Título Original: The Vampire Lestat (#2.2 Crónicas Vampíricas)
Autor: Anne Rice
Editora: Publicações Europa-América
Número de Páginas: 264
Sinopse
Na sequela de Entrevista com o Vampiro, Lestat é um excêntrico e
sedutor vampiro que, ao longo de várias eras, procura as suas origens e
quer desvendar o segredo da sua obscura imortalidade. Essa vertiginosa
viagem leva-o da Inglaterra dos druidas aos lupanares de Paris do século
XVIII e à Nova Orleães finissecular.
Avesso ao código de honra dos vampiros, que lhes impõe o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na esperança de que os imortais se unam para descobrirem o mistério da sua existência. E é então que Lestat, o caçador, se transforma numa presa.
Avesso ao código de honra dos vampiros, que lhes impõe o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na esperança de que os imortais se unam para descobrirem o mistério da sua existência. E é então que Lestat, o caçador, se transforma numa presa.
Opinião
Nasceu Howard Allen O’Brien mas é como Anne que gosta de ser
conhecida apesar de muitos de nós lhe chamarmos “a mãe dos vampiros”. Criada em
escolas católicas em Nova Orleães, mudada para o Texas, habituada a São
Francisco, Anne regressaria à cidade onde nasceu não só fisicamente como a
tornaria o palco da sua mais famosa obra. Autora de A Entrevista com o Vampiro, o volume que iniciaria as suas Crónicas Vampíricas, escreveria sobre
bruxas, anjos, lobisomens, Belas Adormecidas e Cristo mas nenhuma destas
histórias suplantaria às de vampiros.
Imortalizado por Tom Cruise e Stuart Townsend no cinema e
por Hugh Panaro na Broadway, Lestat Lioncourt é a personagem mais famosa de
Anne e o protagonista de As Crónicas
Vampíricas. Depois de o dar a conhecer em A Entrevista com o Vampiro, a autora escreveria O Vampiro Lestat, o livro que contaria a
história da criação deste vampiro. Publicado em 1985, este segundo volume foi
traduzido para 35 países e teve direito a um musical em 2005.
Um ano depois de ter lido o primeiro volume de O Vampiro Lestat regressei ao relato da
vida de Lestat, um vampiro sedutor, ostensivo e ingénuo que nos arrebata e nos
enreda pelos caminhos mais obscuros e solitários de uma existência imortal
cujos momentos felizes são efémeros e as dúvidas quanto ao seu papel nesta vida
sempre muitas e, tal como havia acontecido anteriormente, fiquei fascinada,
extasiada com a beleza e crueza das palavras de Anne Rice. Através dos confins
do passado vampírico, por viagens solitárias de auto-descoberta, a autora
consegue novamente exprimir a excentricidade, obscuridade e fragilidade que
marcam os seus vampiros num relato mais introspectivo e filosófico que aquele
que encontrámos na primeira parte.
Este relato é marcado por momentos decisivos, encontros que mudarão
a vida de Lestat e que terão repercussões no futuro, personagens que deixarão
uma marca no passado e que assombraram o seu presente até ao regresso
inesperado no futuro. Na vida, cada experiência, cada lição, cada pessoa amada,
marca-nos de formas irrefutáveis e isto é o que vemos acontecer a Lestat. Enquanto
a sua ousadia cresce, enquanto o tempo passa por ele nos lugares mais variados
e exóticos, as suas dúvidas crescem, a sua necessidade de conhecimento torna-se
voraz, o seu descaramento aumenta com a sua solidão. Completamente sozinho,
perdido dos que amou, ele procura as razões desta sua vida imortal, procura
desesperadamente por um mito que será o único que lhe poderá dar as respostas
que ele precisa. Apesar de ser mais fraca em acção, esta segunda parte ganha
pelo aumento das sensações que provoca, pela intensidade das personagens e da
história, por nos levar a uma viagem sem regresso, onde nos confins da História
descobrimos o início desta raça e a forma como ela evoluiu até aos
acontecimentos presentes.
Marcado mais uma vez pela separação ou perigosa aproximação
entre o pagão e o cristão, pelo sentimental e pelo racional, não é de espantar
a época escolhida para a transformação de Lestat, visto que o próprio mundo
está a mudar tão rapidamente quanto o instinto assassino do vampiro. Em viagens
ricas, pelos lugares mais famosos ou exóticos, o vampiro vai-se descobrindo e
vai-se deixando levar pelas questões que o assombram sempre. Estando mais
poderoso, cada vez mais audaz e perigoso, a verdade é que também a fragilidade,
a inocência de Lestat se torna cada vez mais visível e é ela que o vai levar
mais longe do que a qualquer outro vampiro. A sua solidão, a sua vontade de
amor, é outra coisa que este livro mais exprime, principalmente os seus
sentimentos não só por personagens mais recentemente conhecidas como por aquelas
que já conhecemos: Louis, Claudia e Armand.
Tantas vezes demente, tantas vezes triste, esta história é
extremista em sensações e dá-nos uma nova luz sobre o que ainda aí virá. Personagens
importantes aparecem aqui pela primeira vez e a expectativa para os
acontecimentos futuros cresce de uma forma quase obsessiva. Quanto aos
acontecimentos de A Entrevista com o
Vampiro, somos confrontados com o lado de Lestat, com o seus sentimentos e
o seu passo, o que acaba por nos elucidar sobre as verdades das acções deste. Depois
temos a viagem pelo passado de um outro vampiro que nos irá apresentar o lado
mais animalesco, mais perigoso e sedento dos vampiros, que nos levará às
respostas procuradas e a ainda mais perguntas.
De uma forma magnífica, obscura e de uma lassidão
envolvente, Anne desbrava-nos os caminhos do passado, aguça-nos a curiosidade
para o futuro e faz-nos amar ainda mais Lestat. Uma obra de culto, um
verdadeiro conto gótico, O Vampiro Lestat
termina aqui de forma soberba e abre-nos um apetite voraz por A Rainha dos Malditos.
7*
As minhas opiniões da série

