Autor: Patrick Rothfuss
Editora: Gailivro
Número de Páginas: 966
Sinopse
Da infância como membro de uma família unida de nómadas Edema Ruh até à provação dos primeiros dias como aluno de magia numa universidade prestigiada, o humilde estalajadeiro Kvothe relata a história de como um rapaz desfavorecido pelo destino se torna um herói, um bardo, um mago e uma lenda. O primeiro romance de Rothfuss lança uma trilogia relatando não apenas a história da Humanidade, mas também a história de um mundo ameaçado por um mal cuja existência nega de forma desesperada. O autor explora o desenvolvimento de uma personalidade enquanto examina a relação entre a lenda e a sua verdade, a verdade que reside no coração das histórias. Contada de forma elegante e enriquecida com vislumbres de histórias futuras, esta "autobiografia" de um herói rica em detalhes é altamente recomendada para bibliotecas de qualquer tamanho.
Opinião
Com quase mil páginas, este é um livro que promete
arrebatar-vos através de uma lenda sem precedentes. Considerado “a” bomba lançada
no panorama fantástico dos últimos anos, deu ao seu escritor, Patrick Rothfuss,
estatuto para ser comparado a grandes nomes da Fantasia como George R. R.
Martin. Fala-se em O Senhor dos Anéis e
Harry Potter mas a sua premissa por
si só, basta para pôr qualquer fã de histórias épicas a “salivar” por mais.
Só há alguns meses é que ouvi falar neste livro e na altura
achei que era o tipo de leitura que me ia agradar. Comprei-o, passado pouco
tempo mas o seu tamanho e a falta de tempo para ler tal calhamaço fez com que o
guardasse para o início deste ano, quando iria ter mais tempo. E assim foi. O problema
é que tive um desgosto logo nas primeiras páginas, visto que ao virar uma
página ia ficando com ela na mão (as primeiras dez páginas estão meia soltas
neste momento) e deparei-me com as tais margens e letra gigante de que todos já
se queixaram, o que me pôs logo mal-disposta porque dar vinte euros por um
péssimo trabalho não é algo que agrade a ninguém! Portanto, foi meio irritada
que me iniciei no relato de Kvothe.
A verdade é que passadas trinta páginas, já nem me lembrava
da folha meia solta. Fiquei tão absorvida pelo ritmo cadenciado das palavras do
estalajadeiro que só levantei os olhos do livro passadas umas duas horas e só
conseguia perguntar a mim mesma como é que este livro se tinha escapado do meu
radar durante tanto tempo!
A forma como Rothfuss nos apresenta as Crónicas de Kvothe é a
de um contador de histórias que não gosta que nada fique por contar e que pode
surpreender-nos a qualquer um momento. Cada aventura, cada desafio, é nos
relatado de uma forma musicalmente brilhante que nos deixa rendidos a cada
palavra. . Chegar ao fim de quase mil páginas e depararmo-nos com o facto de
que ainda falta tanto para descobrir é quase de levar uma pessoa ao desespero.
Acompanharmos o crescimento de Kvothe, passo a passo, por
entre as suas vitórias e derrotas, deixando-nos conquistar pelo seu relato e
pelos seus momentos de transtorno, ansiando para que ele continue e nos conte
mais e mais, é um dos factores que me fez ficar rendida a este livro. O próprio
Kvothe é o outro. Tentar discernir como é que o rapaz que conhecemos neste
primeiro volume se torna a personagem lendária de que o estalajadeiro fugiu é
uma das razões porque somos levados a devorar este enormíssimo calhamaço sem
nos cansarmos. Complexo, misterioso, inesperado, são alguns dos adjectivos que
pudemos usar para classificar o protagonista deste livro que com uma voz única
nos conta a verdadeira versão por trás do mito.
Juntando a isto, uma série de personagens interessantes
cheias de segredos e muitos risos, este é um início fabuloso para uma trilogia que
já está a dar que falar. Espero que as personagens femininas ganhem mais
destaque no próximo livro porque apesar de ter gostado da Denna, gostava de ver
um bocado mais da Auri, da Fela ou da Devi. Mas a personagem que me deixou
mesmo curiosa foi o Elodin. Ele é completamente insano, o que só nos faz pensar
no que será que ele esconde…
Independentemente de como vai isto acabar, uma coisa é
certa, Rothfuss tem a voz dos trovadores antigos na sua escrita, das velhas canções,
dos contos populares. E apesar de ter achado que estas quase mil páginas nos contaram
pouco e que ele podia ter acelerado um bocadinho, posso dizer que foi uma
leitura descomunal. E que espero muito mais do próximo.
Resumindo, é a obra que ganha contornos épicos e que promete
deixar-nos totalmente rendidos. Se vai ou não ser algo digno das maiores obras
da Fantasia, ainda não sei, mas que me enche de satisfação tê-lo lido é uma
certeza.
7*



