podem ser encontradas aqui.


Regras de Participação:

1. Passatempo válido até 23h59 do dia 7 de Fevereiro de 2015.

2. Só é possível uma participação por pessoa e email.

3. Só serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.

4. O vencedor será sorteado aleatoriamente através do random.org e será posteriormente contactado por e-mail e o resultado será anunciado aqui no blogue.

5. Todas as participações com questões erradas e/ou que não obedeçam às regras serão automaticamente anuladas.

6. A administração do blogue não se responsabiliza pelo possível extravio no correio de exemplares enviados pela própria e/ou pela editora.


Passatempo Aniversário I

  Vamos começar a comemorar o 4º Aniversário do blogue com o apoio da Quinta Essência!

  Porque são vocês que merecem as prendas, tenho para vos oferecer um exemplar do livro Louca por Compras espera um bebé, de Sophie Kinsella.

 Para se habilitarem a ganhar o livro, têm de ser obrigatoriamente seguidores do blogue, seja qual for o meio, responderem acertadamente às questões colocadas abaixo e devem ter em atenção as regras de participação. O sorteio será feito aleatoriamente pelo random.org. 

  As respostas podem ser encontradas aqui.


Regras de Participação:

1. Passatempo válido até 23h59 do dia 7 de Fevereiro de 2015.

2. Só é possível uma participação por pessoa e email.

3. Só serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.

4. O vencedor será sorteado aleatoriamente através do random.org e será posteriormente contactado por e-mail e o resultado será anunciado aqui no blogue.

5. Todas as participações com questões erradas e/ou que não obedeçam às regras serão automaticamente anuladas.

6. A administração do blogue não se responsabiliza pelo possível extravio no correio de exemplares enviados pela própria e/ou pela editora.


4º Aniversário


Quatro anos, 1197 posts, 863 seguidores, 187 000 visualizações.

  Podia-se contar assim a vida do Chaise Longue, mas estes mais de mil dias foram muito, muito mais do que números e gráficos. Foram feitos de novos mundos, novas aventuras, novs amigos, fora e dentro de páginas. Preenchidos de pequenas vitórias que me alegraram em muitos dias negros. 

  Todos os dias, agradeço o momento de inspiração que me levou a criá-lo. Todos os dias agradeço os seguidores e amigos que têm sempre uma palavra querida a oferecer. Sei que todos os anos me repito mas obrigada, do fundo do coração, pelo apoio, pelos comentários, por tudo. Obrigada por manterem este blogue, não vivo, mas cheio de vida e amor aos livros.

Parabéns a mim e parabéns a todos os que seguem o Chaise Longue.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Opinião - Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo

Título Original: The Lightning Thief (#1 Percy Jackson)
Autor: Rick Riordan
Editora: Casa das Letras
Número de Páginas: 331


Sinopse
Percy Jackson está prestes a ser expulso do colégio interno...novamente. E esse é o menor dos seus problemas. Ultimamente, criaturas fantásticas e os deuses do Olimpo parecem estar a sair das páginas de mitologia para entrarem na sua vida. E o pior de tudo é que ele parece ter enfurecido alguns deles. O raio-mestre de Zeus foi roubado e Percy é o principal suspeito.
Agora, Percy e os seus amigos têm apenas dez dias para encontrar e devolver o símbolo do poder de Zeus e restabelecer a paz no Olimpo. Para o conseguir terá de fazer bem mas do que descobrir o ladrão: terá de enfrentar o pai que o abandonou, resolver o enigma do Oráculo e desvendar uma traição mais ameaçadora e poderosa do que os próprios deuses.

Biografia
Nascido numa família de artistas e professores, Rick Riordan queria ser guitarrista mas acabou por mudar de ideias e formar-se em Inglês e História, tornando-se professor, também. Na juventude metia-se em sarilhos, como criar um jornal a gozar com a escola, o que lhe valeu a equipa de futebol lançar-lhe ovos ao carro. O primeiro livro que leu foi O Senhor dos Anéis, que deve ter lido umas dez vezes. Gosta de mitologia, grega e nórdica, desde que estava na escola básica e tentou publicar o seu primeiro livro aos 13 anos. Não conseguiu. Mas em 1997 publicou o seu primeiro livro, o início da sua série de mistério Tres Navarre. O seu primeiro trabalho foi como director de música num campo de férias, o que o viria a inspirar mais tarde para a sua famosa série, Percy Jackson. Gosta de ler, nadar, tocar guitarra e viajar com a família e desistiu de ensinar mitologia para escrever sobre ela.

Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo, foi publicado em 2005 mas começou por ser uma história que Rick começou a contar ao filho depois de este lhe ter pedido, após ter ouvido todos os mitos possíveis à hora de dormir, para inventar uma história nova sobre um semi-deus. Depois de três noites a ouvir a história de Percy, o filho do autor disse-lhe que ele devia publicá-la. Rick assim o fez. Traduzido para 31 línguas e vencedor de 13 prémios, foi adaptado para cinema em 2010.


Opinião
  Há muito, muito tempo vi o trailer de um filme que era tão horrendo, tão horrendo que quando descobri ser baseado num livro, jurei solenemente nunca ler tal obra. Ora, todos nós sabemos que as promessas são para ser quebradas. Ou era as regras? Bem, não interessa. O que interessa, é que apesar de todas as minhas boas intenções, devido a manipulações alheias, acabei por ler o tal livro. E descobri, para meu pasmo e deleite, que o livro de horrendo só tinha mesmo os monstros mitológicos. Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo é, na realidade, uma readaptação inteligente e divertida da mitologia grega, que mantém a essência dos mitos e dos deuses enquanto os transporta para um cenário actual onde, espantosamente, eles parecem encaixar na perfeição. Misturando monstros, deuses e profecias, com campos de férias, aviões e casinos, Rick Riordan consegue, de uma forma refrescante e juvenil, que por vezes (muitas) pode tender para o taciturna e sarcástica, criar uma história memorável e viciante cujo herói, o por vezes impertinente Percy, ganha aos pontos aos seus irmãos e primos divinos.

  Com um ritmo alucinante e uma grande dose de adrenalina, este livro é absolutamente impossível de se largar. Repleta de acção, esta história é marcada pelas muitas aventuras e desventuras que o jovem protagonista e os amigos vivem, seja numa normalíssima cidade americana, seja no Submundo ou mesmo no Monte Olimpo. A diversão é garantida, seja pelas muitas picardias entre os deuses e os seus descendentes, seja pelo sarcasmo, impertinência e espertice que abundam nestas páginas. Apesar da simplicidade da narrativa, algumas surpresas ajudam a intensificar o ritmo da história, bem como a forma original e inteligente como a mitologia é embutida no Ocidente de hoje. E, também, como os mitos são recontados e transformados para se adaptarem à história, sendo reconhecíveis mas nunca aborrecidos. Mas não se deixem enganar. Por baixo de alguma subtileza temas sérios como as famílias monoparentais, a deliquência juvenil ou a dislexia são abordados de forma leve em situações pontuais, relembrando-nos que mesmo uma criança de 12 anos tem os seus problemas, mesmo, e principalmente, quando é filho de um deus.

  Percy é uma desgraça ambulante. Não sabe quando estar calado ou quieto, isto quando não está com um ar taciturno e impertinente. Ou seja, é adorável até a médula. Apesar do seu ar de miúdo problemático, Percy acaba por se revelar um rapaz com muitas inseguranças e também detentor de um grande coração. Uma coisa que adorei neste livro foi ele não ser mais um filho de Zeus. Aliás, a escolha do pai para mim foi perfeita, já que é um deus pouco explorado. O que me leva ao Panteão que apesar de caricatural nalgumas situações, não podia ser mais fiel às características e personalidades que associo a estes deuses, dos quais espero ver mais nos próximos livros. Resta-me falar-vos da miúda mais fantástica à face da Terra desde a Hermione: Annabeth. Ela é, exactamente, como imaginava que seria uma filha da mãe dela. Sabichona, bem-comportada mas não em demasia, orgulhosa e desenrascada. Fofa como tudo, apesar que o prémio de fofo vai para o Groover, o sátiro que mais adoro desde o Phil do Hércules da Disney. Ele é um desastrado e um perigo mas é tão fofo. Mesmo fofo.

  Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo é assim, não só um excelente início de série como também uma surpresa que me deixou bastante empolgada e, com a maldita sensação, que eu já devia ter lido isto há mais tempo!

Tentações: O Prazer [Quinta Essência]

A partir de hoje na sua livraria Leya



Título: O Prazer
Título Original: The Prince of Pleasure
Autor: Nicole Jordan
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 368
Preço: €16.60
ISBN: 9789897261619



*Nicole Jordan*
Autora best seller internacional de inúmeros romances históricos, arquitecta contos de deleite que fazem o leitor ferver de paixão e sensualidade. Nicole cresceu num ambiente militar, o que a levou a sofrer várias deslocações. Frequentou o Ensino Secundário na Alemanha e mais tarde diplomou-se em Engenharia Civil no Georgia Tech. Actualmente, vive nas Montanhas Rochosas do Utah, com o seu marido e os seus cavalos. Autora de mais de duas dezenas de romances históricos e de cinco milhões de livros impressos, com enredos de épocas e locais diversos, Nicole tira agora prazer da escrita nos ambientes excitantes e envolventes de amantes da alta sociedade em jogos de sedução matrimoniais. Um dos seus romances teve a honra de ter despertado a atenção humorística de Jay Leno no The Tonight Show.



Orgulho e Prazer
Sinopse:  Jeremy Dare North, marquês de Wolverton, é um espião e um libertino. Frio e calculista, no passado tinha sido um jovem apaixonado, disposto a fugir e a deixar tudo pela sua amada. Mas a traição desta levou-o a alistar-se no exército e a fechar para sempre o seu coração. Anos mais tarde, quando a traição ameaça a Coroa, Dare vê-se forçado a recrutar Julienne, o seu primeiro e único amor, para o ajudar a desmascarar um traidor mortífero. Forçada a trair o único homem que amou, Julienne quer apenas esquecer a terna paixão que ambos conheceram em jovens. Porém, quando Dare anuncia publicamente que a tomará de novo como amante, ela responde ao desafio com um da sua autoria: fazer ajoelhar aquele homem arrogante. O reencontro do casal desencadeará muitas paixões e um perigoso jogo de sedução. No final, juntos descobrirão o que Dare negou toda a sua vida: que não existe maior prazer que o verdadeiro amor.




Uma Tentação Porque...
 Gostei muito do livro anterior, O Êxtase, portanto espero muitas coisas boas deste.


Disponível aqui

domingo, 18 de janeiro de 2015

Opinião - Tigana, A Voz da Vingança

Título Original: Tigana (#1.2 Tigana)
Autor: Guy Gavriel Kay
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 320


Sinopse

O príncipe Alessan e os seus companheiros puseram em marcha um plano perigoso para unir a Península de Palma contra os reis despóticos Brandin de Ygrath e Alberico de Barbadior, numa tentativa de recuperar Tigana, a sua terra natal amaldiçoada. Brandin é um rei maquiavélico e arrogante, mas encontrou em Dianora alguém à sua altura e está cativo da sua beleza e charme. Alberico está cada vez mais consumido pela ambição, cego a todas as ciladas em seu redor. Entretanto, o nosso grupo de heróis viaja pela Península, em busca de alianças e trunfos decisivos que podem mudar a maré da batalha a seu favor. Alessan está mais moralmente dividido que nunca, Devin já não é o rapaz ingénuo que era, Catriana apenas deseja redenção e Baerd descobre uma nova magia na Península. Conseguirá Tigana vingar a memória dos seus mortos? Ninguém consegue prever o fim nem as perdas que irão sofrer. Sacrifícios serão feitos, segredos antigos serão revelados e, para uns vencerem, outros terão forçosamente de tombar.



Biografia
  Quando Christopher Tolkien precisou de um assistente para editar o trabalho do pai, escolheu um estudante de Filosofia cujos pais eram amigos da sua segunda esposa, Baillie, um jovem chamado Guy Gavriel Kay. Guy mudou-se para Oxford em 1974 para ajudar Christopher com a edição d’O Silmarillion e durante esse processo aprendeu bastante sobre escrita e edição e também ganhou um gosto pela fantasia, um gosto que o levaria, após terminar a sua graduação em Direito, a começar a escrever ficção.

  Anos mais tarde, Guy publicou o seu primeiro livro, A Árvore do Verão, o início da trilogia A Tapeçaria de Fionavar, onde a influência de Tolkien era bem visível e que foi lida por gerações de leitores. Mas, foi em 1990 que Guy Gavriel Kay encontrou o seu lugar na Fantasia, com um livro que pela primeira vez mostrou a sua voz e estilos únicos e que iriam marcar todos os livros que seguiram. 

  Tigana é a obra-prima de Kay, o livro que revolucionou a Fantasia Histórica apesar de o autor preferir dizer que os seus livros não têm um género específico. Vencedor de dois prémios, nomeado para o Aurora, Tigana foi publicado em 1990 e está traduzido para dezasseis línguas.


Opinião
  Quando iniciei a leitura deste livro, há mais de um ano atrás, com a primeira parte, A Lâmina na Alma, tive a certeza de uma coisa. A certeza de que Guy Gavriel Kay é um mestre, um autor como poucos. Alguém que escreve com alma e coração, que entende, como ninguém, a plenitude e complexidade, não só do ser humano, como do que nos forma e diferencia. É sempre com genialidade que cria culturas e línguas, nações e políticas. É com uma voz de beleza ímpar que nos enche de arrebatamento com as suas histórias épicas, do mesmo cariz das lendas. A Voz da Vingança é aquilo que esperava que fosse: um final glorioso. Comprova, em absoluto, o porquê de Tigana ser considerado uma obra-prima. Termina, de forma perfeita, uma história que se fez de sangue, lágrimas e suor. Uma história magnífica sobre o poder do amor. Seja a uma pessoa, seja à pátria, seja a uma canção. Seja a um simples nome.

  Sabemos, desde o primeiro instante, que este não será um final feliz. Seja o que for que aconteça, sabemos que iremos sofrer. Sofreremos porque não conseguimos tomar partidos, porque esta história não é feita de heróis nem vilões, mas sim de homens e mulheres que a vida, o acaso e as escolhas, levaram por caminhos cobertos de fatalidade, caminhos nascidos das perdas, da desolação, da vingança e da justiça. Por isso, para uns vencerem, outros terão de perder. Para uns viverem, uns terão de morrer. Pois para a vingança se realizar, para a justiça ser feita, mais uma vez, tudo terá de mudar. E enquanto esta percepção toma conta de nós e nos asfixia e destrói, vemos o destino correr sem piedade, numa narrativa poderosa e sublime sobre a força das recordações, do reconhecimento de pertencermos a algum lugar, do amor seja a quem e ao que for.

  Num complexo puzzle cujas peças finalmente se encaixam, revelando não só crueldades enterradas mas também uma esperança fulgurante, apercebemo-nos que tudo é um ciclo vicioso, a menos que se perdoe, o que por vezes é impossível, porque não podemos esquecer actos de rancor e obsessão, não podemos esquecer as recordações, os rostos, as canções, o nome que foram a nossa vida. Mas, a tragédia patente nas palavras que formam esta narrativa, fala-nos também disso mesmo, de quando se perdoa, de quando se esquece, conseguindo assim a redenção e a felicidade que nunca pensámos encontrar. Ensina-nos, então, o respeito à memória e à pátria, a dívida aos caídos e perdidos, a obsessão da vingança. Na realidade, o perdão que pedimos na alma apesar de nunca o expressarmos em palavras. Mas também nos ensina que podemos seguir em frente, que podemos perdoar e recuar, que podemos amar o inimigo, que podemos sacrificar a vida, não pelo que foi, mas pelo que será.

  Alessan, Dianora, Baerd, Brandin, Devin, Catriana, e todas as outras personagens, tão belamente executadas, são ambíguas e complexas. São personagens feitas de luz e escuridão, de erros e glórias, de defeitos e qualidades. Não há santos nem pecadores nesta história. Há sim, personagens inesquecíveis que, cada uma à sua maneira, nos marcam pelo que são. Peões do destino que tentam mudar o rumo das suas vidas, que aprenderam pelas suas tristezas a procurar a felicidade e a aceitar quando a encontram.

  Tigana é uma obra-prima. É um livro que, quem o ler, jamais será capaz de o esquecer. É a prova que Guy Gavriel Kay não precisa de ser o herdeiro de nenhum autor de renome porque ele é um daqueles autores que nasceu com um dom só seu.


A minha Opinião da 1ª Parte

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Opinião - The Body Electric

Título Original: The Body Electric
Autor: Beth Revis
Editora: Scripturient Books 
Número de Páginas: 468


Sinopse
The future world is at peace.

Ella Shepherd has dedicated her life to using her unique gift--the ability to enter people's dreams and memories using technology developed by her mother--to help others relive their happy memories.

But not all is at it seems.

Ella starts seeing impossible things--images of her dead father, warnings of who she cannot trust. Her government recruits her to spy on a rebel group, using her ability to experience--and influence--the memories of traitors. But the leader of the rebels claims they used to be in love--even though Ella's never met him before in her life. Which can only mean one thing...

Someone's altered her memory.

Ella's gift is enough to overthrow a corrupt government or crush a growing rebel group. She is the key to stopping a war she didn't even know was happening. But if someone else has been inside Ella's head, she cannot trust her own memories, thoughts, or feelings.

So who can she trust?


Biografia
  Clássicos não são com Beth Revis e Shakespeare apenas entra na sua lista de leituras pelas piadas obscenas. O Young-Adult foi desde sempre o seu género de eleição, o género que procurava nas livrarias, o género no qual as suas histórias se enquadram. Formada em História e Literatura inglesa com especialização em fantasia, foi sobre a sua obra preferida do seu autor favorito de sempre, No Reino de Glome de C.S. Lewis, que fez a sua tese de mestrado.

  As suas histórias surgiram antes da faculdade mas foi durante esse período que os seus apontamentos que não o eram se tornaram em livros a sério. Quando o seu primeiro livro, Across the Universe, foi publicado em 2011, Beth teve de tomar a decisão mais difícil da sua vida, deixar a carreira de professora que adorava ou esquecer o sonho de escritora e Beth escolheu o sonho.

  The Body Electric é o novo livro da autora e foi publicado em 2014.


Opinião
  Quando li a trilogia Across the Universe, fiquei completa e perdidamente, rendida ao talento de Beth Revis, uma autora com uma escrita arrasadora e viciante, capaz de criar histórias poderosas sobre a alma humana e as consequências e efeitos da ciência. Por isso, não é de espantar que The Body Electric tenha sido uma leitura ansiada e desejada. Uma leitura que superou, não só todas as minhas expectativas, como comprovou a magnitude desta autora, revelando-se o seu melhor trabalho, sem quaisquer margens para dúvida. Uma história revigorante sobre o que é realmente ser se humano, sobre os limites do poder e os caminhos sinuosos da ciência, este livro assusta-nos, surpreende-nos, choca-nos. Mas mais importante ainda, faz-nos pensar. No passado, no futuro. Em quem somos e em quem queremos ser.

  Num cenário que celebra a beleza e a glóra do passado, bem como a simplicidade e força do futuro, somos presenteados com uma narrativa de acção constante, explosiva em tantos momentos, mas também, emotiva e conscenciosa noutros. Por vezes doce, por vezes revoltante, poderosa e tocante em cada palavra, esta é a história de como a perfeição, social e tecnológica, tem, muitas vezes, um preço demasiado elevado. Expondo sem medos as contradições e erros do desejo de superar a natureza e, consequentemente, mostrando-nos as maravilhas que o ser humano é capaz de alcançar, esta leitura fará com que nos questionemos: Saberemos quando parar? Saberemos quando ultrapassámos o intransponível? Revelações chocantes, mudanças imprevisíveis e traições inesperadas, pontuam um enredo que testa os limites dos sonhos e da criação. Que demonstra, para nosso terror que, entre a loucura e o génio, a guerra e a paz, a liberdade e a opressão, existe uma linha tão ténue e frágil que, demasiadas vezes, é esquecida. 

  Há descobertas, invenções, recriações que todos os dias nos maravilham, que rapidamente estão a ser conseguidas e tão, tão facilmente ultrapassadas. Um dia poderemos influenciar, descortinar e até controlar a mente de outra pessoa. Um dia, não saberemos diferenciar um ser humano de um robot. Um dia, poderemos não saber onde a nossa vontade começa ou sequer se existe. Um dia podemos não sentir. Levantando estes e outros temas controversos, Beth Revis envolve-nos numa corrida contra o tempo, na qual a vida humana, os nossos valores e sentimentos, poderão deixar de existir. Uma viagem de descoberta, cheia de perigos, que irá levar o leitor ao seu limite, que deixará o nosso coração a mil, a nossa respiração suspensa e a nossa mente numa montanha-russa. 

  Marcantes, extraordinariamente bem concebidas, extremamente apaixonantes, assim são as personagens desta autora. Prova disso, é a protagonista Ella Shepherd, que toca os nossos corações com a maneira sincera e poderosa com que sente, com que vive, com que sonha. Uma heroína surpreendentemente humana, ela apresenta uma complexidade única que, contudo, não abafa a presença das restantes personagens à sua volta. Para o bem e para o mal, cada uma delas é extraordinária. Seja pelos seus ideias, pelos seus defeitos ou criações.

  Superando em muito as minhas expectativas, The Body Electric iniciou as minhas leituras de 2015 da melhor das maneiras. Uma obra espectacular de uma autora que merecia mais atenção da que lhe é dada, este livro é obrigatório a todos os que pousarem os olhos nele.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Opinião - Tentação Perfeita

Título Original: A Wallflower Christmas (#5 Wallflowers)
Autor: Lisa Kleypas
Editora: 5 Sentidos
Número de Páginas: 192


Sinopse
«Foi mais do que um beijo… foi uma oração de beijos ininterruptos, com as sílabas quentes e doces dos lábios e da língua dele inebriando-a de sensações.»

Londres prepara o Natal, e o americano Rafe Bowman aguarda o seu encontro marcado com Natalie Blandford, a muito bela e respeitável filha de Lady e Lord Blandford. O aspeto sedutor e físico impressionante do jovem agradariam certamente à prometida, não fosse a sua reputação de libertino e as suas maneiras americanas.
As quatro amigas encalhadas dedicam-se, então, a ajudar o jovem pretendente, ensinando-lhe as regras da sociedade londrina e empenhando-se na aproximação dos futuros noivos. Contudo, o Natal é a época dos milagres, e o amor - essa emoção tão estranha a Rafe - ameaça brotar das mãos mais inesperadas.
Uma encantadora viagem aos recantos do coração, pela autora bestseller Lisa Kleypas, a rainha do romance erótico.


Biografia
  Uma das autoras de romance histórico mais aclamadas da actualidade, Lisa Kleypas, escritora há catorze anos, já publicou dez séries, mais de trinta livros e vários contos conjuntos com outras autoras, já venceu vários prémios e é uma das Romance Writers of America. Antes de iniciar a sua carreira enquanto escritora aos vinte e um anos, Lisa foi Miss Massachussets em 1985, tendo vencido o prémio de talento ao conquistar o júri cantando uma música cuja letra foi escrita por ela. Hoje esse prémio está na sua estante juntamente com aqueles que venceu enquanto escritora. É também licenciada em Ciência Política e vive no estado de Washington com o marido e os dois filhos. Wallflowers é a sua série mais aclamada e a primeira a ser publicada em Portugal. 

  Tentação Perfeita foi publicado em 2008 e o livro que termina na realidade a série Wallflowers. Está traduzido para oito línguas.


Opinião
  Lisa Kleypas não precisou de quatro livros para me conquistar, bastou o primeiro. Mas, cada um destes livros, cada uma das minhas Encalhadas, apenas me fez gostar ainda mais desta autora, tão capaz de misturar humor e romance na perfeição, como de criar personagens inesquecíveis e dar-nos finais felizes dignos de contos de fadas. Por isso, dizer adeus foi difícil, muito difícil. Mas coube ao destino que houvesse mais um livro e, Tentação Perfeita, não podia ter sido mais bem-vindo. Doce, natalício, divertido e apaixonado, este livro mata-nos as saudades, dá-nos mais uma maravilhosa história e volta a provar a capacidade de Lisa como escritora. Com uma escrita fluída, humorística e romântica, a autora delicia-nos com este último livro, este presente delicioso, do qual nem Dickens conseguiu fugir.

  A história do mais velho dos Bowman peca apenas por uma coisa: ser tão curta. As poucas páginas que compõem este livro não chegam, quer para desenvolver a narrativa que acaba por sofrer com isso, quer para saciar a nossa curiosidade sobre os destinos das quatro amigas que nos encantaram anteriormente. Uma narrativa demasiado rápida acaba por levar a um romance pouco desenvolvido e muito apressado, para muita pena minha, porque Rafe e Hannah são tão adoráveis como qualquer um dos casais anteriores. Contudo, apesar de saber a pouco, esta história não deixa de ser adorável e apaixonante. Cheia de peripécias, declarações inflamadas e beijos roubados, ela invoca o espírito do Natal e todos os sentimentos inerentes a ele como o amor, a amizade, a fraternidade e a esperança. E ninguém torna uma Véspera de Natal tão doce como Lisa, podem ter a certeza.

  Rafe e Hannah são duas pessoas completamente diferentes. Ele é um libertino, mandão, desbocado e convencido. Ela é senhora do seu nariz, conservadora, com resposta sempre na ponta da língua. Juntos, são como fogo de artifício, e cada momento deles é sempre recheado de ternura e desejo. Mas apaixonaram-se demasiado depressa. Esperava que demorassem um pouco mais e que tivessem mais momentos juntos para aprenderem a conhecer-se. Valeu, o reencontro com as Encalhadas e respectivos, onde podemos ver alguns momentos mais familiares e íntimos nas suas novas vidas conjugais mas, também, que a amizade que as juntou continua a ser tão forte, senão mais, do que no início.

  Tentação Perfeita não tem o brilho dos seus antecessores, é certo. Contudo, não deixa de ser um livro que nos delicia e enternece, para além de nos permitir matar as saudades.


As minhas Opiniões da série