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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Opinião - A Cidade de Vidro

Título Original: City of Glass (#3 Caçadores de Sombras)
Autor: Cassandra Clare
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 408

Sinopse
 Para salvar a vida da mãe, Clary tem de ir à Cidade de Vidro, o lar ancestral dos Caçadores de Sombras - não a incomoda que a entrada nesta cidade sem autorização seja contra a Lei e que violá-la possa significar a morte. Piorando mais a situação, ela vem a saber que Jace não a quer lá e que Simon foi encarcerado na prisão pelos Caçadores de Sombras que suspeitam de um vampiro que tolera a luz do Sol. Ao tentar descobrir mais pormenores sobre o passado da sua família, Clary encontra um aliado no misterioso Sebastian. Com Valentine a reunir toda a força do seu poder para destruir de uma vez por todas os Caçadores de Sombras, a única possibilidade de estes o derrotarem é combater ao lado dos seus eternos inimigos. Mas podem os Habitantes do Mundo-à-Parte e os Caçadores de Sombras pôr de lado o seu ódio mútuo e aliarem-se? Embora Jace compreenda que está pronto a arriscar tudo por Clary, poderá ela utilizar os seus poderes recentes para ajudar a socorrer a Cidade de Vidro - custe o que custar? O amor é um pecado mortal e os segredos do passado provam ser letais quando Clary e Jace enfrentam Valentine no último volume da trilogia Os Instrumentos Mortais - obra que figura na lista de sucessos literários do New York Times.Caçadores de Sombras é o título da trilogia que começa com A Cidade dos Ossos, com uma fantasia urbana povoada por vampiros, demónios, lobisomens, fadas, e que é um autêntico romance de acção explosiva.

Opinião


  Passou a infância a viajar à volta do mundo com a família e camiões de livros de fantasia atrás. Na adolescência escrevia histórias sobre as suas personagens preferidas. Na vida adulta escrevia artigos de cusquice para revistas cor-de-rosa que a ponham louca. E, finalmente, escreveu Caçadores de Sombras e em 2006 tornou-se escritora a tempo inteiro…e espera nunca mais ter de escrever sobre Paris Hilton.

  Cassandra Clare é um dos maiores fenómenos literários após Harry Potter e Crepúsculo. Os seus livros estão traduzidos para mais de 34 países, o filme baseado no primeiro volume estreou o mês passado, o segundo já começou a ser produzido e o último livro da série será publicado em Março do ano que vem. Para além disso, a autora tem publicado contos sobre uma das personagens mais carismáticas da série e planeia escrever mais duas séries no mundo dos Caçadores de Sombras, estando o primeiro de uma das séries planeado para 2015. Foi publicado ainda este ano o último volume da trilogia As Origens, The Clockwork Princess que será publicado em português no próximo mês.

  A Cidade de Vidro é o terceiro volume da série Os Caçadores de Sombras. Foi publicado em 2009 e está traduzido para trinta países.

  Cassandra Clare é tortuosa. Completamente tortuosa. E sabe tão bem ler um livro seu por causa disso! Depois de terminar o primeiro volume de Caçadores de Sombras fiquei rendida à sua escrita vibrante, viciante e explosiva que nos traz um mundo tão fantástico quanto urbano, tão carismático quanto irreverente que torna impossível alguém lhe ficar indiferente. Em A Cidade de Vidro, aquele que devia ser o fim, não há coração que aguente pois este livro une o que de melhor esta série tem, transportando-nos numa aventura onde não há certezas mas onde a adrenalina e as surpresas são uma constante, deixando-nos do início ao fim completamente pregados às palavras com a respiração suspensa até à última linha que, se nos deixa a saltitar de felicidade, também nos dá uma vontade enorme de ler mais e mais. 

  Sem deixar quaisquer pontas soltas mas permitindo-nos imaginar o que acontecerá nos próximos volumes, A Cidade de Vidro teria sido o fim perfeito pois é nele que se escondem os maiores segredos, as maiores surpresas, as maiores tragédias. Num enredo onde a acção nunca para, onde cada revelação tem um timing soberbo, somos arrastados pelas emoções que cada momento nos provoca, podendo ir da felicidade delirante à estupefacção total às lágrimas de desespero em escassos segundos. Torturante em todos os sentidos, estas 400 páginas são de pura adrenalina, onde tudo mas tudo pode acontecer mesmo o inimaginável. Recheada de um humor negro, onde o sarcasmo tão bem conhecido de Cassandra está patente, esta narrativa passa tanto por momentos bem divertidos, quase ridículos, que nos fazem rir às gargalhadas, como por situações desesperantes que nos fazem ler quase a correr para descobrir o que vai acontecer a seguir.

  Esta série é feita de segredos, camadas deles, que ao longo destes três livros têm sido desvendados a pouco e pouco mas é neste volume que as verdadeiras revelações, as grandes surpresas acontecem. Mostrando a complexidade por trás da imaginação da autora, estas meias-verdades e mentiras escondem mais do que parece à primeira vista e, de cada vez que a verdade vem finalmente à tona, é impossível não ficarmos completamente espantados mesmo aqueles leitores que como eu já conheciam alguns desses segredos. Para além disso, este é o livro das batalhas épicas, do confronto entre o Bem e o Mal, entre Caçadores de Sombras e demónios. Através de descrições bem detalhadas e bastante visuais, conhecemos finalmente Alicante e somos confrontados com imagens de lutas e destruição, de actos de coragem e traições, de alianças inesperadas, de fragilidades pouco esperadas. 

  Depois há uma profundidade nas relações das personagens, a forma como a morte iminente colocam a nu as suas fragilidades e melhores qualidades, os seus desejos e temores. A relação de Jace e Clary, sempre prestes a deixar-nos extasiados, atinge um laivo de desespero aqui e, finalmente, aquilo que sentem um pelo outro parece ser mais forte do que qualquer coisa. A faceta de guerreiro atormentado de Jace e a coragem apaixonada de Clary fazem-nos adorá-los ainda mais mas também Isabelle, Simon e Alec nos surpreendem. Isabelle principalmente a partir do meio do livro em que não vemos apenas a menina bonita e louca, Simon porque neste livro não é só o melhor amigo e acaba por mostrar quem é realmente o Simon e Alec por finalmente demonstrar coragem em todas as vertentes da sua vida. Estas, juntamente com outras personagens, são um dos principais motivos do sucesso desta série pois poucas têm um leque tão vasto de personagens interessantes e complexas e cada uma delas tem um papel a desempenhar ou uma história a contar. Sem qualquer uma delas, um bocadinho deste mundo não seria igual.

  Um fim surpreendente, A Cidade de Vidro demonstra com toda a clareza o porquê do sucesso desta série mas como fã só posso dizer que estou muito feliz por ainda não ter terminado por aqui. Ansiosa pelo que ainda me aguarda, confesso que poucas vezes me arrependi tanto por não ter lido uma série mais cedo mas estou igualmente feliz por saber que ainda muito me aguarda.

7*
 
As minhas opiniões da série

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

From Pages to a Movie *A Cidade dos Ossos*






  Um dos filmes porque mais aguardei este ano estreia hoje nas salas de cinema mas graças à Planeta Manuscrito pude ir ontem à ante-estreia no Vasco da Gama, tendo encurtado as férias temporiaramente para o puder fazer tal era o meu entusiasmo em relação a ele e foi com um misto de sensações que vi o ecrã apagar-se pois se fiquei feliz por o ver também fiquei um pouco desiludida com o resultado final.




  O problema deveu-se às muitas cenas que estão completamente diferentes do livro e de algumas mudanças temporais das ocorrências que deixam  quem leu logo de pé atrás porque o livro é bastante visual e não percebo qual o objectivo de mudar coisas mínimas que podiam ter respeitado mas, agora mais calma e com a hippie em mim mais racional, acho que o pior foi mesmo terem estragado o final antes de ele acontecer, ou seja, a grande surpresa é estragada antes de ser revelada, estragando um fim sensacional de cortar a respiração. Ah, e estou chateada por a mota não voar porque penso que teria sido um grande momento visual e tão fixe mas pronto... De resto, houve alguns momentos pouco coerentes e que ficaram um pouco por explicar.

  Quanto aos efeitos especiais, estiveram à altura bem como as cenas de acção. Todas as coisas fantásticas do livro estão bem representadas e foram de grande destaque e as lutas foram adrenalina pura. Os cenários estavam excelentes, principalmente o Instituto e a Cidade dos Ossos que me deixaram quase a babar e a grande atenção que deram a Manhattan foi de louvar. A banda sonora também é qualquer coisa e a caracterização era exactamente como a imaginava e aqui tem de haver um grande destaque aos Irmãos Silenciosos que estavam qualquer coisa.


  O elenco acabou por me surpreender mas não haja dúvida que as estrelas foram Lily Collins e Jonathan Rhys Meyers. A actriz foi uma Clary perfeita e Meyers deu a Valentine um ar ainda mais louco e violento que intensifica a personagem. Apesar de não o achar o Jace perfeito, a minha personagem preferida, Jamie Campbell Bower acabou por representar bastante bem o caçador de sombras e acaba por falhar por não arrancar suspiros às espectadoras. Robert Sheehan também correspondeu às expectativas e foi um excelente Simon. Já Kevin Zegers e Jemima West deixaram um pouco a desejar e Godfrey Gao não foi um Magnus à altura.

Ou seja, se eu não tivesse lido o livro, garanto-vos que tinha adorado o filme mas assim é impossível mesmo que agora consiga ver que não foi tão mau como pensei à partida. Era
excusado ter-se alterado tanta coisa, as cenas à Exorcista e os ritos satânicos mas lá está, é raro o filme que corresponde ao que estámos a espera e este não foi excepção mas tendo se tornado uma das minhas sagas preferidas sim queria muito mais do que isto.



A Cidade dos Ossos *Opinião*
A Cidade das Cinzas *Opinião*

   










quarta-feira, 26 de junho de 2013

Opinião - A Cidade das Cinzas

Título Original: City of Ashes (#2 Caçadores de Sombras)
Autor: Cassandra Clare
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 360

Sinopse
 Clary Fray só que­ria que a sua vida vol­tasse ao nor­mal. Mas o que é nor­mal quando se é um Caça­dor de Som­bras? A mãe em estado de coma indu­zido por artes mági­cas, e de repente começa a ver lobi­so­mens, vam­pi­ros, e fadas? A única hipó­tese que Clary tem de aju­dar a mãe é pedir ajuda ao dia­bó­lico Valen­tine que, além de louco, sim­bo­liza o Mal e, para pio­rar o cená­rio, tam­bém é o seu pai. Quando o segundo dos Ins­tru­men­tos Mor­tais é rou­bado o prin­ci­pal sus­peito é Jace, que a jovem des­co­briu recen­te­mente ser seu irmão. Ela não acre­dita que Jace de facto possa estar dis­posto a aban­do­nar tudo o que acre­dita e aliar-​se ao dia­bó­lico pai Valen­tine… mas as apa­rên­cias podem iludir.

Opinião


  Jane Austen e J.K. Rowling têm uma coisa em comum, o facto de uma jovem autora ter começado a escrever baseando-se nas suas histórias até ao dia em que a sua imaginação a levou mais longe, a Idris e aos Instrumentos Mortais. Nasceu como Judith Rumelt no Teerão mas foi como Cassandra Clare em Nova Iorque que alcançou os seus sonhos depois de longos e tortuosos anos a escrever em revistas de mexericos. Inspirada por Manhattan, a autora decidiu escrever uma série onde a cidade fosse o palco e a alma de toda uma nova dimensão, uma série que a fez dizer adeus às revistas cor-de-rosa e a abraçar a carreira de escritora por inteiro.

  A autora que não escreve em casa porque se distrai com os reality shows e que prefere estar acompanhada pelos amigos quando está a escrever, é hoje uma das autoras mais conhecidas mundialmente graças a esse primeiro livro, publicado em 2007, chamado A Cidade dos Ossos que passou de uma trilogia a uma série devido ao seu enorme sucesso e cujo filme irá estrear em Agosto próximo. A Cidade das Cinzas é o segundo volume da trilogia original, foi traduzido para dezoito línguas e foi bestseller do New York Times bem como vencedor de alguns prémios.

  Um Caçador de Sombras não pode ter medos, um Caçador de Sombras não pode estar indeciso entre sangue e afecto, um Caçador de Sombras não pode deixar-se levar por um amor proibido. Mas quando isso acontece, e tudo em que acredita e o que é entram em confronto, ele deve escolher e nunca esquecer aquilo para que nasceu, proteger, fazer cumprir as leis, matar os seus inimigos só que nada, muito menos no seu mundo, é tão linear quanto parece e, agora, enquanto tudo vai se estilhaçar à sua volta, ele vai ter de mostrar que nada, aconteça o que acontecer, o pode impedir de ser o que realmente é, um Caçador de Sombras. 

  Depois de A Cidade dos Ossos eu pensava que já estava preparada para tudo o que Cassandra pudesse ter criado mas estava tão, mas tão enganada. Depois de uma primeira leitura explosiva, vibrante e imensamente viciante, esta revelou-se ainda mais tortuosa, surpreendente e fascinante, capaz de nos deixar de boca aberta e com o coração aos saltos tantas vezes que não ter um ataque cardíaco é uma sorte. Cassandra esmera-se ainda mais neste livro, dando-nos situações que transcendem tudo o que possamos imaginar e em que cada reviravolta é mais espectacular ainda que a anterior. Através de um mundo carismático, urbano e irreverente, a autora demonstra o porquê do seu enorme sucesso e a razão porque Caçadores de Sombras é uma série que vicia quase todos os leitores que lhe colocam a vista em cima. 

  Depois de um final que deixa qualquer um de boca aberta e a desesperar por este segundo volume, começar esta leitura é uma tortura do início ao fim num óptimo bom sentido. Tudo porque este livro é uma tal teia intricada de segredos, conspirações, mentiras e meias-verdades que o nosso cérebro não consegue parar um segundo. Cada acontecimento é feito para nos obrigar, para nos deliciarmos, a ler cada página como se fosse a última e, garanto-vos, parar antes do fim é quase impossível. Marcada por uma grande ousadia, inteligência e ironia, esta leitura satisfaz em pleno cada expectativa e ainda é capaz de a superar em grande escala.
 
  Como segundo volume de uma trilogia, pois era assim que esta série estava pensada originalmente, A Cidade das Cinzas é um dos melhores livros intermédios que já li. Nota-se que houve um cuidado e uma grande perícia por trás da sua construção, o que torna um meio não sensaborão e com pouco para dar, mas uma autêntica caixinha de surpresas que nunca nos cansa. Com um ritmo alucinante, uma perfeita noção de timing e revelações, este livro deixa-nos a morrer pelo próximo, literalmente. Não perde o ritmo do primeiro, deixa-nos loucos pelo que vem a seguir e satisfaz-nos como é possível um segundo volume satisfazer.

  Aqui podemos apreciar ainda mais as características deste mundo pois mais é nos revelado tanto do Mundo dos Habitantes-À-Parte como dos Caçadores de Sombras. A dinâmica entre espécies rivais, entre Caçadores e outros ou entre é explorada ao máximo, deixando-nos descobrir cada ligação e juntar as pecinhas do puzzle. Em termos de world building esta é uma série marcante e inovadora e mais uma vez isso se nota em cada característica ou história em que nos é apresentado e é, sem dúvida, um dos pontos de peso desta série.

  Quanto ao enredo, este é vibrante, explosivo e assustador no facto de que nunca sabemos o que nos espera na página seguinte. Adoro o facto da autora nos deixar pequenas pistas, frases de segundo sentido, peças chave por todo o lado e mesmo assim ficarmos sempre espantados com a reviravolta seguinte. A narrativa está muito bem construída, não há uma maior incidência numas personagens do que noutras e há uma perfeita noção da ligação entre acontecimentos. Muitas surpresas surgem ao longo desta leitura, muitos momentos tanto divertidos como emotivos, o que nos deixa com uma história com um balanço ideal e que nem nos cansa nem nos deixa a matutar demasiado na mesma coisa.

  A dinâmica entre personagens melhora ainda mais. Podemos conhecê-las mais a fundo e compreender os seus receios e expectativas, conseguimos perceber a profundidade das ligações sem precisarmos de palavreado exagerado para o demonstrar, e cada personagem tem algo para dar, não havendo uma tentativa de aperfeiçoamento de ninguém, nem dos protagonistas. As personagens são fortes, diferentes e marcantes, cada uma à sua maneira e todas nos dão vontade de as conhecer melhor. Jace e Clary marcam pela positiva, outra vez, e espero bem que eles tenham a sorte de haver um grande mistério a volta deles, estou a torcer por isso mas confesso, que fico satisfeita por não haver uma relação super híper mega lamechas nesta série.

  Cassandra deixa-me tão assolada que só me apetece pegar no próximo livro neste mesmo instante e confirma-me que é mesmo uma autora obrigatória na minha estante. Mais, é mesmo a senhora, dona e rainha neste género e parece-me, será difícil alguém levar-lhe o título. A Cidade das Cinzas é assim, uma continuação marcada pela positiva e que me deixou ainda mais rendida à série.

7*
 
As minhas opiniões da série 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Opinião - A Cidade dos Ossos

Título Original: City of Bones (#1 Caçadores de Sombras
Autor: Cassandra Clare
Editora: Planeta
Número de Páginas: 415

Sinopse
 No Pandemonium, a discoteca da moda de Nova Iorque, Clary segue um rapaz muito giro de cabelo azul até que assiste à sua morte às mãos de três jovens cobertos de estranhas tatuagens.
Desde essa noite, o seu destino une-se ao dos três Caçadores de Sombras e, sobretudo, ao de Jace, um rapaz com cara de anjo mas com tendência a agir como um idiota...

Opinião
  Filha de pais americanos, Cassandra, ou melhor, Judith Rumelt, nasceu em Teerão, no Irão. Ao longo da sua vida viveu em vários países, conheceu vastas culturas e apenas quando começou o secundário é que assentou de vez em Los Angeles até se mudar para Nova Iorque e, foi também nessa época que começou a escrever algumas histórias, tendo a sua adaptação de um conto de Jane Austen dado origem ao nome pelo qual é conhecida. Depois de anos a trabalhar em revistas de mexericos, Cassandra deixou as fanfics de Harry Potter de lado,e começou a escrever o seu primeiro livro, inspirado no urbanismo e cosmopolitismo de Manhattan, cuja publicação lhe permitiu escrever a tempo inteiro, livrar-se das histórias cor-de-rosa e tornar-se uma autora mundialmente famosa.

  Publicado em 2007, o primeiro volume da série Caçadores de Sombras, A Cidade dos Ossos, tornou-se um sucesso a escala mundial. Publicado em vinte países, tornou-se uma das séries literárias mais viciantes de sempre, tendo milhares de fãs ansiosos pela adaptação cinematográfica que chegará em Agosto deste ano. Primeiro volume de uma série que contará com seis livros, o último será publicado em Março de 2014, conta ainda com uma trilogia antecedente e agora uma nova série acerca de uma das personagens mais emblemáticas.

  Numa noite normal da sua jovem vida, Clary vê o que não devia, o que não existe, algo com que nem sonhava. Depois dessa noite, a sua vida desfaz-se e retorna das cinzas para um novo mundo, cheio de perigos, segredos e uma guerra ancestral, um mundo que sem saber, sempre lhe correu no sangue. Enquanto descobre que os pesadelos podem ser palpáveis e que nem sabe quem é ou os seus, Clary tem de desbravar as leis, a sociedade, as intrigas deste submundo e, ainda, lidar com as coisas mundanas da sua vida anterior. Jace, é o melhor Caçador de Sombras da sua geração e, tal como Clary, tem ligações a um passado de que ninguém gosta de falar mas agora vão ter de enfrentar juntos quem são, quem se espera que se tornem e quem realmente querem ser. Eles são Caçadores de Sombras, herdeiros de uma linhagem de guerreiros. Eles vão ter de enfrentar os segredos e mudar o destino.

  Cassandra Clare é, indiscutivelmente, a senhora, dona e rainha de um género que já deu muitas cartas mas que pela sua mão ganha uma nova vida, uma nova dimensão que conquistou e ainda irá conquistar leitores de todos os géneros e idades. Com uma escrita que envolve, vicia e nos tortura a cada reviravolta, a autora criou uma série tão fantástica que é difícil resistir ao chamamento que ao virar de cada página nos atiça a ler mais e mais. Não é a toa que Caçadores de Sombras se tornou um fenómeno. Através da sua escrita divertida, inteligente, cheia de força, juventude e ironias mas sem esquecer o lado mais negro e perigoso que vive nas sombras, Cassandra marca e ganha pontos a cada desenvolvimento, cada acontecimento que nos corta a respiração e nos arregala os olhos e nos faz querer devorar este livro pela noite dentro.

  Marcante pela irreverência e originalidade do seu mundo, este livro é uma lufada de ar fresco que não deixa de ser um ar pesado, onde quase se pode sentir o mistério a adensar-se a nossa volta enquanto os segredos são desvendados nas formas mais improváveis e cada acto, cada gesto tem uma importância e significados escondidos que podem alterar tudo de um momento para o outro. Apesar de apresentar algo tão banal como vampiros, lobisomens, feiticeiros, aqui encontrarão uma elite que levará a nossa imaginação mais longe. Cada pormenor e detalhe à volta dos Caçadores de Sombras, das Cidades a que pertencem, de cada elite e objecto que lhe dão vida, é fantástico, do outro mundo e que não deixa de se adaptar a nossa banalidade, sendo tão credível que quase podemos achar que é real.

  Para isso, também muito contribui a naturalidade com que o enredo se desenvolve, como cada peça se encaixa. Há uma fluidez, um raciocínio por trás de cada momento que nos transporta facilmente para a pele de Clary, tornando não só a história verosímil como faz com que tudo tenha um sentido. O nosso mundo está tão entrançado neste submundo que é impossível desligar um do outro. Depois temos a forma como a autora escolheu construir a sua história. Aqui pouco encontrarão daquilo a que chamámos os clichés habituais. Reviravoltas, personagens, acontecimentos, tudo é tão diferente que não é difícil perceber o porquê do sucesso desta série.

  Quanto às personagens, será que vos espanta se eu disser que encontrei os melhores protagonistas de sempre deste tipo de séries? Sim, estou mesmo a falar a sério. Clary e Jace, são diferentes. Fortes, corajosos até a loucura, tão passionais quanto racionais, eles não são o típico casal, estão bem longe disso. E à sua volta contam com outras personagens tão marcantes quanto originais, com passados escondidos, sentimentos guardados, segredos por revelar. Existe nestas personagens uma humanidade e ao mesmo tempo algo tão fantástico que ficar indiferente a elas é tão impossível como não virar a próxima página.

  A verdade é que há muito tempo que não me sentia tão entusiasmada com uma nova série como me estou a sentir com esta. Não só pelo final avassalador mas também por tudo o resto que ela nos traz. A Cidade dos Ossos é um princípio prometedor, um primeiro volume que nos faz querer correr para a livraria mais próxima e trazer toda a série atrás. Resta-me dizer, Cassandra estás aprovada.

7*