Título Original: The Great Gatsby
Autor: F. Scott Fitzgerald
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 176
Sinopse
Justamente considerada
uma das mais importantes obras de ficção do século XX, O Grande Gatsby é
um retrato notável da era dourada do jazz em toda a sua decadência e
excessos. Pelos olhos do provinciano Nick Carraway, conhecemos a
história do misterioso Jay Gatsby, um milionário que subiu na vida a
pulso, movido pela paixão quixotesca que nutre pela jovem Daisy, uma
rica herdeira bela e frívola. A sua obsessão por ela fá-lo reinventar-se
para por fim poder reclamar a sua amada, numa autêntica encarnação do
sonho americano. Porém, o reencontro de ambos acaba por desencadear uma
série de acontecimentos trágicos, com Gatsby a ser vítima não apenas da
sua ambição, mas da insensibilidade e falta de valores que imperam na
sociedade americana da época.
Opinião
Nascido em 1896, Francis Scott fez parte de uma geração que
viu o seu mundo ser abalado para se erguer em glória. Desde cedo dedicou-se às
suas aptidões literárias com artigos em revistas e jornais bem como contos e
por isso acabou por não terminar o curso em Princeton. Partiu para a guerra em
1917 como voluntário e voltou para se tornar um dos grandes nomes da chamada
Geração Perdida Americana senão mesmo, o autor por excelência da Era do Jazz e
um dos melhores autores americanos do século XX.
O amor obsessivo pela sua mulher, Zelda e a vida louca e
inconsequente que ambos viveram durante os anos 20 deram azo a uma procura
delirante por riqueza, luxo e festas e para viver essa vida de ostentação era
necessário dinheiro e Scott tinha o seu jeito literário, uma visão clara do seu
tempo e uma musa inspiradora e, assim, criou uma carreira fulgurante que
terminaria em sucesso a sua vida trágica. Zelda acabou no hospício e Scott
abandonou-se ao álcool. No fim da sua vida ainda foi trabalhar para Hollywood
como roteirista e terminou um último romance antes de morrer.
O Grande Gatsby, a
obra de eleição dos leitores de Scott foi escrito em 1925, no auge da década
mais louca que a Humanidade conheceu e este livro representa claramente esse
auge que atingiu a sociedade americana. O seu sucesso só deu após a morte do
autor e da II Guerra Mundial mesmo com uma peça de Broadway e um filme. Hoje, é
o livro obrigatório para quem estuda a literatura dos Estados Unidos. Considerado
o grande romance americano e um dos melhores do século XX, O Grande Gatsby volta ao cinema com realização de Baz Luhrman e com
DiCaprio no papel principal.
A guerra acabou e com ela veio a vontade, de gozar cada dia
como se fosse o último. Uma geração enfrentou a morte e agora quer celebrar a
vida com todos os excessos e ostentações a que tem direito. Gatsby é o modelo
dessa geração desvairada, rica, apaixonada mas por trás das festas e do luxo
esconde-se um coração com desejos e sonhos que apenas esta vida lhe pode dar
mas será que valerá a pena?
Fitzegrald espelha em perfeição uma geração, um tempo, uma
sociedade. Ao escrever de uma forma que nos ilumina sobre a ilusão da prosperidade
e da felicidade o autor conduz-nos através de uma narrativa muitas vezes de
aparência louca, alegre e temerária que esconde os desejos e um profundo
desgosto com a vida. Com uma simplicidade envolta em brilhantismo, é notório o
porquê deste livro ser considerado uma obra literária de excelência. Com um
olho crítico, Scott viu e analisou a podridão por trás da ostentação, o
desgosto por trás do amor, a fraqueza por trás da glória, numa história que nos
leva a olhar a Era do Jazz, os loucos anos 20, para lá da loucura, das festas,
da bebida e da riqueza. Uma história que enquadra não só uma sociedade de
desvairos após uma guerra terrível mas também sobre amar a pessoa errada, ter
os sonhos trocados e baixar a cabeça perante o que não queremos ver, O Grande Gatsby é uma obra de
profundidade, um relato de quem viveu e sentiu toda a emoção de uma década de
ouro.
Aqui venera-se o glamour. Aqui está o sonho americano. E
aqui o dinheiro pode tudo. Numa sucessão de acontecimentos que levarão à tragédia,
conhecemos Jay Gatsby e com ele descobrimos a decadência, a necessidade de
dinheiro não importa as causas ou consequências e a forma como os bens materiais
e as festas determinam se mereces um lugar no teu paraíso pessoal ou não. Num enredo
que coloca a olho nu as frivolidades e a falta de moral de uma sociedade que
tudo quer e que tudo pode, vemos a verdade por trás do sonho e esta não é nada
bela mas sim maldita. O amor é a base para o mistério que envolve Gatsby mas
este, tal como todos os outros, usa os meios errados para conquistar aquela que
ele sabe só vê brilho e riqueza a frente e este amor está destinado ao fracasso
porque eles procuram sonhos diferentes. Demonstrando que por trás das ilusões,
brilhos e música apenas existiam aparências, frieza e uma vontade de estar por
cima, este livro é um símbolo, uma condenação e uma previsão da sociedade
americana.
Tal como o mundo que os rodeia, não há personagem que esteja
envolta em escrúpulos. Eles vivem do luxo, dos rumores, de quem tem mais, eles
estão obcecados, encandeados pela ostentação e os valores mais altos, as
verdadeiras buscas perdem-se no egoísmo e insensibilidade que a todos marca. No
fim, é Gatsby que adorámos. É dele que sentimos pena, que acabamos por
compreender e perdoar pois ele é a vítima de toda esta história. Já o nosso
ódio concentra-se no casal perdido na obsessão. Daisy e Tom são frívolos,
idiotas, irritantes e, principalmente ela, vai ganhar todo o nosso ódio por no
fim acabar por voltar as costas a quem fez tudo por ela. Já Nick é o narrador
perfeito, o que está iludido e depois acorda para a fragilidade da vida em que
está inserido.
Um clássico que merece toda a atenção, O Grande Gatsby é uma história de paixões e desilusões, de
aparências e verdades. Um livro que relembrará para sempre os anos de perdição
como uma década não só de beleza como de raíz para os males que seguiram.
6*
