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terça-feira, 10 de abril de 2012

Opinião - O Outro Lado do Mundo

Título Original: The Farthest Shore (#3 Earthsea Cycle)
Autor: Ursula Le Guin
Editora: Livros do Brasil
Número de Páginas: 180

Sinopse
 Não tem sinopse

Opinião 
 
Este é o último volume da trilogia original de Terramar, série que granjeou a Ursula Le Guin um lugar incontestável na Fantasia, e que desde os finais dos anos 60 tem conquistado leitores por todo o mundo, sendo um marco na Literatura tão grande quanto O Senhor dos Anéis. Leitura obrigatória para todos aqueles que adoram Fantasia, dos mais pequenos aos mais experientes, esta é uma série que continuará a marcar gerações de leitores.
Este livro já devia estar lido à mais tempo, não fosse a falta de tempo e o excesso de estudo, teria sido lido com a mesma rapidez dos anteriores mas, por outro lado, e mesmo sabendo que há mais livros deste mundo à minha espera, a verdade é que a sensação de que este é o último não me tem largado, talvez porque a escritora o escreveu com esse mesmo propósito e eu não me consigo esquecer disso.
A realidade é que este livro tem uma finalidade muito própria, é o final de uma longa demanda e o conquistar de um sonho e, por isso mesmo, deve ser lido como se fosse o último, devemos esquecer que Terramar está à distância de uma livraria ou mesmo ao nosso lado. O Outro Lado do Mundo merece ser lido como se fosse o último fôlego de uma velha lenda.
Se o primeiro livro é instrospectivo, uma descoberta por nós próprios, se o segundo é uma fuga do Mal e do obscuro, uma demanda por um sonho maior, este livro é a descoberta que o sonho é real. Por terras jamais visitadas, mares nunca antes navegados, ao lado de povos desconhecidos, Ged prepara o seu acto final como maior mago de todos os tempos para iniciar uma lenda muito maior.
Surge-nos uma nova personagem que irá acalentar o objectivo da demanda de Ged, um futuro herói que vemos crescer ao lado do mago durante as suas aventuras por terras longínquas em busca de um grande mal que assola até os dragões. Estas aventuras permitem apresentar-nos um terceiro volume mais colorido e aventureiro, dando-nos uma maior visão de Terramar e da sua pluralidade em termos de povos e culturas.
Ao longo destas aventuras assistimos a um Gavião mais contido, dmais humano mas que não perde a imagem de mago poderoso que o livro anterior nos deu. A sensação que dá é que O Feiticeiro de Terramar apresenta-nos o ínicio, Os Túmulos de Atuan o apogeu e este livro, não a queda mas a maturação da personagem. A relação entre o Gavião e Arren faz recordar a de Merlin e Artur, existindo uma pequena ligação entre ambas as lendas mas não é por isso que este livro perde a beleza primitiva tão típica da escrita de Le Guin.
Também neste livro nos são passadas mensagens preciosas, tanto espirituais como naturais, escondidas por subterfúgios poderosos e brilhantes que inconscientemente se infiltram na nessa mente e nos permitem ler o livro nos dois sentidos que ele nos apresenta.
Ao ser mais vivo, não é tão clara a escrita soberba da escritora mas acaba por ser o livro que mais prende o leitor pelas descrições simples e primitivas e pela força que ela nos transmitem, acabando por realçar-se mais do que os livros anteriores e, o que acontece na parte mais obscura é que, apesar de ser uma parte importante, não tem tanta sonoridade como teve o segundo livro. Para mim não é o melhor dos três mas tem uma beleza própria que o faz sobressair.
Como sempre, não há como ficar indiferente ao lirismo carregado da escrita da autora. É uma escritora magnífica que não precisa de explicar o significado das suas palavras, pois elas estão lá, tao transparentes como se ela estivesse a fazer um jogo de crianças. Foi um prazer conhecer esta autora e espero regressar a ela em breve porque tornou-se um nome obrigatório na minha estante.
E agora sim, é bom pensar que Terramar não acaba aqui.

7*

segunda-feira, 12 de março de 2012

Opinião - Os Túmulos de Atuan

Título Original: The Tombs of Atuan (#2 Earthsea Cycle)
Autor: Ursula Le Guin
Editora: Livros do Brasil
Nº de Páginas: 184

Sinopse
 «O Ciclo de Terramar», tantas vezes comparada a clássicos como «O Senhor dos Anéis» de J.R.R. Tolkien, traz à fantasia e à ficção científica uma nova sensibilidade e um número de admiráveis, impressionantes e simpáticas personagens. É uma tetralogia magnífica; uma saga admirável que despoleta com «O Feiticeiro e a Sombra» – livro premiado com o 'Boston Globe Horn Book Award of Excellence' de 1969 – e continua com a publicação de «Os Túmulos de Atuan». O universo destas narrativas envolve-nos, desde o princípio, numa atmosfera mágica e deveras inquietante. Este segundo volume é uma obra onde impera o suspense, os encontros místicos, os horrores inomináveis, mas também o sentido de humor. É neste cenário que os destinos dos heróis, Tenar e Gued, irão entrecuzar-se. Tenar, a grande sacerdotisa, é uma criança que foi despojada da própria identidade e afastada da família para se dedicar às entidades do além: Aqueles-Que-Não-Têm-Nome, as forças misteriosas dos túmulos de Atuan. Gued, o jovem feiticeiro, é o bravo herói que arrisca a vida no labirinto proibido em busca do grande tesouro, o famoso Anel de Erreth-Akbe. Ao mesmo tempo, é também sua missão libertar Tenar daquele local tenebroso. Esta tetralogia é considerada uma das maiores criações da literatura fantástica, quer pela beleza formal quer pela sensibilidade e sabedoria emanadas pelas personagens. «O Ciclo de Terramar» é, sem dúvida, uma das obras mais marcantes do percurso literário de Ursula K. Le Guin.

Opinião 
 Ursula Le Guin é um dos nomes incontestáveis da ficção-científica e Earthsea é uma das maiores obras de sempre da literatura fantástica. Com milhares de cópias vendidas por todo o mundo, Earthsea tem feito parte do imaginário de miúdos e graúdos, demonstrando que os ingredientes mais básicos podem criar uma história inesquecível e que ultrapasse tudo o que se pode imaginar.
Neste segundo volume, Le Guin vai mais longe e traz-nos mais uma aventura do nosso mago que virará lenda, desta vez num dos locais mais recônditos e assombrosos de Terramar, em busca de um objecto de extremo poder, de respostas a enigmas e encontrará muito mais do que estava a espera…
Depois de ler o primeiro volume, rapidamente me decidi a ler o segundo pois o “bichinho” que O Feiticeiro de Terramar deixou não é fácil de combater e, verdade seja dita, a vontade também não era muito. Neste Os Túmulos de Atuan vemo-nos confrontados com um ambiente mais escuro, personagens mais obscuras e um poder antigo que aí ainda domina. Tenho a dizer que gostei mais deste cenário. Os rituais inerentes ao culto dos Sem-Nome, o crescimento e formação de Tenar enquanto sacerdotisa de um culto esquecido e temido, o descobrimento do Labirinto, todo o ambiente em redor dos Túmulos de Atuan está tão bem pensado, tão intensamente “negro” que é difícil não vivermos cada momento com a jovem que vai descobrindo os seus domínios. Através das páginas é fácil a percepção do quão antigo e poderoso aquele local é e o medo e o assombro que ele provoca salta sobre nós sem o conseguirmos evitar. Mais uma vez a escrita soberba de Le Guin transporta-nos para onde ela quer sem qualquer resistência da nossa parte.
A própria construção das personagens torna-as inerentes a este mundo que elas protegem. Existe uma escuridão e algo sobrenatural nas acções de cada uma, sendo possível sentirmos o domínio dos Sem-Nome sobre elas e percebermos que elas fazem tão parte daquele sítio esquecido que é difícil desligarem-se dele. Em cada uma está personificado algo de mau, cada uma delas mostra-nos as consequências de quem leva a crença ao exagero, à obsessão.
Quanto a Ged, cá está ele outra vez num combate contra um inimigo antigo, em busca de um objecto de valor concedido por uma desconhecida. Este livro está menos centrado nele mas quando Ged faz a sua aparição, a profundidade desta personagem é notada até porque aquela que nada teme. A forma como a relação deste com Tenar é descrita, a maneira como se desenvolve até ao momento final, tem uma beleza tão crua que não deixa ninguém indiferente. Senti-me arrebatada pelos momentos de diálogos entre os dois, pois é tal a sua profundidade que se tornou difícil esperar por cada reencontro.
Num livro que anda a um passo vagaroso, é no seu final que está o clímax. Le Guin construí um final digno daquilo que construiu e sabe encaminhar as suas personagens para momentos tanto de ternura como de solidão, e passar do poder para a fraqueza em poucos segundos. Temos o que mais primitivo há dos sentimentos descritos de uma das formas mais poéticas, digamos assim, que alguma vez li.
Depois deste livro é ainda mais difícil não ficar fã desta escritora. Definitivamente estou rendida e espero em breve ler o resto das suas obras e aconselho a quem ainda não leu a pegar nesta autora porque isto é mesmo das coisas mais formidáveis que já li. 

7*

segunda-feira, 5 de março de 2012

Opinião - O Feiticeiro de Terramar

Título Original: A Wizard of Earthsea (#1 Earthsea Cycle)
Autor: Ursula Le Guin
Editora: Livros do Brasil
Nº de Páginas: 208

Sinopse
Não tem nesta edição.

Opinião 
 Vencedor de três prémios de literatura, entre eles o Lewis Carrol Shelf Award em 1979, a Earthsea Cycle foi o marco de uma década e de uma viragem na science fiction ou mesmo na literatura em geral. Produto da New Wave da década de 60, esta trilogia, cujo este livro é o primeiro volume, colocou a sua autora, Ursula Le Guin, no pódio dos grandes nomes da science fiction. Resultado de uma época, esta é ainda hoje uma leitura obrigatória para qualquer leitor de qualquer género.
Eu cresci enquanto leitora com a colecção Estrela do Mar da Presença, da qual fazem parte os primeiros quatro livros de Terramar mas estou a lê-los dez anos depois dessa minha fase inicial. Porquê? Porque na altura eu não sabia quem era a Ursula Le Guin nem qual a sua importância, porque os livros não me chamaram a atenção, nem capa nem títulos, e ficaram perdidos na minha memória até ter lido algumas opiniões sobre eles no Fórum Bang! bem positivas e, como arranjei as edições da Argonauta a €1,5 cada, percebi que estava mesmo na altura de ler estes livros, até porque pelos vistos a Sra. é um génio.
E, definitivamente, ainda bem que o li agora com 20 anos em vez de o ler com 10 porque não teria conseguido abranger tudo aquilo que este livro é. Como a maior parte de vocês já deve saber porque devem ter lido o livro muito antes de mim, este é um livro que não tem quase diálogos, tem umas poucas personagens, não nos dá muitos detalhes sobre a aprendizagem de Ged que está sempre a fugir de uma sombra. Isto é o resumo desta obra e não nos diz em nada o que este livro realmente é. Brilhante, surrealista, profundo e único.
Numa demanda contra o mal que libertou, Ged vai ter de aprender sozinho tudo aquilo que se negou a aprender enquanto aluno e aprendiz. Da fase sonhadora da adolescência, da qual é tirado abruptamente por um erro, este feiticeiro terá de crescer e aperceber-se que o poder não é tudo e que fugir de nada resolve. E que ser o maior feiticeiro de sempre não depende apenas do quão talentoso se é.
Uma lição sobre a vida, o destino e as escolhas, O Feiticeiro de Terramar inunda-nos com o seu mundo fantástico em que os dragões ainda existem, em que o conhecimento de um nome ainda dava poder sobre uma pessoa, em que almas antigas se unem para criar algo novo. Um mundo complexo, um arquipélago cheio de magia e novas aprendizagens é o plano de fundo para a criação de uma lenda e o inicio de uma aventura fantástica.
Já não bastava os cenários de Earthsea e a sua complexidade para nos apaixonar, ainda temos a escrita soberba de Le Guin para acompanhar. Complexa e detalhada, não necessita de acção para ser adorada ou admirada. Bastam-nos as cenas de uma riqueza filosófica imensa, o cuidado com os detalhes e os subterfúgios por trás de cada expressão ou acto. Tem poucos diálogos mas aqueles que existem estão cheios de sabedoria antiga e de lições para toda a vida que conseguem captar a nossa atenção no momento e não mais serem esquecidas.
A personagem deste livro é Ged, cujas mudanças subtis vão ocorrendo à nossa frente, de forma a moldar um feiticeiro num rapaz cheio de planos. É impressionante como nem nos vamos dando conta da sua transformação até ao momento em que ele decide enfrentar a sombra. Parece que tudo faz parte de uma sequência de acções cuidadosamente planeadas e pensadas, como se ele estivesse a ser guiado para um futuro maior.
Este livro é, sem sombra da dúvida, um clássico que merece ser lido por todas as gerações e espero que as futuras consigam compreender a sua mensagem sublime. Recomendo.


7*