Autor: Anthony Horowitz
Editora: Gailivro
Número de Páginas: 240
Sinopse
Matt Freeman é apanhado pela polícia durante um assalto e enviado para Yorkshire, ao abrigo de um programa governamental de recuperação de jovens delinquentes - LEAA. Desde o primeiro momento, Matt sente que algo muito estranho envolve a sua nova tutora e toda a aldeia.
Entretanto, o jovem rapaz descobre a existência de Os Velhos, forças do mal tão antigas como a própria Humanidade, que pretendem destruí-la. E só Matt os pode impedir...
Esta é a sua missão... é o preço por ser diferente... e por ter o poder.
Ninguém o quer ajudar, ninguém acredita nele, e quem o faz... morre.
Esta história dá corpo a uma perfeita fusão entre o Fantástico, o Paranormal e o mais actual universo da Era atómica. Há ainda o dinamismo de incursões através da Pré-História e ao fascinante mundo de criaturas tão perigosas como os dinossauros. Da primeira à última página, "O Portão do Corvo" envolve o leitor numa teia frenética de perguntas e respostas, como é o ritmo da vida de Matt Freeman e da própria Humanidade.
Em 2006, com O Portão do Corvo, Horowitz recebeu três prémios: Lancashire Children's Book of the Year, Big Bishop Book Award e o Redbridge Children's Book Award.
Opinião
Conhecido pelo seu sucesso, Alex Rider, que depois de sucesso em livro passou a sucesso no
grande ecrã, Anthony Horowitz tornou-se um dos nomes da literatura YA. Mais
tarde decidiu alterar o seu tipo de livro e, de adolescentes formados em espiões,
decidiu dedicar-se a adolescentes envolvidos com Males maiores em que rituais
satânicos e a caça às bruxas se tornam uma realidade. Num registo mais obscuro,
em que o medo pode assaltar o leitor em cada página, o autor criou a série The Gatekeepers, sendo este o seu
primeiro volume e que repetiu o sucesso da sua série anterior.
Este é o tipo de livro que não habita a minha estante pelo
simples motivo que não tem nada a ver comigo e, o facto de este estar, é uma
simples coincidência, ou melhor, uma promoção aproveitada de forma nada
pensada. Desde aí, o livro tem estado a espera que eu ganhasse coragem para ler
estas míseras 240 páginas e tirasse a dúvida se gosto ou não deste género
porque apesar de eu fugir dos filmes de terror, os livros são diferentes. E cheguei
à conclusão que eu fujo do terror sim mas também fujo dos clichés como “o diabo
da cruz”.
A verdade é que este livro não é outra coisa senão uma reunião
de clichés bastante rasca e, ainda por cima, daqueles que eu já não posso mesmo
ver à frente, o que fez com que esta fosse uma leitura hostil que me ensinou a
evitar aquilo que sei que não gosto porque, às vezes, não vale a pena dar
segundas oportunidades e estar a torturar-nos com algo que não gostámos nem
nunca vamos gostar. Pelo menos enquanto me lembrar deste.
O Portão do Corvo é
um livro pequeno e inicia uma trilogia, logo à partida, já não é um livro com
muita informação e tem uma data de mistérios que só vão ser resolvidos nos
próximos volumes, mas o autor podia ter tido o cuidado de nos dar pequenas
linhas de conhecimento para nos orientar ao longo da trama e isso ao acontece. Somos
atirados para algo sem sentido, sem explicações, detalhes, profecias bem feitas,
ou o que quer que seja. A história está aí e se quiserem deslindem-na porque
apesar da escrita até rápida e fácil de Horowitz, temos praticamente diálogos e
descrições que pretendem ser assustadoras e que nos deixam com um grande
sentimento de “eu já li/vi isto em algum lado”. O enredo em si é conjugação de
clichés como por exemplo, uma aldeia inteira que afinal são um bando de
satânicos e precisam de fazer um sacrifício de sangue para acordar um Mal maior
e temos também uma sociedade secreta que é suposto impedi-los mas acaba por não
fazer nada. Chato, repetitivo e enervou-me até a ponta dos cabelos.
Contudo, acaba por ser a informação inoportuna ou não aproveitada
que nos tira do sério pois não faz qualquer sentido na história que estamos a
ler. Continuo sem perceber para que passar o livro todo a falar de uma coisa
que não é explicada, nos deixa perdidos e a espera que algo aconteça quando
nada acontece.
No meio de tanta coisa “má” houve uma que me despertou a curiosidade:
a união entra a ciência e a religião que o escritor implica nos rituais, ambas
expressas no seu suposto lado mau, dão algo de inovador e que devia ter sido
melhor explorada e teria contribuído muito para o livro.
Sem ser isso, é um livro com uma história igual a de todos
outros sem uma qualidade por aí além. Definitivamente, não fiquei fã nem do
género, nem da série nem do autor.
1*
