Autor: Patrick Rothfuss
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 702
Sinopse
Agora em O Medo do Homem Sábio, Dia Dois das Crónicas do Regicida, uma rivalidade crescente com um membro da nobreza força Kvothe a deixar a Universidade e a procurar a fortuna longe. À deriva, sem um tostão e sozinho, viaja par Vintas, onde, rapidamente, se vê enredado nas intrigas políticas da corte. Enquanto tenta cair nas boas graças de um poderoso Nobre, Kvothe descobre uma tentativa de assassínio, entra em confronto com um Arcanista rival e lidera um grupo de mercenários, nas terras selvagens, para tentar descobrir quem ou o quê está a eliminar os viajantes na estrada do Rei.
Ao mesmo tempo, Kvothe procura respostas, na tentativa de descobrir a verdade sobre os misteriosos Amyr, os Chandrian e a morte da sua família. Ao longo do caminho Kvothe é levado a julgamento pelos lendários mercenários Adem, é forçado a defender a honra dos Edema Ruh e viaja até ao reino de Fae. Lá encontra Felurian, a mulher fae a que nenhum homem consegue resistir, e a quem nenhum homem sobreviveu… até aparecer Kvothe.
Em O Medo do Homem Sábio, Kvothe dá os primeiros passos no caminho do herói e aprende o quão difícil a vida pode ser quando um homem se torna uma lenda viva.
Opinião
Sete anos. Sete anos das mais variadas experiências, dos estudos mais estranhos, do aprimoramento de certas artes, de novas aventuras foi o que antecedeu a entrada de Patrick na Universidade. Dois anos foi o tempo que demorou a descobrir que ainda não era aquilo que queria na vida mas sim ser professor. Ao total, foram catorze os anos da sua vida dedicados a escrita de um livro, um livro que seria um sucesso e o novo monumento da Fantasia e que acompanhou uma grande fase da sua vida, das indecisões às certezas, do desejo à realização, de um professor a escritor reconhecido.
Actualmente, O Nome do
Vento tem 64 edições, já ganhou diversos prémios e os fãs aguardam
ansiosamente a publicação de The Doors of
Stone, a terceira e última parte da trilogia, que parece ainda vir longe. As Crónicas do Regicida é já uma das
obras obrigatórias das listas de livros de fantasia a ler, acompanhando
Tolkien, Martin e Robert Jordan, entre tantos outros.
Dez meses depois regressei à Universidade. Voltei a
sentar-me na estalagem para continuar a ouvir a história de Kvothe, para me
deixar enredar ainda mais na lenda que foi a sua vida, para desejar juntamente
com Bast que o estalajadeiro deixe que a chama volte de novo a arder, para que
a lenda renasça, para que o ruivo volte a tocar as suas canções. Ler este
livro, é exactamente isto, é sentir que estamos lado a lado com as personagens,
a partilhar as mesmas histórias, a contar as mesmas piadas, a sentir o mesmo
medo pois Rothfuss não é outro senão um bardo dos tempos modernos que nos
transporta através da melodia das sensações, que nos leva mais além através da
sua escrita encantadora, poderosa e antiga, onde a magia, a coragem e um único
homem podem fazer-nos suster a respiração e desejar que esta história nunca
acabe.
Quando iniciei esta leitura tinha a sensação que não
recordava muito e que me ia sentir perdida quando a começasse mas assim que li
as primeiras páginas percebi que a minha mente estava apenas a espera que este
regresso se desse. Ao longo da leitura, Patrick vai-nos relembrando
personagens, pequenas acções e ligações do livro anterior para que o leitor não
se sinta perdido mas perfeitamente coordenado com a história, o que torna esta
leitura, tal como a do livro anterior, fluída, envolvente e completamente
imparável. Conforme vamos acompanhando Kvothe nas suas novas aventuras, nas
suas pequenas vitórias e derrotas difíceis, é fácil nos irmos apaixonando por
este ruivo teimoso, de bom coração, de grande lábia e presença pois ele é um
símbolo de grandes feitos, de desejos comuns, de heróis e de solitários. Esta personagem
é um espelho onde um jovem normal e cheio de força de vontade e poder interior estuda,
convive com os amigos, comete pequenos delitos, apaixona-se, comporta-se como
um adolescente que do outro lado é um homem que é mais do que qualquer outro,
que já tudo viu e venceu, que anos de experiência marcaram e só quer voltar a
ser aquele rapaz.
Ao dar-nos o passado e o presente de Kvothe, o autor atraí
os nossos sentimentos, puxa a nossa alma de encontro a esta personagem, por um
lado tão cheia de vida, por outro já tão cansada de viver, e consegue
conquistar-nos e prender-nos de uma maneira que só a ambiguidade desta
personagem consegue. Capaz dos momentos mais tolos ou mais enternecedores, de
ser tão ruim quanto bom, tão inteligente quanto ignóbil, Kvothe dá-nos uma
história sem restrições, recheada de magia, amizade e comandada pelos fios que
regem os destinos dos mais audazes. Da Universidade às estalagens e tabernas,
das ruas aos recantos escondidos, de dia ou de noite, sozinho ou acompanhado,
seja qual for o caminho que seguirá, seja-nos dada uma canção, uma prenda ou um
abraço, o leitor será levado a percorrer caminhos nascidos das orbes dos tempos
antigos, os caminhos que só as lendas e a imaginação se atreveram a pisar.
Juntem ainda um elenco de personagens tão soberbas quanto
complexas, com os seus próprios segredos e demandas, cujos destinos se
entrelaçam com o do protagonista mas que não deixam de ter a sua própria
personalidade, o seu toque pessoal e o seu próprio destino. Também a magia da
escrita de Rothfuss nos deixa ávidos, sequiosos mesmo de saber tudo o que se
passa, passou ou deixou de passar na história do Regicida. Chamar bardo ao
autor não é um exagero, é uma verdade natural, básica, pois existe musicalidade
nas suas expressões, na forma como transforma os momentos, como entrega por
inteiro os sentimentos, como consegue conquistar o público com um simples
gesto.
Através de um mundo criado para se encaixar na perfeição com
esta narrativa tão simples quanto poderosa, vivemos momentos de perigo,
momentos de puro riso ou uma intensa fúria. Somos capazes de nos deixar adoçar
e perdoar ou somos tentados a endurecer o coração. Percebemos o sentido da
amizade, da espera, da ambição. Saboreamos o sabor amargo da derrota, deixamos
a frustração domar-nos. Mas mais do que isso, de livre vontade, caímos nesta
história, acreditámos e vivemos, somos encantados e enredados nesta narrativa
que cheira a trovas e demandas heroicas.
Esta é a trilogia para aqueles que esperam por Martin, que
adoram fantasia ou, simplesmente, boas histórias, boas personagens ou grandes
livros. Esta é a trilogia que darão aos vossos filhos para ler quando eles
acabarem Harry Potter mas ainda não
tiverem idade para as Crónicas de Gelo e
Fogo. Esta é a trilogia que viverá gerações e que relerá vezes sem fio.
7*
As minhas opiniões da série:
O Nome do Vento

