Mostrar mensagens com a etiqueta Civilização Editora. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Civilização Editora. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Opinião - O Primeiro Amor

Título Original: Falling Fast
Autor: Sophie McKenzie
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 240

Sinopse
Quando River faz um casting para uma representação escolar de Romeu e Julieta, apaixona-se por Flynn, o rapaz que ficou com o papel de Romeu. River acredita no amor romântico e está ansiosa por experimentá-lo. Mas Flynn vem de uma família despedaçada - será ele capaz de dar a River o que ela quer? Os caminhos do verdadeiro amor sempre foram tortuosos…

Opinião
Londrina, Sophie McKenzie já foi jornalista e editora numa revista mas depois de fazer um curso de escrita criativa descobriu o amor pela escrita e decidiu começar a escrever romances. O seu primeiro romance, Girl, Missing conquistou a crítica e vários prémios dando a Sophie um início de carreira prometedor que já conta com vinte e três livros e duas novelas e que irá aumentar ao longo deste ano com a publicação de mais três.
 O Primeiro Amor é o primeiro volume de uma nova trilogia iniciada o ano passado e que ainda só fui traduzido para o nosso país. Com a peça Romeu e Julieta como pano de fundo, este é um livro sobre primeiros amores, novas descobertas e sensações e que acaba por se destinar não só ao público juvenil como também aos leitores mais adultos. A sequela, Burning Bright, já foi publicada este ano e aguarda-se que chegue ao nosso país.

Uma história de amor intemporal que durante séculos foi revivida nos palcos por tantos Romeus e Julietas vai ser a causa da descoberta, do primeiro olhar trocado, das primeiras palavras cruzadas. River tem dezasseis anos e ansia pelo amor shakesperiano e pelo papel de Julieta mas ela não sabe que os sonhos formam-se de outra matéria e que nunca são totalmente perfeitos. Na idade das transições e asneiras, das ânsias e das dúvidas, ela finalmente apaixona-se só que, este Romeu, esconde mais do que uma família inimiga. Flynn é um Romeu perfeito no palco mas fora dele a sua intensidade arrasta River para uma mistura de novos saberes e sabores e para os caminhos tortuosos do primeiro amor.

Sophie tem uma escrita que para além de acessível e enternecedora, nos diverte e emociona em igual medida, relembrando-nos o que é ter dezasseis anos e sentir pela primeira vez emoções que fortes que não mais nos abandonarão. Amizades inseparáveis, insatisfação connosco próprios, o medo que a tal pessoa não goste de nós da mesma maneira e depois os terrores e dúvidas que advém de uma primeira relação, de gostar de alguém diferente de nós, a falta de controlo sobre as emoções, tudo isso é algo que já todos sentimos e que a autora transmite aqui com tal clareza que poderão pensar que o livro foi escrito para vocês. Apesar de ser um livro juvenil, este não é um livro delicado, é um livro que explora não só o amor como o descobrimento da sexualidade, a forma como a família nos influencia e como os amigos nos podem alterar, de como os anseios da meninice se alteram quando se descobre o verdadeiro significado de amor.

Ao explorar temas fortes com uma dose de doçura, a autora consegue transmitir realismo e juventude ao seu livro o que acaba por levar o leitor a aproximar-se mais das personagens, jovens adolescentes que cada um à sua maneira, têm uma forma de estar e viver, com diferentes personalidades e maneiras de olhar a vida. Sem serem personagens perfeitas e que muitas vezes nos vão irritar, elas também nos vão enternecer e fazer recordar, vão conquistar-nos aos poucos e poucos, vão nos fazer acreditar que o tempo é mesmo relativo.

River é uma rapariga com complexos, uma rapariga que podia ser qualquer uma de nós, uma menina que sonha com amores perfeitos e intemporais e que ao longo do livro cresce e descobre, vê o seu melhor e o seu pior, apaixona-se, teme e é feliz, tudo ao mesmo tempo. Acompanhada das melhores amigas estereotipadas, a perfeita e a tímida, duas miúdas que vão ter caminhos muito diferentes e no qual qualquer uma de nós também se podia encaixar, River vai viver a transformação, aquele momento único em que se deixa de ser uma criança para se ser algo mais. Já Flynn, o rapaz com problemas, rude e responsável, é o exemplo de quando se ama algo completamente diferente de nós, um rapaz com uma carapaça que não deixa de ter os mesmos anseios e medos de um miúdo de dezassete anos.

Numa narrativa curta na qual acaba-se por sentir mais do que se esperaria, este livro é como um livro de memórias disfarçado com candura e que não deixa de ter a mesma intensidade e dureza do primeiro amor. Um livro que recomendo aos românticos, mesmo graúdos. Um livro que mostra que Romeu e Julieta é um fraco exemplo da complexidade, profundidade e força do verdadeiro e primeiro amor.

5*

domingo, 11 de novembro de 2012

Opinião - A Outra Rainha

Título Original: The Other Queen (#6 Tudors)
Autor: Philippa Gregory
Editora: Civilização Editora

Número de Páginas: 475

Sinopse
 Um romance dramático de paixão, política e traição, da autora de Duas Irmãs, Um Rei. Com a sua característica combinação de magnífica narrativa com um contexto histórico autêntico, Philippa Gregory dá vida a esta época de grandes mudanças, numa fascinante história de traição, lealdade, política e paixão.

Maria Stuart, Rainha dos Escoceses, está em prisão domiciliária em casa de Bess de Hardwick, recém-casada com o Conde de Shrewsbury, mas continua a lutar para recuperar o seu reino.
Maria é Rainha da Escócia mas foi forçada a abandonar o seu país e a refugiar-se na Inglaterra, governada pela sua prima Isabel. Nesta época, a Inglaterra é um país com um protestantismo mal alicerçado, pressionado pelo poder da Espanha, da França e de Roma, e a presença de uma carismática governante católica pode ser perigosa. Cecil, o conselheiro-mor da Rainha Isabel, concebe então um plano para que Maria viva enclausurada com a sua cúmplice, Bess de Hardwick. Bess é uma mulher empreendedora, uma sobrevivente perspicaz, recém-casada com o Conde de Shrewsbury (o seu quarto marido). Mas que casamento resiste aos encantos de Maria? Ou à ameaça de rebelião que a acompanha a todo o momento? No seu cativeiro privilegiado, Maria tem de aguardar pelo regresso à Escócia e pelo reencontro com o seu filho. Mas esperar não significa nada fazer!


Opinião
 Philippa Gregory é um dos nomes de respeito quando se fala em ficção histórica, visto que os seus livros têm conquistado fãs por todo o mundo e fazem parte da lista de bestsellers do New York Times. Historiadora e escritora, a sua paixão pelo período Tudor resultou em Duas Irmãs e um Rei, um livro que alcançou um sucesso tal que levou Hollywood a comprar os seus direitos e a realizar um filme com o mesmo nome com Eric Bana, Natalie Portman e Scarlett Johnson como protagonistas. A partir daí, Gregory escreveu outros livros sobre a dinastia dos Tudors, seis no total, e tem tido um enorme sucesso com a sua série da Guerra das Rosas que já vai no terceiro livro.

A Outra Rainha faz parte da série dos Tudors mas ao contrário dos restantes não incide sobre uma Tudor mas antes sobre uma Stuart, sobrinha-neta de Henrique VIII, rainha da Escócia, da França e, para alguns, da Inglaterra. Maria foi a grande rival de Isabel na luta pelo trono inglês, entre católicos e protestantes, entre independência e tradição. Enquanto Isabel estava sozinha no mundo, Maria era a predilecta de espanhóis, franceses e do Papa e foi criada para ser a rainha mais poderosa alguma vez vista, a grande senhora da Europa católica mas nada correu como a Rainha dos Escoceses planeou e um destino que estava escrito nas estrelas foi estilhaçado pela força de uma ruiva que ficou conhecida com a maior monarca do seu tempo.
Este era o livro que eu mais queria ler de Gregory pois a história trágica que rodeia Maria Stuart, a maior rival de uma das minhas personagens históricas preferidas, foi na História, símbolo de mudança, de um novo mundo e da queda das maiores casas reais europeias, sendo ela a personificação do poder régio antigo e da derrota do mundo perante a Rainha Virgem e, por isso, devia ser um livro com uma carga emocional e de tensão muito grande, pois estamos a falar de uma época de grandes conflitos e desentendimentos, o que realmente, o livro apresenta, apesar de ser uma leitura com muitos momentos mortos e que por várias vezes, não consegue segurar a atenção do leitor.
Aquilo que me custou mais neste livro foi o facto de ter três narradores que, supostamente, deviam representar cada um uma facção diferente mas que a determinada altura parecem ser bastante controversos, pois ora dizem uma coisa mas fazem outra diferente, ora se amam, ora se odeiam, confundido um pouco o leitor. Apesar de gostar da personagem de Bess, gostava que o livro tivesse sido contado só da perspectiva de Maria pois a leitura não teria sido tão confusa e o livro seria mesmo e apenas sobre esta trágica personagem. Mesmo com três narradores, há muitos momentos da acção que passam em aberto e que nem um ou outro explicam, passando ao lado do leitor ou a acção repete-se pelos três narradores, tornando-se repetitiva. Acho, por isso, que devia ter havido uma maior organização da narração que teria facilitado a leitura do livro.
Quanto às personagens, como já vem sendo hábito, a autora não está aqui para romancear ou aperfeiçoar as personalidades históricas, mantendo-as fiéis a forma como passaram para a História. Tal como acontece em A Rainha Vermelha, esta não é uma protagonista para se gostar facilmente pois apesar de a História a ter passado como uma princesa de conto de fadas, Maria era arrogante, vaidosa, falsa e totalmente dependente da atracção que exercia pelos homens, o que autora demonstra na perfeição. A personagem que nos salta mais a vista é Bess, uma mulher já virada para a nova visão do mundo, humanista e banqueira, e que vai ser o elo e um símbolo da corte isabelina, sendo ela própria um retrato das qualidades e defeitos desta corte.
Apesar dos três narradores serem as personagens mais presentes, a história faz-se muito da presença inconsciente de algumas personagens que conseguem assim monopolizar as atenções das personagens principais e da acção à sua volta. Não sendo fã da retratação da rainha Isabel feita por Gregory, algumas das cenas mais bem conseguidas são com ela, sendo que uma delas demonstra bem o pes de ser uma mulher no trono com uma religião diferente quando todo o mundo está contra ela.
Como sempre, a escritora mantém-se fiel ao retrato da época e demonstra um extremo cuidado com os pormenores históricos, apesar do seu palpável favoritismo pessoal por certas personagens em relação a outras o que pode dificultar a leitura do leitor. Confesso que me sinto algo desiludida com este livro e esperava muito mais desta autora. Penso que a história desta rainha podia ter sido escrita e vista de outra maneira e que mesmo com o cuidado histórico que esta autora tem, ela tende muito a escrever por uma perspectiva pessoal que pode entrar em conflito com a do leitor como aconteceu comigo com o retrato algo degradante da rainha Isabel que a autora faz tanto neste como noutro livro.
Para quem gosta de romances históricos aconselho muito mais a série da Guerra das Rosas que é, para mim, a melhor de Philippa até agora. Para quem gosta da história da Inglaterra e tem curiosidade sobre esta personagem, penso que se quiser ler o livro deve fazê-lo mas sem expectativas muito altas.


2*Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads

domingo, 28 de outubro de 2012

Opinião - O Tempo dos Milagres

Título Original: The Age of Miracles
Autor: Karen Thompson Walker
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 256

Sinopse
 Nunca é aquilo que receamos que acaba por acontecer. As verdadeiras catástrofes são sempre diferentes – inimagináveis, inesperadas, desconhecidas… E se o nosso dia de 24 horas se tornasse mais longo, primeiro em minutos, depois em horas, até o dia se tornar noite e a noite se tornar dia? Que efeito teria este abrandamento no mundo? Nas aves do céu, nas baleias do mar, nos astronautas do espaço e numa rapariga de onze anos, a braços com as mudanças emocionais da sua própria vida? Uma manhã, Julia e os pais acordam na sua casa nos subúrbios da Califórnia e descobrem, juntamente com o resto do mundo, que o movimento de rotação da Terra está a abrandar visivelmente. A enormidade deste facto está quase para além da compreensão. E, no entanto, ainda que o mundo esteja, na realidade, a aproximar-se do fim, como afirmam alguns, a vida do dia a dia tem de continuar. Julia, que enfrenta a solidão e o desespero de uma adolescência difícil, testemunha o impacto deste fenómeno no mundo, na comunidade, em si própria e na sua família.

Opinião 
 Nascida e criada em San Diego, Califórnia, Karen Thompson Walker estudou Inglês e Escrita Criativa na UCLA e foi nesta instituição que começou a dedicar-se ao jornalismo, actividade que continuou mais tarde até se mudar para Nova Iorque, onde trabalhou como editora, tendo sido o rebuliço dos transportes desta cidade que a permitiu escrever este livro a caminho do trabalho mas que não a impediu de o situar na sua paisagem natal do outro lado do país.

O Tempo dos Milagres é um livro de tamanho pequeno mas que contém em si mensagens de grande importância, relatadas numa escrita simples e fluída que promove uma leitura rápida de grande entendimento. Emprestado e recomendado por uma amiga, este livro é dos primeiros que leio sobre a temática do fim do mundo que tanto tem assolado as livrarias, mas rapidamente deu para perceber que, no seu todo, este livro está muito longe de todos os outros. Não apenas o fim do mundo faz parte dos temas do livro como o fim da infância, a importância da família, o peso da religião ou o comportamento das crianças em sociedade, o que torna esta leitura, apesar de tão curta, uma leitura que dá que pensar, que nos põe a colocar questões que nunca antes tínhamos pensado.
O movimento giratório da Terra à volta do Sol está a abrandar, colocando em causa todas as formas de vida e verdades indiscutíveis da vivência do ser humano. Os dias aumentam, o tempo altera-se e as pessoas têm de se adaptar a uma outra forma de vida mas, mesmo com o mundo a acabar, os sentimentos e vivências inerentes ao ser humano não desaparecem e mesmo num dia diferente e num mundo diferente, o amor continua a acontecer, a amizade pode perder-se e as certezas podem cair. Ao olharmos para a realidade que a autora nos apresenta, não é difícil imaginar que isto pudesse realmente acontecer e, é talvez, mais real que o mundo acabe em segundos do que com catástrofes de tamanhos inimagináveis mas, não deixa de ser assustador, que esta visão de fim do mundo acarrete a continuação de um dia-a-dia que, com alterações psicológicas, uma revolta interior e uma esperança que se pode manter mesmo com os cenários mais devastadores, vai marcar o ser humano de formas inesperadas enquanto a sua vida continua.
Mais do que um relato de alterações naturais, este livro vai pôr em causa tudo o que faz parte da nossa vida pois, mesmo que as marés se alterem, os dias durem horas intermináveis sem que possamos voltar a sentir o sol a aquecer-nos a pele, que as noites sejam cada vez mais escuras, que tudo o que é verde morra, a verdade é que as maiores e mais importantes transformações dão-se dentro de nós. Olho para este livro como uma dicotomia entre vida e morte, luz e escuro, entre físico e psicológico, onde o mundo vai esmorecendo enquanto uma menina floresce num espaço árido sem raízes que a agarrem. A escolha de temas da autora mostra uma clara inteligência e compreensão, ao apresentar-nos duas realidades e ao contar com uma narradora que se encontra entre a infância e a adolescência, que vê o seu mundo exterior mudar enquanto o seu interior se revolta para uma nova realidade.
Para além das mudanças climatéricas e da adaptação dos homens a uma nova realidade social, assistimos ainda ao crescimento de Julia e a forma como a sua família reage a este acontecimento catastrófico. Sendo uma menina de onze anos, está prestes a enfrentar a difícil passagem da infância para a adolescência, o primeiro amor, a perda das amizades e a constatar que nem tudo o que parece é nem os finais são sempre felizes. É pelas suas palavras que encarámos as suas dúvidas, o seu crescimento, as suas alegrias e tristezas, a forma como vê as diferenças que estão a assolá-la e ao mundo. Julia tem de enfrentar a quebra da sua família, a falsidade dos jovens da sua idade, a pureza de um carinho que nasce dos pequenos gestos e ao acompanhá-la nesta fase da sua vida compreendemos que a vida nunca para, por pior que estejamos, por mais que tudo a nossa volta esteja a ruir.
Como primeiro livro da autora, O Tempo dos Milagres é uma leitura envolvente, mesmo com as falhas de um primeiro manuscrito, onde o final é previsível e pouco satisfatório, onde esperávamos muito mais e tudo acaba por passar demasiado depressa em conclusões pouco concretas. Depois de duzentas páginas intensas, seria de desejar um final muito melhor mas, que ao não acontecer, mata um pouco do sentimento que nos assola durante a leitura.
Numa dualidade única escrita com uma sensibilidade e aceitação que faz com o leitor sorria com esta criança e estremeça com os factos, este livro é uma aposta para quem aprecia o tipo de distopias simples, narrativas intensas em poucas palavras e leituras que marquem o pensamento para mais tarde recordar.
Um livro que me deu umas boas horas de leitura e muitos apreciarão na sua beleza crua e inocente.

5*

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Opinião - O Regresso

Título Original: The Return
Autor: Victoria Hislop
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 460

Sinopse
 Cativante e profundamente comovente, o segundo romance de Victoria Hislop é tão inspirador como o seu romance de estreia e bestseller internacional, A Ilha.

Nas ruas calcetadas de Granada, sob as majestosas torres do Alhambra, ecoam música e segredos. Sónia Cameron não sabe nada sobre o passado chocante da cidade; ela está lá para dançar. Mas num café sossegado, uma conversa casual e uma colecção intrigante de fotografias antigas despertam a sua atenção para a história extraordinária da devastadora Guerra Civil Espanhola.
Setenta anos antes, o café era a casa da unida família Ramirez. Em 1936, um golpe militar liderado por Franco destrói a frágil paz do país, e no coração de Granada a família testemunha as maiores atrocidades do conflito. Divididos pela política e pela tragédia, todos têm de tomar uma posição, travando uma batalha pessoal enquanto a Espanha se autodestrói.

Opinião 
 Traduzida para mais de vinte línguas, Victoria Hislop já conquistou um lugar no coração dos seus leitores, amantes de romances históricos. Vencedora de prémios como o Newcomer of the Year at the Galaxy British Book Awards 2007 e o Richard & Judy Summer Read competition, Victoria já escreveu três livros de sucesso, sendo um deles este O Regresso, número um nos bestsellers do Sunday Times. Antes de ser escritora, a autora trabalhou na publicação e como relações públicas e jornalista.

Uma das autoras preferidas dos leitores portugueses, Hislop é uma das grandes apostas da Civilização e com apenas três romances tem granjeado elogios até mais não. Como curiosa e leitora que sou e, confesso, uma grande apreciadora das capas dos livros da senhora, tive de trazer este da biblioteca para perceber se tudo o que se dizia sobre os seus livros era verdade ou não. Entre o passado e o presente, este livro remete-nos para os factos não muito longínquos de uma época aterrorizadora da qual se tem vindo, pouco a pouco, a descobrir mais coisas, entrelaçando-a com uma história do presente sobre descobertas pessoais, transformações e decisões importantes.
Com um início calmo onde pouco antecipa o desenrolar que a história terá, este livro marca pelo desenvolvimento que a autora lhe dá no passado. Sónia, é a meu ver, um veículo para chegar ao verdadeiro cerne do livro, sendo ela a catalisadora das descobertas e do desenterrar de um passado que ainda marca as gerações que o viveram. Não consigo vê-la como a protagonista do livro, apesar de todas as suas questões pessoais, parece-me que toda a energia e paixão da autora foram para as outras personagens, e gostava que ela tivesse sido mais desenvolvida. Se o objectivo da escritora foi dar-nos uma ouvinte perfeita, que cresce e aprende com tudo o que ouve, Sónia foi perfeita para ouvir uma história com a qual tem mais ligação do que pensa.
Entre pequenas pistas que podem deixar adivinhar o que se segue, a autora consegue mesmo assim surpreender o leitor e puxá-lo para uma época de dores, paixões, obsessões, onde estar no Inferno se torna um eufemismo. Victoria tem uma escrita directa, límpida e apaixonada, que permite viver cada emoção como se tivéssemos passado por tudo o que nos descreve. Se a primeira história torna-nos receptivos para o que aí vem e nos faz simpatizar com Sónia, é o relato sobre a Guerra Civil Espanhola que nos prende e nos leva mais longe. A forma como as personagens são construídas faz-nos entendê-las, sofrer com elas e encontrar um pouco de nós em cada uma delas. Tal como na sua escrita, as suas personagens são transparentes, apaixonadas, lutadoras e idealistas, são ídolos ou heróis que podemos encontrar no mais simples ser humano.
O relato que conta a história de uma família dividida abafa por completo a de Sónia pois cada palavra, acontecimento ou expressão servem para nos fazer pensar, levar-nos a revolta, a fúria ou as lágrimas. Cada momento arrepia-nos, comove-nos, convence-nos ao espírito de rebelião ou faz com que a nossa mente queira esquecer. Cada dor, cada atrocidade serve para nos recordar que há coisas que não se podem repetir, que o Homem pode ser capaz de tudo por ideais, pelo poder, para ter razão. Este livro mudou algo em mim e recordou-me uma das razões porque foi que escolhi o rumo que estou a seguir, as gerações futuras não podem esquecer que males se fizeram, que o que temos hoje, temos a conta de sangue, lágrimas e muita força de espírito.
O Regresso é um relato brilhante que nos faz esquecer a ouvinte que ouve a história que mudará a sua vida, onde tudo o que importa são aqueles que nunca perderam a esperança, que lutaram e levantaram a cabeça e a usaram para sobreviver. Um livro que aconselho a todos pois este não é um romance mas uma lição de vida e uma recordação.

6*