Autor: Juliette Benzoni
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 280
Sinopse
Fugida do convento onde a mãe a queria obrigar a tomar o véu para assegurar a fortuna paterna, Charlotte de Fontenac refugia-se em casa da tia de Brecourt, irmã do defunto pai. A jovem perde-se na noite e surpreende um ritual aterrador numa capela abandonada... Um desconhecido arranca-a à sua perigosa contemplação... Tudo se passa numa época em que o vento pestilencial do caso dos venenos sopra sobre Paris e a corte de Luís XIV. Madame de Brecourt envia Charlotte para o Palais Royal, para a corte da jovem duquesa de Orleães, Madame, a pitoresca princesa Palatina. Um caminho singular, o dos palácios reais, abre-se diante de Charlotte, mais perigoso do que se imaginaria. Um capricho da natureza fá-la parecer-se com um antigo amor de Luís XIV, o que lhe vale o ódio silencioso de madame de Maintenon, em vias de tomar o lugar de madame de Montespan. No momento de maior perigo é a rainha Maria Teresa que vem em seu socorro, mas por pouco tempo, pois morre no espaço de quatro dias...
Mortes suspeitas, missas negras, um amor que não ousa dizer o seu nome e protecções que desaparecem uma após outra. Que vai ser de Charlotte?
Opinião
Nascida a 30 de Outubro de 1920 em Paris, Juliette Benzoni
começou como jornalista e, apenas em 1963 decidiu dedicar-se a escrita com a
série Catherine, uma rival a altura
do sucesso Angélique que estava a
tomar as livrarias francesas. Rapidamente, a escritora deixou-se dominar pela
escrita e escolheu a história francesa para panorama de fundo dos seus livros,
ganhando assim o cognome de a Rainha dos Romances Históricos, sendo ainda hoje,
assim considerada.
Com 8 séries escritas, tendo 5 delas mais de 100 edições em
todo o mundo e traduzidas em mais de vinte línguas, a autora tem pisado os
palcos franceses e as suas ligações históricas através de personagens fortes,
um pormenor histórico cuidado e uma leitura viciante que conquistou leitores
durante 5 décadas.
O meu amor a História é imenso e engloba todos os seus contrastes
mas é a parte política, as intrigas de corte, os casamentos e alianças, a parte
que mais me chama a atenção e Juliette já me tinha conquistado com o primeiro
volume da trilogia Segredo de Estado,
onde toca nestes assuntos de uma forma sublime num dos reinados que mais me
fascina. Tal como nesse livro, Mataram a
Rainha! é um exemplo exímio de como transpor a história para as histórias. Com
um cuidado histórico precioso, uma escrita poderosa recheada de humor, sarcasmo
e um detalhe impressionante, onde os factos são respeitados e os rumores
perfeitamente enquadrados, Juliette prova porque é que quando se fala neste
género, o seu nome vem logo a sair.
Ao longo das páginas deste livro sentimos o espírito de
Versalhes já a brilhar muito antes do local estar pronto, pois mais do que
isso, a corte de Luís XIV era, em sim mesma, uma corte ostensiva, poderosa,
onde as intrigas se escondiam atrás de sorrisos afectados, regras de cortesia e
estratos sociais. O brilho do Rei-Sol e do seu palácio de sonho passa em cada
palavra e acção, em cada momento, por trás dos quais se escondem poções,
segredos e o medo que aterrorizava a restante Europa, a bruxaria.
Saber unir a acção histórica com a ficção, construindo um
enredo onde nada é descurado, é para poucos e a autora consegue-o na perfeição.
Centrando-se na nobreza francesa, transmite-nos os costumes, as maledicências,
os rumores e os hábitos da corte que iluminou a Europa, fascinando-nos a cada
momento de leitura, impedindo-nos de pousar o livro e mantendo-nos cativos das ambições
destas personagens que foram tão reais como nós. Ao utilizar uma personagem fictícia
bem posicionada sem ser em demasia, a autora pode concentrar-se em entreter e
ensinar. Através de Charlotte, vivemos os seus perigos, os seus amores e
convivemos directamente com as mais altas personalidades, permitindo que se
deslinde mistérios nunca antes tocados, que se conspire enquanto se dança, que
se morra enquanto vénias são feitas. Para além do cuidado histórico, a autora
soube conciliar a parte ficcional, deixando-nos encantados com Charlotte e que
estejamos longe e perto de todos os acontecimentos importantes.
As personagens são bem construídas, sem que nada seja
deixado ao acaso e servem a nossa curiosidade pois enquanto personagens reais,
são humanas, cometem erros, têm medos, celebram vitórias, mentem e sorriem, sem
nunca deixarem de relembrar quem foram. Mesmo com as personagens ficcionais,
elas não deixam de ter personalidade, vida ou um certo peso na história por não
terem sido reais. Todas têm o seu objectivo de interligar os factos com a
ficção para uma narrativa coesa e interessante que agarra o leitor sem que este
esqueça que bocados desta história existiram.
Juliette Benzoni foi e é a Rainha do Romance Histórico e soube
contar como ninguém a História da França na ficção. Um romance histórico ímpar
que irá proporcionar horas de aventura e suspense e agarrar os leitores a cada
página, conseguindo colocar mentes a funcionar, a curiosidade a aumentar e
deixar um laivo de satisfação durante dias e uma vontade imensa de arranjar o
segundo volume.
7*
