Título Original: Roma 40 d.C. (#1 Roma)
Autor: Adele Vieri Castellano
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 428
Sinopse
O fascínio da Roma antiga ganha vida num romance de tons sedutores e misteriosos.Roma 40 d. C. Gaio Júlio César Germânico, Calígula, é imperador. Marco Quinto Rufo é o segundo homem mais poderoso de Roma. Lívia Urgulanila tem um passado para esquecer. Ele é um homem endurecido pela floresta germânica, bonito e forte, que não conhece o medo ou limites. Ela é uma aristocrata refinada e arrogante cujo destino já está escrito.
Mas os deuses decidiram de outra forma e quando Rufo a toma para si, não imagina remotamente as consequências do seu gesto. Roma não é uma província onde tudo, incluindo raptar uma mulher, é permitido. E mesmo que o próprio Calígula decida dar-lha, conquistar o coração de Livia irá ser a tarefa mais difícil e temerária que Rufo já empreendeu.
Irá Lívia entregar o seu coração a um homem cruel que não hesita diante de nada?
Biografia
Aos nove anos, Adele escreveu o seu primeiro conto e decidiu
nesse dia o pseudónimo com que viria a assinar os seus livros, escolhendo o
nome da da sua bisavó. Nascida em meados dos anos sessenta, italiana, Adele viveu
muitos anos em França, mas hoje vive em Milão. Os seus amores são os livros, a
escrita e a História Antiga, na qual se inspirou para escrever o seu primeiro
livro.
Roma 40
d.C. foi publicado em 2012 e foi
o primeiro romance da autora, iniciando a sua trilogia sobre a Roma Antiga, da
qual faz parte uma prequela sobre o protagonista deste livro. Portugal é o
primeiro país onde é traduzido.
Opinião
O mais poderoso Império do Mundo Antigo é o surpreendente
palco deste romance, onde os deuses brincam com os fados, provocando paixões
inesperadas, ciúmes violentos e desejos intensos. Roma 40 d.C. conquistou-me a atenção desde o primeiro momento em
que o vi, mas nunca pensei que esta leitura se revelasse a surpresa fantástica
que acabou por ser. Com uma escrita cuidada mas que não deixa de ser intensa e
provocadora, Adele Vieri Castellano envolve-nos no ambiente perigoso e intenso
da Roma de 40, transportando-nos numa viagem única e apaixonante, de Roma à
Cápua, dos bairros pobres ao palácio imperial, do frio ódio ao mais quente dos
amores.
Começa lentamente, esta história sobre destinos, poder e
amores, mas facilmente somos envolvidos pelo ambiente, tão cuidado e realista, intrigante
e cruelmente belo, que parece levar-nos através do tempo até à Roma das
legiões, dos deuses e imperadores que ainda hoje mexe com o nosso imaginário. Com
uma narrativa povoada das expressões próprias da época, somos apresentados aos
caprichos, às intrigas e ódios de um reinado de terror e promiscuidade, a uma
sociedade que se dizia civilizada mas muitas vezes se deixava levar pelos seus
instintos mais animais e a um mundo tão requintado e sedutor quanto bárbaro e
cruel. Imiscuindo ficção e realidade de uma forma subtil e quase perfeita, apesar
de por vezes ser demasiado pausado, este livro seduz-nos aos poucos e poucos.
Apesar de haver um casal protagonista, são várias as
histórias, os amores que nos são contados ao longo destas páginas, desde
proibidos a antigos, de inesperados a nascidos do mais completo ódio. Entrelaçados
uns nos outros e na narrativa, cada um leva o seu tempo a acontecer, uns mais
lentamente que outros, o que nos permite conhecer cada história e personagem
tão bem quanto a principal, o que também acabou por provocar, indirectamente, uma
menor ligação às personagens, já que não há nenhuma com quem sejamos levados a
ter uma relação de quase exclusividade como costuma acontecer nestes romances. Estas
relações primam não só pela sensualidade como também pela sinceridade, não
existindo pudores ou espaço para vergonhas, o que permite uma total
naturalidade não só nos envolvimentos como na forma como as relações e os
sentimentos são vistos.
Mesmo que não tenhamos uma ligação próxima com às
personagens de Adele, há algo de atractivo nelas, pelas várias camadas que cada
uma parece ter, desde a doce mas sarcástica Lívia ao cruel e apaixonado Marco. Estes,
os protagonistas desta história, conquistam-nos pela sua relação de amor –
ódio, a que não faltam farpas e beijos, e que vai mudando para algo mais do que
desejo e indiferença. Tenho pena que tenha faltado essa ligação, porque como
casal, Marco e Lívia têm uma história fora do comum. Quanto às restantes
personagens, são interessantes mas gostei principalmente do quão fiel a autora
foi às personagens baseadas em figuras históricas, como Calígula, Cláudio e
Messalina. Ganha, sem dúvida, pontos por isso.
Cheio de tentações, e contudo imperfeito, Roma 40 d.C. foi uma surpresa fantástica
que me permitiu horas de leitura de puro entretenimento num ambiente poderoso
mas pouco explorado, que me deixou desejosa de ler mais livros da autora.


