Autor: Sophie McKenzie
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 240
Sinopse
Quando River faz um casting para uma representação escolar de Romeu e Julieta, apaixona-se por Flynn, o rapaz que ficou com o papel de Romeu. River acredita no amor romântico e está ansiosa por experimentá-lo. Mas Flynn vem de uma família despedaçada - será ele capaz de dar a River o que ela quer? Os caminhos do verdadeiro amor sempre foram tortuosos…
Opinião
Londrina, Sophie McKenzie já foi jornalista e editora numa revista mas depois de fazer um curso de escrita criativa descobriu o amor pela escrita e decidiu começar a escrever romances. O seu primeiro romance, Girl, Missing conquistou a crítica e vários prémios dando a Sophie um início de carreira prometedor que já conta com vinte e três livros e duas novelas e que irá aumentar ao longo deste ano com a publicação de mais três.
O Primeiro Amor é o primeiro volume de uma nova trilogia iniciada o
ano passado e que ainda só fui traduzido para o nosso país. Com a peça Romeu e Julieta como pano de fundo, este
é um livro sobre primeiros amores, novas descobertas e sensações e que acaba
por se destinar não só ao público juvenil como também aos leitores mais
adultos. A sequela, Burning Bright,
já foi publicada este ano e aguarda-se que chegue ao nosso país.
Uma história de amor intemporal que durante séculos foi
revivida nos palcos por tantos Romeus e Julietas vai ser a causa da descoberta,
do primeiro olhar trocado, das primeiras palavras cruzadas. River tem dezasseis
anos e ansia pelo amor shakesperiano e pelo papel de Julieta mas ela não sabe
que os sonhos formam-se de outra matéria e que nunca são totalmente perfeitos.
Na idade das transições e asneiras, das ânsias e das dúvidas, ela finalmente
apaixona-se só que, este Romeu, esconde mais do que uma família inimiga. Flynn
é um Romeu perfeito no palco mas fora dele a sua intensidade arrasta River para
uma mistura de novos saberes e sabores e para os caminhos tortuosos do primeiro
amor.
Sophie tem uma escrita que para além de acessível e
enternecedora, nos diverte e emociona em igual medida, relembrando-nos o que é
ter dezasseis anos e sentir pela primeira vez emoções que fortes que não mais
nos abandonarão. Amizades inseparáveis, insatisfação connosco próprios, o medo
que a tal pessoa não goste de nós da mesma maneira e depois os terrores e
dúvidas que advém de uma primeira relação, de gostar de alguém diferente de
nós, a falta de controlo sobre as emoções, tudo isso é algo que já todos
sentimos e que a autora transmite aqui com tal clareza que poderão pensar que o
livro foi escrito para vocês. Apesar de ser um livro juvenil, este não é um
livro delicado, é um livro que explora não só o amor como o descobrimento da
sexualidade, a forma como a família nos influencia e como os amigos nos podem
alterar, de como os anseios da meninice se alteram quando se descobre o
verdadeiro significado de amor.
Ao explorar temas fortes com uma dose de doçura, a autora
consegue transmitir realismo e juventude ao seu livro o que acaba por levar o
leitor a aproximar-se mais das personagens, jovens adolescentes que cada um à
sua maneira, têm uma forma de estar e viver, com diferentes personalidades e
maneiras de olhar a vida. Sem serem personagens perfeitas e que muitas vezes
nos vão irritar, elas também nos vão enternecer e fazer recordar, vão
conquistar-nos aos poucos e poucos, vão nos fazer acreditar que o tempo é mesmo
relativo.
River é uma rapariga com complexos, uma rapariga que podia
ser qualquer uma de nós, uma menina que sonha com amores perfeitos e
intemporais e que ao longo do livro cresce e descobre, vê o seu melhor e o seu
pior, apaixona-se, teme e é feliz, tudo ao mesmo tempo. Acompanhada das melhores
amigas estereotipadas, a perfeita e a tímida, duas miúdas que vão ter caminhos
muito diferentes e no qual qualquer uma de nós também se podia encaixar, River
vai viver a transformação, aquele momento único em que se deixa de ser uma
criança para se ser algo mais. Já Flynn, o rapaz com problemas, rude e
responsável, é o exemplo de quando se ama algo completamente diferente de nós,
um rapaz com uma carapaça que não deixa de ter os mesmos anseios e medos de um
miúdo de dezassete anos.
Numa narrativa curta na qual acaba-se por sentir mais do que
se esperaria, este livro é como um livro de memórias disfarçado com candura e
que não deixa de ter a mesma intensidade e dureza do primeiro amor. Um livro
que recomendo aos românticos, mesmo graúdos. Um livro que mostra que Romeu e Julieta é um fraco exemplo da
complexidade, profundidade e força do verdadeiro e primeiro amor.
5*



