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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Opinião - Helena de Esparta, Princesa de Ninguém

Título Original: Nobody's Princess (#1 Nobody's Princess)
Autor: Esther Friesner
Editora: Bertrand Editora
Número de Páginas: 304

Sinopse
 É bela, é uma princesa e Afrodite é a sua deusa favorita, mas Helena de Esparta anseia por mais alguma coisa na vida. Ao contrário da irmã bem-comportada, Clitemnestra, não sente qualquer prazer em tecer ou bordar. E, apesar do que a mãe diz, não está interessada em casar-se. Ao contrário, quer treinar técnicas de combate com os irmãos mais velhos, partir em aventuras heróicas e ter liberdade para fazer o que deseja e descobrir quem é. Não sendo pessoa para contar com os deuses - ou a sua beleza - para velar por ela, Helena lança-se na obtenção do que quer com determinação e uma postura assertiva. E embora seja essa postura que lhe granjeia alguns inimigos (como o autoproclamado «filho de Posídon», Teseu), é também o que cativa, encanta e diverte os que se tornam seus amigos, desde a caçadora Atalanta à jovem sacerdotisa que é o Oráculo de Delfos. Em "Helena de Esparta, Princesa de Ninguém", Esther Friesner entrelaça com perícia histórica e mito ao examinar com novo olhar a adolescente que virá a ser Helena de Tróia. A história resultante oferece humor, acção e uma heroína sedutora por quem não podemos deixar de torcer.

Opinião 
 Determinados temas e personagens têm detido um fascínio profundo por gerações em todas as épocas. Um desses temas tem sido a Guerra de Tróia, mas mais do que esta, tem sido aquela que a causou, a mais bela mulher do Mundo, que tem exercido uma influência constante na literatura: Helena de Tróia.
Autores se basearam nela para criar outras personagens femininas com o mesmo impacto mas ainda hoje, ela é a mais bela. A sua vida foi vista e revista tantas e tantas vezes, mas o impacto da sua história nunca morre. Nesta adaptação de Esther Friesner, revisitámos mais uma vez essa história e, através dela, retornámos à Hélade antes de ser Grécia, quando era apenas o território daqueles que falavam grego.
Esta é uma das personagens das quais eu nunca me farto. Posso ver montes de filmes e ler outros tantos livros sobre ela, que há sempre algo diferente, mesmo que não me agrade, e por isso agarro qualquer oportunidade de ler mais sobre o tema. Tenho procurado este livro sem nunca o arranjar até que finalmente, lá troquei outro livro por este e pude finalmente ler a adaptação de Friesner sobre a princesa espartana que seria princesa de Tróia.
Esta é uma versão diferente, algo pessoal e vinda directamente da imaginação da escritora. Ao iniciar-se com a infância de Helena, da qual se sabe muito pouco, este livro teve liberdade para se expressar a vontade e a autora aproveitou cada bocadinho que pode para o fazer, adaptando vários mitos gregos ao de Helena de Esparta. Apesar de alguns desses mitos não terem qualquer ligação ao da Guerra de Tróia e temporalmente não serem coincidentes como o de Teseu, outros como o dos Argonautas e a maldição dos Atridas ficaram perfeitamente equilibrados com a restante história. Coincidentes ou não, foram bem estruturados e permite que se conheça outros mitos para além do de Helena.
Contudo, este livro não é perfeito e nem tudo foi construído com o mesmo zelo já que a autora podia ter aproveitado a liberdade que tinha para escrever sobre esta altura da vida de Helena sem mexer com determinadas coisas. Se por um lado colocou histórias não conhecidas do público geral mas que fazem realmente parte do mito e permitem um aumento de conhecimento, por outro algumas alterações não nos permitem imaginar que esta história levará à Guerra de Tróia, e é aí que o livro perde o seu encanto, infelizmente.
A grande falha desta história é as personagens e, a partir daí, o caminho que autora lhes dá, logo o enredo do livro, estragam o conjunto geral. As personagens onde a diferença abismal, no meu ver, se nota é em Helena e Clitemnestra. A Helena de Tróia não poderia ser assim em criança, não faz qualquer sentido e, por isso, não a conseguimos ligar ao mito, sem tirar que ela tem uma personalidade tão irritante que já não conseguimos gostar dela. Depois, se ela soubesse usar uma arma, teria ficado atrás das muralhas dez anos? Não me parece. Quanto à Cli, eu tenho uma preferenciazinha por ela, confesso, e detestei ver a forma como a autora banaliza esta criança que sofrerá e amará de tal forma que cometerá um crime hediondo. Mais uma vez, não a identifico com a personagem do mito.
Já a acção do livro, é interessante, divertida e faz com que este livro se leia bem e rapidamente mas pelos erros acima, não consegui gostar dele como queria, esperava mais e fiquei um pouco desapontada.
Este é mais um daqueles livros que a editora em causa não lançou a continuação nem avisou que a tinha, com muita pena minha, mas parece que há manias que são difíceis de mudar, e o respeito pelos leitores deve ser uma coisa difícil de se manter.
Não é das melhores coisas que li sobre o tema mas lê-se e, sinceramente, talvez sem as minhas esquisitices tivesse mais pontuação. 

5*

quinta-feira, 8 de março de 2012

Opinião - Eneida

Título Original: Eneida
Autor: Vergílio
Editora: Bertrand
Nº de Páginas: 367


Sinopse
« Canto as armas e o varão que nos primórdios veio das costas de Tróia para Itália e para as praias de Lavínio, fugitivo por força do destino, e muito padeceu na terra e no mar por violência dos deuses supernos, devido ao ressentimento da cruel Juno; muito sofreu também na guerra, até fundar uma cidade e introduzir os deuses no Lácio; daqui provêm a Raça Latina, os antepassados Albanos e as Muralhas da Grandiosa Roma.»

Opinião 
 Há livros que perduram para além de um Império, para além de uma língua, para além da História. Este é um desses livros. A quem diga que Vergílio ameaçou queimar a sua maior obra para as gerações seguintes não lerem aquilo que era uma propaganda e, a qual se havia arrependido de escrever, ao Imperador Octávio César Augusto e que foi morto por isso. Especulação à parte, verdade ou lenda, pela sua mente ou pela de Octávio, Vergílio escreveu uma obra que eternizou não um herói mas uma civilização e um homem: Roma e Octávio.
E, finalmente, reeditaram o raio do livro! Desculpem lá mas eu andava a três anos a procura desta edição e nada de nada. Mas mais vale tarde do que nunca neste caso. Apesar de ter sido uma leitura obrigatória, confesso que ao longo dos anos tenho ganho um carinho especial a estas epopeias escritas tão brilhantemente à tanto tempo atrás e sentia uma grande curiosidade em relação a esta, pois ainda só havia lido as de Homero e a do nosso Camões, que foi inspirada nesta.
Eneida é mais do que um livro sobre heróis, é uma lição de história sobre uma época brilhante de Roma. Através da versão de Vergílio sobre as origens de Roma, conhecemos o pensamento, o palco político e entre subterfúgios não muito subtis, vimos ser enaltecido um homem que marcou a História de uma Civilização que muitos quiseram imitar ao longo dos séculos.
Não senti por esta a afeição que sinto pela Ilíada mas é impossível negar-lhe a destreza e a beleza com que foi escrita. Mais directa, menos cansativa acaba por ser uma leitura mais fácil que as de Homero, apesar de eu preferir as deste. Tenho pena que não esteja em verso como as outras mas paciência, é o que se pode arranjar.
Para os que não sabem, este livro é antes de tudo um exemplo sublime como no século I a.C. já se fazia boa propaganda política. O sentido desta obra era dizer aos romanos que Octávio César Augusto era o homem que ia dar a glória ao Império, o herdeiro de heróis e que com ele Roma ia atingir o seu auge. Não foi muito subtil mas tendo em conta que os pequenos romanos aprendiam a ler e escrever com esta obra, foi sem dúvida um acto de génio.
Quanto a história do herói que lhe deu o nome, temos os ingredientes que existem nas suas antecessoras: um herói com destino traçado, uma deusa que vai fazer de tudo para o impedir, uma descida aos infernos, uma luta por um novo território, amores impossíveis, perigos iminentes no mar. Mas mesmo assim o escritor conseguiu com que esta não parecesse uma cópia das outras mas algo  mais inovador e, tendo em conta as voltas que teve de dar para criar uma nova lenda, algo de original, unindo duas civilizações e heróis mais antigos à novos.
Obviamente, esta é uma obra como poucas. Através de pormenores, simples frases, o escritor estava a transmitir às próximas gerações o ideal de um romano, os valores morais de um povo, o respeito aos deuses e a sua história. Ou seja, através de um livro eram educadas milhares de crianças com os mesmos ideais. Onde é que já viram isto?
Este livro tem, além disso, alguns pontos que puderam ajudar historiadores a entender algumas pontas soltas, tanto de Roma como da Grécia, em vários aspectos, um deles a sua religiosidade, tendo a sua descrição dos três patamares do Hades servido para a descrição mais tarde concebida por Aligheri em Divina Comédia.
Obra obrigatória a qualquer estudante, apaixonado ou curioso da História, mitologia ou Roma, este é um dos livros intemporais de sempre e vale a pena descobrir o porquê.


6*

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Clube de Leitura Bertrand: FANTÁSTICO



No próximo dia 2 de Março, na BERTRAND do Chiado, as 19h inicia-se o primeiro encontro do Clube de Leitura Fantástico.
Orientado por Rogério Ribeiro e contando com Luís Filipe Silva como convidado, a primeira leitura a ser discutida será Duna de Frank Herbert.

Uma oportunidade para ler um livro que não estava na minha wishlist e de conviver com pessoas com os mesmos gostos literários. Eu vou lá estar e vocês?





segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Opinião - O Poço das Sombras

Título Original: The Well of Shades (#3 The Bridei Chronicles)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand Editora
Número de páginas: 608


Sinopse
 Em missão secreta na Irlanda por ordem do Rei Bridei de Fortriu, Faolan tem também de dar a notícia da morte de um bravo guerreiro. Porém, o principal assassino e espião de Bridei tem de enfrentar os demónios do passado sombrio da sua família com resultados inesperados.
Quando segue o rasto de um poderoso clérigo cristão que pode ser uma ameaça para a estabilidade do reino pagão de Bridei, Faolan torna-se responsável por uma criança, um cão e Eile, uma jovem perturbada e desconfiada.
Para Eile, a viagem a Fortriu é uma confrontação. Acostumada a uma vida de privações e labuta, a jovem vê-se perante um mundo estranho, cheio de lições novas, onde o principal desafio é aprender a confiar nas pessoas. Na corte de Bridei, em Monte Branco, notícias perturbadoras vindas do reino vizinho de Circinn, levam o Rei a convocar a conselho os seus chefes-de-guerra. Após o desaparecimento do principal conselheiro de Bridei e a morte trágica de uma jovem criada, a ameaça provocada pela influência cada vez Maior da Cristandade parece ser o menor dos perigos...

Opinião
 
Este é o último livro da trilogia de As Crónicas de Bridei, uma das trilogias mais aclamadas de Juliet Marillier, senão mesmo a preferida dos fãs que a autora colecciona por todo o mundo.
Depois de dois livros emocionantes, lidos numa correria desenfreada e desesperada eis que cheguei a este livro que li numa noite. Sim, uma noite! No último volume desta trilogia, é na personagem de Faolan que a escritora se concentra para nos arrebatar, impedindo que nos sintamos indiferentes em qualquer momento do livro. Como se não bastasse, é também neste livro que se dá grandes revelações e que se consolida o reinado de Bridei, apesar do abalo que este pode receber.
Começando por esta última parte, uma vez que foi a que me ficou entalada, senti que me faltou algo na história de Bridei por contar, que a questão da expansão da Cristandade, que podia perfeitamente ter sido melhor aproveitada, passou para segundo, senão mesmo terceiro plano, dado que a certa altura eu já nem me lembrava da questão da ilha. Mesmo em redor do próprio Bridei existiu dúvidas. Depois de um grande início parece que um jovem rei não pode ter direito a um grande final, deixando tudo em aberto. Claro, que se isto for uma forma de Juliet nos dizer que vai escrever mais deste mundo, tem todo o meu apoio! Força nisso, cá estarei para ler mais destas personagens que me encantaram sobremaneira.
Quanto às revelações, acho que este foi o livro mais emotivo, pessoal e interior não só da trilogia como da escritora. Toda a questão de Tuala e Broichan foi tão bem explorada que deu gosto que depois de tantos desentendimentos, os dois acabassem por criar laços tão fortes. Este acaba por ser o ponto em que tudo se entrelaça, onde se demonstra que tudo tem uma razão de ser. A forma como a escritora usa o destino para servir os seus intentos é completamente espantosa, como se ela já tivesse tudo planeado desde a primeira linha!
Uma das coisas que mais gostei foi do facto de muita da acção se passar na corte de Monte Branco e pudermos assistir as interacções em grupo das várias personagens, de sentirmos a amizade e o respeito que têm umas pelas outras. Temos os momentos de corte e os momentos íntimos, e esta diferenciação dá-nos uma ideia mais real e abrangente da forma como as personagens se ligam umas às outras.
Mas o momento alto de todo o livro é o complexo e misterioso Faolan. Desde a sua viagem até aos locais do seu passado, a descoberta do perdão e do amor, o seu regresso e a forma como tudo se desenrola à sua volta é de encantar qualquer um que goste deste tipo de personagem. Foi um prazer vê-lo modificar-se, transformar-se, assistir a todos os seus momentos mais duros ou mais doces. É nele que nos acabamos por concentrar e é por ele que acabamos por ler o livro. Brilhante.
Só que é um erro esquecer Eile. A personagem sofrida que afinal era muito mais do que alguma vez pensou. Não há como não sofrer, chorar ou sorrir com ela. Torcemos desde o início para que ela tenha um bom final como merece. Foi aquela que mais me fez sentir no livro e agradeço a Juliet por não ter seguido estereótipos com ela.
Quanto aos momentos mais perigosos, gostei da vilã, da sua bipolaridade, do seu ar enganador, da sua irritante, enervante e detestável personalidade. Deu mais ao livro e proporcionou situações tensas que acabaram por fortalecer as relações daqueles que por ela foram atacados.
Recheado de momentos emotivos e de acção este livro não foi o que eu esperava mas apesar das falhas houve aquele factor x que o fez merecer toda a minha atenção. Espero sinceramente que um dia haja uma continuação e que possamos regressar a este mundo e a todos eles.

7*

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Opinião - A Espada de Fortriu

Título Original: Blade of Fortriu (#2 The Bridei Chronicles)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand
Número de Páginas: 576


Sinopse
 Depois de O Espelho Negro, chega-nos o segundo livro das crónicas de Bridei.
Inspirado numa poderosa figura histórica, contemporânea do célebre Rei Artur, Bridei é uma imagem de liderança e de carisma, a resposta de Marillier à pergunta: o que é preciso para ser um líder poderoso e carismático?
A Espada de Fortriu cobre os primeiros seis anos do reinado de Bridei como rei de Fortriu.
O reino de Fortriu gozou de cinco anos de paz desde que Bridei chegou ao trono. Agora, o rei prepara-se para uma guerra há muito esperada que, segundo pensa, banirá para sempre do Ocidente os invasores Galeses. A princesa Ana, refém de Fortriu desde a sua infância, é enviada para Norte, para se casar, estrategicamente, com um líder que nunca viu, e com isso ganhar um aliado no qual se baseia a vitória de Bridei. A sua escolta é conduzida por um homem que ela despreza: o enigmático Faolan, assassino e espião de Bridei.
A expedição é infortunada e, quando Ana chega junto do líder a quem fora prometida, numa fortaleza perdida nos Bosques de Briar, ela não se sente à vontade. Trata-se de um lugar cheio de segredos. Quando Ana descobre um prisioneiro mantido na mais austera reclusão, é confrontada com uma conspiração de silêncios. Entretanto, Faolan percorre um delicado caminho entre a lealdade e a traição.
As forças de Bridei marcham para o campo de batalha. Mas aos que ficam para trás é revelado que o seu rei marcha em direcção à derrota e, mais do que isso, o espera a morte certa. Só um mensageiro é capaz de o alcançar a tempo, mas chamá-lo porá em perigo o que é mais querido para Ana.

Opinião 
Depois dos acontecimentos decorridos em O Espelho Negro, este livro apresenta-nos uma história diferente. Cinco anos passados desde os acontecimentos anteriores, A Espada de Fortriu não só nos dá a conhecer a nova vida de Bridei e Tuala como se centra em duas das anteriores personagens secundárias que me suscitaram mais curiosidade: Ana e Faolan. Num espaço diferente e com uma narrativa ainda mais forte e introspectiva, Marillier volta a surpreender e a mostrar que não é só Sevenwaters que ela sabe escrever.
Após o fantástico primeiro volume de As Crónicas de Bridei, foi quase com desespero que me agarrei imediatamente a este segundo volume. A curiosidade espicaçou-me de tal maneira que não descansei enquanto não dei esta leitura por terminada. Se não me engano, li-o em dois dias!
Mais uma vez reencontrámos todas as personagens que me conquistaram no livro anterior numa nova fase das suas vidas. Está na altura de colocar os sonhos em funcionamento e pôr finalmente em prática tudo aquilo porque lutaram. O crescimento de algumas personagens é um dos factores interessantes deste livro. Ver finalmente o rei Bridei em acção, observar o resultado final de todo o ensinamento de Broichan é como chegarmos, por fim, aquilo que todos ambicionámos. E perceber que por isso as coisas não vão ficar mais fáceis e novos desafios espreitam no horizonte torna toda a profecia em redor do jovem, ainda mais interessante. Observámos não só o rei, o guerreiro e o apaixonado dos deuses mas também o marido e pai. Marillier mostra todos os lados do poder com a sua mestria e não se esqueceu de nos dar um vislumbre não só sobre este mas também de todos os que o rodeiam.
Mas o ponto alto é bem capaz de ser a viagem de Ana e Faolan e tudo o que decorre daí. Conhecer melhor estas duas personagens secundárias foi o que mais me entusiasmou. Todos os detalhes da viagem, as mudanças pessoais que ocorrem daí, envolvem alterações muito preciosas para o futuro e transformaram esta leitura em algo mais profundo e humano, do que seria de esperar. Faolan foi a surpresa deste livro, o que eu agradeço imenso, e acabou por merecer um lugar especial pois a sua complexidade está magnífica e foi uma das razões porque eu adorei este livro. Quanto as novas personagens, adoro a maneira como a autora entrelaça tudo e todos de forma a criar ligações especiais e, claro, a sua forma de criar histórias de amor verdadeiramente românticas.
O enredo está dividido em três espaços: a viagem, a corte e a batalha. Todos eles se interligam de uma forma consistente, criando momentos tão activos quanto emotivos em todos os cenários. Com o Juliet a acção não paralisa. Ela está sempre a tecer os fios do destino e há sempre uma razão para tudo. Este livro está cheio de pontos altos mas uns quantos em especial que me emocionaram de uma maneira que já não acontecia à algum tempo.
Posso dizer-vos que vale a pena enredarem-se nesta trilogia, há pouca coisa assim por aí.

7*

Opinião - O Espelho Negro

Título Original: The Dark Mirror
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand
Número de Páginas: 664

Sinopse
 Escócia, século VI. Bridei tem quatro anos quando os seus pais o confiam a Broichan, um poderoso druida do reino de Fortriu, com quem aprenderá a ser um homem erudito, um estratega e um guerreiro. Bridei desconhece que a sua formação obedece ao desígnio de um concelho secreto de anciãos e que está destinado a desempenhar um papel fundamental no destino do instável reino de Fortriu.
Porém. Algo irá mudar para sempre o seu mundo e, provavelmente, arrasar os planos de Broichan: Bridei encontra uma criança, ao que tudo indica abandonada pelos Boas-Gente. Todos concordam que o melhor será assassiná-la, mas Bridei decide salvá-la a todo o custo. E assim, ambos crescem juntos, e a bebé Tuala transforma-se numa bela mulher.
Contudo, Broichan presente o perigo que ela representa, pois a jovem poderá vir a ter um papel importante no futuro de Bridei… ou causar a sua perdição.


Opinião 
 Juliet Marillier é um dos nomes possantes do Fantástico. Considerada a herdeira de Marion Zimmer Bradley, a neo-zelandesa conquistou milhares de fãs em todo o mundo com a aclamada e amada trilogia Sevenwaters. Conhecida pelas suas histórias, pelas suas protagonistas, a escritora desenhou mundos que fazem parte do imaginário de todos os que já tiveram o prazer de a ler e é considerada por muitos como insubstituível.
Mas não só Sevenwaters apaixonou os seus leitores. As Crónicas de Bridei é considerada pelos fãs como o trabalho mais maduro desta escritora de renome, baseado em factos históricos e condimentado com a fantasia marilliana, apresenta-nos a história de um rei de um povo muitas vezes esquecido: os Pictos.
Eu já li Sevenwaters há uns bons aninhos e nos últimos tempos havia-se cimentado uma grande vontade de ler mais obras desta autora, tendo escolhido esta trilogia devido aos factores que apresentei acima. Juntando isso aos elogios e às paixões que Juliet provoca nos seus fãs mais assíduos, decidi que estava realmente na altura de eu regressar a ela.
Como podem imaginar, ler algo desta escritora é, absolutamente, maravilhoso. A sua forma de contar histórias qual bardo celta sentado a lareira, prendendo os seus ouvintes com as suas palavras tão emocionais, agarra todo aquele que lê os seus livros. E este livro tornou-se um vício em poucos minutos. Quase que não o larguei, tal foi a forma como este enredo me agarrou. Do início ao fim, foi uma promessa de histórias antigas contadas à antiga, com heróis, seres sobrenaturais, druidas e profecias. Cada página deixava um sentimento, fosse ele doce ou doloroso, conseguiu atingir-me de uma forma que só as boas histórias conseguem.
É já conhecido o jeito da escritora de fazer as suas personagens sofrerem até ao último minuto, seguirem a sua demanda com todos os obstáculos inimagináveis e concedendo-nos o tão merecido “felizes para sempre”. Pois o destino de Bridei não desilude. De uma forma mais real e consistente, talvez devido ao facto de estarmos a falar de uma personagem histórica, Marillier leva-nos a conhecer as encruzilhadas de um jovem que está destinado a ser rei, em quem todos depositam a sua fé e que tem de escolher o caminho certo até ao seu propósito, tudo isto com uma história de amor digna desta escritora onde tudo vai parecer impossível até o par romântico aceitar o seu destino.
Tal como me recordava, também nestas personagens existe uma profundidade para lá do que poderíamos imaginar, conseguindo a autora dar-nos heróis e vilões com defeitos e qualidades à sua altura. Cada um tem o seu papel na história, e neste constituinte das suas obras é raro haver mudanças radicais. Amámos os bons, odiamos os maus, exactamente como quando líamos contos de fadas em pequenos.
Esta é a magia de Marillier, demonstrar que o esforço e a luta valem a pena, que o bem vai vencer o mal, e, no fim, fazer-nos acreditar nisso. Por isso, sim, deixei-me enredar neste livro, menos maravilhoso mas mais forte, mais consistente e que me deu razões para continuar a conhecer mais das suas obras.  

7*

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Divulgação - Novidades Bertrand

 Sinopse
Para escapar ao anonimato de uma vida comum, à solidão da escrita e ao esquecimento dos futuros leitores, o narrador de Uma Mentira Mil Vezes Repetida inventou uma obra monumental, um autor - um judeu húngaro com uma vida aventurosa - e uma miríade de personagens e de histórias que narra entusiasticamente a quem ao pé dele se senta nos transportes públicos. Assim vai desfiando as andanças literárias de Marcos Sacatepequez e o seu singular destino, a desgraça do Homem-Zebra de Polvorosa, o caos postal de Granada, a maldição do marinheiro Albrecht e as memórias do velho Afonso Cão, amigo de Cassiano Consciência, advogado e proprietário do único exemplar conhecido de Cidade Conquistada, a obra-prima de Oscar Schidinski. Enquanto o autocarro se aproxima de Cedofeita, ou pára na rua do Bolhão, quem o escuta viaja do Belize a Budapeste, passando pelas Honduras, por estâncias alpinas, por Toulon ou por Lisboa. Mas se o nosso narrador não encontrou a glória - senão por breves momentos e na mente alheada de quem cumpre uma rotina - talvez tenha encontrado o amor. Ou será ele também inventado?

Sinopse
Ema, uma menina de Lisboa, é a filha mais nova de uma família burguesa, que, no período da Revolução, se vê obrigada a mudar-se para uma propriedade no campo. Conhecendo todos os segredos da terra, Ema tem o dom de comunicar com a vida e os outros de forma misteriosa e especial. Com o fim da idade da inocência, a sua felicidade, no entanto, só é plenamente conseguida depois de satisfazer o seu desejo de maternidade.
Felismina, uma rapariga pobre, anormalmente recatada para a época, cresce nos arredores de Lisboa. Educada por uma mãe cruel e manipuladora, consegue libertar-se das amarras da sua vida de miséria. Sai de casa, muda de identidade, passa a chamar-se Mi Sores, e o seu aspeto, outrora macilento e triste, passa a ser sofisticado e luminoso.
O destino destas duas mulheres cruza-se inesperadamente quando o bebé de Ema é raptado. O pesadelo vivido pela mãe desencadeia uma teia de mistérios e revelações surpreendentes.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Opinião - A Paixão Secreta do Inquisidor

Autor: Nerea Riesco
Editora: Bertrand Editora
Número de páginas: 344

Sinopse
Em 1610, em Logronho, onze pessoas são condenadas à fogueira acusadas de bruxaria. Apesar disso, as terras de Biscaia e Navarra continuam a sofrer com a presença do demónio e dos seus seguidores. Para tranquilizar o povo, o Santo Ofício envia Alonso de Salazar y Frías, um inquisidor secretamente descrente: perdeu a fé em Deus e já não acredita no Diabo nem em bruxas. A sua história cruza-se inevitavelmente com a de Mayo, que percorre as estradas espalhando encantamentos e feitiços. Durante a sua jornada, ambos terão de enfrentar perigos inimagináveis, poderes terrenos e também a morte daqueles que mais amam. 
Uma narrativa poderosa que recupera a força da tradição mágica da cultura espanhola, em que está implicada a elite do poder político e religioso do Século do Ouro e que se baseia num episódio da História, documentado e misteriosamente escondido nas caves obscuras do Santo Ofício durante mais de três séculos. 

Opinião
Baseado num episódio obscuro da História da Inquisição Espanhola e rodeado de magia e poder, este livro retrata uma busca constante por quem somos, no que acreditámos e aquilo que é ou não verdade. Brilhante em pormenores, rico em descrições, A Paixão Secreta do Inquisidor apresenta-nos uma imagem concreta de uma Espanha aterrorizada e demasiado crente. Representar com tal realidade o mundo fora do Santo Ofício e as consequências do medo sentido por aquilo que não conhecemos ou não pudemos explicar não é comum. Muitas vezes os livros acerca da Inquisição ou da caça às bruxas ou são exagerados ou só contam a história por um dos lados ou é esquecido que foram reais e não fruto do nosso imaginário, o que acaba por lhes retirar a realidade e serem demasiados romanceados.
Neste caso, existe uma pesquisa bem estruturada e nenhum dos envolvidos é esquecido, o que nos permite conhecer em pormenor o que envolvia o julgamento, a queima dos supostos culpados, as suas causas e consequências. Conhecemos o lado da Corte espanhola, o do Santo Ofício, o das “bruxas” e o do povo, nada é esquecido ao acaso. Cada personagem é um representante das suas “verdades” e cada um deles busca algo, existindo uma série de questões filosóficas e dogmáticas ao redor desta obra.
Este livro acabou por não receber, se calhar, um maior carinho da minha parte, não por culpa dele mas sim por causa da sua sinopse. Quando comprei este livro, admito, imaginei uma história de amor proibido entre um Inquisidor e uma bruxa (ninguém nos manda fazer suposições) e saiu-me «o tiro pela culatra». O Alonso e a Mayo nunca se chegam a cruzar realmente e a minha “fantasia” saiu-me bastante aldrabada e durou muito pouco tempo. Não, o livro não é nada daquilo que eu estava à espera (lá está, não imagines coisas!) mas graças aos seus pormenores históricos e ao detalhe e qualidade da sua escrita, a autora lá me agarrou, apesar de que o desgosto não é culpa dela mas sim da editora que publicou uma “sinopse enganadora”. Mas enfim.
Destaco Mayo que acabou por não se revelar a bruxa errante que espalha remédios e curas por onde passa que nos é descrita (acho que o final não conta até porque não tem nada a ver) mas sim uma jovem perdida, doce que procura a segurança que sempre teve e acaba por descobrir que é mais forte do que pensava e que afinal nem tudo o que parece é.
Em vez de um romance proibido, o no original Ars Magica, é um romance histórico de qualidade e que nos retrata uma época e um país num dos seus períodos mais negros de uma forma estudada e realista.

5/7