sábado, 28 de fevereiro de 2015

Opinião - Scarlet

Título Original: Scarlet (#1 Scarlet)
Autor: A.C. Gaughen
Editora: Walker&Co.
Número de Páginas: 292


Sinopse
Many readers know the tale of Robin Hood, but they will be swept away by this new version full of action, secrets, and romance. 

Posing as one of Robin Hood’s thieves to avoid the wrath of the evil Thief Taker Lord Gisbourne, Scarlet has kept her identity secret from all of Nottinghamshire. Only the Hood and his band know the truth: the agile thief posing as a whip of a boy is actually a fearless young woman with a secret past. Helping the people of Nottingham outwit the corrupt Sheriff of Nottingham could cost Scarlet her life as Gisbourne closes in.

It’s only her fierce loyalty to Robin—whose quick smiles and sharp temper have the rare power to unsettle her—that keeps Scarlet going and makes this fight worth dying for.


Biografia
  A.C. Gaughen é uma noctívaga que continua apaixonada pela Escócia mesmo depois de ter regressado a Boston e que quer ser escritora desde que andava na creche.

  Adora História e ladrões, daí a paixãozinha secreta que tem por Robin Hood. Não é de espantar que o seu primeiro livro seja um retelling do mesmo.

  Scarlet foi publicado em 2012 e foi nomeado para o YALSA Teen’ Top Ten. Não está traduzido em qualquer língua.


Opinião
  O meu fascínio por Robin Hood é antigo, tão antigo que nem sei precisar o momento em que me apaixonei pela história do bandido que roubava aos ricos para dar aos pobres. Contudo, sempre me faltou algo na história: uma presença feminina que fizesse par com os rapazes do bando. Não, não sou fã da Lady Marian e, talvez por isso, Scarlet soava-me como um canto de sereia. Talvez por isso, se tenha revelado, numa centena de adaptações, aquela que me conquistou o coração. A.C. Gaughen não reconta apenas a história quase fielmente como ainda consegue dar-lhe um certo charme, uma certa feminilidade que nos faz querer, não ser uma dama em perigo, mas a moça do bando. Com uma escrita que evoca outros tempos, arcaica mesmo, e que espantosamente tem um certo encanto, a autora leva-nos de volta a Sherwood mas, desta vez, num tom feminista que é uma lufada de ar fresco numa história onde os rapazes dominavam.

  Esta podia ser uma adaptação como as outras. Afinal, a história não foge daquela que é a alma das aventuras de Robin Hood. Roubar aos ricos, dar aos pobres, irritar, fugir e enganar o xerife. O que torna então este livro diferente? Scarlet, obviamente. Detentora de um passado complicado e muito bem escondido, Scarlet é o elemento que proporciona as grandes surpresas numa história que mantém a alma da lenda mas à qual a autora conseguiu adicionar algumas reviravoltas e momentos que nos proporcionam algo bem diferente do que conhecemos. É aliás espantosa a sensação que temos ao longo da leitura, pois nuns momentos parece que sabemos exactamente o que vai acontecer e depois a história, ou a Scarlet, trocam-nos as voltas completamente. E, sinceramente, isso não a torna nem um bocadinho aborrecida, bem pelo contrário, já que nos dá algo novo e inesperado. A narrativa está cheia de acção, suspense e romance, fazendo-nos devorar as páginas sem darmos conta, para além de que, a voz pragmática e impulsiva da Scarlet é absolutamente deliciosa, mesmo nos seus momentos mais casmurros.

  É esse tom feminino, aliás esta personagem absolutamente fenomenal, que tornam este livro a caixinha de surpresas que é. Scarlet é uma personagem complexa, cheia de camadas que vamos descobrindo ao longo do enredo. Impetuosa, teimosa, leal até ao tutano, inteligente e apaixonada, é a miúda perfeita para meter os rapazes na linha. Mas, bem escondida lá no fundo, há uma fragilidade nela que nos faz querer protege-la… mesmo que ela nos atirasse uma faca por isso. E, claro que não podia deixar de vos falar dos rapazes. Aliás, a cereja no topo do bolo que é este livro são as personagens, sem dúvida alguma. Robin Hood é exactamente o que esperava. Misterioso, honrado, um bom líder mas que pelo meio tem momentos com péssimo timing que eu lhe vou perdoar só porque ele é um bom rapaz com uma consciência demasiado grande para alguém ter. Já o Little John, gostei de o ver nesta versão mais namoradeira e convencida mas continuo a querer bater-lhe pelo que fez no fim. E depois temos o Much, que deve ser a única pessoa sã e sensata no bando, graças a todos os santinhos. Quanto aos vilões, deixem-me dizer que o Gisbourne é arrepiante. Completamente assustador.

  A verdade é que eu adorei o Scarlet. Cada bocadinho dele. É, finalmente, uma adaptação do Robin Hood em que me sinto completamente satisfeita. Mal posso esperar para pôr as mãos em cima da sequela.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Opinião - A Bela e o Vilão

Título Original: When We Was Wicked (#6 Bridgertons)
Autor: Julia Quinn
Editora: ASA
Número de Páginas: 352


Sinopse
Libertino. Devasso. Debochado. Três adjetivos que podiam descrever Michael Stirling na perfeição. Bem conhecido nas festas londrinas, quer desempenhasse o papel de sedutor ou o papel de seduzido, uma coisa era certa: nunca entregava o coração. Ele teria até acrescentado a palavra “pecador” ao seu cartão de visita se não achasse que isso mataria a pobre mãe.

Mas ninguém é imune ao amor. Quando a seta de cupido atinge Michael, dá início a uma longa e tortuosa paixão – pois o alvo dos seus afetos, Francesca Bridgerton, tem casamento marcado com o seu primo. 

Mas isso foi antes. Agora, Francesca está novamente livre. Infelizmente, ela vê Michael apenas como um ombro amigo – até à fatídica noite em que lhe cai inocentemente nos braços, e a paixão se revela mais poderosa e intensa do que o mais perverso dos segredos… 


Biografia
  Nasceu Julia Cotler e devia ter sido médica, mas Amanda Quick e Ben&Jerry’s alteraram para sempre a vida desta senhora. Comparada à Jane Austen, considerada uma das melhores autoras de romance histórico da actualidade, Julia Quinn foi a mais jovem escritora a entrar no Romance Writers of America Hall of Fame, venceu três vezes o RITA Award e há vinte anos que nos encanta com os seus romances.

  Autora de sete séries, dois livros em conjunto com outras autoras e do comentário à nova edição de Mansfield Park da Signet Classics, Julia dedica todos os seus livros ao marido e só escreverá romances contemporâneos se os históricos não ficarem em segundo plano. Só cometeu dois erros nos seus livros: trocou a cor dos olhos de uma personagem em três livros e descasou uma personagem já casada no final de outro. Mesmo assim, nós, os fãs, adorámo-la incondicionalmente principalmente agora que parece que ela vai regressar aos irmãos Bridgerton.

  A Bela e o Vilão é o sexto livro da série Bridgertons e foi publicado em 2004. Venceu um prémio e está traduzido para onze línguas.


Opinião
  Por vezes, com um subtil mas delicioso tom mordaz, outras com uma doçura capaz de derreter a alma menos crente, Julia Quinn conquista-nos sempre, uma e outra vez, sem qualquer piedade. Com histórias tecidas em charme e romantismo, arranca-nos gargalhadas e suspiros, faz-nos corar ou soltar uma lágrima. Surpreende-nos sempre e o sorriso sonhador é impossível de se desfazer muito depois de lida a última página. Mas, uma das razões deste feitiço sem cura, é que cada um dos seus livros tem uma aura que o destaca dos demais, tornando cada um numa preciosa jóia, dificultando-nos a escolha de um preferido. Contudo, confesso que este A Bela e o Vilão tem para mim um certo brilho que o coloca num lugar especial. Talvez por ser aquele que é feito da mesma matéria que os sonhos. Não uns quaisquer, atenção. Mas aqueles inconfessáveis e docemente guardados numa gaveta, envoltos em seda e fechados pela chave que trazemos junto ao peito. Aqueles que nos mantém vivos e destruem bocadinho a bocadinho. Os que realizados, são o conto de fadas de cada um de nós. 

  Imaginem perder o nosso primeiro amor, o rapaz com quem crescemos e chamámos irmão, o nosso único filho. Imaginem perdê-lo inesperadamente e demasiado cedo, sem qualquer explicação ou motivo. É desta forma que esta história começa, no meio de um sofrimento sem palavras, de uma desolação que parece durar para sempre, de uma culpa que não existe mas que não nos liberta. De uma forma tocante e emotiva, vivemos essa dor, as suas expressões e consequências, e aprendemos que, não só temos de as valorizar e recordar, como também que não podemos viver à sua sombra para sempre. Afinal, esta é uma história sobre segundas oportunidades, raras e valiosas, que aparecem sem as querermos ou pedirmos. É sobre realizar e criar novos sonhos. É sobre encontrar a felicidade e vivê-la em vez de nos escondermos nas sombras e no passado que não volta. 

  Francesca e Michael exasperam-nos. São teimosos como mulas, honrados e estão completamente perdidos na culpa e no sofrimento, bem como no desejo de terem algo que nunca acreditaram ser possível. Mas também comovem-nos, desarmam-nos com a sua solidão e o apego às recordações. Talvez seja por isso que, ao vê-los passar de uma amizade descontraída e confortável para uma paixão avassaladora, desejemos que encontrem o seu final feliz um com o outro. Através de um enredo terno e pecaminoso, assistimos aos seus planos desesperados e desastrados, a uma sedução tão maquiavélica quanto romântica, às discussões tontas nas quais o importante fica por dizer. Vemos o mais improvável e intenso dos amores nascer entre dois amigos, duas almas gémeas que se negaram até não puderem mais. E ficámos completamente rendidos à intensidade dos seus sentimentos, à forma como, apesar de colocarem a si próprios todos os obstáculos, acabam por os ultrapassar. 

  Contudo, o caminho é longo e tortuoso, muito por culpa das personalidades fortes dos nossos protagonistas, e da sua tendência para não verem o que está a sua frente, o que os leva a uma intricada e escandalosa sedução, muito mais fácil de realizar do que confessarem o que sentem um pelo outro, pelos vistos. Isso levará a uma série de peripécias e mal-entendidos, bem como conspirações muito atabalhoadas e declarações impensadas, que nos proporcionam não só momentos feitos de doçura como da mais pura diversão. Vale-nos a presença metediça mas sábia de alguns elementos da família Bridgerton, dos inconvenientes pretendentes e das desesperadas debutantes e respectivas mães, que sem se aperceberem ou de uma forma muito perspicaz, acabam por atirar o casal para os braços um do outro de uma forma rápida e certeira. 

  A Bela e o Vilão é o mais trágico dos livros desta série. O mais devasso. E aquele que acarreta a maior das esperanças e o mais impossível dos sonhos. Diferente de todos os outros, único na sua essência e feitio, este livro é para mim aquele onde Julia Quinn mais me surpreende e enternece, tornando-se num incontestável favorito.


As Minhas Opiniões da Série

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Resultado Passatempo São Valentim com a Planeta

Com o apoio da parceira Planeta Manuscrito, tinha para oferecer a um vencedor dois livros, Sedução nas Terras Altas e Quando Tu eras Meu

  Ora, com a ajuda do random.org, das 198 participações válidas, o número escolhido foi...


190. Cristina (...) Lima, Gondomar


 Muitos Parabéns à vencedora, a qual já contactei por email, que irá receber em casa este livrinho!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Tentações: A Educação de Felicity [ASA]

A partir de hoje na sua livraria Leya



Título: A Educação de Felicity
Título Original: Refining Felicity (#1 Academia de Etiqueta)
Autor: Marion Chesney
Editora: ASA
Número de Páginas: 240
Preço: €15.50
ISBN: 9789892330167



*Marion Chesney*
(Também conhecida pelo pseudónimo M.C. Beaton) nasceu na Escócia. Autora de uma vasta obra que se divide em romances de época e livros policiais, é uma das escritoras mais queridas dos leitores britânicos. Divide o seu tempo entre uma pequena vila nas Cotswolds e Paris.



A Educação de Felicity
Sinopse: Numa época em que as mulheres da nobreza só dispõem de duas opções – casar ou esperar que um parente rico morra – as irmãs Tribble não têm sorte nenhuma. Não só ainda não encontraram o amor como, após anos de bajulação a uma intratável tia velha, veem o seu nome apagado do testamento aquando da sua morte.As românticas Amy e Effie Tribble sonhavam com ricos jantares de carne assada e batalhões de criados aduladores mas agora estão oficialmente na penúria. Ironicamente, é neste cenário desolador que lhes ocorre uma ideia brilhante: colocar a sua educação esmerada ao serviço das jovens mais “difíceis”, apresentá-las à sociedade e arranjar-lhes casamento. 
Não contavam que a sua primeira cliente fosse Lady Felicity Vane, cuja rebeldia ameaça enlouquecer a sua própria mãe e arruinar o projeto sentimental de Amy e Effie. A jovem prefere caçar com os amigos a pensar em casar. Mal ela sabe que o seu suposto pretendente é o homem que mais a irrita (e que mais irritado se sente por ela). Felicity nunca admitirá que o seu coração treme ao ver Charles Ravenswood, principalmente porque o elegante marquês parece não ter paciência nenhuma para as suas extravagâncias. O clima entre ambos é tão tenso que, se soubessem o que as irmãs planeiam, o resultado seria, no mínimo, desastroso... 




Uma Tentação Porque...
 Romance histórico com ar fofinho. Para além de se passar numa Academia. Oh sim, eu quero este livro!


Disponível aqui

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Opinião - A Cada Dia

Título Original: Every Day (#1 Every Day)
Autor: David Levithan
Editora: Topseller
Número de Páginas: 288


Sinopse
A cada dia um novo corpo. A cada dia uma nova vida. A cada dia o mesmo amor pela mesma rapariga.

A cada dia, A acorda no corpo de uma pessoa diferente. Nunca sabe quem será nem onde estará. A já se conformou com a sua sorte e criou regras para a sua vida:

Nunca se apegar muito. Evitar ser notado. Não interferir.

Tudo corre bem até que A acorda no corpo de Justin e conhece Rhiannon, a namorada de Justin. A partir desse momento, as regras de vida de A não mais se aplicam. Porque, finalmente, A encontrou alguém com quem quer estar a cada dia, todos os dias.


Biografia
  David Levithan publicou o primeiro livro em 2003, tendo neste momento dezoito livros publicados, alguns em colaboração com outros autores, para além de ter colaborado em várias antologias. É também editor fundador da PUSH, uma chancela da Scholastic Press. Nos tempos livres tira fotografias.

  A Cada Dia foi publicado em 2012 e está traduzido para catorze línguas. Ganhou dois prémios e foi nomeado para outros três.


Opinião
  As probabilidades de eu não gostar deste livro eram tão pequenas que nem sequer coloquei essa hipótese. Afinal, A Cada Dia nada mais tem suscitado nos seus leitores senão o êxtase. O que é compreensível se lermos a sinopse promissora que evoca de imediato a vontade de o adorar aos pedacinhos pois ninguém, sejamos sinceros, resiste ao amor e, muito menos, ao que está condenado à tragédia. Se juntarmos à isso a escrita pura e lindíssima de Levithan, aquela crueza sincera e tempestivamente delicada, então temos a certeza absoluta que encontrámos um vencedor. Eu pelo menos tinha. E acreditei piamente que isso tinha acontecido, até que o desastre aconteceu. O momento em que me apercebi que ia ser uma das raras excepções. Talvez enevoada pela escrita divina deste autor, talvez porque a minha vontade de o adorar era tanta, consegui ignorar a sensação desconfortável que este livro me provocava quando pensava nele. Pois era Levithan, era o livro que todos tinham adorado, logo eu também tinha certo? Então porque é que quando comecei a escrever sobre ele me apercebi que não sentia nada mais para além de uma desilusão crónica e esse desconforto insistente? E foi então que o comboio descarrilou e tive a minha primeira crise existencial literária.

  A verdade trágica e assustadora é que eu não gostei do livro. Prendam-me mas não posso deixar de ser sincera comigo mesma. Amo loucamente a escrita de Levithan, sem quaisquer dúvidas, tanto quase como detesto esta história. Sim, fui capaz de escrever esta palavra em relação a este livro. Porquê? Porque esta narrativa gira em torno de um amor no qual não acredito. Um amor cujo pior obstáculo é ele mesmo. Um amor que vejo como platónico e obsessivo, não profundo e sincero. Mas pior do que isso, e daí o desconforto que me azeda, é um sentimento que coloca pessoas alheias em perigo. Eu sei que A é uma entidade e que só assim ele pode viver mas não aceito, recuso-me a aceitar, que para ele ser feliz, pessoas que perdem um dia da vida delas ainda são usadas para fazer coisas que normalmente não fariam, coisas que poderão ter consequências na sua vida, que podem irreversivelmente alterá-las para sempre. Elas não são culpadas de A não ter um corpo. Essas pessoas também são vítimas. E não me interessa que sejam delas mesmas, pois cada um é livre de usar o seu corpo como bem entender. E tomar as decisões que quiserem, a menos que isso prejudique outros. A ideia só em si, de alguém tomar o meu corpo por um dia, e amanhã eu acordar e saber que fiz uma coisa que não me lembro do porquê, é aterradora. E eu sei que A tem consciência disso, que durante 16 anos ele não o fez, mas há um dia, vários dias em que essa consciência não lhe diz nada.

  Como se isso não bastasse, fui levada a acreditar que esta história é sobre o ser humano, sem importar o género ou a raça. Que ao longo deste livro conheceria e seria devastada com terríveis realidades ou seria maravilhada com existências felizes. Só que os hospedeiros como A lhes chama, não mais são senão veículos para A puder estar com Rhiannon. Há tão pouco sobre estas pessoas senão estereótipos, linhas gerais. E isso irrita-me porque eu queria conhecer essas pessoas. Queria ter explorado os seus dias, queria conhecer os seus problemas, defeitos, qualidades. Queria saber quem eles eram para lá da suicida, do cromo, do cabrão, do obeso, da transsexual, do homossexual, do jogador, da rainha da turma, do surfista. Queria ser eles por umas páginas por mais que doesse. E isso não acontece. O que o autor nos dá não me chega, nem de perto nem de longe. Porque eu só tenho um vislumbre de quem são em segundos, porque essas pessoas são de seguida arrastadas para uma cruzada impossível.

  O que me leva, finalmente a A. O que dizer de A senão que a única coisa que partilho com Rhiannon é a sua desconfiança nele? Claro que tive pena dele, e posso tê-lo compreendido nalguns momentos mas também vi como julga os outros, como é obcecado e invejoso, como persegue sem piedade uma miúda perdida e sem amor. E sinceramente, ele podia ser tudo isto, porque somos tão feios como belos se o autor desde o início do livro não me tivesse impingido a ideia de que eu tinha de gostar dele. Não gosto Levithan, não gosto que tenhas disfarçado os defeitos dele com os dos outros. Quanto a Rhiannon, ela foi me indiferente em muitos momentos mas conseguiu transmitir algo quando desconfiava de A e pensava seriamente na relação deles. Quando isso acontecia, quase podia entrever a personagem forte que ela poderia ter sido em vez do pãozinho sem sal triste e sensível que aturei no resto do livro.

  A Cada Dia é uma pedra no meu coração, acreditem. Porque nada mais lhe queria dar senão a minha adoração e bem o tentei. Mas não posso, nem por mais que continue a achar que David Levithan tem uma escrita que evoca os anjos. Voltarei a este autor sei disso, mas não será este o livro que guardarei quando pensar naquele que converteu em fã deste autor. Vou guarda-lo sim num lugar à vista para me lembrar que posso não gostar de algo que todos adoram. Para me lembrar que um livro deve-nos fazer pensar, mesmo que isso o torne ingrato aos nossos olhos.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Opinião - Rogue Wave

Título Original: Rogue Wave (#2 The Waterfire Saga)
Autor: Jennifer Donnelly
Editora: Disney-Hyperion
Número de Páginas: 320


Sinopse
In this exciting sequel to DEEP BLUE, Serafina uncovers more clues about the talismans, Neela ventures into a sea dragon's nest, and Ling learns the identity of their foe.

Serafina, Neela, Ling, Ava, Becca, and Astrid, six mermaids from realms scattered throughout the seas and freshwaters, were summoned by the leader of the river witches to learn an incredible truth: the mermaids are direct descendants of the Six Who Ruled-powerful mages who once governed the lost empire of Atlantis. The ancient evil that destroyed Atlantis is stirring again, and only the mermaids can defeat it. To do so, they need to find magical talismans that belonged to the Six.

Serafina believes her talisman was buried with an old shipwreck. While researching its location, she is almost discovered by a death rider patrol led by someone familiar. . . . The pain of seeing him turned traitor is devastating.

Neela travels to Matali to warn her parents of the grave threat facing their world. But they find her story outlandish; a sign that she needs to be confined to her chamber for rest and recovery. She escapes and travels to Kandina, where her talisman is in the possession of fearsome razormouth dragons.

As they hunt for their talismans, both Serafina and Neela find reserves of courage and cunning they didn't know they possessed. They face down danger and death, only to endure a game-changing betrayal, as shocking as a rogue wave.


Biografia
  Cresceu entre Lewis e Westchester, no estado de Nova Iorque e licenciou-se em Literatura Inglesa e História Europeia. O seu livro preferido é Ulysses de James Joyce e a personagem literária com que mais se identifica é Clarice Starling.

  Jennifer começou a escrever em 2002, quando publicou o seu livro de imagens para crianças e, também, o romance que lhe havia de granjear o sucesso, The Tea Rose, o primeiro dos seus cinco romances históricos.

  Numa tentativa de fugir aos fantasmas do passado que haviam inspirado as suas obras anteriores, Jennifer procurou algo novo mas sentia-se bloqueada, até que uma exposição de Alexander McQueen no MET aliada a uma chamada do seu agente sobre um projecto da Disney, a catapultou para o que viria a ser Deep Blue

  Rogue Wave é o segundo volume da Waterfire Saga e foi publicado no início deste ano. Ainda não está traduzido para nenhuma língua.


Opinião
  Capaz de evocar tanto o fascínio como o terror que as profundezas do mar nos provocam, Deep Blue foi uma das surpresas do ano passado. Conquistou-me pela sua complexidade e criatividade, por ser uma história repleta de magia e feminilidade mas, principalmente, por se centrar na amizade entre seis jovens sereias que, oriundas de locais distantes e detentoras de personalidades distintas, estão destinadas a compartilhar o mesmo destino. Esta premissa conquistou-me o coração e deu-me finalmente a história de sereias que procurava, daí que aguardasse a sua sequela, Rogue Wave, com tanta expectativa e que o facto de este ter sido uma desilusão me doa tanto à alma. Jennifer Donnelly mantém a escrita doce do primeiro livro mas, algures, perdeu o sentimento e cuidado com que iniciou esta saga, acabando por nos dar uma atabalhoada e confusa sequela da qual tão cedo não a irei perdoar.

  Primeiramente, não reconheço neste livro a densidade e originalidade que tanto me cativaram em Deep Blue. O mundo, tão estranho e fascinante, é agora para nós banal e mais do mesmo. Não há nada de novo, nada de enfeitiçante, nada que nos surpreenda. Aliás, minto. Existe de facto um novo cenário, aquele que nos permite avançar nesta dolorosa leitura, só que comparativamente aos cenários já conhecidos, é pouco explorado e detalhado, deixando-nos a salivar por algo que seria absolutamente refrescante, contudo, não chega para nos deslumbrar. Outra coisa que me aborreceu foi que, depois de tanto trabalho a introduzir-nos ao método de magia deste mundo, a autora neste atira-nos, literalmente, para o meio de feitiços e conhecimentos que não nos foram apresentados, de forma muito brusca, deixando-nos completamente perdidos no meio de termos de que nunca ouvimos falar.

  Esta falta de complexidade deve-se muito provavelmente ao aumento da acção e adrenalina na narrativa e, consequentemente, da integração de algumas reviravoltas que foram bastante surpreendentes e importantes para o decurso da história. Eu admito que foi isso que me fez continuar a leitura, mas apesar desses elementos serem bons, a autora não os soube integrar, e acabaram por tornar as coisas mais apressadas e confusas em vez de descomplicarem a trama. Não tive tempo de assimilar certas coisas ou mesmo de sentir alguma emoção por causa delas, isso também devido ao factor romance que neste livro teve uma incidência muito maior, colocando a demanda, supostamente o ponto central da história completamente de parte. Aliás, o romance que parecia nem existir no livro anterior, aqui toma completamente conta da história, o que foi horrível porque o casal não era credível e aqui chega ao ponto de ser ridículo, porque não existe química entre eles, nem o leitor vê a relação crescer, ou sequer aparecer. Aliás, a forma que a autora arranjou para eles se entenderem é simplesmente parva, para não dizer outra coisa.

  Como se não bastasse, a essência da saga, aquilo que me fez adorá-la, desaparece. Das seis supostas protagonistas, só acompanhámos duas. As mesmas duas que conhecemos melhor em Deep Blue. Das outras quatro, só uma aparece e é mais como adereço do que outra coisa. E dessas duas, a que temos de aturar mais tempo, é exactamente aquela que estupidificou. Serafina deve ser das personagens mais aborrecidas que já conheci. Não evoluiu absolutamente nada entre os dois livros, se possível, só ficou burra. Completamente burra. E como se não bastasse, o Mahdi, o príncipe irritante aparece demasiadas vezes para a minha paciência. A minha sorte, foram os vilões. Sim, eu estou a torcer por eles. Mesmo que a Neela tenha protagonizado bons momentos, a verdade é que ela também não evoluiu grande coisa enquanto os vilões a cada momento ficam ainda melhores. Por isso, não, não acreditem que eles percam esta guerra.

  Depois de um primeiro volume tão maravilhoso como Deep Blue, é uma grande desilusão dar de caras com este Rogue Wave. Perdeu a essência, a beleza, aquilo que me fez adorar o livro anterior, para se tornar uma coisinha sem sal e graça. Muito sinceramente, acho que nem me vou aventurar pelo terceiro, com muita pena minha.


A minha Opinião do Primeiro da Série

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Mini-Opinião - Se Queremos Algo Bem Feito

Título: Se Queremos Algo Bem Feito
Autor: Vítor Frazão
Disponível em: Fantasy&Co e Smashwords


Sinopse
Boa ajuda é cada vez mais difícil de encontrar, mesmo para uma necromante. Desdémona entende isso melhor que ninguém quando o seu fiel toyol rouba o livro errado.


Mini-Opinião
  Tenho pena que este conto seja tão curtinho mas admito que faz um excelente trabalho em agarrar o leitor com poucas palavras, bem como a atiçar a nossa curiosidade não só sobre as personagens como também pelo mundo e elementos desconhecidos da história.

  Para além disso, consegue expressar claramente a ideia por trás do conto, além de nos dar uma excelente lição. Ganha pontos por um humor bem conseguido cuja cereja no topo do bolo é o final.




domingo, 15 de fevereiro de 2015

Opinião - Crown of Midnight

Título Original: Crown of Midnight (#2 Throne of Glass)
Autor: Sarah J. Maas
Editora: Bloomsbury
Número de Páginas: 418


Sinopse
"A line that should never be crossed is about to be breached.

It puts this entire castle in jeopardy—and the life of your friend."

From the throne of glass rules a king with a fist of iron and a soul as black as pitch. Assassin Celaena Sardothien won a brutal contest to become his Champion. Yet Celaena is far from loyal to the crown. She hides her secret vigilantly; she knows that the man she serves is bent on evil.

Keeping up the deadly charade becomes increasingly difficult when Celaena realizes she is not the only one seeking justice. As she tries to untangle the mysteries buried deep within the glass castle, her closest relationships suffer. It seems no one is above questioning her allegiances—not the Crown Prince Dorian; not Chaol, the Captain of the Guard; not even her best friend, Nehemia, a foreign princess with a rebel heart.

Then one terrible night, the secrets they have all been keeping lead to an unspeakable tragedy. As Celaena's world shatters, she will be forced to give up the very thing most precious to her and decide once and for all where her true loyalties lie...and whom she is ultimately willing to fight for.


Biografia
  Sarah nasceu em Manhattan e graduou-se em Escrita Criativa com minor em Estudos Religiosos mas isso não quer dizer que não possa continuar a ver filmes da Disney e a gostar de má música pop. Bebe demasiado café, adora ballet e contos de fadas e é autora de uma das séries de fantasia épica YA com maior sucesso actualmente nos EUA, a qual começou a escrever quando tinha dezasseis anos. Irá publicar este ano, para além do quarto livro da série Throne of Glass, Queen of Shadows, um retelling de A Bela e o Monstro, A Court of Thorns and Roses.

  Crown of Midnight é a sequela de Throne of Glass e foi publicado em 2013 e está traduzido para doze línguas.


Opinião
  Que fique aqui bem assente: eu adorei o Throne of Glass. É um início de série cheio de promessas e expectativas, que nos deixa literalmente a babar de curiosidade e sedentos do que aí vem. Mas hoje, hoje posso dizer-vos que estou completamente viciada e apegada a esta série. Não, eu amo de morte esta série e beijo o chão que a Sarah J. Maas pisa. Porque estava completamente enganada. Ela não é um diamante em bruto. É um diamante resplandecente com um talento inigualável, cuja escrita é vincada por uma inteligência e escrupulosidade únicas, bem como por uma paciência tortuosa. Crown of Midnight não é uma promessa. É sim, uma sequela devastadora e brilhante que nos deixa de coração nas mãos e sem conseguirmos raciocinar. Que nos tortura e esfola sem piedade. Que concretiza os nossos sonhos para depois os deixar em ruínas. E nós deixamos, com um sorriso nos lábios. Deixamos porque não conseguimos evitar sentirmo-nos atraídos por ele. Deixamos porque ele é glória brutal e sedutora, manchado de sangue e lágrimas.

  Ler este livro foi como estar em cima de uma corda bamba, sem saber para onde ela penderia a seguir, sem saber se voaria ou cairia, se seria docemente envolvida ou cruelmente destruída. Por causa dos sonhos que timidamente brilharam para depois serem destruídos. Por causa dos segredos enterrados que ao serem revelados alteraram tudo. Por causa das perdas inesperadas e terríveis que nunca poderão ser esquecidas. Porque esta história tem demasiados sentimentos, demasiadas emoções e assola-nos como uma tempestade imparável. Porque esta história é tão agridoce, tão devastadora que é impossível libertar-me mesmo em palavras. Num momento, é felicidade estonteante, é a descoberta do amor, é a esperança a luzir. É finalmente, o perdão ainda que não completamente. Mas, depois, o chão foge-nos e há desilusão irreparável, há morte imperdoável e a vingança liberta-se num grito de angústia e fúria. Nunca, sabemos para onde ela penderá, e mesmo assim não conseguimos parar, porque é uma tortura e só queremos saber mais e mais.

  Mais, é aliás a palavra mais simples e pura, e nem por sombras suficiente, para descrever este livro. Throne of Glass é uma sombra esbatida comparado com este Crown of Midnight. De repente, há magia por todo o lado e as lendas ganham vida. Há batalhas sangrentas, intrigas terríveis, descobertas assoladoras. É como se Celaena fosse uma fênix bela e cruel, renascida de cinzas marcadas por sangue, lágrimas e uma dor incomensurável. E com ela, toda a história se transforma. Podemos estar numa dança lenta e romântica sobre as estrelas da meia-noite. Ou numa balada criada por espadas a cortar enquanto sangue se derrama. Finalmente, a complexidade da personalidade da assassina derrama-se sobre a sua história, e tal como ela, tanto pode ser uma menina a partilhar bolo de chocolate e a escolher vestidos sedutores, como pode matar sem piedade e lançar palavras cruéis com todo o intento.

  Ah Celaena. Eu já vos podia ter dito o quão fantástica ela é. Mas neste livro ela é magnífica. Há uma evolução tão gigantesca nela ao longo destas páginas tortuosas que a única coisa que podemos fazer é assistir impávidos enquanto nos maravilhamos com a doçura e crueldade que ela é capaz de fazer em igual medida. É assustador mas glorioso, vê-la a assumir quem é e a soltar toda a sua fúria e força, mesmo que signifique que ela deixará tudo em ruínas à sua volta. Mas não só ela cresce neste livro. Dorian passa de um príncipe cheio de confiança para um menino que finalmente se senta e repensa em toda a sua vida, todos os seus actos e quem é. E se num primeiro momento me exaspera e me faz revirar os olhos, no fim não consigo evitar querer abraça-lo e dizer-lhe tão bom rei que ele será. E depois temos Chaol, o meu querido e doce capitão, que vive uma batalha contra si mesmo durante tanto tempo, entre o dever e o amor, para depois perceber que terá de tomar um lado, custe o que custar. Só que, a personagem deste livro é Nehemia, a única que sabe que os sacrifícios têm de ser feitos, a única com a plena consciência que uma guerra não se ganha de escondidas e esquecimentos. A única que não foge e se ergue majestosa mesmo no pior.

  Crown of Midnight é mais do que uma sequela que superou todas e quaisquer expectativas. É o início real de uma aventura que hoje é muito mais do que promessas. Uma aventura que será agridoce, e que valerá cada queda e perda pelo caminho. Este livro é a prova irrefutável de que Sarah J. Maas é uma autora a conhecer e a adorar. Que sempre será capaz de reinventar e ultrapassar. Dêem-me Heir of Fire e rezem por mim, porque eu já caí no abismo fenomenal que esta série é.


As minhas opiniões da série

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A Rainha Manda... *The Assassin's Curse*


  E estámos de volta à rubrica mais fixe de sempre!

  Depois de um hiatus gigantesco,  A Rainha Manda dá o primeiro ar da sua graça neste ano de 2015, com as últimas leituras escolhidas em 2014. 

  Para mim, a p7 do Bookeater/Booklover escolheu como leitura o The Assassin's Curse da Cassandra Rose Clarke. Obrigada por teres sido uma querida quando eu te escolhi um livro tão complexo!

  Tal como havia explicado neste primeiro post, depois de lidos os livros, cada uma de nós faz algumas perguntas à outra, agregadas a temas,  sobre o livro que escolhemos para ela. Aqui encontrarão as perguntas que a p7 me fez, e aqui, podem encontrar as que lhe fiz sobre a sua leitura, North and South, de Elizabeth Gaskell.




p7: Ananna, a destemida pirata de 17 anos: sente-te à vontade para usar este espaço para discorrer sobre esta jovem extraordinária.
  Oh a Ananna roubou-me o coração no momento em que saltou para cima do camelo e disse bye bye! Como poderia não gostar de uma protagonista que usa o cérebro, salva em vez de ser salva, e ainda revira os olhos a cada cinco minutos? Para além de que ela tem resposta para tudo. Mas o mais engraçado, é que ela não é propriamente essencialmente badass. Claro que ela dá cabo do couro de quem lhe aparece à frente e não pensa duas vezes antes de fugir de um destino que não quer, para além de não andar a choramingar pelos cantos mas, a Ananna também é doce e ingénua por vezes, também é impetuosa e perde a noção do perigo. Ou seja, não é a super-mulher, é uma miúda que está a aprender a ser uma grande líder.
  É refrescante quando te deparas com personagens assim, tão cheias de vitalidade e com tanta consciência delas mesmas como a Ananna.

p7: Naji, o assassino misterioso: que tal foi ir descascando as camadas deste personagem aos poucos?
  Descascando? Eu tenho a sensação que ainda nem a meio das camadas de cebola vou! Bem, é frustrante por um lado, porque ele é como um túmulo fechado a sete chaves, para além de taciturno e de ter um arzinho de superioridade no início que irrita profundamente. Para além de não contar nada de nada senão arrancado a ferros. Credo! Contudo, das poucas camadas que já arranquei, o Naji é daquelas personagens que me faz querer protegê-lo da maldade do mundo porque debaixo da capa de mauzão está um menino perdido e pouco amado que acha que o mundo não se preocupa com ele. Por isso, é uma personagem que me provoca mais carinho que a Ananna. Ela sabe o lugar que ocupa no mundo, ele nem por isso, por mais que se tente convencer do contrário. E eu quero que ele se abra e que sinta as coisas!

p7: Queres destacar algum dos outros personagens?
  Posso falar mal da Leila aqui? Posso? É que a tipinha é tão irritante. Não desculpa, este não é o termo certo. O termo é: daquelas pessoas que te fazem espumar da boca e te fazem querer tortura-la até ela suplicar por misericórdia para depois a espezinhares com um sorriso maléfico nos lábios. Ok, acho que isto soou muito forte. 
  O problema é que a Leila é daquelas pessoas perfeitas que acham que o mundo tem de ser como elas e não se importa de magoar as pessoas. Mesmo que essas pessoas a amem. E não há nada que me ponha a ver vermelho à frente mais depressa que isso. Portanto, quero destacar o quanto a odeio. Profundamente.



p7: Parte da piada do desenvolvimento do enredo assenta na evolução da relação da Ananna e do Naji, gostaste de a acompanhar?
  Sim! Eu tenho uma coisa por relações enemies to lovers, e esta é das mais adoráveis. Primeiro porque eles andam ali às voltas um com outro como gatos assanhados, depois ignoram-se e, finalmente, começam a prestar atenção um ao outro. Muita atenção. É tão giro vê-los a desenvolver uma relação de confiança passo a passo, de uma forma tão lenta e tortuosa. Aliás, por mais que esteja frustrada, adoro como a autora fez as coisas evoluir a seu tempo e não forçou nada. Cada momento tem o seu tempo e espaço. 
  Por isso sim, gostei de acompanhar a forma deliciosa como a autora construiu a relação de duas pessoas tão diferentes cujos caminhos se cruzam pelos piores motivos para uma em que eles são companheiros de armas, depois amigos e, talvez, algo mais.

p7: O desenvolvimento desta história foca-se numa maldição e em como os protagonistas tentam quebrá-la, ao mesmo tempo que explora o mundo apresentado. Na tua opinião, este equilíbrio foi bem executado?
  Sem dúvida. O facto da maldição os obrigar a correr meio mundo para descobrirem a solução acaba por obrigar a autora a apresentar várias vertentes e personagens, cenários, histórias. Basicamente tudo, numa linha simples e cheia de acção onde conseguimos apreender o essencial deste mundo, ao mesmo tempo que nos cativa e motiva, e isso foi algo muito importante nesta leitura.




p7: Este mundo apresenta cenários bem diferentes, e locais nem sempre muito explorados no género fantástico, pelo menos com esta vividez. Gostaste de conhecer o mundo de The Assassin’s Curse?
  Tenho uma coisa para te confessar: eu adoro cenários exóticos, principalmente quando parecem saídos de As Mil e Uma Noites. Para além de ter uma paixoneta por piratas desde pequena. Por isso, os cenários deste livro foram perfeitos para mim, principalmente porque a autora dá-nos a essência desses cenários com tanta vividez mas, ao mesmo tempo, deixa os detalhes para a nossa imaginação explorar. 
E o factor diferença contou muito. Parece que não, mas são cenários raramente explorados hoje em dia na literatura, com muita pena minha, porque só pelo seu exotismo dão logo outro ar à história.

p7: Que me dizes do sistema de magia, presente no dia-a-dia, mas discreto, repleto de maldições e equilíbrios, onde uma palavra tem tanto peso como um ser de outro mundo?
  Acho-o muito curioso e que facilmente a autora poderia ter feito asneira com ele, porque engloba muitas coisas diferentes. É como se ela tivesse pego no vodu, na magia à Mil e Uma Noites  e outras coisas às quais não tenho nome para dar, deitado tudo para um caldeirão, misturado e bem vamos benzer-nos e ver o que vai sair daqui. Espantosamente, correu bem, muito bem, porque cada tipo de magia acaba por nos ajudar a captar a essência de uma personagem ou de uma ideia deste mundo. A magia de sangue faz-nos perceber a negritude do passado do Naji, a magia do mar faz-nos perceber a ligação dos piratas ao elemento onde vivem, e por aí adiante.
  Por isso, apesar de parecer uma salganhada, acabou por ser algo muito bem pensado e estruturado.



p7: Por fim, que achaste da escrita de Cassandra Rose Clarke? Encheu-te as medidas?
Oh se encheu! A escrita da Cassandra é tão fluída e viciante, para além de que ela tem uma imaginação muito fértil. A juntar isso o humorzinho negro e a capacidade leve para drama queen, diria que ela tem uma escrita surpreendentemente fantástica.


Para quem tiver curiosidade acerca deste livro, pode ler a minha opinião.

Passo a apresentar-vos as próximas leituras...



A Rainha Manda...
A p7 este mês escolheu para mim o Scarlet da A.C. Gaughen:

"Escolhi este livro como parte de um plano maléfico para torturar a Patrícia. Muahahahah!

(Estava a brincar. Mais ou menos.)

Na verdade, é um livro que me marcou e que adorei, e por isso simplesmente quero ver o que a Patrícia acha dele. Tem uma adaptação bem gira da lenda do Robin dos Bosques, com umas reviravoltas curiosas; e a Scarlet é uma protagonista extraordinária, que vale mesmo a pena conhecer.

Se a Patricia ficar fã, óptimo; se a história a torturar mesmo que uma fracção do que me torturou, ainda melhor. (Consideremos isso uma pequena retribuição pelo livro... hmm... trabalhoso... que me escolheste para o mês anterior. Ehehehe)"



Eu escolhi para a p7 It Happened One Autumn da Lisa Kleypas e a explicação está no blogue dela.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Opinião - Eleanor & Park

Título Original: Eleanor & Park
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 336


Sinopse
Dois inadaptados. Um amor extraordinário.

Eleanor... é uma miúda nova na escola, vinda de outra cidade. A sua vida familiar é um caos; sendo roliça e ruiva, e com a sua forma estranha de vestir, atrai a atenção de todos em seu redor, nem sempre pelos melhores motivos.
Park... é um rapaz meio coreano. Não é propriamente popular, mas vestido de negro e sempre isolado nos seus fones e livros, conseguiu tornar-se invisível. Tudo começa a mudar quando Park aceita que Eleanor se sente ao seu lado no autocarro da escola.
A princípio nem sequer se falam, mas pouco a pouco nasce uma genuína relação de amizade e cumplicidade que mudará as suas vidas. E contra o mundo, o amor aparece. Porque o amor é um superpoder.


Biografia
  Rainbow Rowell escreve livros tanto sobre adultos como sobre adolescentes desde 2011. E sobre pessoas que falam demais. E aquelas que sentem que estragaram tudo. E as que se apaixonam.

  Quando não está a escrever, Rainbow pode ser apanhada a ler comics, a planear viagens ao Disney World ou a discutir assuntos que não interessam assim tanto.

  Eleanor & Park é o seu segundo livro e foi publicado em 2012. Está traduzido para dezoito línguas e ganhou dez prémios literários, entre eles o Goodreads Choice Awards for Best YA Fiction.


Opinião
  Existem livros cujas premissas, simples e repetidas, sobejamente conhecidas e mil vezes contadas, nos fazem antever, antes mesmo da primeira palavra, o que irá acontecer. Sabemos o início, o meio e o fim de cor e salteado. Facilmente digerido, facilmente esquecido. E Eleanor&Park poderia ser um desses livros, teria sido tão fácil cair nos clichés de tantos outros. Mas, apesar da sinopse nos remeter para uma dessas premissas, este livro não é, de todo, esquecível. Simples sim, na narrativa, mas nunca, nunca previsível ou banal. É aliás, daqueles livros que tornam a simplicidade a coisa mais bela, verdadeira e intensa que podemos ter. Rainbow Rowell consegue, com uma escrita fluída e sem adornos, contar-nos uma história com humor e inocência mas não esperem leveza. Cada página deste livro é intensa, maravilhosa e opulentamente emocional, repleta de sentimento e sensações. Cada página deste livro é como apaixonarmo-nos pela primeira vez. É como sentirmos pela primeira vez as borboletas no estômago. É o primeiro toque, o primeiro beijo. A primeira vez que nos apercebemos que podemos ser muito mais do que vemos ao espelho, que as convenções e as possibilidades. É o momento em que nos descobrimos. É todas as primeiras estonteantes primeiras vezes.

  De uma forma real e verdadeira, como se tivesse acontecido a qualquer um de nós, esta história de amor desenvolve-se vagarosamente, timidamente, docemente. Começa pela indiferença, transforma-se em curiosidade relutante, amizade inesperada, química explosiva. Torna-se amor nas páginas de banda desenhada e nas letras das músicas, nas cores do cabelo, na suavidade da pele. É quase irresistível a forma como a narrativa capta as sensações, como nos demonstra e relembra o significado de gestos como dar a mão, abraçar ou beijar pela primeiríssima vez. São tão reais as dúvidas, os medos, as expectativas, a coragem de dar pequenos passos em direcção ao paraíso. É tão deliciosamente penosa a combustão da inocência e inexperiência do amor só em palavras e olhares, para a atracção do toque e exploração de lugares desconhecidos. Com Eleanor e Park, revivemos e vivemos as fases complicadas, meio lunáticas e perdidamente sonhadoras do amor em bruto, aquele em que ainda não conhecemos as fases ou as formas. Aquele em que aprendemos as voltas e reviravoltas de entregarmos tudo sem pedir nada em troca, mas desejando as estrelas inteiras.

  Mas, não só de felicidade estática se escreve as páginas deste livro. Ele também se escreve de dor atroz, de medo incontrolável. Fala da família, de como nos influencia, de como, sem querer ou forçosamente, impõe um caminho. De como o meio de onde vimos, bom ou mau, influencia quem somos, como pode algemar-nos a uma ideia. Expõe a fraqueza de ver tudo ruir e permanecer impávida, elogia a coragem de não se conformar. Faz-nos aperceber que, por mais que amemos e conheçamos uma pessoa, nunca entenderemos a sua realidade senão a experenciarmos. Ensina-nos que um objecto, um gesto, uma palavra banal para nós, pode ser uma preciosidade para outra pessoa. E se somos expostos a uma casa onde o horror se vive de manhã à noite numa eternidade sem fim, também entrámos numa onde, apesar das expectativas por vezes exigentes, o amor e compreensão abundam sem limites ou reservas. E se aprendemos que existem paredes que nunca poderão ser derrubadas, também percebemos que existem muros que podem ser diminuídos. E se o presente não poder ser o futuro, pelo menos descobrimos de forma perfeita o mundo em redor. Pelo menos, teremos recordações que nos farão sorrir quando estivermos mais em baixo. Haverá sempre esperança que o amanhã traga tudo de volta.

  Eleanor e Park. Adoráveis, ingénuos, ternos, estranhos. Duas personalidades, uma unidade. Eleanor com a sua coragem e maturidade, mas cujo temor e inocência a prendem ao sarcasmo e não a deixam crer em nada nem ninguém. Park com a sua doçura e entusiasmo, a sua revolta q.b. E a ingenuidade de quem sempre foi amado. Distintos, diferentes, mas duas faces da mesma moeda. Opostos que se atraíram pela estranheza e curiosidade. Dois miúdos cujo amor, cuja história extraordinária, nos conquista e enternece.

  Nada, ninguém poderá levar alguém que não leu este livro a entender o seu poder de atracção. Nenhuma opinião, nenhuma expressão poderá explicar quem são Eleanor&Park e como o seu amor é diferente. Podem ler o que quiserem sobre este livro mas só lendo as páginas dele poderão entender o porquê da adoração que Rainbow Rowell tem sobre os seus leitores. Acreditem em mim. Eu fiz tudo isso e nada me preparou para aquilo que Eleanor&Park é.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Passatempo São Valentim com a Quinta Essência

 Com o apoio da Quinta Essência, este Dia dos Namorados será muito mais sedutor que o costume...

  Para comemorar o dia mais romântico do ano, tenho para vos oferecer um exemplar de O Prazer de Nicole Jordan.

 Para se habilitarem a ganhar o livro, têm de ser obrigatoriamente seguidores do blogue, seja qual for o meio, responderem acertadamente às questões colocadas abaixo e devem ter em atenção as regras de participação. O sorteio será feito aleatoriamente pelo random.org. 

    As respostas podem ser encontradas aqui.


Regras de Participação:

1. Passatempo válido até 23h59 do dia 25 de Fevereiro de 2015.

2. Só é possível uma participação por pessoa e email.

3. Só serão aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.

4. O vencedor será sorteado aleatoriamente através do random.org e será posteriormente contactado por e-mail e o resultado será anunciado aqui no blogue.

5. Todas as participações com questões erradas e/ou que não obedeçam às regras serão automaticamente anuladas.

6. A administração do blogue não se responsabiliza pelo possível extravio no correio de exemplares enviados pela própria e/ou pela editora.