Mostrar mensagens com a etiqueta As Crónicas de Bridei. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta As Crónicas de Bridei. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Opinião - O Poço das Sombras

Título Original: The Well of Shades (#3 The Bridei Chronicles)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand Editora
Número de páginas: 608


Sinopse
 Em missão secreta na Irlanda por ordem do Rei Bridei de Fortriu, Faolan tem também de dar a notícia da morte de um bravo guerreiro. Porém, o principal assassino e espião de Bridei tem de enfrentar os demónios do passado sombrio da sua família com resultados inesperados.
Quando segue o rasto de um poderoso clérigo cristão que pode ser uma ameaça para a estabilidade do reino pagão de Bridei, Faolan torna-se responsável por uma criança, um cão e Eile, uma jovem perturbada e desconfiada.
Para Eile, a viagem a Fortriu é uma confrontação. Acostumada a uma vida de privações e labuta, a jovem vê-se perante um mundo estranho, cheio de lições novas, onde o principal desafio é aprender a confiar nas pessoas. Na corte de Bridei, em Monte Branco, notícias perturbadoras vindas do reino vizinho de Circinn, levam o Rei a convocar a conselho os seus chefes-de-guerra. Após o desaparecimento do principal conselheiro de Bridei e a morte trágica de uma jovem criada, a ameaça provocada pela influência cada vez Maior da Cristandade parece ser o menor dos perigos...

Opinião
 
Este é o último livro da trilogia de As Crónicas de Bridei, uma das trilogias mais aclamadas de Juliet Marillier, senão mesmo a preferida dos fãs que a autora colecciona por todo o mundo.
Depois de dois livros emocionantes, lidos numa correria desenfreada e desesperada eis que cheguei a este livro que li numa noite. Sim, uma noite! No último volume desta trilogia, é na personagem de Faolan que a escritora se concentra para nos arrebatar, impedindo que nos sintamos indiferentes em qualquer momento do livro. Como se não bastasse, é também neste livro que se dá grandes revelações e que se consolida o reinado de Bridei, apesar do abalo que este pode receber.
Começando por esta última parte, uma vez que foi a que me ficou entalada, senti que me faltou algo na história de Bridei por contar, que a questão da expansão da Cristandade, que podia perfeitamente ter sido melhor aproveitada, passou para segundo, senão mesmo terceiro plano, dado que a certa altura eu já nem me lembrava da questão da ilha. Mesmo em redor do próprio Bridei existiu dúvidas. Depois de um grande início parece que um jovem rei não pode ter direito a um grande final, deixando tudo em aberto. Claro, que se isto for uma forma de Juliet nos dizer que vai escrever mais deste mundo, tem todo o meu apoio! Força nisso, cá estarei para ler mais destas personagens que me encantaram sobremaneira.
Quanto às revelações, acho que este foi o livro mais emotivo, pessoal e interior não só da trilogia como da escritora. Toda a questão de Tuala e Broichan foi tão bem explorada que deu gosto que depois de tantos desentendimentos, os dois acabassem por criar laços tão fortes. Este acaba por ser o ponto em que tudo se entrelaça, onde se demonstra que tudo tem uma razão de ser. A forma como a escritora usa o destino para servir os seus intentos é completamente espantosa, como se ela já tivesse tudo planeado desde a primeira linha!
Uma das coisas que mais gostei foi do facto de muita da acção se passar na corte de Monte Branco e pudermos assistir as interacções em grupo das várias personagens, de sentirmos a amizade e o respeito que têm umas pelas outras. Temos os momentos de corte e os momentos íntimos, e esta diferenciação dá-nos uma ideia mais real e abrangente da forma como as personagens se ligam umas às outras.
Mas o momento alto de todo o livro é o complexo e misterioso Faolan. Desde a sua viagem até aos locais do seu passado, a descoberta do perdão e do amor, o seu regresso e a forma como tudo se desenrola à sua volta é de encantar qualquer um que goste deste tipo de personagem. Foi um prazer vê-lo modificar-se, transformar-se, assistir a todos os seus momentos mais duros ou mais doces. É nele que nos acabamos por concentrar e é por ele que acabamos por ler o livro. Brilhante.
Só que é um erro esquecer Eile. A personagem sofrida que afinal era muito mais do que alguma vez pensou. Não há como não sofrer, chorar ou sorrir com ela. Torcemos desde o início para que ela tenha um bom final como merece. Foi aquela que mais me fez sentir no livro e agradeço a Juliet por não ter seguido estereótipos com ela.
Quanto aos momentos mais perigosos, gostei da vilã, da sua bipolaridade, do seu ar enganador, da sua irritante, enervante e detestável personalidade. Deu mais ao livro e proporcionou situações tensas que acabaram por fortalecer as relações daqueles que por ela foram atacados.
Recheado de momentos emotivos e de acção este livro não foi o que eu esperava mas apesar das falhas houve aquele factor x que o fez merecer toda a minha atenção. Espero sinceramente que um dia haja uma continuação e que possamos regressar a este mundo e a todos eles.

7*

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Opinião - A Espada de Fortriu

Título Original: Blade of Fortriu (#2 The Bridei Chronicles)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand
Número de Páginas: 576


Sinopse
 Depois de O Espelho Negro, chega-nos o segundo livro das crónicas de Bridei.
Inspirado numa poderosa figura histórica, contemporânea do célebre Rei Artur, Bridei é uma imagem de liderança e de carisma, a resposta de Marillier à pergunta: o que é preciso para ser um líder poderoso e carismático?
A Espada de Fortriu cobre os primeiros seis anos do reinado de Bridei como rei de Fortriu.
O reino de Fortriu gozou de cinco anos de paz desde que Bridei chegou ao trono. Agora, o rei prepara-se para uma guerra há muito esperada que, segundo pensa, banirá para sempre do Ocidente os invasores Galeses. A princesa Ana, refém de Fortriu desde a sua infância, é enviada para Norte, para se casar, estrategicamente, com um líder que nunca viu, e com isso ganhar um aliado no qual se baseia a vitória de Bridei. A sua escolta é conduzida por um homem que ela despreza: o enigmático Faolan, assassino e espião de Bridei.
A expedição é infortunada e, quando Ana chega junto do líder a quem fora prometida, numa fortaleza perdida nos Bosques de Briar, ela não se sente à vontade. Trata-se de um lugar cheio de segredos. Quando Ana descobre um prisioneiro mantido na mais austera reclusão, é confrontada com uma conspiração de silêncios. Entretanto, Faolan percorre um delicado caminho entre a lealdade e a traição.
As forças de Bridei marcham para o campo de batalha. Mas aos que ficam para trás é revelado que o seu rei marcha em direcção à derrota e, mais do que isso, o espera a morte certa. Só um mensageiro é capaz de o alcançar a tempo, mas chamá-lo porá em perigo o que é mais querido para Ana.

Opinião 
Depois dos acontecimentos decorridos em O Espelho Negro, este livro apresenta-nos uma história diferente. Cinco anos passados desde os acontecimentos anteriores, A Espada de Fortriu não só nos dá a conhecer a nova vida de Bridei e Tuala como se centra em duas das anteriores personagens secundárias que me suscitaram mais curiosidade: Ana e Faolan. Num espaço diferente e com uma narrativa ainda mais forte e introspectiva, Marillier volta a surpreender e a mostrar que não é só Sevenwaters que ela sabe escrever.
Após o fantástico primeiro volume de As Crónicas de Bridei, foi quase com desespero que me agarrei imediatamente a este segundo volume. A curiosidade espicaçou-me de tal maneira que não descansei enquanto não dei esta leitura por terminada. Se não me engano, li-o em dois dias!
Mais uma vez reencontrámos todas as personagens que me conquistaram no livro anterior numa nova fase das suas vidas. Está na altura de colocar os sonhos em funcionamento e pôr finalmente em prática tudo aquilo porque lutaram. O crescimento de algumas personagens é um dos factores interessantes deste livro. Ver finalmente o rei Bridei em acção, observar o resultado final de todo o ensinamento de Broichan é como chegarmos, por fim, aquilo que todos ambicionámos. E perceber que por isso as coisas não vão ficar mais fáceis e novos desafios espreitam no horizonte torna toda a profecia em redor do jovem, ainda mais interessante. Observámos não só o rei, o guerreiro e o apaixonado dos deuses mas também o marido e pai. Marillier mostra todos os lados do poder com a sua mestria e não se esqueceu de nos dar um vislumbre não só sobre este mas também de todos os que o rodeiam.
Mas o ponto alto é bem capaz de ser a viagem de Ana e Faolan e tudo o que decorre daí. Conhecer melhor estas duas personagens secundárias foi o que mais me entusiasmou. Todos os detalhes da viagem, as mudanças pessoais que ocorrem daí, envolvem alterações muito preciosas para o futuro e transformaram esta leitura em algo mais profundo e humano, do que seria de esperar. Faolan foi a surpresa deste livro, o que eu agradeço imenso, e acabou por merecer um lugar especial pois a sua complexidade está magnífica e foi uma das razões porque eu adorei este livro. Quanto as novas personagens, adoro a maneira como a autora entrelaça tudo e todos de forma a criar ligações especiais e, claro, a sua forma de criar histórias de amor verdadeiramente românticas.
O enredo está dividido em três espaços: a viagem, a corte e a batalha. Todos eles se interligam de uma forma consistente, criando momentos tão activos quanto emotivos em todos os cenários. Com o Juliet a acção não paralisa. Ela está sempre a tecer os fios do destino e há sempre uma razão para tudo. Este livro está cheio de pontos altos mas uns quantos em especial que me emocionaram de uma maneira que já não acontecia à algum tempo.
Posso dizer-vos que vale a pena enredarem-se nesta trilogia, há pouca coisa assim por aí.

7*

Opinião - O Espelho Negro

Título Original: The Dark Mirror
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand
Número de Páginas: 664

Sinopse
 Escócia, século VI. Bridei tem quatro anos quando os seus pais o confiam a Broichan, um poderoso druida do reino de Fortriu, com quem aprenderá a ser um homem erudito, um estratega e um guerreiro. Bridei desconhece que a sua formação obedece ao desígnio de um concelho secreto de anciãos e que está destinado a desempenhar um papel fundamental no destino do instável reino de Fortriu.
Porém. Algo irá mudar para sempre o seu mundo e, provavelmente, arrasar os planos de Broichan: Bridei encontra uma criança, ao que tudo indica abandonada pelos Boas-Gente. Todos concordam que o melhor será assassiná-la, mas Bridei decide salvá-la a todo o custo. E assim, ambos crescem juntos, e a bebé Tuala transforma-se numa bela mulher.
Contudo, Broichan presente o perigo que ela representa, pois a jovem poderá vir a ter um papel importante no futuro de Bridei… ou causar a sua perdição.


Opinião 
 Juliet Marillier é um dos nomes possantes do Fantástico. Considerada a herdeira de Marion Zimmer Bradley, a neo-zelandesa conquistou milhares de fãs em todo o mundo com a aclamada e amada trilogia Sevenwaters. Conhecida pelas suas histórias, pelas suas protagonistas, a escritora desenhou mundos que fazem parte do imaginário de todos os que já tiveram o prazer de a ler e é considerada por muitos como insubstituível.
Mas não só Sevenwaters apaixonou os seus leitores. As Crónicas de Bridei é considerada pelos fãs como o trabalho mais maduro desta escritora de renome, baseado em factos históricos e condimentado com a fantasia marilliana, apresenta-nos a história de um rei de um povo muitas vezes esquecido: os Pictos.
Eu já li Sevenwaters há uns bons aninhos e nos últimos tempos havia-se cimentado uma grande vontade de ler mais obras desta autora, tendo escolhido esta trilogia devido aos factores que apresentei acima. Juntando isso aos elogios e às paixões que Juliet provoca nos seus fãs mais assíduos, decidi que estava realmente na altura de eu regressar a ela.
Como podem imaginar, ler algo desta escritora é, absolutamente, maravilhoso. A sua forma de contar histórias qual bardo celta sentado a lareira, prendendo os seus ouvintes com as suas palavras tão emocionais, agarra todo aquele que lê os seus livros. E este livro tornou-se um vício em poucos minutos. Quase que não o larguei, tal foi a forma como este enredo me agarrou. Do início ao fim, foi uma promessa de histórias antigas contadas à antiga, com heróis, seres sobrenaturais, druidas e profecias. Cada página deixava um sentimento, fosse ele doce ou doloroso, conseguiu atingir-me de uma forma que só as boas histórias conseguem.
É já conhecido o jeito da escritora de fazer as suas personagens sofrerem até ao último minuto, seguirem a sua demanda com todos os obstáculos inimagináveis e concedendo-nos o tão merecido “felizes para sempre”. Pois o destino de Bridei não desilude. De uma forma mais real e consistente, talvez devido ao facto de estarmos a falar de uma personagem histórica, Marillier leva-nos a conhecer as encruzilhadas de um jovem que está destinado a ser rei, em quem todos depositam a sua fé e que tem de escolher o caminho certo até ao seu propósito, tudo isto com uma história de amor digna desta escritora onde tudo vai parecer impossível até o par romântico aceitar o seu destino.
Tal como me recordava, também nestas personagens existe uma profundidade para lá do que poderíamos imaginar, conseguindo a autora dar-nos heróis e vilões com defeitos e qualidades à sua altura. Cada um tem o seu papel na história, e neste constituinte das suas obras é raro haver mudanças radicais. Amámos os bons, odiamos os maus, exactamente como quando líamos contos de fadas em pequenos.
Esta é a magia de Marillier, demonstrar que o esforço e a luta valem a pena, que o bem vai vencer o mal, e, no fim, fazer-nos acreditar nisso. Por isso, sim, deixei-me enredar neste livro, menos maravilhoso mas mais forte, mais consistente e que me deu razões para continuar a conhecer mais das suas obras.  

7*