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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Opinião - Reached

Título Original: Reached (#3 Matched)
Editora: Dutton Children's Books
Autor: Ally Condie
Número de Páginas: 384

Sinopse
 Cassia's journey began with an error, a momentary glitch in the otherwise perfect facade of the Society. After crossing canyons to break free, she waits, silk and paper smuggled against her skin, ready for the final chapter.
The wait is over.
One young woman has raged against those who threaten to keep away what matters most--family, love, choice. Her quiet revolution is about to explode into full-scale rebellion.
With exquisite prose, the emotionally gripping conclusion to the international-bestselling Matched trilogy returns Cassia, Ky, and Xander to the Society to save the one thing they have been denied for so long, the power to choose.

Opinião

  Em 2008 a aventura começou. Depois de uma pergunta pertinente do marido sobre o casamento, Ally começou a criar uma história na sua cabeça, uma história que nove meses depois tomou forma e União, o seu primeiro livro, seria publicado em 2010. Professora, mãe e esposa, Ally colocou as suas experiências na história a que deu vida e esta tornou-se uma trilogia distópica que dois anos depois de se ter iniciado, terminou com Reached.


  Actualmente a trabalhar no seu novo projecto, que apenas será publicado no final do ano que vem, a escritora que continua a actualizar a licença de professora poderá ver a sua primeira obra no cinema pelas mãos do estúdio da Disney estando o realizador já escolhido. David Slade, o mesmo que realizou a terceira parte de Twilight.


  Reached, o fim da trilogia, foi publicado em Novembro último e já foi traduzido para sete países. Apenas o primeiro livro da trilogia, União, está traduzido em terras lusas mas o segundo livro poderá ser traduzido quando houver mais novidades do filme.


  As dúvidas cresceram, a herança deixou um caminho em aberto, as decisões foram tomadas e agora as vozes levantam-se mas uma revolta pacífica nem sempre resulta pelo melhor e a expectativa de um novo mundo pode custar-te os que mais amas. Cassia, Ky e Xander estão no centro do tornado mas em lados opostos, cada um tem um papel a cumprir mas o que são, o que sentem pode interferir com o que desejam. Os alicerces da perfeição foram abalados mas para se chegar à conclusão ainda há um longo caminho a percorrer, decisões difíceis a tomar, sonhos a serem quebrados e novas forças devem emergir para que tudo não se perca nas falhas que não podiam existir. Longe da segurança que conheceram, longe do dia que uniu os seus destinos, os três jovens têm um papel a desempenhar nas mudanças porque ansiaram mas ainda não sabem qual o preço a pagar.


  Mais uma vez, a escrita lírica, simples e emotiva de Ally invade-nos assim que começámos a ler. Depois de Crossed ter terminado com muitas questões no ar, eis que as respostas se começam a desvendar mas, até ao fim, ainda há sacrifícios a fazer, provações a passar e muita dor e ansiedade para nos parar o coração. De livro a livro, sem nunca mudar de tom, Ally tem surpreendido pela forma como tem desenvolvido a história e, garanto-vos, ninguém poderia imaginar o rumo que a história de Cassia iria tomar. Aquela que começou como uma história de pequenos gestos de amor e luta, tornou-se uma jornada em busca de algo melhor e vem culminar finalmente com a revolta, uma revolta que pelo espírito desta trilogia só podia ser pacífica mas que psicologicamente irá mexer com todos os intervenientes e mudar muito mais do que seria esperado. 


  Segredos desfazem-se capítulo a capítulo. Questões levantadas vão sendo respondidas mas até ao fim nunca sabemos o que vai acontecer realmente. É a expectativa, a ansiedade e a provação que desenham esta história. É a perda, a luta, a crença e o amor que riscam os contornos da recta final. E há uma desilusão patente que vai crescendo conforme as personagens se apercebem que sofreram por algo que não era o que idealizavam, que usa armas do mesmo tipo que a Sociedade onde cresceram, que para se fazerem de heróis acabam por colocar em risco tudo e todos. Ao longo desta narrativa, alicerces caem sem barulho e verdades desfazem-se com o crescimento de novas formas de vida até que o futuro parece desaparecer no horizonte e é a partir daqui que a adrenalina cresce, que o fim se vai tornando incerto e começa a aproximar-se.


  Um fim agridoce, um fim em aberto, um fim em que se sobrevive e se conquista, em que a esperança começa a tomar forma. A queda é sempre rápida mas a reconstrução de um mundo de opiniões, de desejos é lenta e tem de ser feita passo a passo. Existe uma calma, uma pacificidade ao longo do livro que não combina com o espírito de revolta mas que nesta história faz todo o sentido pois ela não nos fala de guerras, não nos dá um inimigo mas sim um sonho, uma crença de que se pode mudar, um herói idealizado e a força de vontade, a capacidade de amor daqueles que acreditam. Aqui o que se pretende é que se perceba que podemos ser o que quisermos, que podemos ter inúmeros talentos e todos são de valor, que podemos amar quem quisermos e fazê-lo mais do que uma vez, que cada um tem as suas ideias e crenças e que somos nós que nos formámos a nós próprios.


  Cassia cresce neste livro e vemo-la tomar decisões difíceis, a fazer escolhas, a mostrar que amadureceu e que sabe o que realmente quer e deseja. Ky é o mesmo, não há nada que o mude e pela sua coerência e força é sem dúvida a grande personagem deste livro. Já Xander, bem confesso, que ele me conseguiu surpreender mas continua a ser uma personagem por quem não nutro muito carinho. Ao longo do livro conhecemos outras personagens, aprendemos a respeitar algumas e sofremos com muitas delas.


  Reached é um fim que é mais, que é menos, que surpreende mas que deixa um sabor agridoce na boca. Não é um grande fim mas é um fim que nos deixa divagar e com um sorriso nos lábios. Tenho pena que a trilogia tenha perdido alguma força depois do primeiro livro mas tenho mais pena que tenha chegado ao fim. Espero que brevemente União tenha companhia nas livrarias portuguesas.

6*
 
As minhas opiniões da série

domingo, 19 de maio de 2013

Opinião - Crossed

Título Original: Crossed (#2 Matched)
Autor: Ally Condie
Editora: Penguin
Número de Páginas: 255

Sinopse
 The highly anticipated second book in the Matched trilogy!
Chasing down an uncertain future, Cassia makes her way to the Outer Provinces in pursuit of Ky--taken by Society to his certain death--only to find that he has escaped into the majestic, but treacherous, canyons. On this wild frontier are glimmers of a different life . . . and the enthralling promise of rebellion. But even as Cassia sacrifices everything to reunite with Ky, ingenious surproses from Xander may change the game. On the edge of Society, nothing is as expected, and crosses and double crosses make Cassia's path more twisted than ever.

Opinião


  Ally era professora de Inglês mas hoje com o seu sucesso do seu primeiro livro, é escritora a tempo inteiro. Apesar disso continua a actualizar a sua licença porque nunca se sabe quando irá precisar dela. Mãe, esposa, Ally tem três filhos e uma filha com quem vive mais o marido em Salt Lake City. Continua a fazer as mesmas coisas de antes, como ler e correr, e está actualmente a trabalhar no seu novo projecto, uma história que se passará numa cidade debaixo de água e cuja protagonista deseja viver à superfície. Fãs de União e Pequena Sereia esta poderá ser a vossa nova história preferida mas só deverá ser publicada no final do ano que vem.

  A continuação muito ansiada de União e cuja publicação em Portugal ainda é uma incógnita, Crossed foi publicado em 2011 e já foi traduzido para mais de trinta países. Quanto ao filme, parece que é desta que irá acontecer. A Disney comprou os direitos e o realizador deverá ser David Slade, o mesmo de Twilight: Eclipse. O último livro da trilogia, Reached foi publicado em Novembro último.

  Para lá da segurança que sempre conheceste existe um vazio, um vazio onde ninguém sabe o que acontece, um vazio que todos fingem não existir. Mas para encontrares o que mais queres vais ter de te aventurar nas terras desconhecidas, vais ter de te colocar numa posição vulnerável. Podes ter de desaparecer, podes ter de te colocar em risco. Mas no inóspito está mais do que aquilo que procuras, pode estar a mudança que o teu coração deseja. Resta saber se será aquilo que esperas… Numa fuga por amor, as mentiras e a revolta ganham protagonismo e em esconderijos e aliados inesperados pode-se encontrar as verdades que os que amámos calam. Só que os sonhos e a realidade não são muitas vezes a mesma coisa.

  Mais uma vez, Ally arrebata-nos com a sua bela escrita lírica que demonstra bem o porquê da sua trilogia ser um caso excepcional nas distopias que têm sido publicadas. Com uma beleza única, União e, agora, Crossed são casos onde não é necessário a brutalidade expressiva para os leitores se sentirem agoniados com uma realidade onde escolha, liberdade e decisão não nos pertencem. Através de um enredo onde a opressão é subtil, onde as amarras são invisíveis, Ally leva-nos agora à luta, à fuga e ao mesmo tempo, ainda nos dá as réstias de uma confiança numa sociedade onde parecia existir segurança e verdade. Numa corrida contra o tempo, num cenário isolado e deserto, a autora leva-nos mais longe neste livro, apresenta-nos uma outra realidade e aposta no inesperado para adensar a trama. 

  Depois da simplicidade e poder do primeiro volume, esperava que este livro mantivesse as mesmas qualidades que me haviam conquistado mas Crossed consegue ser mais e menos ao mesmo tempo. Mais porque surpreende, sem dúvida. Não só com a mudança de ambiente como também com os segredos que vão sendo desvendados ao longo do decorrer da leitura. Menos porque acaba por não ter o mesmo impacto que União teve. Apesar das surpresas que nos traz, não consegue manter um ritmo constante e coerente, o que, como livro intermédio de uma trilogia era necessário pois alguns pontos continuam sem explicação e muitas dúvidas nos esperam no final do livro. Muitas vezes parada e agoniante, a acção tanto nos prende pela expectativa como nos deixa frustrados, daí que este seja um livro difícil de julgar.

  Ao longo da leitura o sentimento de expectativa mantem-se sempre. Esperámos pelo reencontro, esperámos pelo desvendar dos segredos e das vontades, esperámos para ver como tudo acaba e acabámos a esperar o que se segue. Este é um livro que vai deixar os fãs num estado caótico por isso mesmo e se numas situações isso é bom pela forma como a autora consegue fazer evoluir a relação de Ky e Cassia ou como nos apresenta o que existe fora da sociedade ou como a revolta está a ser preparada, por outro lado, cria situações em que parece faltar coerência às personagens pelas dúvidas que a autora lhes parece impor e essas mesmas dúvidas criam um conflito entre o leitor e a história que acabam por tornar este livro um caso de amor/ódio. 

  O melhor elemento deste livro é o facto de podermos ver as perspectivas de Cassia e Ky. Dessa forma compreendemos as indecisões, as vontades e desejos dos protagonistas e conseguimos no meio de algumas coisas incoerentes encontrar algo que faça sentido. A perspectiva de Ky é muito mais empolgante que a de Cassia, tudo porque ele se mantem fiel à personagem que conhecemos no livro anterior. Ele continua a ser um lutador, um mistério e um rapaz apaixonado e capaz de tudo. Já Cassia perde pelas incoerências que a autora nos parece querer impingir. Nas acções, Cassia é a mesma personagem que conhecemos, mas mais adulta, mais forte, mais corajosa mas em pensamentos parece-nos fraca, ilógica e indecisa, tudo porque a autora acha que deve ter um triângulo amoroso que a meu ver não existe neste livro. E aqui tenho de falar de Xander. Apesar de não aparecer muito, esta personagem foi a minha grande dor de cabeça. No início o típico menino perfeito, Xander começa a revelar-se e afinal não é nada mas nada perfeito, só que parece existir uma tentativa de o meter num pedestal. Lamento, não funcionou comigo pelo menos.

  Aqui a autora continua a usar o psicológico como arma da Sociedade e mais uma vez é brilhante nisso. Apesar de não estarmos geograficamente dentro da Sociedade nunca sentimos segurança mas sim a sensação que ela nos persegue ao longo de gestos, momentos e palavras. Jogada inteligente visto que as personagens nunca baixam a defesa a espera do que se seguirá. Este controlo psicológico funciona ainda melhor na protagonista. Cassia já não confia na Sociedade mas tem os costumes de uma vida enraizados e vemos muitas vezes essa luta nas suas acções. 

  Uma leitura complexa e difícil de classificar, Crossed acaba de uma forma que nos impele a querer ler o próximo no mesmo instante em que o terminámos mas deixa-nos um sabor agridoce na boca.

6*
 
As minhas opiniões da série

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Opinião - União

Título Original: Matched (#1 Matched)
Autor: Ally Condie
Editora: Edições Gailivro
Número de Páginas: 296

Sinopse
 Cassia sempre confiou nas escolhas dos Funcionários. É um pequeno preço a pagar por uma vida longa, um emprego perfeito, um companheiro ideal. Quando o seu melhor amigo aparece no ecrã da União, Cassia tem a certeza absoluta de que ele é o certo… até ao momento em que vê um outro rosto aparecer no ecrã, por breves instantes, antes de este ficar negro. Agora Cassia vê-se confrontada com escolhas impossíveis: entre Xander e Ky, entre a única vida que conhece e um caminho que nunca ninguém ousou seguir - entre a perfeição e a paixão.


Opinião 
No Outono de 2008, Ally e o marido tiveram uma conversa sobre o casamento e ele colocou a seguinte questão «E se alguém escrevesse o algoritmo perfeito para juntar as pessoas e o governo o usasse para decidir com quem casarás?». Esta pergunta nunca mais saiu da cabeça de Ally e depois de ter vigiado um baile de finalistas na escola onde dava aulas e ter pensado nas suas próprias experiências como apaixonar-se e ser mãe, a professora de Inglês decidiu dar vida às suas ideias e nove meses depois, União estava escrito e pronto para conquistar os leitores e a crítica. Primeiro livro de uma trilogia distópica venceu vários prémios como o YALSA’s 2011 Teens’ Top Ten e o Publisher’s Weekly’s Best Children’s Books of 2010.
Três anos depois, Ally é apenas escritora mas continua a actualizar a licença de professora não vá precisar e vive com o marido e os três filhos em Salt Lake City e continua a gostar de ler, comer, correr e ouvir o marido tocar guitarra. Apesar de apenas o primeiro livro estar publicado em Portugal, a trilogia já está completa depois do lançamento de Reached em Novembro passado.
De manhã à noite, eles decidem o que fazes, o que vestes, o que comes, quem és. Sabes quando te vais apaixonar e morrer. Não há percalços, expectativas ou surpresas, tudo está perfeitamente organizado. Mas e, se um dia, o teu olhar se desviasse do caminho certo, na direcção oposta? E se a dada altura, quisesses mais, desejasses mais, conhecesses mais? Numa Sociedade perfeita, sem doenças, fome, pobreza ou fealdade, Funcionários proporcionam-te escolhas, as suas escolhas, escolhas acertadas que te permitirão ter uma vida longa e feliz, com uma família e um emprego perfeitos. Escolhas que te fazem ser saudável, que desenvolvem a tua mente, que te fazem ser um ser humano excepcional. Aqui, tu não pensas, tu não falas e não escolhes e esse é o preço a pagar pela tua vida de sonho.
Num mundo onde palavras como destino não existem, Cassia anseia pelo dia em que saberá quem é a sua União mas o dia mais esperado da sua vida vai quebrar tudo em que acredita, tudo o que sempre pensou querer e terá que encetar uma corrida contra o tempo se quiser aproveitar todos os momentos de liberdade roubados. Cassia é uma protagonista inesperada, uma adolescente que apesar de criada em determinados moldes, acaba por não combater os sentimentos novos que a invadem e se muitas vezes pensa pela cabeça, é no seu coração que estão todas as respostas. Leal à família e aos amigos, depressa percebe que não é a única que guarda segredos e que nesta Sociedade os sentimentos de rebelião há muito que são feitos em pequenos gestos. Determinada, inteligente e doce, é uma protagonista perfeita que se vai salientar de muitas das protagonistas deste género. Ao contrário do que seria de pensar, União não tem um verdadeiro triângulo amoroso, apesar de Cassia estar unida à Xander mas não parar de pensar em Ky, mas não é por isso que ambos deixam de sobressair durante a leitura. Tão diferentes quanto parecidos, ambos os rapazes nos marcam, no entanto, a minha preferência vai para a Ky por todos os momentos marcantes que proporcionou ao longo do livro.
Através de uma escrita simples e envolvente, Ally vai nos conquistando conforme virámos as páginas, com momentos de grande carga emocional onde tudo pode acontecer, com pequenos gestos, com pequenos poemas. Toda a narrativa deste livro é tão lírica e bela que consegue impregnar-se em nós de tal forma que não o conseguimos largar sem saber o que irá passar-se a seguir. Revoltámo-nos com as imposições impostas, apaixonámo-nos pelas declarações e gestos, assustámo-nos e admiramo-nos com esta sociedade futurista onde as estatísticas é que decidem todos os nossos passos, que destruíram todo o que sobrou do passado excepto o que achavam certo para as pessoas saberem. Este é um sistema opressivo e totalitário futurístico que nos vai dar que pensar, onde o mais pequeno gesto, um gesto de amor e revolta, pode já ter sido adivinhado pelas patentes superiores, onde toda uma linda história de luta entre paixão e perfeição pode tornar-se o fim de todos os que os rodeiam.
Se este mundo não é o que parece, também as suas personagens não o são. Onde pensámos ver aceitação e bom comportamento, pode haver segredos, histórias escondidas e actos perigosos e cada personagem vai-nos surpreender por isso mesmo, porque debaixo da perfeição há muito mais do que os Funcionários desejam. Até os locais e objectos deste mundo podem ser mais do que aparentam, podem esconder memórias e lembranças, podem esconder um toque, uma palavra, um olhar, podem ser o único sítio seguro no meio da aparente paz.
Uma surpresa agradável, um livro inesperado foi o que União se revelou, deixando-me com pena de não o ter lido mais cedo e de não existir a continuação já a mão para eu saber o que se segue. Um livro que se destaca no meio das restantes distopias por a violência ainda estar tão embrenhada nos recônditos da Sociedade, um livro que é muito mais do que aparenta e que rapidamente vos vai conquistar.


4*Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads