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domingo, 22 de dezembro de 2013

Dystopia Reading Challenge 2013 *Terminado*



Este desafio foi proposto pela Ula do Blog of Erised e consistia em ler um certo número de distopias para atingirmos determinados níveis.
Eu tinha-me proposto a ler 7 a 12 livros para atingir o Nível Rebel mas consegui ler 21 livros, tendo atingido o nível máximo, Leader.




União, Ally Condie
Incarceron, Catherine Fisher
Across the Universe, Beth Revis
Cinder, Marissa Meyer
A Million Suns, Beth Revis
Eterna Saudade, Lia Habel
Delírio, Lauren DeStefano
A Laranja Mecânica, Anthony Burgess
Estrada Vermelha, Estrada de Sangue, Moira Young
Destinos Interrompidos, Lissa Price
Crossed, Ally Condie
Insurgente, Veronica Roth
 Reached, Ally Condie
Shades of Earth, Beth Revis
Imperfeitos, Scott Westerfeld
For Darkness Shows The Stars, Diana Peterfreund
Scarlet, Marissa Meyer
Across a Star-Swept Sea, Diana Peterfreund
Sob o Céu que Não Existe, Veronica Rossi
A Estação dos Ossos, Samantha Shannon
O Homem do Castelo Alto, Philip K. Dick


Destes 21 livros, li sete em inglês, comecei onze séries, terminei duas e penso continuar nove. Li ainda dois clássicos deste género (distopia adulta).
Já me inscrevi no desafio para 2014 como podem ver aqui

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Opinião - O Homem do Castelo Alto

Título Original: The Man in the High Castle
Autor: Philip K. Dick
Número de Páginas: 363

 
Sinopse
1962. Estados Unidos. Quinze anos depois das Potências do Eixo terem derrotado os Aliados na Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos ficaram sob o controlo a Alemanha nazi e do Império do Japão. A obra de ficção científica mostra uns EUA incapazes de superar a Grande Depressão em 1929 depois do assassinato do presidente Franklin D. Roosevelt e uma URSS que rui em 1941. O Homem do Castelo Alto valeu um Prémio Hugo a Philip K. Dick, reconhecido em meios de ficção científica.



Opinião


  Philip nasceu em Chicago em 1928 e mudou-se para a Califórnia com a mãe após o divórcio dos pais quando tinha quatro anos de idade e aí viveu até a sua morte em 1982. O autor ainda frequentou Filosofia e Alemão na universidade mas desistiu para trabalhar como DJ numa emissora de rádio enquanto mantinha uma loja discográfica. Foi nesta época que começou a escrever e que publicou o seu primeiro conto de ficção científica numa revista, Planet Stories. Paranóico, o autor acreditava mesmo que havia sido contactado por “forças exteriores” durante a década de 70 e foi durante muitos anos vigiado pelo FBI pelas suas ligações ao Partido Comunista.

  Publicou o primeiro livro em 1955 mas apesar de em vinte seis anos ter publicado quase quarenta obras foi um autor pouco reconhecido em vida e acabou por ser o cinema que o haveria de levar junto ao grande público graças às oito adaptações de sucesso que foram feitas dos seus livros. O Homem do Castelo Alto, publicado em 1962, foi o livro que lhe deu o reconhecimento e o único livro que lhe valeu um Hugo. Está traduzido em quase trinta línguas.

  Este livro acabou por não ser nada do que esperava e, se por um lado foi melhor, por outro também foi um pouco desapontante. De uma premissa que coloca em questão todo o futuro do mundo actual, Dick cria uma obra que tanto tem de irónica como de fatalista e que infelizmente se torna demasiado filosófica e pouco deve a acção. Não quer isto dizer que O Homem do Castelo Alto não é genial, é o de facto mas a escrita do autor, pouco usual quase estranha e à qual não nos acostumámos pode ser um entrave à leitura deste livro, que já de si acaba mais por nos fazer pensar do que propriamente entreter-nos pois a verdadeira essência desta história não está no enredo mas nas ideias que este transmite.

  Quase se pode dizer que esta é uma história quase parada pois a acção propriamente dita não existe, existe sim, uma sequência de ideias e actos levados a cabo por intervenção de um oráculo ou melhor, pela leitura das personagens desse oráculo, que levam ao grande final deste livro e que nos demonstra que nunca esteve em causa a vitória dos japoneses e dos alemães porque apesar de apresentar as características politicas, religiosas e sociais de um mundo nipónico/nazi, este livro toca em temas mais profundos e em questões mais existenciais do que “E se tivessem ganho eles a guerra?”. No fundo, este livro não questiona o que teria acontecido se o Eixo tivesse ganho a guerra, questiona sim, se aquilo que pensámos ser a realidade realmente existe ou tudo não passa de uma grande ilusão que fomentámos.

  Exemplo disso são as personagens que, ao contrário de serem presenças que marcam e mudam ou acção e em torna dos quais esta devia girar, são mais instrumentos do destino ou da ideia do autor pois maioritariamente servem para utilizarem o I Ching e demostrarem que através das suas várias perspectivas, meios sociais e nacionalidades, mais que não são do que meios através dos quais o autor demonstra que seja qual for o caminho, o fim será sempre o mesmo, seja qual for a questão ou a forma como esta é feita, a resposta será sempre a mesma. O uso excessivo do I Ching, um oráculo chinês de que a cultura nipónica se apodera e que todos utilizam neste livro, serve para entrar no caminho esotérico da questão e, também, a meu ver talvez para demonstrar que vença quem vencer a guerra, os perdedores continuam vivos pela apreciação da sua cultura e consequentes objectos.

  Exemplo disso é a forma como os marcos da cultura americana são procurados no mercado, o que nos traz um sorriso irónico porque nem japoneses nem alemães eram/são apreciadores da cultura americana e acabam por decorar as suas casas não com objectos da sua cultura superior mas sim com a da cultura derrotada e destruída. Não será esta é uma forma de vitória e um prenúncio da queda? Porque afinal o Eixo, pela visão deste livro, não consegue vinte anos depois manter-se firme e esteve sempre assombrado pelos crimes que cometeu, para além de que sempre foram aliados imprevisíveis com culturas e políticas muito diferentes, daí que a queda de um possa vir pelo intermédio do outro.

  Mas o mais engraçado disto tudo acaba por ser que apesar de ser uma leitura estranha e pesada e por vezes parada, este livro lê-se de uma assentada, mal dei por virar as páginas e muito menos pelo fim chegar.

  Um livro com uma mensagem inesperada e que fugiu por completo ao que esperava dele, O Homem do Castelo Alto acabou por se revelar uma história genial e profunda mas que para mim toca demasiado na filosofia e no esoterismo. 


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Opinião - A Estação dos Ossos

Título Original: The Bone Season (#1 A Estação dos Ossos)
Autor: Samantha Shannon
Editora: Casa das Letras
Número de Páginas: 496


Sinopse
 2059. Paige Mahoney tem dezanove anos e trabalha no submundo do crime da Londres de Scion, na zona dos Sete Quadrantes, para Jaxon Hall. O seu trabalho consiste em procurar informações invadindo a mente de outras pessoas. Paige é uma caminhante de sonhos, uma clarividente - e, no seu mundo, no mundo de Scion, comete traição pelo simples facto de respirar. Está a chover no dia em que a sua vida muda para sempre. Atacada, drogada e raptada, Paige é levada para Oxford - uma cidade mantida em segredo há duzentos anos e controlada por uma raça poderosa, vinda de outro mundo, os Refaim. Paige é atribuída ao Guardião, um Refaíta com motivações misteriosas. Ele é o seu mestre. O seu professor. O seu inimigo natural. Mas, para Paige recuperar a sua liberdade, tem de se deixar reabilitar naquela prisão onde tem por destino morrer.

Opinião


  Samantha Shannon nasceu em Hammersmith, no oeste de Londres, há 22 anos e faz parte de uma família numerosa constituída por mais quatro irmãos e quatro pais. É fã de música antiga e gramofones, filmes mudos, bom café e livros a sério. Terminou este ano o curso de Língua e Literatura Inglesa no St. Anne’s College em  Oxford com especialização em Princípios de Crítica de Cinema e no poeta americano Emily Dickinson e, também publicou o seu primeiro livro, A Estação dos Ossos.

  O primeiro de uma série de sete, o primeiro livro de Samantha foi o grande hype do ano tendo a autora sido mesmo comparada a J.K. Rowling. Os direitos para o filme até já foram adquiridos pela Twentieth Century Fox em Outubro deste ano e o livro já se encontra traduzido para dez línguas.

  Este pode ser considerado o livro deste ano, um livro que fomentou grandes expectativas de uma autora que foi comparada à uma grande senhora que adoro, A Estação dos Ossos é aquele livro que todos irão querer ler nem que seja para confirmar todas as coisas boas que foram ditas sobre ele. Como tantos outros leitores, também o meu interesse neste livro tem crescido ao longo do ano e quando chegou há terras lusas, pura e simplesmente, eu tinha de tê-lo, tinha de lê-lo, tinha de perceber se tudo o que dizem é verdade, se este é realmente o primeiro livro de uma série que irá arrebatar tudo e todos.

  Samantha Shannon criou um mundo original, um mundo promissor e complexo cheio de pormenores e novos conceitos, um mundo que tem tudo para arrebatar os leitores. Com uma escrita detalhada, por vezes crua e dura, esta jovem autora afirmou-se mas será que correspondeu às expectativas? Infelizmente não. Não vos posso dizer que não gostei deste livro, gostei e irei ler o próximo mas não o adorei nem esta se tornou uma série obrigatória na minha estante porque, por mais que ela seja tudo aquilo que adoro numa série, falta-lhe algo, falta aquela ligação, aquela paixão que sentimos quando um livro nos conquista por completo. Este não é um livro perfeito, é um livro com erros que mesmo sendo alguns perdoáveis devido a este ser o primeiro livro da autora depois de tudo o que se disse dele são difíceis de esquecer, até mesmo perdoar.
 
  Scion é um projecto ambicioso. Passado num futuro pós- apocalíptico com características paranormais, é caracterizado por uma complexidade muitas vezes difícil de discernir, muito por culpa ora da falta de explicações ora destas serem mal dadas. Existe muita coisa a absorver nesta história, um governo tirano, uma ralé indesejada com poderes que variam entre sete classes tendo essas sete classes vários tipos dos chamados clarividentes e cuja origem é dúbia, um povo estranho com poderes inexplicáveis, uma cidade secreta, uma linguagem por vezes estranha, entre outras coisas, que tornariam este livro uma coisa espectacular e sim, um dos melhores livros do ano, se fosse coerente, o que não acontece. Somos bombardeados com informação e muitos conceitos diferentes mas não somos presenteados com uma explicação ou alguma ajuda para entender melhor este mundo, o que não ajuda em nada a sua percepção ou mesmo o prazer da leitura.

  O enredo por outro lado é cheio de acção e tensão, prende-nos quando é corrente e dá-nos um cheirinho do quão bom este livro seria sem tanta infodump e se nos tivesse sido dada uma melhor compreensão deste mundo mas infelizmente não chega para tornar este livro uma excelência. Sim, tem situações de alto risco, leva-nos pelo passado da protagonista, vai-nos dando pistas sobre o que realmente se passa mas as emoções escapam-se porque apesar da atenção dada ao enredo, a falta dela quanto aos pormenores, a interligação das várias peças e quanto a ligação de personagens deixam com que o leitor fique a beira do precipício mas nunca salte. Ou seja, nunca nos sentimos realmente parte da história.

  Para além da ligação das personagens parecer tão maquinizada, infelizmente não houve nenhuma que adorasse ou que me fizessem sentir alguma coisa, e para mim, esse é o problema mais grave deste livro. A protagonista, Paige, podia ser alguém espectacular como Katniss, Tris ou Saba, mas é tão casmurra e parva às vezes que só me apetecia perguntar-lhe o que pensava ela que estava a fazer. Ela é poderosa atenção, e fria quando quer e com muita coisa guardada mas o facto de às vezes não usar o cérebro irritou-me deveras. Quanto às restantes, não é que sejam más personagens é só que, não provocam nada em mim e isso faz com que seja difícil com que me preocupe com elas.

  A Estação dos Ossos acabou assim por não cumprir as expectativas. Shannon ainda comete muitos erros de principiante mas irei dar uma oportunidade ao segundo porque apesar de não ter sido o melhor livro do ano, penso que ainda existe esperança para esta série. Pode ser que o segundo seja melhor, pode ser que esta série ainda se torne o espectacular que promete, afinal, este ainda é o primeiro de sete e que esta é uma história cheia de promessas, isso é uma certeza.



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Opinião - Sob o Céu que Não Existe

Título Original: Under The Never Sky (#1 Under The Never Sky)
Autor: Veronica Rossi
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 296


Sinopse
O mundo mantinha-os separados, mas o destino reuniu-os. Aria viveu toda a vida no Casulo protegido de Reverie. Este era o seu mundo e nunca pensou sobre o que estaria para lá das fronteiras. Mas, quando a mãe desaparece, Aria vê-se confrontada a sair para o exterior para a procurar, e a sobrevivência no deserto o tempo suficiente para a encontrar parece impossível. Então Aria encontra um estranho chamado Perry. Ele também está à procura de alguém.

Mas é um Externo, um Selvagem, contudo é a única pessoa capaz de a manter viva na travessia do deserto. E se conseguirem sobreviver serão a esperança um do outro para encontrar respostas às perguntas que vão surgindo à medida que se vão conhecendo.


Opinião


  Nasceu no Rio de Janeiro mas foi na Califórnia que continuou os seus estudos, tendo estudado em Los Angeles e em São Francisco a chamada fine art. Adora todos os cães em que mete os olhos em cima, dá nomes aos seus computadores (o actual chama-se Romeo), é uma grande fã de saias e vestidos com bolsos, gostava de conhecer o mundo inteiro e gosta de Os Jogos da Fome. Como é que sei? Ela é team Finnick (resta saber se o é antes ou depois de terem escolhido o actor para o papel).


  Veronica continua a viver na Califórnia com o marido e os dois filhos e tornou-se escritora publicada em 2012 com Sob o Céu que Não Existe. Os direitos das suas trilogias estão vendidos para vinte e cinco países e os direitos para filme já foram vendidos a Warner Bros. Quando não está a escrever, Veronica lê, pinta a óleo e conta os minutos até poder voltar as suas histórias.

  Desde que foi publicado Sob o Céu que Não Existe chamou-me a atenção e após as muitas críticas positivas tornou-se claro para mim que este livro era algo de sensacional ou, pelo menos, assim o esperava só que, este livro, não foi nada do que seria expectante. Foi sim, uma caixinha de surpresas que estranhei bastante e que, quando me apercebi, estava completamente entranhada na minha mente. O primeiro livro de Veronica Rossi começa de forma abrupta, somos atirados de forma violenta para um mundo totalmente novo e temos de descobrir por nós mesmos afinal o que é Reverie, o que são os Moradores, o que são os Selvagens. Nas primeiras páginas, estranhei a escrita e o mundo, as personagens deixaram-me de pé atrás mas há meio do livro tudo soava natural e sensacional, tudo mudou e eu percebi o porquê do sucesso fulgurante de Veronica Rossi.

  A escrita continuou a soar-me estranha e difícil mas nada é simples ou fácil neste livro. Aliás, a escrita conjuga-se perfeitamente com o mundo complicado e bastante rastreiro de Rossi, um mundo que custa a perceber mas cujas peças nos vão sendo dadas ao longo da leitura para nosso maravilhamento e deleite podermos descobrir o complexo puzzle que é este mundo. Com um sentido de humor delicioso e uma subtileza quase vil, a autora dá-nos uma história que à primeira vista nos pode ser estranha e até desadequada mas que se vai entranhando de tal forma que, quando damos conta, estamos completamente viciados nela tal é o poder de reviravolta da autora.

  Ao longo da leitura somos apresentados a um mundo fascinante e complexo, um mundo difícil de desbravar, cheio de enigmas que incita-nos a ler vorazmente e nos deixa salivar por mais no fim. Se no início parece tudo muito exagerado, desencaixado ou perdido a partir de um momento importante tudo faz sentido, tudo encaixa, tudo se torna mais vívido. Mas desenganem-se se pensam que a primeira parte deste livro é má. Não é, faz todo o sentido para a história e para a relação dos personagens, é essa estranheza que nos faz perceber o quão genial a imaginação e o poder de persuasão de Rossi são. Ao longo de todo o enredo, muitas são os momentos fortes em emoções, muitos são os momentos que podem acelerar ou parar um coração, sejam eles perfeitamente executados ou mais primitivos mas é o sentido de humor da autora e a sua percepção da alma humana que realmente nos conquistam.

  Numa leitura cheia de acção como esta, pode-se facilmente esquecer os momentos mais introvertidos mas Rossi não deixa que isso aconteça. Também em momentos mais parados podemos ser atacados pelas emoções e são nesses momentos que percebemos as diversas camadas que um pensamento, um sentimento, uma acção podem ter aos nossos olhos e aos demais. Cheia de pormenores subtis, esta narrativa cativa cada vez mais conforme avançámos na leitura e muitas são as revelações e surpresas que nos guarda. Graças a essa subtileza a história acaba por ter muito por onde crescer, deixando a expectativa para os próximos bem alta e a curiosidade quase a roçar o desespero de saber o que acontece a seguir.

  Tal como a narrativa também as personagens soaram desadequadas ao início. Aria e Perry não me convenciam nem me suscitavam qualquer tipo de ligação até que de repente ela lá estava e página a página aprendi a adorar este casal de protagonistas que não só cresce bastante ao longo da história como revelam grandes qualidades e fundos bem mais agradáveis do que as suas superfícies. A verdade é que eles não são perfeitos e ao vermos primeiro os seus defeitos torna mais fácil gostarmos das suas qualidades portanto a autora foi bastante inteligente em deixar-nos ver primeiro o pior. O restante elenco de personagens é surpreendente e parece-me ainda têm muito para nos mostrar.

  Depois de terminar este livro a certeza é uma. Tudo era verdade, este livro é sensacional e pode-se tornar uma distopia tão adorada ou mais do que Divergente e Jogos da Fome afinal, o próximo livro promete ser ainda melhor. Sob o Céu que Não Existe mostra assim, que ainda há muitas cartas a dar neste género e que Veronica Rossi merece a legião de fãs que já conquistou.

6*
 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Opinião - Across a Star-Swept Sea

Título Original: Across a Star-Swept Sea (#2 For Darkness Shows the Stars)
Autor: Diana Peterfreund
Editora: Balzer + Bray
Número de Páginas: 464


Sinopse
 Centuries after wars nearly destroyed civilization, the two islands of New Pacifica stand alone, a terraformed paradise where even the Reduction—the devastating brain disorder that sparked the wars—is a distant memory. Yet on the isle of Galatea, an uprising against the ruling aristocrats has turned deadly. The revolutionaries’ weapon is a drug that damages their enemies’ brains, and the only hope is rescue by a mysterious spy known as the Wild Poppy.

On the neighboring island of Albion, no one suspects that the Wild Poppy is actually famously frivolous aristocrat Persis Blake. The teenager uses her shallow, socialite trappings to hide her true purpose: her gossipy flutternotes are encrypted plans, her pampered sea mink is genetically engineered for spying, and her well-publicized new romance with handsome Galatean medic Justen Helo… is her most dangerous mission ever.

Though Persis is falling for Justen, she can’t risk showing him her true self, especially once she learns he’s hiding far more than simply his disenchantment with his country’s revolution and his undeniable attraction to the silly socialite he’s pretending to love. His darkest secret could plunge both islands into a new dark age, and Persis realizes that when it comes to Justen Helo, she’s not only risking her heart, she’s risking the world she’s sworn to protect.

In this thrilling adventure inspired by The Scarlet Pimpernel, Diana Peterfreund creates an exquisitely rendered world where nothing is as it seems and two teens with very different pasts fight for a future only they dare to imagine.


Opinião


  Dedicou-se à moda e a cozinha. Formou-se em Geologia e Literatura. Acabou por se tornar escritora. Nascida na Flórida, Diana começou a escrever em 2006 e pelo seu livro, baseado no filme Manhãs Gloriosas, com o mesmo nome, que é mais conhecida. Tem-se dedicado à literatura YA, primeiro fantástica e agora distópica.

  For Darkness Shows the Stars é, para além de uma distopia, um retelling de um clássico e a sua continuação, Across a Star-Swept Sea, segue a mesma onda, sendo baseado no clássico The Scarlet Pimpernel para além de também se basear na Revolução Francesa. Publicado este mês, ainda não foi traduzido para nenhum país.

  Depois de me ter arrebatado com For Darkness Shows the Stars, Diana Peterfreund deixou-me rendida com Across the Star-Swept Sea. Mantendo a mesma escrita envolvente e delicada, a autora acaba por criar um livro com mais acção, mais humor, tornando este livro tão bom como o seu companheiro mas diferente e único a sua maneira. Passada no mesmo mundo, esta história apresenta uma perspectiva completamente diferente da Reduction, da tecnologia e ciência, da aristocracia e da monarquia, uma perspectiva onde a ciência e a tecnologia são bem aceites, onde existem monarquias, onde a Reduction não existe, onde as chamas revolucionárias acabam de despoletar entre os dois grupos que formam esta sociedade, onde as diferenças, depois de duas gerações de paz e aceitação, estão prestes a tornarem-se mais vincadas, mais beligerantes. 

  Usando a Revolução Francesa como inspiração, a autora criou um enredo não só interessante, cheio de ideais e visões do mundo diferentes, como faz um grande tributo a um dos acontecimentos mais importantes da nossa História. Entre revolucionários idealistas, revolucionários desapontados e revolucionários que pouco compreendem as mudanças que estão a ocorrer no seu mundo, a autora expressa muito bem o que foi a realidade francesa da época neste livro, onde os ideais e os sonhos de igualdade, fraternidade e liberdade acabaram corrompidos pelas ambições, ódios profundos e revoltas sangrentas. Galatea é o quadro distópico de um passado que mudou o mundo mas que deixou graves baixas para trás e Abilon é o retrato das monarquias que tremeram perante a Revolução e que a tentaram impedir nos seus países.

  E é disso que é feito este livro. De sonhos, de esperança, de revolução. A narrativa é cheia de reviravoltas, segredos e fugas, deixando-nos presos do início ao fim a uma aventura que não só tem uma heroína bem a altura, como mostra como a vida, a História é um ciclo que se repete indefinidamente e, infelizmente, são mais as coisas erradas que se repetem do que as boas. Nesta história podemos ver como o sentido de justiça e salvação podem ser deturpadas, como um grande mal pode ser considerado um bem, como ao tentar avançar podemos retroceder enormemente e como as grandes acções podem vir de onde menos se espera.

  Infelizmente não li The Scarlet Pimpernel, o clássico em que é baseado este livro e por isso não posso compará-lo mas que fiquei com muita vontade de o ler, ai isso fiquei pois Persis é uma protagonista fantástica, cheia de humor que lida muito bem com as suas duas personalidade. Ora espia salvadora, ora socialite tonta, Persis está sempre a altura da sua missão, seja desaparecer perante os guardas de Galatea, seja a organizar um baile, sendo sem dúvida, a grande presença deste livro. Justen aliás, uma personagem querida que acaba por ir aprendendo com os seus erros e com a visão de um mundo tão igual mas diferente ao seu, não tem pedalada para Persis mas sem dúvida, fazem um casal fofo à mesma. O restante elenco de personagens é bastante interessante e foi fantástico rever personagens de For Darkness Shows the Stars.

  Espero que se siga mais um livro, espero que isto seja traduzido cá, espero que todos os que o leiam o adorem, porque esta série de Diana Peterfreund é qualquer coisa de muito especial.

6*
 
As minhas opiniões da série