Título Original: Emma
Autor: Jane Austen
Editora: Book.it
Número de Páginas: 480
Sinopse
Emma
é um romance de Jane Austen, que foi publicado pela 1ª vez em dezembro
de 1815. Assim como em seus outros romances, Austen relata as
dificuldades das mulheres inglesas no início do século XIX, criando
através de seus personagens uma comédia de costumes. Na introdução,
Austen descreve: "Emma Woodhouse, bonita, inteligente, e rica". Emma, no
entanto, é principalmente mimada; ela superestima seu poder de
manipular as sitações, assim como não percebe os perigos de interferer
na vida das pessoas e engana-se facilmente sobre o sentido das intenções
e atitudes alheias.
Opinião
Nascida em 17775, Jane Austen é, ainda hoje, uma das autoras
mais adoradas de todos os tempos. Com seis obras completas, ficou conhecida
pela forma realista e irónica com que descreve a sociedade e, principalmente, o
papel das mulheres, da sua época. Chegada à família, eles foram o seu maior
apoio na sua carreira literária. Nunca casou.
Emma foi a última
obra que Jane publicou em vida, dois anos antes de ter falecido. Dedicada ao
Príncipe Regente, é a obra com a heroína que gera mais controvérsia. Foi adaptada
para cinema e televisão, tendo Emma sido interpretada por Gwyneth Paltrow, Kate
Beckinsale e Romola Garai.
Este deve ter sido o único livro de Austen de que fugi a
sete pés. Culpem a Paltrow que me deixou traumatizada com a sua interpretação e
que, quase, fez com que Emma fosse o
único livro de Austen que eu não teria lido. Graças ao desafio 12 Clássicos em
2014, venci os meus medos e li, finalmente, o malfadado livro. Emma distingue-se das restantes obras de
Austen por causa da sua protagonista, a primeira sem preocupações financeiras e
aquela que se mostra imune ao romantismo mas, também, por causa da sua
personalidade. Emma é aquela a que chamo a mais irritante protagonista de Jane.
Mimada, fútil e metediça, Emma é exactamente tudo o que detesto, sendo muito
difícil para mim, gostar dela ou compreendê-la mas a autora consegue, à sua boa
maneira, atenuar todos os defeitos que Emma tem.
Emma nunca será para mim querida como Lizzy, Anne ou as
irmãs Dashwood são, mas a sua história faz deste livro um dos meus preferidos
da autora. O seu humor tão característico está presente em cada momento deste
livro, recheando-o de peripécias, mal-entendidos e reviravoltas surpreendentes,
que fazem desta leitura uma completa diversão, cheia de gargalhadas. As
tentativas frustradas de formar casalinhos de Emma enquanto foge ela própria
dos intentos amorosos levam às mais caricatas situações, bem como a sua total
cegueira em relação aos amores que se desenvolvem à sua volta. Para ajudar, as
mais pitorescas personagens que Austen criou estão neste livro. Desde a amorosa
mas exagerada família de Emma aos vizinhos e amigos, nenhum escapa a um retrato
caricato, divertindo-nos ou exasperando-nos com as suas esquisitices, defeitos
ou demasiadas qualidades.
Nota-se que o sarcasmo de Austen está mais refinado e pungente
nesta obra, não faltando mesmo assim, a crítica social que está sempre presente.
A necessidade de um casamento adequado à posição social, a tentativa de escalar
a hierarquia rapidamente ou como os mais abastados acham que todos lhes devem
enquanto os mais pobres acham que a todos devem, são os temas que proliferam
neste livro através das várias ligações que este pequeno grupo tem entre si. Entre
romance e humor, a autora inglesa faz mais uma vez um retrato assertivo da
sociedade rural inglesa, apresentando com humor as exigências e exageros desta.
Escapa a crítica, Mr. Knigthley, a pessoa mais sensata e moderada deste grupo
insano, que se junta a Mr. Darcy e ao capitão Wentworth, como um dos meus protagonistas
austenianos preferidos.
Mais do que ser o livro mais humorístico de Austen, Emma é talvez, também aquele onde o
romance mais prolifera, mesmo não sendo o mais romântico. Através das várias
relações amorosas, a autora apresenta-nos diversos tipos de amor bem como
explica através dos planos mirabolantes de Emma, que este não é uma escolha nem
opção, simplesmente acontece a qualquer um e une os mais improváveis dos
casais.
Apesar de ter como protagonista aquela que mais detesto, Emma tornou-se, incontornavelmente, um
dos meus livros preferidos de Austen graças ao humor e, claro, a Mr. Knightley.




