Autor: Eve Marie Mont
Editora: Kensigton Publishing
Número de Páginas: 278
Sinopse
Emma Townsend has always believed in stories—the ones she reads voraciously, and the ones she creates in her head. Perhaps it’s because she feels like an outsider at her exclusive prep school, or because her stepmother doesn’t come close to filling the void left by her mother’s death. And her only romantic prospect—apart from a crush on her English teacher—is Gray Newman, a long-time friend who just adds to Emma’s confusion. But escape soon arrives in an old leather-bound copy of Jane Eyre…
Reading of Jane’s isolation sparks a deep sense of kinship. Then fate takes things a leap further when a lightning storm catapults Emma right into Jane’s body and her nineteenth-century world. As governess at Thornfield, Emma has a sense of belonging she’s never known—and an attraction to the brooding Mr. Rochester. Now, moving between her two realities and uncovering secrets in both, Emma must decide whether her destiny lies in the pages of Jane’s story, or in the unwritten chapters of her own…
Opinião
Uma maria-rapaz apaixonada por animais e aspirante a actriz,
Eve não tinha muito talento para cantar, daí talvez, que tenha esquecido os
musicais em playback a favor de escrever histórias, tendo tudo começado no
quarto ano quando escreveu o seu primeiro capítulo, A Única Maria Rapaz da Minha Turma, e culminado com a leitura de Jane Eyre no secundário, acções
determinantes para a sua carreira de escritora. Hoje professora de Inglês e de
Escrita Criativa, a autora pode ser encontrada a ver basebol com o marido ou a
sonhar com a sua próxima história.
A Breath of Eyre é
o segundo livro de Eve e o primeiro de uma trilogia que se propõe a revisitar
alguns clássicos, sendo este inspirado na obra mais conhecida de Charlotte
Brönte, Jane Eyre. Publicado em 2012,
é ainda um livro pouco conhecido mas com um conceito que apaixonará os amantes
da literatura clássica, os leitores de YA e aqueles que acham que certos finais
deviam mudar, continuar ou serem só nossos.
Qual o amante de livros que nunca se quis perder nas páginas
de um? Qual o leitor que não já preferiu as histórias lidas do que as suas?
Quem nunca quis viver dentro das páginas e ser a sua personagem preferida?
Emma tem dezasseis anos e para além de uma adolescente
introvertida, está rodeada de segredos, de silêncios sombrios e medos que ela
não sabe que deve vencer. Fechada em si e para o mundo, ela tem medo, sente
insegurança mas o seu espaço está prestes a ser invadido pela cor, pela experiência,
pelas gargalhadas e zangas, por tudo com o qual ela não sabe lidar… Apaixonada
por livros, Emma recebe um livro muito importante nos anos, um livro pelo qual
se irá apaixonar, um livro que vai mudar a sua forma de olhar o mundo, um livro
que a sugará para dentro das suas páginas dando-lhe a alternativa de viver na
sua história preferida. Entre a ilusão e a realidade, esta jovem terá de
decidir se irá fugir ou enfrentar a vida, se irá pelo caminho fácil ou se irá
mudar até as palavras já escritas.
Não sendo uma ideia inovadora, a verdade é que eu ainda não
tinha lido nenhum livro inspirado num clássico e talvez por isso, a ideia de
Eve me tenha captado a atenção e levado a ler este livro que se propõe, não a
recontar, mas a olhar de outra perspectiva, um dos clássicos mais adorados e
românticos da ocidentalidade. Com uma escrita extremamente simples, sem grandes
floreados e alguma inexperiência, a autora não nos introduz à leveza da
juventude mas aos problemas que ao afectar-nos nesta idade de mudanças podem
levar a decisões trágicas, mudanças irreparáveis e arrependimentos, problemas
que se ajustam na negritude trágica e fonte de esperança que o livro de
Charlotte é. Ao olhar Jane Eyre por
uma perspectiva inusual, ao levantar questões pouco pensadas e dando-lhe todo
um novo significado, a autora consegue que vejamos a obra de outra maneira e
que acabemos por entender e perceber a força e a fragilidade do auge da vida
que é a adolescência.
Longe de ser um livro perfeito, este livro tem ainda muitas
arestas por limar mas na tragédia e dureza desta narrativa acabámos por perdoar
umas quantas falhas mas essas não chegam para esquecer outras que dificultam a
leitura. Se a parte actual, umas vezes dramática e depressiva, outras
tipicamente adolescente, com dúvidas, primeiros amores, zangas e alguma
maturidade trazida pelo sofrimento das circunstâncias, consegue funcionar de
uma forma que até nos leva a gostar do que estamos a ler, a parte dentro do
clássico demonstra claramente as falhas que ainda existem na forma da autora
escrever e se expressar. Desde cópias literais de parte de Jane Eyre que acabam por tornar a coisa bastante aborrecida pois
para as ler liámos o original e porque estamos a espera de algo inovador que
não chega, nota-se que a autora ainda não sabe como ligar os dois caminhos,
como fazer Emma se tornar Jane de uma forma que capte a atenção em vez de ser aborrecida,
de manter Emma como ela é em vez de ela passar a ser Jane ou como ligar os
elementos de ambas as histórias de uma forma consistente e tudo isto são falhas
imperdoáveis e que destruem a essência da ideia. O resultado é os exageros como
a protagonista ir parar ao hospital quatro vezes e a prova da insuficiente
capacidade da autora de dar um brilho ao enredo que este definitivamente
precisa.
Quanto às personagens, acho que nunca vi tanto sofrimento,
tanta desgraça num conjunto de adolescentes. Cada um deles tem os seus medos,
segredos e cada um deles tem uma personalidade que apesar de ser diferente
acaba por ser auto destrutiva até acontecer um milagre, o que resulta numa
visão depressiva da adolescência e que não ajuda na leitura. Desde o grande
segredo do protagonista que pelos vistos fez algo de muito mau mas afinal é só
uma vítima e nem sequer é culpado, desde as repetidas idas da protagonista ao
hospital porque a autora não faz a mínima ideia de como ia transportá-la para a
parte alternativa ou como dar mais drama a vida já dramática dela, à melhor
amiga orgulhosa e irritante, tudo resultou numa novela demasiado dramática e
sofrida que só pode causar mal-estar no leitor. Apesar de tudo, há uma
esperança ainda que pequena em relação à Gray e Emma que juntos conseguem ser
adoráveis sem a parte melosa e que ainda podem salvar o resto da trilogia.
O resultado é que aquilo de que se gostou fica a perder
contra as muitas falhas do livro e nem os acontecimentos inesperados antes do
fim conseguem salvar o enredo porque ele já está demasiado enredado nele
próprio. Uma ideia que podia ter sido algo de espantoso e que quase morreu na
praia.
3*
