Autor: Ursula Le Guin
Editora: Livros do Brasil
Número de Páginas: 180
Sinopse
Não tem sinopse
Opinião
Este é o último volume da trilogia original de Terramar, série que granjeou a Ursula Le
Guin um lugar incontestável na Fantasia, e que desde os finais dos anos 60 tem
conquistado leitores por todo o mundo, sendo um marco na Literatura tão grande
quanto O Senhor dos Anéis. Leitura obrigatória
para todos aqueles que adoram Fantasia, dos mais pequenos aos mais experientes,
esta é uma série que continuará a marcar gerações de leitores.
Este livro já devia estar lido à mais tempo, não fosse a
falta de tempo e o excesso de estudo, teria sido lido com a mesma rapidez dos
anteriores mas, por outro lado, e mesmo sabendo que há mais livros deste mundo
à minha espera, a verdade é que a sensação de que este é o último não me tem
largado, talvez porque a escritora o escreveu com esse mesmo propósito e eu não
me consigo esquecer disso.
A realidade é que este livro tem uma finalidade muito
própria, é o final de uma longa demanda e o conquistar de um sonho e, por isso
mesmo, deve ser lido como se fosse o último, devemos esquecer que Terramar está
à distância de uma livraria ou mesmo ao nosso lado. O Outro Lado do Mundo merece ser lido como se fosse o último fôlego
de uma velha lenda.
Se o primeiro livro é instrospectivo, uma descoberta por nós
próprios, se o segundo é uma fuga do Mal e do obscuro, uma demanda por um sonho
maior, este livro é a descoberta que o sonho é real. Por terras jamais
visitadas, mares nunca antes navegados, ao lado de povos desconhecidos, Ged
prepara o seu acto final como maior mago de todos os tempos para iniciar uma
lenda muito maior.
Surge-nos uma nova personagem que irá acalentar o objectivo
da demanda de Ged, um futuro herói que vemos crescer ao lado do mago durante as
suas aventuras por terras longínquas em busca de um grande mal que assola até
os dragões. Estas aventuras permitem apresentar-nos um terceiro volume mais
colorido e aventureiro, dando-nos uma maior visão de Terramar e da sua
pluralidade em termos de povos e culturas.
Ao longo destas aventuras assistimos a um Gavião mais
contido, dmais humano mas que não perde a imagem de mago poderoso que o livro
anterior nos deu. A sensação que dá é que O
Feiticeiro de Terramar apresenta-nos o ínicio, Os Túmulos de Atuan o apogeu e este livro, não a queda mas a maturação
da personagem. A relação entre o Gavião e Arren faz recordar a de Merlin e
Artur, existindo uma pequena ligação entre ambas as lendas mas não é por isso
que este livro perde a beleza primitiva tão típica da escrita de Le Guin.
Também neste livro nos são passadas mensagens preciosas,
tanto espirituais como naturais, escondidas por subterfúgios poderosos e
brilhantes que inconscientemente se infiltram na nessa mente e nos permitem ler
o livro nos dois sentidos que ele nos apresenta.
Ao ser mais vivo, não é tão clara a escrita soberba da
escritora mas acaba por ser o livro que mais prende o leitor pelas descrições simples
e primitivas e pela força que ela nos transmitem, acabando por realçar-se mais
do que os livros anteriores e, o que acontece na parte mais obscura é que,
apesar de ser uma parte importante, não tem tanta sonoridade como teve o
segundo livro. Para mim não é o melhor dos três mas tem uma beleza própria que
o faz sobressair.
Como sempre, não há como ficar indiferente ao lirismo
carregado da escrita da autora. É uma escritora magnífica que não precisa de explicar
o significado das suas palavras, pois elas estão lá, tao transparentes como se
ela estivesse a fazer um jogo de crianças. Foi um prazer conhecer esta autora e
espero regressar a ela em breve porque tornou-se um nome obrigatório na minha
estante.
E agora sim, é bom pensar que Terramar não acaba aqui.
7*


