Autor: Sarah Sundin
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 456
Sinopse
Allie nunca foi suficientemente bonita para agradar à sua deslumbrante mãe, por isso fará qualquer coisa para ter a sua aprovação: até casar com um homem que não ama. Enquanto Allie quase se resigna ao seu destino, o tenente Walter Novak - destemido na cabina de pilotagem, mas sem jeito para as mulheres - vai a casa na sua última licença antes de ser enviado para a Europa, combater pela Royal Air Force durante a Segunda Guerra Mundial.
Walt e Allie conhecem-se e o seu amor pela música junta-os, fazendo-os começar uma correspondência que mudará as suas vidas. Enquanto as cartas vão e vêm entre a base de bombardeiros de Walt, em Inglaterra, e a mansão de Allie, a amizade que cresce entre os dois une-os. Mas serão eles capazes de resolver os segredos, compromissos e expetativas que os separaram?
Opinião
A II Guerra Mundial ainda está demasiado presente nas mentes
das presentes gerações. Infelizmente, as atrocidades cometidas, o sangue que
manchou a Europa, a dor que várias famílias sofreram, não ocorreram num passado
tão longínquo para que possa ser facilmente esquecida. Quantas das pessoas que
assistiram a esta guerra em primeira mão estão ainda vivas e quantas não
ouviram relatos da boca de parentes próximos, não sentiram as perdas mesmo ao
seu lado?
Sarah Sundin foi buscar tudo isso para o seu primeiro romance,
inspirada pelo tio-avô, piloto americano que esteve em Inglaterra nessa altura,
e recriando o cenário para criar algo de doce e belo, uma história de amor para
provar que não só de sangue a história da Europa foi escrita. Farmacêutica hospitalar,
Sarah já iniciou uma nova trilogia, também passada nesta época histórica que
contará a história de três enfermeiras. Por cá, o segundo volume de Asas de Glória está a chegar.
Quando este livro saiu eu soube logo que tinha de o ler, que
acontecesse o que acontecesse ele tinha de vir para a minha estante pois,
apesar da enorme quantidade de livros respeitantes à II Grande Guerra, romances
deste género são raros e as opiniões e premissas prometiam um romance a que
ninguém poderia resistir.
Ao iniciar esta leitura, encontrámos uma promessa de doçura,
amores intemporais que sobrevivem a tudo e todos, em duas pessoas subvalorizadas
por parentes e amigos e que encontrarão um no outro alguém que poderá,
finalmente, entendê-los. Até a separação esperada do casal, esperámos, torcemos
e sofremos para que tudo dê certo e para que eles possam ultrapassar tudo mas é
também, neste momento crucial, que a história descamba. Como um todo, Allie e
Walt são perfeitos, complementam-se e parecem-nos duas almas gémeas. Separados,
como acontece na maior parte do livro, pelo menos Allie perde todo o seu charme
e já não sentimos aquela elevação romântica que sentíamos no início do livro. Enquanto
personagens individuais tornam-se pessoas diferentes, com vidas demasiado
diferentes. Se vivemos todas as sensações de Walt em pleno ar, se as discussões
dos pilotos nos enervam, se sentimos cada desastre da pele enquanto aprendemos
a admirar aqueles “monstros” que desbravavam os céus, com Allie perdemos toda a
vontade de ler o livro, temos a sensação que nada acontece de importante, que
ela é mesquinha, egoísta, fraca e que todas as suas lutas são tão pouco
importantes que ela se perde no meio da narrativa.
O próprio amor dos dois torna-se pouco fiável devido aos
problemas que eles próprios arranjam. A dada altura parece que só eles estão
contra ao amor deles, pois apenas eles arranjam mentiras e problemas, já que a
maior parte das pessoas não dá pelo romance e, mesmo, o facto de Allie só
perceber que está apaixonada tardiamente, tira o brilho à história. O livro vai
perdendo encanto e força até ao final, em que recupera um pouco do seu encanto
e em que conseguimos voltar a acreditar no amor dos dois mas não volta a ter o
mesmo sabor que tinha no início.
O livro acaba por ter uma grande qualidade e um grande
defeito e é este que vai marcar se as pessoas gostam dele ou não, pois no meu
caso, senti-me bastante influenciada por ele. Primeiro, o ponto alto do livro é
as descrições das batalhas aéreas e dos aviões, mostrando que a autora soube
aproveitar bem os relatos do familiar para criar uma narrativa coesa em que
podemos sentir a realidade. Em segundo, o livro acaba por ganhar uma cotação religiosa
devido às várias referências a Deus, a Bíblia e afins. Não sendo uma pessoa
religiosa, parece-me que se não houvesse tantas conotações, expressões e palavreado,
que esta me teria passado ao lado e a autora podia ter mantido a sua visão de
vida sem incomodar quaisquer leitores mas o exagero da religiosidade, a forma
como a autora a imiscuí na vida dos protagonistas acaba por ser bastante severa,
se não mesmo uma imposição que pode ferir susceptibilidades. Devia ter havido um maior cuidado nesta parte
pois parece-me que ela terá influenciado e muito a opinião dos leitores acerca
do livro e a autora escusava de se colocar nesta posição.
Nas Asas do Amor acabou
por não corresponder as expectativas e deixou-me indecisa acerca do que pensar
nele. Queria ter gostado da leitura mas sei que ela não me satisfez mas espero
que possam dar uma oportunidade a este livro e tirarem as vossas próprias conclusões.
4*
