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sábado, 25 de outubro de 2014

Opinião - O Segredo dos Tudor

Título Original: The Tudor Secret (#1 The Spymaster Chronicles)
Autor: C.W. Gortner
Editora: Topseller
Número de Páginas: 352


Sinopse
No verão de 1553, Brendan Prescott é chamado à corte inglesa dos Tudor para se tornar escudeiro de Robert Dudley. Na mesma noite em que chega à corte, Lorde Robert encarrega-o de entregar secretamente um anel à princesa Isabel.
Frente a frente com a emblemática princesa, e depois de ela se recusar a aceitar a joia, o jovem escudeiro percebe que se encontra no meio de uma trama de conspirações e mentiras. Os Dudley planeiam uma traição mortal contra o rei Eduardo VI e as suas duas irmãs — Maria e Isabel — com um único fim: chegar ao trono.

Destemido e convicto de que o que vai fazer é o melhor para Inglaterra, Brendan Prescott alia-se a Isabel e aos seus protetores. Torna-se assim um agente duplo em defesa da coroa, contra a ambição desmedida dos Dudley.


Biografia
Criado em Espanha e metade espanhol de nascimento, C.W. Gortner vive actualmente em São Francisco, é defensor dos direitos dos animais, preocupa-se com os problemas ambientais e escreve romances históricos. Com mestrado em Escrita na especialidade de Estudos Renascentistas, é conhecido pela extensa pesquisa que faz para os seus livros, tendo mesmo experimentado a vida no castelo espanhol e dançado num salão Tudor. C. W. Gortner já publicou seis romances históricos, traduzidos para catorze línguas, e está neste momento a escrever o sétimo sobre Lucrezia Bórgia.

O Segredo dos Tudor é o primeiro volume da única trilogia do autor. Foi publicado em 2004 e está traduzido para seis línguas.


Opinião
  Depois de O Juramento da Rainha, C.W. Gortner tornou-se um dos meus autores preferidos do género, razão porque só espero dele livros que não sejam menos que notáveis, livros que recriam épocas com rigor mas não deixam de transparecer a paixão do homem pela História. E, O Segredo dos Tudors tinha tudo para isso, ou não tivesse saído da mente que limpou Isabel de Castela a meus olhos, ou não fosse sobre uma das minhas épocas históricas preferidas. Com uma escrita cuidada mas acessível, o autor enveredou pela corte mais traiçoeira de que há memória e criou uma teia de conspirações e segredos digna de um Tudor, uma teia que prende o leitor numa leitura rápida e satisfatória. Sim satisfatória. Não soberba. Infelizmente faltou-me algo neste livro, faltou-me paixão, faltou-me poder, faltou-me a evocação do passado e a preocupação pelos antepassados. Faltou-me aquele mais que tornou o outro livro do autor, uma obra de soberba magnificência. 

  Disfrutando de uma narrativa plena de acção, segredos e conspirações, O Segredo dos Tudors é um exemplo quase, quase, perfeito de como se pode equilibrar rigor histórico com ficção. Numa corte cheia de intrigas e inimigos a cada esquina, onde a ambição é superior ao amor ou a lealdade, sofre-se o medo do passado e a angústia do futuro. Podemos ver com clareza as divisões causadas pela religião, pela política ou, mesmo, pela família. Temos, por isso, um quadro realista, mas simplista tenho de admitir, da realidade de uma corte que andava sobre o fio da navalha. Aproveitando essa aura de desconfiança, o autor aproveita para criar um rumo da história que achei não só suficientemente verosímil, como bem estruturado e justificado dentro da história, apesar de, sinceramente, me ter parecido previsível. 

  Num enredo assim, não podiam faltar os espiões, os códigos secretos, as cartas que têm de desaparecer. Não podia faltar as fugas à morte, as lutas quase perdidas, o sentido de justiça e lealdade de um bom cavaleiro andante. Este livro tem tudo isso, sem dúvida. Mas lá está, faltou-me alguma emoção nessas tantas cenas de reviravolta, faltou-me paixão à causa. E faltou-me garra às personagens. Não que não sejam bem construídas, porque são. São fiéis à imagem que tenho delas, são retratos quase puros no caso das personagens históricas, mas falta-lhes humanidade, falta-lhes cair do pedestal em que a História as meteu. Quanto às ficcionais, sei que poderia ter gostado mais de Brendan Prescott, porque sei que Gortner é capaz de me dar personagens melhores.

  Não sinto tanta dedicação, tanto cuidado a este livro como senti no anterior que li do autor e, por saber do que Gortner é capaz, não apreciei da mesma forma uma história que poderia ter adorado. Sendo assim, O Segredo dos Tudors não é uma desilusão, longe disso, mas não correspondeu, as se calhar demasiado altas, expectativas que coloquei em cima deste autor.



P.S. Nunca o faço mas desta vez tenho de chamar a atenção. A tradução deste livro mete medo. Onde já se viu traduzir-se nomes? E desde quando é que os ingleses usavam a expressão “Dona” Suffolk? 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Opinião - Herdeiros do Ódio

Título Original: Flowers in the Attic (#1 Dollanganger)
Autor: V.C. Andrews
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 400


Sinopse
Os quatro filhos da família Dollanganger levavam vidas perfeitas - uma bela mãe, um pai amoroso e dedicado, uma linda casa. De repente, o pai morre num acidente de viação e a mãe fica endividada e não possui qualificações para ganhar a vida e sustentar a família. Assim, decide escrever aos pais - os seus pais milionários, dos quais as crianças nunca tinham ouvido falar.
A mãe fala-lhes dos avós ricos, de como Chris, Cathy e os gémeos irão levar vidas de príncipes e princesas na luxuosa mansão dos avós. As crianças deleitam-se com as perspetivas da nova vida, até descobrirem que existem algumas coisas que a mãe nunca lhes contou. Nunca lhes contou que eram consideradas pelos avós «filhos do demónio» e que nunca deviam ter nascido. Não lhes conta que é obrigada a ocultá-las do avô porque deseja herdar a fortuna dele. Não lhes conta que devem permanecer trancadas numa ala isolada da casa, tendo apenas o sótão escuro e abafado onde brincar. Prometeu-lhes, porém, que seriam apenas alguns dias... Contudo, os dias transformaram-se em meses, os meses em anos. Desesperadamente isolados, aterrorizados pela avó, Chris e Cathy tornam-se tudo um para o outro e para os gémeos. Agarram-se ao amor mútuo como última esperança, única força sólida - uma força quase mais poderosa que a morte. Herdeiros do Ódio é um romance de terror, traição e salvação através do amor.


Biografia
  Virginia Cleo Andrews nasceu em 1923, em Portsmouth, Virginia. Segunda filha e única rapariga, Virginia teve um acidente na adolescência, que a levou a precisar de muletas e cadeira de rodas para o resto da vida. Distinguiu-se na escola, tendo até ganhou uma bolsa de estudo, e fez um curso de artes por correspondência. O seu sucesso enquanto pintora permitiu-lhe sustentar a mãe após a morte do pai mas, a falta de criatividade, levou-a a dedicar-se a escrita, publicando o primeiro livro em 1972. Foi a série Dollanganger que lhe granjeou a fama como autora, aliás, foi tal o sucesso, que após a sua morte em 1986, continuaram-se a publicar livros da série, escritos por um ghost writer, mas que ostentavam o nome da autora na capa.

  Publicado em 1979, Herdeiros do Ódio é o primeiro volume da série Dollanganger. Está traduzido em treze línguas e foi adaptado ao cinema em 1987 e, novamente, em filme de televisão este ano, tendo Heather Graham como Corrine, Ellen Burstyn como Avó e Kiernan Shipka como Cathy.


Opinião
  Há livros que nos arrepiam. Arrepiam-nos pela aparente normalidade com que se apresentam para depois, rostos santos, belos e cândidos, revelarem almas podres e sinistras, capazes de gestos de fria e cruel indiferença. Gestos a que chamam sacrifício ou justiça. Estes livros, não precisam de derramamento de sangue ou loucos esquemas, precisam apenas de perfeição. Cruel, insana, extremista, perfeição. Herdeiros do Ódio choca-nos. Provoca-nos sentimentos com os quais preferíamos não lidar. E, bizarramente, também nos fascina. V.C. Andrews apresenta-nos um espetáculo de horrores, um retrato doentio de uma família marcada pelo preconceito, pelo extremismo religioso e pelo ódio. E, em momento algum, somos poupados à doença que consume esta familia. A autora agride-nos com força, com uma escrita brutalmente honesta que vai deixar as suas cicatrizes.

  Página a página, somos confrontados com temas, que habitualmente, varremos para debaixo do tapete, porque nos embaraçam, porque nos assustam. Temas tabus que nos são apresentados dentro daquele que devia ser o mais puro dos núcleos: a família. Afinal, é inconcebível uma mãe ter ciúmes da filha, é inconcebível irmãos sentirem-se atraídos um pelo outro, é inconcebível uma mãe prender os filhos num quarto durante anos e anos. Mas não impossível. E, por isso, ao dar-nos dar um quadro tão assustador daquele que devia ser o nosso porto de abrigo, este livro dilacera-nos. É um ciclo de más decisões, de castigos e ciúmes, vis consequências que resultaram de décadas de ódio e incompreensão. Numa narrativa crua, cruel e devastadora, assistimos impotentes à destruição da inocência, à morte lenta, vagarosa de crianças que esqueceram o mundo, que desaprenderam a sonhar, que deixaram de crescer.

  Esta é a verdadeira história de terror. É a casa de chocolate, não dos contos dos irmãos Grimm, mas a da realidade. Quando o mal vem das mãos que nos aconchegaram, do sorriso que nos curou, do sangue que é o nosso. Esse é o verdadeiro monstro que se esconde debaixo das nossas camas, porque só o vemos como tal quando já é tarde demais, quando já perdoamos de mais. Porque os piores monstros são os que amámos. E, é por isso, que esta leitura é uma avalanche de emoções impossíveis de deter ou classificar. Porque o horror vem de uma realidade que conhecemos. Porque aqui não existem bruxas, mas a mãe e a avó. Não existem príncipes encantados, mas o irmão. Não existe um castelo, mas sim um sótão. E, é tal o horror e a mágoa que esta história nos provoca que, damos por nos a perdoar o impensável, por ser fruto de um mal maior. Damos por nos a escolhermos um crime menor no meio de tantos. De todos os pecados, acabamos por ficar cegos a algum.

  Tal como a sua história, as personagens provocam-nos sentimentos difíceis de conter ou explicar. Nunca, nunca odiei tanto uma personagem como Corrine. A raiva que sinto por ela é tal que vem do fundo das entranhas e sobe-me como bílis à boca. Ela é a prova que uma boneca, debaixo da sua perfeição, pode esconder uma alma tão negra como o mais perverso dos demónios. Já a avó, sim, odiei-a, mas também senti pena dela, e pergunto-me como seria se não tivesse desperdiçado uma vida inteira à Bíblia e ao ódio. E depois há as quatro crianças que são o centro do universo durante esta leitura. Eu sei que podia ter vontade de calar Carrie, de não gostar de Cathy, adorar Cory e respeitar Chris, mas isso seria noutra vida. Nesta, sinto um desejo de vingança que só parara quando cumprido. Nesta, respeito Cathy, tento compreender Chris, gosto tanto de Carrie como de Cory. Nesta, se pudesse, dava-lhes o ar, o sol, a vida. Como não posso, perdoo os pecados que não teriam cometido.

  Herdeiros do Ódio abre-nos os olhos de maneiras que gostávamos de voltar a esquecer. E ensina-nos uma lição que nunca devíamos sobrevalorizar: que, por vezes, são as flores mais belas que têm os espinhos mais aguçados.


domingo, 28 de setembro de 2014

Opinião - Flashman, a Odisseia de um Cobarde

Título Original: Flashman (#1 Flashman Papers)
Autor: George MacDonald Fraser
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 256


Sinopse
Ele é um mentiroso, ele é um cobarde, ele seduziu a amante do próprio
pai. Ele é Harry Flashman e esta é a sua deliciosa odisseia. Dos salões
vitorianos de Londres às fronteiras exóticas do Império, prepare-se para conhecer o maior herói do Império Britânico. Pode um homem que foi expulso da escola por andar sempre bêbado, que seduziu a amante do próprio pai, que mente com quantos dentes tem e é um cobarde desavergonhado no campo de batalha, protagonizar uma série de triunfantes aventuras na era vitoriana? A escandalosa saga de Flashman, herói e soldado, mulherengo e agente secreto relutante, emerge numa série de memórias campeãs de vendas em que o herói gingão revê, na segurança da velhice, as suas proezas na cama e no campo de batalha.


Biografia
  George MacDonald Fraser nasceu em Inglaterra mas a sua família era escocesa. Durante a II Guerra Mundial serviu num regimento escocês na Índia e na Birmânia. Trabalhou durante mais de vinte anos como jornalista no The Herald, onde chegou a ser vice-editor. Para além disso, foi escritor e roteirista. Entre os seus guiões de cinema, o mais famoso foi o de James Bond – A Operação Tentáculo.

  Quanto aos seus livros, escreveu vários romances e memórias sobre o tempo que esteve no exército mas foram os livros sobre o anti-herói, Sir Harry Flashman, que lhe granjearam uma enorme popularidade. 

  George faleceu em 2008.

  Flashman foi o primeiro dos doze livros da série Flashman Papers, tendo sido publicado em 1969. Está traduzido para quatro línguas. Em Portugal, só o primeiro e o segundo estão traduzidos.


Opinião
  Há muitos anos que ouço falar de Flashy, um moço cheio de particularidades desagradáveis mas que parece ter um charme inesperado, e que é protagonista deste livro, que muitos afiançaram ser uma leitura obrigatória e impossível de se detestar. Flashman é o início das aventuras, peripécias e muitos não merecidos golpes de sorte, do maior cobarde de terras de Sua Majestade: Sir Harry Flashman, detentor de todos os defeitos existentes à face da Terra. E não, não é exagero. George MacDonald Fraser traz-nos, uma autêntica feira de vaidades, pautada com muitas aparências mas que apresenta, com uma sinceridade brutal, as asneiras e erros dos homens que levaram um Império ora à glória, ora à derrota. Com uma escrita muito cavalheiresca que pode tender para o burgessa, George dá-nos uma comédia de valores, que por mais que se deteste, não deixa ninguém indiferente.

  Poucos irão dar-nos uma visão tão sincera e brutal dos regimentos britânicos no Médio Oriente no século XIX como este autor o faz. Em poucas páginas, o essencial é dado a conhecer ao leitor, sem superficialidades e valores ilusórios a disfarçar, de uma forma concisa e, se por vezes hilariante, sem deixar de ter um tom desiludido que reflecte o quanto a expressão oficial e cavalheiro era uma miragem propagandeada com poucos representantes reais. Preconceito, orgulho, vingança e ambição, são nos apresentados como os verdadeiros valores que moviam a maioria dos que procuravam a fama no exército, principalmente, os cargos superiores, onde a inteligência e estratégia se perdeu algures no caminho de Inglaterra até ao Afeganistão… ou, possivelmente, muito antes, nos respectivos úteros. 

  Para ajudar, temos o anti-herói máximo, o desprezível Flashy, tão cheio de si e de todos os defeitos, que apenas guarda uma qualidade: uma sinceridade quase inocente, tão estranhamente pouco condizente com o seu comportamento debochado. É fácil detestá-lo, mas há uma parte ridícula de nós que tanto lhe deseja todo o mal do mundo, como até se alegra com os seus golpes de sorte. Porquê? Possivelmente porque há uma parte de nós que lhe inveja essa maldita sorte que ele não merece nem um bocadinho. E depois há outra parte que se rejubila com os seus problemas e reza pelo momento em que ele irá ser descoberto e, esperámos nós, ser espezinhado e açoitado em público. Sim, Flashy traz o pior do ser humano ao de cima, e é o maior parasita que alguma vez conhecerão. Por isso, ele dividi-me e há uma parte de mim que sente manipulada ao longo do livro para gostar dele. Eu não gosto dele. Nem um bocadinho. É das personagens que mais detesto e alguma vez detestarei.

  Com pormenores históricos incríveis, Flashman é uma aventura vitoriana que merece, admito, os largos elogios que tem recebido. É uma comédia de valores que faz um melhor trabalho como feira das vaidades do que um certo clássico. Mas tem como defeito o seu maior trunfo, o protagonista. Porque Flashman não é só um sacana. É um sacana sem charme ou inteligência com uma sorte descomunal, como o facto de não haver uma personagem tão interessante e complexa como ele. É um desastre rodeado de desastres ainda maiores. De patéticos e vergonhosos homens, de mulheres fúteis e superficiais, que apenas enaltecem o único que não finge sequer ter honra, ele próprio, Flashy. Ele que é uma crítica assaz inteligente e pertinente ao homem comum que se glorificou através dos azares dos outros.

  Flashman é uma leitura de variados sabores. É aquela que me permite ver um retrato brilhante da realidade ridícula das mais altas patentes, uma crítica inteligente a um Império escondido por valores não existentes. É também aquela, que me fez desprezar cada personagem. É uma leitura que me divide, que tanto me agrada como me irrita. É um bico de obra, verdade seja dita!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Opinião - Para Sempre

Título Original: Once and Always (#1 Sequels)
Autor: Judith McNaught
Editora: ASA
Número de Páginas: 448


Sinopse
Victoria Seaton cruzou um oceano. Para trás, deixou tudo o que amava. A sua cidade, Nova Iorque. Andrew, o homem dos seus sonhos. E a casa onde nasceu, agora tristemente vazia após a morte súbita dos pais.
Desamparada, Victoria não tem outra solução que não rumar ao desconhecido. A Inglaterra, um país que que nunca visitou. Aos aristocráticos Fielding, uma família que nunca viu e à qual pertence apenas no papel. A uma herança que não sabia existir. O seu único conforto é a sua irmã Dorothy, a quem protege fingindo ser a mulher corajosa que, intimamente, teme não ser. A alta sociedade britânica rapidamente a põe à prova com as suas regras rígidas, tão diferentes dos modos calorosos e simples do seu país natal. Igualmente impenetráveis são as reacções da família. Quando conhece a avó – a duquesa de Claremont - Victoria não percebe o porquê do seu olhar venenoso e a sua obstinação em acolher apenas Dorothy. As irmãs acabam por ser separadas e Victoria fica à mercê do jovem lorde Jason Fielding, seu primo afastado. Jason é um homem frio, sensual e implacável. Nos salões da moda, é o alvo de todas as atenções, a chama que atrai homens e mulheres, o “felino selvagem entre gatinhos domésticos”. Ele permanece um mistério aos olhos de Victoria, que recusa submeter-se às suas ordens ríspidas. Por seu lado, Jason não sabe como reagir ao temperamento explosivo da jovem americana. A relação de ambos é tão excitante quanto impossível. Sobre ela paira - negra e omnipresente - a sombra do passado com os seus mistérios, segredos e crimes...


Biografia
  Judith McNaught foi a primeira mulher a exercer o cargo de produtora executiva na estação de rádio CBS e começou a escrever em 1983, sendo considerada a autira que inventou o subgénero do Romance Histórico da Regência.

  Para Sempre, foi publicado em 1987 e ganhou o RT Book Reviews All- Time Favorite. Está traduzido para dezasseis línguas.


Opinião
  Quando pensámos que já nada nos pode surpreender neste género, heis que surge um livro, pelo qual não daríamos nada e quase estivemos para não ler, que consegue o impensável: surpreender-nos. Para Sempre foi uma delícia, da primeira página à última. Aconchegou-me o coração, provocou-me gargalhadas, fez-me acreditar nas possibilidades imprevisíveis do amor. Tudo graças à escrita de Judith, tão romântica quanto sensual, tão divertida como dramática. Nenhuma autora consegue puxar os limites como ela e mesmo assim, atingir um equilíbrio tão perfeito. Este livro podia ter sido demasiado em muitos aspectos, mas o resultado é uma história de amor linda, cheia de reviravoltas, que vai aquecendo e tornando-se mais terna conforme avançámos na leitura, uma história de amor que será impossível de esquecer ou igualar.

  Este livro é uma jóia preciosa que brilha no meio das demais. Podia ser igual a tantos outros, mas não é. Com uma narrativa elegante que não deixa de ser escaldante, Para Sempre está recheado de pormenores históricos deliciosos, que vão desde as funções da criadagem às diferenças sociais entre a América e a Inglaterra ou ao comércio mercantil. Arrebata-nos pelos seus segredos tristes e obscuros, pelas consequências do passado e pelos sonhos que podem renascer. Derrete-nos com uma história de amor que contra todas as adversidades, contra todos os erros, se fortalece com a aprendizagem e a confiança. Queima-nos pela sua sensualidade ora inocente ou libertina. Conquista-nos de tal forma, que mal começámos o livro e estámos, de repente, a fechar a última página.

  Não é só o romance que domina estas páginas. Ele está lá, claro, e é dos romances mais bem construídos e credíveis que já li. É um romance que escalda, fere e enternece. Faz-nos querer arrancar cabelos, chorar e põe o coração a bater mais depressa. É um amor que cresce a cada batalha, que sofre todas as cicatrizes e aprende com elas. Mas também a amizade é um tema deste livro, bem como a família. Todas as relações, todos os sentimentos, de qualquer espécie e tipo, são explorados brilhantemente neste livro, seja de um pai e filho que se conheceram tarde, seja do mordomo com o lacaio, ou a de uma bisavó rezingona com a bisneta. Há sentimento a transbordar das palavras, e o leitor é convidado a sentir cada um deles.

  E, para um livro tão delicioso, a autora criou as personagens mais fantásticas. Também aqui a autora consegue fugir, mas desta vez, ao cliché. Victoria e Jason podiam ser um casal como tantos outros. Não são. Há algo que os diferencia, e penso que é a química entre ambos, a forma como a relação deles e evolui e, mesmo a sua caraterização como indivíduos. A verdade, é que eles se tornaram um dos meus casais preferidos do género. E depois temos o pai interveniente, a bisavó rezingona, os criados intrometidos, a irmã energética, o amigo mais velho, e outras tantas personagens divinas, que acrescentam ainda mais doçura a um romance já de si perigoso para os diabetes. Mas sem exageros.

  Para Sempre é um dos melhores romances históricos que já li. De sempre. Entrou para a tabela de preferidos ainda não o tinha acabado e é, sem dúvida, um dos melhores deste ano.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Opinião - Something Strange and Deadly

Título Original: Something Strange and Deadly (#1 Something Strange and Deadly)
Autor: Susan Dennard
Editora: HarperCollins
Número de Páginas: 388


Sinopse
There's something strange and deadly loose in Philadelphia...

Eleanor Fitt has a lot to worry about. Her brother has gone missing, her family as fallen on hard times, and her mother is determined to marry her off to any rich young man who walkers by. But this is nothing compared to what she's just read in the newspaper—

The Dead are rising in Philadelphia.

And then, in a frightening attack, a zombie delivers a letter to Eleanor... from her brother.

Whoever is controlling the Dead army has taken her brother as well. If Eleanor is going to find him, she'll have to venture into the lab of the notorious Spirit-Hunters, who protect the city from supernatural forces. But as Eleanor spends more time with the Spirit-Hunters, including the maddeningly stubborn yet handsome Daniel, the situation becomes dire. An now, not only is her reputation on the line, but her very life may hang in the balance.


Biografia
De uma pequena cidade da Georgia, Susan é escritora, leitora, adoradora de animais e comilona de bolachas. Em tempos foi bióloga marinha, o que a levou a visitar seis continentes, antes de assentar como escritora a tempo inteiro. E não, os seus livros não são sobre peixes.

Something Strange and Deadly foi o seu primeiro livro. Publicado em 2012, ainda não está traduzido para outra língua.


Opinião
   Há livros que nos chamam a atenção. Há livros que adorámos. E há livros que parecem que foram escritos para nós. Something Strange and Deadly foi amor à primeira vista e depois, à primeira palavra. Depois de anos a namorá-lo, meses a guardá-lo na estante, finalmente ganhei coragem para o ler e, se tinha medo de ter demasiadas expectativas, rapidamente esse medo se evaporou pois este livro não só correspondeu ao que esperava, como foi ainda melhor. Com uma escrita elegante mas mórbida, e um humor delicioso, Susan Dennard traz-nos uma história sombria e misteriosa, uma história tão capaz de nos arrepiar como de nos fazer rir, uma história que mistura os bons costumes vitorianos com irreverência, e que é capaz de nos manter em suspenso até ao final. 

  Sessões espíritas que correm mal, segredos bem guardados e um cemitério onde os cadáveres deixaram as suas tumbas, são apenas alguns dos ingredientes que tornam este livro um intricado puzzle, tão assustador como charmoso, onde não falta nem magia nem engenhocas. Numa narrativa onde, tanto se pode citar Shakespeare como, tentar matar um zombie com uma sombrinha, acontecimentos aparentemente dispersos e sem ligação dão lugar a uma complexa teia de intriga e conspiração, que irá revelar-se, peça a peça, num enredo onde, a tensão é crescente e o mistério adensa-se a cada página. Com um ambiente requintado, mas nem por isso, menos demente, onde, num momento se está na ópera e, no outro a tentar salvar a pele, esta história é uma sequência de momentos que nos faz suspender a respiração, enquanto nos deslumbra e cativa, tanto pela diferença que o caracteriza, como pelo mistério que a envolve.

  Doce, mas amargo. Belo, mas marcado por cicatrizes. Antiquado, mas com laivos de rebeldia. Assim é Something Strange and Deadly, uma mistura de sombras e luz, de beleza e fealdade, de raciocínio e demência, de justiça e vingança. Nunca sabemos o que esperar da próxima página. Nunca sabemos quem são os inimigos ou os amigos. Nunca sabemos onde realmente se esconde a traição ou onde se guarda a verdadeira coragem. Em cada momento há uma surpresa, uma reviravolta, um segredo. Por isso, está é uma leitura que nos prende a atenção, que nos ilude, que nos fascina. Porque nada é o que pensámos, nada é o que parece.

    Cada personagem tem um passado, um segredo, uma perda. E todas elas, de alguma forma nos criam empatia, mesmo que umas mais do que outras. Como o mal- humorado, inteligente e teimoso Daniel. Ou o corajoso e misterioso Joseph. Ou Jie Chen, que não é o que aparenta. E depois há Eleanor. Respondona, inteligente e doce Eleanor. Incapaz de estar calada, incapaz de ficar parada, ela já era razão suficiente para que ler este livro valesse a pena, porque é só, só, das poucas protagonistas que gostava mesmo de ser.

   Escrito à minha medida, Something Strange and Deadly é mais do que um caso de amor imediato. É a resposta para quem procura algo diferente. É o livro a ler para quem gostou de Eterna Saudade de Lia Habel ou da trilogia As Origens de Cassandra Clare. É a forma perfeita de recordar Anastasia e Dimitri. E se tudo isto não bastar, ele basta por si próprio. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Opinião - A Líbelula Presa no Âmbar

Título Original: Dragonfly in Amber (#2 Outlander)
Autor: Diana Gabaldon
Editora: Casa das Letras
Número de Páginas: 1004


Sinopse
Durante vinte anos Claire Randall manteve o seu segredo. Mas agora, de férias nas majestosas e misteriosas Highlands, Claire planeia revelar à sua filha uma verdade tão impressionante como os acontecimentos que lhe deram origem: o mistério de um antigo círculo de pedras, um amor que transcende os limites do tempo e a verdadeira identidade de James Fraser, um guerreiro escocês cuja valentia levou uma Claire ainda jovem da segurança do seu século de vida para os perigos de um outro tempo.


Mas um legado de sangue e desejo vai testar Brianna, a sua bela filha. A fascinante viagem de Claire vai continuar em Paris, ao lado de Carlos Stuart, na corte intriguista de Luís XV. Jamie tem de ajudar o príncipe a formar alianças que o apoiem na reconquista do trono da Inglaterra. Claire, no entanto, sabe que a rebelião está fadada ao insucesso. A tentativa de devolver o Reino aos católicos resultará num banho de sangue que ficará conhecido como a Batalha de Culloden, e deixará os clãs escoceses em ruínas. No meio das intrigas da corte parisiense, Claire enfrenta novamente um velho rival, tenta impedir o morticínio cruel e salvar a vida do homem que ama.


Biografia
  Diana Gabaldon nasceu em Janeiro de 1952, no Arizona mas é de ascendência mexicana e inglesa. O seu pai, Tony Gabaldon era senador do estado de Arizona e a sua mãe era do Yorkshire. Licenciada em Zoologia, mestre em Biologia Marinha e doutorada em Ecologia, foi professora universitária durante 12 anos, período durante o qual escreveu artigos e críticas de software para revistas como PC Magazine ou Byte Magazine.

  Em 1988 decidiu escrever um livro e, quando estava a ver um episódio de Dr. Who a ideia de o situar na Escócia do século XVIII surgiu naturalmente bem como a de usar viagens no tempo. Ainda esse ano, quando publicou um excerto do seu livro, o autor John E. Stith apresentou-a ao agente literário Perry Knowlton, que conseguiu um acordo para uma trilogia. O livro seria publicado com o título Cross Stitch, título que os americanos mudariam para Outlander, o nome porque ficou conhecida a saga que hoje já conta com oito livros, o The Outlandish Companion, uma série com uma das personagens, Lord John Grey, como protagonista, e uma novel gráfica contada do ponto de vista de Jamie e Murtagh.

  Publicado em 1992, A Líbelula Presa no Âmbar é o segundo volume da série e está traduzido para mais de vinte línguas. A série baseada nos livros já é um sucesso de televisão, estando já a segunda temporada planeada.


Opinião

  Outlander foi, na sua primeira leitura, uma montanha-russa de sensações. Primeiro estranhei-o, algumas vezes torci-lhe o nariz mas, ao virar a última página, a verdade é que estava fascinada senão, até mesmo, apaixonada. Afinal esta série tem todos os ingredientes para me cativar e, depois de algum pé atrás, Diana Gabaldon conseguiu vencer todos os defeitos que lhe conseguisse apontar. E isso notou-se neste A Libélula Presa no Âmbar, cujas páginas foram devoradas num misto de curiosidade e fascínio. Uma história complexa sobre o amor através dos tempos, esta é uma série que tem de ser lida de mente aberta pois, nada do que possam imaginar ou do que vos possam dizer, vos dá a verdade por trás da sua capa. Com uma escrita elegante e um humor especial, Diana consegue algo de único, algo que só por si me fará ler cada livro desta série com mais fervor: ela não nos conta a História, permite-nos sim, vivê-la em cada palavra.

  Há uma tensão crescente nesta narrativa, uma aura de fatalismo que marca cada página. É numa batalha impossível contra o destino e o tempo que o leitor se vê envolvido, uma batalha que deixará cicatrizes nas almas e corações, não só das personagens, como nas nossas. Ricamente detalhada, cheia de acção e reviravoltas, esta história tem certezas e surpresas, traições e mentiras, sacrifícios e morte, mantendo-nos em suspenso da primeira a última página, capaz de nos partir o coração e cortar a respiração em cada capítulo. Mais do que uma narrativa onde a História se mescla com a fantasia, onde verdades impossíveis têm de ser contadas, onde batalhas e conspirações têm de ser travadas, é também uma narrativa sobre o amor e o destino, a honra e o orgulho, a vida e a morte. É uma história sobre escolhas, principalmente, e como elas podem, ou não, mudar quem somos. E sim, é sobre como nem o tempo pode condenar um amor separado por séculos.

  Marcado por tragédias, mas também por vitórias, cheio de riso mas também lágrimas, A Libélula Presa no Âmbar é uma cadeia de emoções, um livro onde tudo pode acontecer e nada nos faz prever o que irá acontecer a seguir. Da Escócia à França, seguimos as aventuras e desventuras de um elenco de personagens fascinantes que têm em seu favor o facto de serem verosímeis, imperfeitas em toda a sua humanidade, tão capazes do bem como do mal. Claire e Jamie presenteiam-nos com uma relação que está longe de ser perfeita. Com altos e baixos, o leitor não consegue não torcer por eles, vivendo cada discussão e desilusão, bem como cada beijo e promessa como se fossem suas. Hoje, compreendo melhor Claire, e aprendi mesmo a apreciá-la, senão mesmo, a sentir um certo orgulho nela. E certamente, cada vez mais, entendo o seu amor incondicional ao irresitível Jamie.

  Belo e trágico, A Libélula Presa no Âmbar é um livro que se devora, que nos apaixona e fascina, sem medida. É uma viagem sem regresso à magia e encanto da Escócia, ao amor escrito nas linhas do tempo. Afinal há uma razão porque vinte e três anos depois, esta é uma série que todos os dias ainda conquista leitores… porque não existe nada igual.


As minhas Opiniões da Série

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Opinião - Duas Irmãs, Um Duque

Título Original: The Duke is Mine (#3 Fairy Tales)
Autor: Eloisa James
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 360


Sinopse
Ele procura a noiva perfeita…

Ele é um duque em busca da noiva perfeita.
Ela é uma senhora… mas está longe de ser perfeita.
Tarquin, o poderoso duque de Sconce, sabe perfeitamente que a decorosa e elegantemente esguia Georgiana Lytton dará uma duquesa adequada. Então, porque não consegue parar de pensar na sua irmã gémea, a curvilínea, obstinada e nada convencional Olivia? Não só Olivia está prometida em casamento a outro homem, como o flirt impróprio, embora inebriante, entre ambos torna a inadequação dela ainda mais clara.
Decidido a encontrar a noiva perfeita, ele afasta metodicamente Olivia dos seus pensamentos, permitindo que a lógica e o dever triunfem sobre a paixão... Até que, na sua hora mais sombria, Quin começa a questionar-se se a perfeição tem alguma coisa a ver com amor.
Para ganhar a mão de Olivia ele teria de desistir de todas as suas crenças e entregar o coração, corpo e alma... 
A menos que já seja demasiado tarde.

A curvilínea e ousada Olivia e a esguia e discreta Georgiana são gémeas, criadas pelos pais para serem noivas de duques. Tudo parece assegurado até que o futuro marido de Olivia, o tolo Rupert Blakemore, marquês de Montsurrey, faz dezoito anos e declara que «não irá casar até ter alcançado glória militar». Enquanto ele parte para a guerra contra Napoleão, Olivia vai com Georgiana conhecer Tarquin Brook-Chatfield, o viúvo duque de Sconce e possível pretendente de Georgiana. Mas Tarquin encanta-se imediatamente com Olivia, que tem de decidir se irá ou não arriscar desiludir Georgiana e Rupert retribuindo o afeto de Quin. Uma versão inteligente do clássico A Princesa e a Ervilha.


Biografia
  Ao contrário de muitas escritoras, Eloisa não se dedicou à escrita por tempo inteiro e decidiu continuar a dar aulas sobre Shakespeare conciliando na perfeição a escritora, a professora, a mãe, a mulher e a amiga. Mulher de múltiplas actividades, a autora que escreve romances de época e casou com um cavaliere italiano, desde 1999 que tem conquistado os corações românticos das suas leitoras, tendo já escrito mais de trinta livros, seis contos e participou em dois livros em conjunto com Julia Quinn e Connie Brockway. É a autora do posfácio da nova edição de Pride and Prejudice da Signet Classics. Até 2005, a autora manteve a sua segunda carreira em segredo mas o facto de ter aparecido pela primeira vez na lista de bestsellers do New York Times fê-la revelar o seu alter ego perante os colegas de trabalho e assumir em pleno que existem duas mulheres em si, a professora universitária e a escritora de romances. 

  Publicado em 2011, Duas Irmãs, Um Duque é o terceiro livro da série de retelings da autora, tendo sido inspirado pelo conto A Princesa e a Ervilha. Está traduzido em quatro línguas.


Opinião
  Depois de duas experiências com esta autora, uma não muito aprazível e outra absolutamente deliciosa, a dúvida mantinha-se: Eloisa James é, ou não, uma autora a seguir? E que melhor forma de o descobrir senão ler outro livro seu? Duas Irmãs, Um Duque foi uma moeda atirada ao ar que, graças aos deuses, não me defraudou. Pelo contrário, comprovou que, afinal, eu e Eloisa ainda podemos vir a ter uma longa e perfeita relação feliz. Tal como aconteceu no livro anterior, Milagre de Amor, fiquei rendida à escrita mordaz e inteligente desta autora, tão capaz de criar situações completamente hilariantes como ousadamente românticas que deliciam o leitor página a página, fazendo-o devorar com prazer uma história que não só reconta um conto de fadas, como é, ele próprio, um.

  Peças de teatro, quintilhas humorísticas e contos, foram algumas das inspirações para este romance onde primam os trocadilhos maliciosos, as piadas tão más que chegam a ser geniais e a sedução tão desajeitada como amorosa. Da situação mais ridícula à pura tragédia, o leitor é levado das gargalhadas impulsivas às lágrimas sentidas, enquanto pelo meio é seduzido da forma mais requintada. Numa narrativa pontuada por pormenores históricos fascinantes, onde a sátira social está presente em cada situação, é com sagacidade e inteligência que a autora nos envolve nesta história sobre perfeição imperfeita, ou melhor, imperfeição perfeita, em que nada nem ninguém fogem à lupa, às convenções e, mesmo, aos escândalos. Com um humor ilusoriamente atroz, esta é uma história deliciosamente romântica mas que não deixa escapar os orgulhos e preconceitos de uma sociedade iludida por livrinhos de etiqueta, brasões e passados gloriosos.

  Personagens tão caricatas como fascinantes actuam no palco desta história de colchões e ervilhas, personagens essas pelas quais facilmente nos apaixonámos. Desde o duque criança e sonhador, poeta que quer ser guerreiro ao duque matemático, taciturno e belo com tendência a apaixonar-se pela moça errada. As mães com boas intenções mas capazes de fazer os filhos arrancar os cabelos e fugir a sete pés. Ou as irmãs tão diferentes como água e azeite. Cada uma delas surpreende-nos, arrelia-nos ou simplesmente faz-nos revirar os olhos enquanto no fundo nos divertimos imenso com a forma como vêm o mundo e as pessoas em seu redor. 

  E depois temos Olivia e Quin. A princesa e o príncipe. Perdão, a aspirante e o duque. Completamente opostos, impossíveis de conciliar ou de se entenderem, eles são a prova que o amor é feito de desafios e imperfeições, acasos e gostos diferentes. É mais do que romântico ou divertido vê-los a apaixonarem-se, é sim, tão natural quanto o céu ser azul. Eles chegam a ser ridículos, até mesmo pirosos. São ternos, complicados e, lá está, imperfeitamente perfeitos. 

  Esqueçam os contos de fadas. Amontoem os colchões, deixem-se perder em tempestades e não comam ervilhas. Mas, melhor ainda, leiam Duas Irmãs, Um Duque nem que seja só porque sim.


As minhas Opiniões da Série

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Opinião - The Summer Queen

Título Original: The Summer Queen
Autor: Elizabeth Chadwick
Editora: SourceBooks Landmark
Número de Páginas: 512


Sinopse

New York Times bestselling author Elizabeth Chadwick brings Eleanor of Aquitaine to life with breathtaking historical detail in the first volume of this stunning new trilogy.

Eleanor of Aquitaine, the legendary 12th century queen of France and later of England, is one of the most powerful and irrepressible women in medieval history, and her story of romance, scandal and political intrigue has fascinated readers for centuries.

Young Eleanor (or Alienor as she was known) has everything to look forward to as the heiress to the wealthy Aquitaine. But when her beloved father William X suddenly dies, childhood is over. Sent to Paris and forced to marry Prince Louis VII of France, she barely adjusts before another death catapults them to King and Queen. At the age of just 13, Eleanor must leave everything behind and learn to navigate the complex and vivacious French court. Faced with great scandals, trials, fraught relationships, and forbidden love at every turn, Eleanor finally sees what her future could hold if she could just seize the moment.

The first in this highly anticipated trilogy, The Summer Queen follows Eleanor through the Second Crusade to the end of her marriage to Louis VII. The author's meticulous research (including delving into the Akashic records) portrays the Middle Ages and Eleanor with depth and vivid imagery unparalleled in historical fiction that will keep readers riveted and wanting more.


Biografia
  Considerada pela Historical Novel Society como a melhor autora de ficção histórica medieval actual, Elizabeth Chadwick é membro da Regia Anglorum, uma sociedade de recriação medieval e é professora de escrita de ficção histórica e romântica. Desde pequena que recriava histórias e cedo se apaixonou pela Idade Média, através de filmes e livros, mas só aos quinze começou a escrever as suas histórias, tendo sido, finalmente, publicada em 1989, depois de anos de rejeições pelas editoras, apesar das suas histórias terem ganho alguns prémios. 

  Tem vinte livros publicados actualmente e escreveu o guião para o filme O Primeiro Cavaleiro, de 1995 com Sean Connery e Richard Gere. O seu último livro, o sonho da sua carreira, é o início de uma trilogia sobre a mulher mais poderosa da Idade Média, Leonor da Aquitânia e intitula-se The Summer Queen. Publicado este ano, ainda não está traduzido para nenhuma língua. Em Setembro será publicada a sua continuação, The Winter Crown.


Opinião
  Para alguém que é apaixonado pela História como eu, poucas épocas exercem um fascínio tão forte como a Idade Média e poucas personalidades vivem tão intensamente no nosso imaginário como Aelinor de Aquitânia, uma das mulheres mais poderosas da História. E, quando a sua história é contada por uma das melhores autoras dos nossos tempos, as expectativas são, obviamente, elevadíssimas. Leitura obrigatória, ansiada e desejada, The Summer Queen, era um livro que eu precisava de ler e que não me deixou defraudada, revelando-se magnífico em toda a sua majestade. Com uma escrita rica em detalhes e emoções, cuidada e apaixonada, Elizabeth Chadwick leva-nos através dos tempos, até uma época de guerras e trovadores, santidade e pecado. E apresenta-nos, numa perspectiva única, a vida de Aelinor, rainha de França e Inglaterra, duquesa de Aquitânia.

  A mais bela e poderosa mulher do seu tempo, Aelinor foi duquesa e rainha, senhora de um império, mãe e avó de dinastias. Foi cobiçada, invejada, odiada. Mas também venerada e amada. E é a sua vida, desde que se torna duquesa, que este livro nos apresenta numa narrativa ricamente detalhada, onde a mulher e a época são descritas com uma minuciosidade preciosa. Não é fácil descrever cada momento importante de uma vida tão rica como a de Aelinor num livro. Não é fácil transportar para o papel a sociedade medieval, as suas características, o seu complexo funcionamento, a sua vasta diversidade política, cultural e social. Mas Chadwick fá-lo com uma mestria inigualável, com um cuidado e detalhe tão apaixonados que é fácil embrenharmo-nos nesta leitura e sentirmo-nos transportados para uma outra era, apesar da densidade e complexidade de factos e relações que preenchem esta história.

  Em Paris, vemos as intrigas políticas, o fervor religioso, a luta de poderes e posições. Vemos um casamento decair ao longo dos anos enquanto Aelinor e Louis VII se afastam pela falta de herdeiro, pela excessiva religiosidade dele e pouca passividade dela. Vemos uma menina crescer cheia de sonhos para se tornar uma rainha sagaz e inteligente, incapaz de ser controlada que deixa os inimigos e o marido a tremer, mas que não consegue ser feliz. Em Constantinopla assistimos ao luxo exótico de outro mundo e em Jerusalém, os pesadelos tornam-se reais enquanto em Roma todas as esperanças caem por terra. E se Aquitânia é a casa do coração, a Normandia é a morada de todas as ambições. Do Ocidente ao Oriente, das guerras dos tronos às guerras santas, é com fervor e uma curiosidade crescente que nos deixámos conquistar por esta leitura que nos mostra o mundo medieval em toda a sua pujança mas também, em todas as suas trevas.

  A História ganha vida neste livro. Não só pelas descrições requintadas, não só pela minuciosidade dos pormenores históricos, mas também pelas suas personagens, que voltam à vida em todo o seu fulgor através deste livro. Principalmente quando falámos de Aelinor. Tão fácil de admirar e adorar. Tão régia e fria num minuto para noutro iluminar uma sala com um sorriso. E, por isso, o leitor é completamente enfeitiçado por esta rainha e pela sua história, enquanto a vemos crescer, sofrer, sonhar e ambicionar. Chadwick dá-nos mais que a lenda. Dá-nos a História viva e humana através de páginas cheias tanto de morte e dor como de alegria e vitória. Dá-nos um retrato vívido da uma época de mudanças, uma época em que o amanhã podia já não ser o que era hoje num estalar de dedos. Dá-nos Aelinor e sua vida, os seus amores e ódios, as suas guerras, a sua força de vontade. Tudo isto, numa história que ainda agora começou.

  Nenhuma das minhas palavras descreve este livro o suficiente. É preciso lê-lo para entender, para absorver a magnitude que ele tem, de que é capaz. The Summer Queen é a jóia da coroa desta autora. É uma leitura obrigatória, não só para os fãs, como para os leitores do género pois estão perante não só do melhor do ano como, talvez, de um dos melhores de sempre no género.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Opinião - Alias Hook

Título Original: Alias Hook
Autor: Lisa Jensen
Editora: Thomas Dunne Books
Número de Páginas: 368


Sinopse

"Every child knows how the story ends. The wicked pirate captain is flung overboard, caught in the jaws of the monster crocodile who drags him down to a watery grave. But it was not yet my time to die. It's my fate to be trapped here forever, in a nightmare of childhood fancy, with that infernal, eternal boy."

Meet Captain James Benjamin Hook, a witty, educated Restoration-era privateer cursed to play villain to a pack of malicious little boys in a pointless war that never ends. But everything changes when Stella Parrish, a forbidden grown woman, dreams her way to the Neverland in defiance of Pan’s rules. From the glamour of the Fairy Revels, to the secret ceremonies of the First Tribes, to the mysterious underwater temple beneath the Mermaid Lagoon, the magical forces of the Neverland open up for Stella as they never have for Hook. And in the pirate captain himself, she begins to see someone far more complex than the storybook villain. 

With Stella’s knowledge of folk and fairy tales, she might be Hook’s last chance for redemption and release if they can break his curse before Pan and his warrior boys hunt her down and drag Hook back to their neverending game. Alias Hook by Lisa Jensen is a beautifully and romantically written adult fairy tale.



Biografia
  Durante treze anos, Lisa Jensen criticou livros para o San Fransciso Chronicle, onde a sua especialidade era ficção histórica e ficção feminina. Para além disso, é crítica de cinema desde que os dinossauros pisaram a terra (segundo ela) e foi pirata noutra vida. Ou então viu demasiados com o Errol Flynn.

  Publicou o seu primeiro livro, The Witch from the Sea, em 2001, um romance histórico pirata que planeava ser o primeiro de uma trilogia. Treze anos depois, chega Alias Hook, um retelling de Peter Pan contado do ponto de vista do Capitão Gancho.


Opinião
  É sobre uma perspectiva sombria e adulta que Lisa se debruça sobre um dos maiores clássicos infantis de sempre, aquele sobre nunca crescer, sobre uma Terra onde as crianças vivem livremente e vencem os seus maiores medos. Desde pequena, foi com medo e fascínio que olhei para esta história e, finalmente, encontro um livro que a vê como eu a vejo: encantadora e sinistra ao mesmo tempo. Alias Hook é mais do que a verdade do vilão, é uma visão, não da destruição da Terra do Nunca, mas das suas falhas, dos seus horrores, das suas mentiras. Com uma escrita elaborada e floreada, bonita mas por vezes exagerada, Lisa Jensen leva-nos como adultos para o mundo das crianças, mostra-nos qual o segredo do pó de fada, os medos de Peter Pan e a história por trás do Capitão Gancho.

  Por vezes parada, até mesmo aborrecida, esta não é uma leitura fácil de começar. Entre Neverland e o passado longínquo de Hook, somos levados do passado ao presente de uma forma abrupta, o que não permite ao leitor concentrar-se ou mesmo deliciar-se com esta história no seu início. Não que os momentos do passado não sejam interessantes, afinal são eles que nos explicam quem foi James Benjamim Hookbridge e como ele se tornou no Capitão Hook, mas acabam por interromper a já de si lenta narrativa em Neverland. A autora demora a entrar na história, a explicar e apresentar este mundo tão igual e tão diferente aquele que conhecemos, por vezes floreando demais e perdendo-se em descrições, e a organização entre passado e presente não consegue equilibrar a narrativa mas só destabilizá-la ainda mais.

  Quando finalmente conseguimos entrar na história, aí sim nos apercebemos da beleza dela e, finalmente, é nos permitido maravilhar-nos com ela. É numa Neverland tirana e sombria, uma espécie de Purgatório, que Hook é condenado a passar a eternidade, para sempre a ser derrotado, para sempre a perder os seus, para sempre a nunca encontrar a Morte. É numa paisagem verde e castanha, nunca colorida, que percebemos que ao permitir as crianças sonhar e ter um refúgio, podemos trazer o pior delas ao de cima, e quão tiranas e cruéis, os nossos pequenos eus podem ser sem regras, sem pais, sem crescerem. E é num barco condenado a nunca mais navegar que compreendemos que um adulto pode nunca crescer, nunca assumir responsabilidades, nunca encontrar o caminho, se enveredar pela vingança e ódio, se nunca encontrar a paz. E como realmente só crescemos quando amámos, quando perdoámos, quando aprendemos a sacrificar.

  Como na história de Barrie, há fadas, índios e sereias. Crianças voam. Crocodilos esperam pacientemente. Mas esta magia não é inocente e o tic tac do relógio não simboliza a aproximação do inimigo mas o tempo que nunca passa nem muda. Aqui a magia não transborda das páginas mas mostra quão presa, quão subjugada Neverland e os seus povos estão à vontade de Peter. Peter, que mostra como uma criança é capaz de temer o desconhecido ao ponto de querer destruir tudo o que não seja à sua maneira, Peter que quer brincar e vencer sempre, não se importando com os sentimentos de ninguém, Peter que quer uma mãe só para fazer o que ele quer. Um Peter que parece demasiado real para o nosso bem. Meninos Perdidos e Wendys vão e vêm conforme a sua vontade mas se há uma coisa que Peter não compreende nem pode derrotar é o amor, a união de duas almas unidas pelos temores passados e a esperança futura, o sentimento que nos faz crescer e aprender.

  Hook acaba por dominar a história e, se por um lado nos enclausura na sua depressão, também nos deixa fascinar por quem ele foi e quem ele é. Afinal ele foi um rapaz orgulho e sedutor. Foi um homem sonhador e ambicioso. Um pirata cruel e sedento de vingança. Um capitão que sofre cada morte e cada ferimento como seus. Sim, por vezes desprazamo-lo. Por vezes deixámo-nos seduzir por ele. É normal, ele fascina-nos em todas as suas facetas. 

  Alias Hook não é uma leitura fácil, de todo. E também não é uma visão bonita dos sonhos infantis. Mas é uma história sobre redenção e esperança, que dá vida a uma das personagens mais vis e fascinantes do nosso imaginário e permite ao adulto em nós regressar à Terra do Nunca e finalmente descobrir o que é realmente crescer.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Opinião - Pecadora

Título Original: Sinful in Satin (#3 As Flores mais Raras)
Autor: Madeline Hunter
Editora: ASA
Número de Páginas: 328


Sinopse

Habituada a uma existência pacata, Celia Pennifold vê a sua vida virada do avesso após a morte da mãe, Alessandra Northrope, uma cortesã afamada. Para além de uma pequena casa, a mãe deixou-lhe de herança apenas dívidas e uma reputação manchada. O destino de Celia já está traçado há muito. Ela foi educada para seguir as pisadas da mãe. Mas Celia é determinada e tem os seus próprios planos… que não incluem, evidentemente, o misterioso inquilino com que se depara ao instalar-se no seu novo lar. Jonathan Albrighton encontra-se numa missão a mando do tio, pois há suspeitas de que Alessandra possuía informações delicadas sobre alguns dos homens mais influentes da sociedade londrina. Jonathan pensava estar perante uma tarefa simples, não contava encontrar em Celia uma adversária à sua altura…



Biografia
  Vencedora do RITA por duas vezes, Madeline Hunter é considerada a Rainha do Romance, sendo uma das autoras preferidas neste género. Doutorada em História de Arte e professora universitária, a autora conta já com treze anos de bestsellers, tendo vendido mais de seis milhões de cópias dos seus romances. Vive na Pensilvânia.

Pecadora é penúltimo livro de uma das suas séries mais recentes, As Flores Mais Raras. Publicado em 2010, foi traduzido para cinco línguas.

Opinião
  Não é segredo para ninguém que Madeline Hunter não exerce sobre mim o fascínio que parece ter sobre a maior parte das suas leitoras nem que, esta série em especial tem servido como reconciliação entre nós. Pecadora é mais um passo nesse sentido, mas ainda não foi desta que cedi, ainda não foi desta que me apaixonei. Contudo, este livro vai mais ao encontro do romance histórico de que gosto do que qualquer outro da série, o que deixa no ar uma grande expectativa para o próximo e último volume, onde, talvez Madeline consiga, finalmente, levar-me à rendição. Por agora, no entanto, deixo-me levar pela sua escrita cuidada e romântica, apreciando os detalhes deliciosos que nos deixa entrever desta época, algo que faz muito bem, sem dúvida, sem me comprometer a algo mais duradouro.

  Ao contrário do que aconteceu nos livros anteriores, Pecadora gira mais em torno do romance, deixando um pouco de lado as histórias paralelas e, até, o mistério que levou ao encontro dos amantes. Isso leva a que seja uma narrativa mais romântica, mais tentadora e doce, plena de entrega mútua e, por isso, mais agradável aos sentidos. É com um charme delicioso e uma doçura tocante, que vemos a relação de Celia e Jonathan evoluir, deixando-nos enredar na sua paixão que, rapidamente se torna também uma relação de amizade, confiança e respeito mútuos. Apesar da rapidez com que se enamoram, quase que o esquecemos, tal é a perfeição deste casal junto, o que torna o sonho uma realidade palpável às mãos de qualquer romântica. É este carinho, quase adoração que criámos por este casal, que nos faz apreciar este romance um pouco mais do que os seus anteriores.

  No entanto, ao focar-se mais no romance, a autora não conseguiu equilibra-lo, mais uma vez, com a restante narrativa. Os mistérios, ambos interessantes, rapidamente são esquecidos e resolvidos tão rápida e toscamente que o leitor nem percebe muito bem o que aconteceu. Na verdade, parecem quase acrescentos que nada trazem de novo ou interessante à história, algo invulgar nos livros desta autora. Parece assim, que encontrar o equilíbrio é algo difícil de encontrar em Madeline Hunter. Mantêm-se a sua dedicação ao pormenor histórico, à descrição da época, mesmo que não tão evidente. Desta vez, é o submundo das cortesãs e espiões que nos é apresentado, das conspirações e segredos, das diferenças sociais mesmo entre aqueles que partilham um estado. Aqui, verdade seja dita, nunca há falhas.

  Celia e Jonathan são o meu casal preferido enquanto Daphne e Castleford não se encontram. Se Celia é pragmática mas doce, leal e realista, Jonathan é introspectivo, intenso e adorável e, juntos, formam um casal tão querido que é difícil não torcermos por eles. Neste livro podemos observar as dinâmicas de grupo entre as meninas e os meninos e, não sei bem o que aconteceu, mas os encontros deles foram muito mais interessantes. Castleford continua a ser a minha personagem secundária preferida mas, por exemplo, Adrianna, parece-me tão diferente do seu livro, tão apagada e sem sal que me está a fazer um bocadinho de confusão.

  Pecadora é um livro para as românticas, para as sonhadoras, para as que não precisam de príncipes ou diamantes. É uma história tocante que não roçando a perfeição, sempre nos permite umas horas rápidas no mundo em que tudo é possível.


As minhas Opiniões da Série

sábado, 2 de agosto de 2014

Opinião - Dark Metropolis

Título Original: Dark Metropolis (#1 Dark Metropolis)
Autor: Jaclyn Dolamore
Editora: Disney-Hyperion
Número de Páginas: 304


Sinopse
Cabaret meets Cassandra Clare-a haunting magical thriller set in a riveting 1930s-esque world.

Sixteen-year-old Thea Holder's mother is cursed with a spell that's driving her mad, and whenever they touch, Thea is chilled by the magic, too. With no one else to contribute, Thea must make a living for both of them in a sinister city, where danger lurks and greed rules.
Thea spends her nights waitressing at the decadent Telephone Club attending to the glitzy clientele. But when her best friend, Nan, vanishes, Thea is compelled to find her. She meets Freddy, a young, magnetic patron at the club, and he agrees to help her uncover the city's secrets-even while he hides secrets of his own.

Together, they find a whole new side of the city. Unrest is brewing behind closed doors as whispers of a gruesome magic spread. And if they're not careful, the heartless masterminds behind the growing disappearances will be after them, too.

Perfect for fans of Cassandra Clare, this is a chilling thriller with a touch of magic where the dead don't always seem to stay that way.



Biografia
  Educada em casa de uma forma muito hippie, Jaclyn Dolamore passou a infância a ler tantos livros quantos o seu corpo magrinho conseguisse carregar da biblioteca, e a elaborar jogos de fingir com a irmã. Dispensou a faculdade e passou os últimos oito anos de trabalho em trabalho enquanto desenvolvia as suas capacidades culinárias e buscava o sonho de uma vida: escrever.

  Apaixonada por história, vestidos vintage, David Bowie, desenho e comida orgânica, Jaclyn publicou o seu primeiro livro, Magic Under Glass em 2009.


  Dark Metropolis, o seu último livro, foi publicado em Junho deste ano.


Opinião
  Quando um livro passado em 1927, cheio de zombies e comparado ao estilo de Cassandra Clare, cruza o meu caminho, só há uma coisa a fazer: lê-lo. E rezar, com todo o fervor, para que ele corresponda às expectativas. Com uma aura triste e decadente, sombria e nostálgica, Dark Metropolis é como as águas profundas que, calmas na superfície, escondem uma escuridão impenetrável nas profundezas, escuridão à qual a escrita delicada e pausada da autora acrescenta um tom de despedida e, contraditoriamente, um tom de guerra contra a morte. Por vezes distante, por vezes tocante, este livro não merece a comparação com os de Cassandra Clare, mas não deixa por isso de ser uma leitura que merece a nossa atenção. Muito pelo contrário. 

  Estranha e fascinante, esta é uma leitura que apesar de pausada se faz rapidamente devido ao mistério e morbidez que a envolve, sendo caracterizada pela tentativa de originalidade numa narrativa marcada por magia, diferenças sociais e vida depois da morte. Num mundo que parece o nosso mas no qual vamos descobrir muitas diferenças, é com ânsia crescente que nos deixámos envolver nas suas páginas, que marcadas pela decepção e desespero, nos levam a descobrir a as mais recônditas esperanças e as ambições mais maléficas que o coração humano é capaz de esconder. Por entre o brilho dos clubes e os sombrios túneis debaixo de uma cidade efervescente ainda assombrada pela guerra, vidas entrelaçam-se numa sequência de consequências que virará o mundo de pernas para o ar.

  Contudo, esta é uma história ainda muito em bruto, que precisava de ser polida. Apesar de termos a informação que a história se passa em 1927, a verdade é que tirando o facto de se falar nas guerras e nos clubes nocturnos, nada nos indica que existe um tempo histórico concreto, seja em pormenores de vestuário, rotinas ou tradições, o que deixa o leitor perdido numa leitura já de si estranha. Também em termos de worldbuilding Dark Metropolis falha. Pouco ou nada nos é explicado e, se é verdade que percebemos o que se passa, também é verdade que não sabemos os porquês, os comos ou o que seja para este mundo ser como é. Falta-lhe complexidade e simplicidade ao mesmo tempo, falta-lhe emoção e ligação com o leitor, algo para o qual o fim abrupto e fechado não ajuda.

  São as personagens no fim, as suas histórias pessoais, que acabam por nos fazer olhar para este livro de outra maneira. Tristes e perdidas, tentando conquistar um lugar num mundo cheio de dificuldades, Freddy, Nan e Thea comovem-nos pelas suas desventuras e pela forma como tentam fugir a uma realidade demasiado cruel. Principalmente Nan, uma personagem a que preciso de dar destaque pela sua força, pela capacidade de luta mesmo quando nada parece merecer a pena.

  Dark Metropolis é assim, uma leitura da qual gostámos à primeira vista, uma leitura que nos deixa curiosos mas que quando analisada acaba por apresentar mais falhas que virtudes.