Autor: Kristin Cashore
Editora: Objectiva (chancela Alfaguara)
Número de páginas: 435
Sinopse
No universo dos Sete Reinos. Katsa é uma Graceling, um ser raro com um dom extraordinário: desde os oito anos que é capaz de matar sem recurso a qualquer arma. O rei de Middluns, tio de Katsa, força a sobrinha órfã a usar o dom ao seu serviço, encarregando-a de matar todos os que lhe criem obstáculos.
Quando conhece um estranho príncipe cujo misterioso dom poderá estar à altura do dela, enfrenta pela primeira vez a perigosa sedução dos corrompidos pelo poder, mas aprende também a ter a coragem de confiar nos outros – e em si própria.
A oportunidade de empregar o seu talento ao serviço do Bem surge quando Katsa descobre que os Sete Reinos se encontram sob a ameaça de uma força sombria, que só um acto de heroísmo poderá vencer.
Com uma escrita elegante e envolvente, e um elenco de personagens inesquecíveis, Kristin Cashore cria um universo enfeitiçante, uma aventura que desafia a própria morte, e uma belíssima história de amor.
Quem entra nos Sete Reinos já não consegue sair…
Opinião
Obra de estreia de Kristin Cashore, Graceling é o volume introdutório da trilogia A Saga dos Sete Reinos e pode ser considerado uma lufada de ar
fresco no género da fantasia. Uma obra delicada onde os sentimentos mais nobres
e a profundidade da relação humana é tomada como centro da acção para criar uma
história enternecedora.
Eu comecei esta trilogia pela prequela Fogo, pelas razões que explico na sua opinião, tendo-me deixado
levar pela doçura, ingenuidade e sensação de conto de fadas que o livro, bem
como a escrita da autora, me transmitiram e, após opiniões claras que este
primeiro volume era melhor, decidi-me a lê-lo numa altura em que necessitava de
uma leitura leve e porque este mundo me havia suscitado uma sensação diferente
do que é habitual.
Ao seu predecessor não falta a mesma capacidade de nos levar
ao encanto quase infantil, através de personagens com um certo nível de
sentimentalismo e nobreza e com histórias e cenários totalmente diferentes das
que eu havia lido no outro livro. A escritora deve ser uma alma conquistada
pelas histórias que nos ensinavam o bem e o mal e que nunca esqueceu a sensação
que essas histórias nos transmitiam mas sem esquecer que todos nós temos um
pouco de cada. Isso nota-se bastante nas suas protagonistas, ensinadas a fazer
o mal mas que se rebelam contra tal e tentam ao máximo modificar os destinos
que lhes destinam.
E é nas suas personagens que está o bom e o mau do livro. Apesar
de ela alterar a base não altera o “miolo”. É fácil confundirmos os
protagonistas de ambos os livros ou as restantes personagens umas com as
outras. Mesmo modificando a caracterização física e pormenores da
personalidade, é quase como se a escritora tivesse decalcado uma sobre a outra.
Na minha sincera e pessoal opinião não acho que este primeiro livro seja melhor
mas que tive a mesma sensação que outros tiveram quando leram o segundo livro
de que este não me puxava tanto, exactamente, por já não ter originalidade.
Sem contar com o pormenor de que ambas as protagonistas estão
envolvidas em “sociedades secretas” para combaterem o seu suposto lado mau; sem
contar que às personagens secundárias parece que apenas foi mudado o nome,
entre outras coisas que retiraram a esta leitura o sentimentalismo todo que a
anterior me havia proporcionado. A única personagem que é ainda original é a
Bitterblue que vai ser a protagonista do terceiro e último volume, e é nela que
estou a depositar as esperanças do final da trilogia.
Por último, faltou algo a Po e Katsa. Sim, é de chorar as
pedras da calçada mas o movimento, a emoção que dão vida a um livro perderam-se
algures pelo caminho. Não há realmente um vilão que consigamos identificar, mal
damos por ele e quando a acção surge é rapidamente cortada para haver
demasiados momentos mortos. Pior, continuo sem perceber a finalidade, objectivo
dos graceling. Continua a não haver explicações
para nada, sem uma ínfima pista.
Basicamente, continuo a achar que Kristin não soube dar
corpo ao seu mundo e, pior ainda, que tem uma total falta de originalidade, imitando-se
si mesma, o que consegue ser ainda mais deplorável do que copiar outro
escritor. Quaisquer bons sentimentos que a leitura me pudesse ter trazido
ficaram totalmente gorados. Ela prende-nos com um livro e repele-nos com o
outro. Acho que não era esse objectivo.
Resumindo, não trouxe nada de novo. Soubesse o que sei hoje,
tinha deixado este livro bem sossegadinho na estante da livraria donde o tirei
e tinha-me ficado pelo Fogo.
3*

