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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Opinião - Um Desastre Maravilhoso

Título Original: Beautiful Disaster
Autor: Jamie McGuire
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 344
Sinopse
 A Boa Rapariga: Abby Abernathy não bebe, não pragueja e trabalha muito. Está enterrada no nefasto passado, mas, quando entra no colégio, os seus sonhos de um novo começo sofrem um desafio numa noite.
O Mau Rapaz: Travis Maddox, sensual, atlético e coberto de tatuagens é exactamente o que Abby precisa – e quer – evitar. Ele passa as noites a ganhar dinheiro num clube de combate e os dias no colégio Lothario.
Desastre Iminente?... Intrigado pela resistência de Abby ao seu charme, Travis entra na sua vida por uma aposta. Se perder, deverá viver em celibato durante um mês. Se Abby perder, terá de viver no apartamento de Travis por um período semelhante.
…Ou o Princípio de Algo Maravilhoso? Travis não faz ideia de que encontrou uma parceira de jogo à altura. Ou será o princípio de uma relação obsessiva que irá conduzi-los a um território inimaginável…
Opinião


  Jamie nasceu em Tulsa, Oklahoma e foi criada pela mãe. Licenciou-se em Ciência Aplicada de Radiografia mas hoje é escritora a tempo inteiro e dedica-se a vários projectos. Continua a viver em Oklahoma com o marido, Jeff, um verdadeiro cowboy, e os três filhos mais seis cavalos, três cães e um gato.


  Quando Jamie decidiu dedicar-se à escrita começou como autora auto-publicada. Lançou o seu primeiro livro em 2010, o início de uma trilogia, mas foi em 2011 que o seu sucesso realmente começou. Desastre Maravilhoso conquistou a crítica e o público de tal maneira que a autora decidiu escrever um segundo livro sobre a perspectiva do protagonista, Travis e vai lançar uma série sobre os irmãos deste, estando o primeiro planeado para o próximo ano apesar de ainda não ter título nem sinopse.


  Traduzido para dezanove países e com os direitos para filme comprados pela Warner Bros, Desastre Maravilhoso é considerado um herdeiro de Cinquenta Sombras de Grey e chega agora ao nosso país para conquistar os corações.


  Ele é absolutamente louco e totalmente o oposto do que ela quer. Ela é completamente diferente do que ele está habituado. Juntos são um desastre prestes a destruir tudo em seu redor mas o que os une é demasiado maravilhoso para eles o puderem negar. Nas zonas escuras, suadas e sangrentas das lutas ilegais, nas salas de aula e refeitórios cheios de gente, debaixo das luzes e ofuscação de Las Vegas, Travis e Abby vão ver a sua relação sofrer todos os obstáculos, vão ter de lutar contra todas as impossibilidades e sobreviver à tempestuosidade e loucura que os une. Cercados pela intensidade da sua relação, eles vão ter de fugir ou aceitar que por pior que sejam juntos, só assim serão felizes. 


  Jamie apresenta-se aos leitores com um livro que divide opiniões, que se ama ou se odeia mas que irá certamente criar polémica. Confesso que tinha algumas esperanças acerca dele, algumas opiniões eram bastante boas, mas parece que vou fazer o papel de má da fita nesta história. Um Desastre Maravilhoso é uma história de loucos, cheia de violência e obsessão, que nos faz precisar de um Xanax logo na página 65 e cuja necessidade de cura e normalidade vai aumentando desesperadamente conforme avançámos na história. Senti-me cansada, à beira de um ataque de nervos durante todo o livro e, quase, quase, que ele foi contra a parede. E porquê? Porque não existe nada de bom ou satisfatório numa história em que durante todo o livro eles discutem, agridem, fazem as pazes, discutem, agridem e fazem as pazes e nada mais acontece. Nada. Absolutamente nada. Ah, e um momento a High School Musical que me deu vontade de vomitar.


  Basicamente este desastre nada maravilhoso resume-se a uma relação. Uma relação disfuncional que destruí tudo a sua volta cujas bases são o ciúme, a violência, a pressão e a possessividade, e que vai de um extremo ao outro em segundos. Através de comportamentos bipolares, tresloucados, infantis e muito pouco coerentes, vamos vendo esta espécie de relação a andar sempre para trás e cada vez mais perto de uma situação infernal e, conforme a coisa não melhorava de todo, eu enquanto leitora estava a enlouquecer com esta gente marada de uma forma pouco natural.


  Como pano de fundo, a vida universitária, quando dava jeito para não pensarmos que eles andavam só a discutir ou nas lutas, mas a vida universitária mostrada do prisma mais irrisório, ilegal e errado. Jovens com dinheiro nos bolsos que nunca mais acaba, grandes máquinas, festas e compras não é uma situação normal, a menos que os pais sejam milionários ou que se matem a trabalhar a anos ou, como é o caso deste livro, em várias situações ilegais. Uau estou tão impressionada. Depois temos as famílias inexistentes ou passados mal explicados dos protagonistas. A sério que isso é justificação para eles serem os imbecis parvalhões anormais que são? Melhor, onde está a justificação? Onde está a mãe da Abby? Não existe nada que justifique a idiotice completa destas criaturas.


  Falemos então das criaturas maravilhosas que fizeram a minha cabeça em água. Ele, Travis Maddox, cujo nome perfeito é mesmo Mad Dog, de facto, é lunático, um autêntico perseguidor, do pior possessivo que há e, ainda por cima, nem um mauzão decente é. A sério que acham que isto é um mauzão?? Um tipo que bate em toda a gente, trata mal toda a gente, persegue-te, faz cenas de ciúmes do piorio e depois só sabe chorar e dizer que te adora e que não é bom o suficiente para ti, e tretas assim? Não, isto é um tipo com um problema mental. O que vale é que eles são perfeitos um para o outro porque a Abby é outra estronça que faz tudo o que ele quer, aceita tudo o que ele diz e ainda acha um máximo ele bater em toda a gente por ela. Digam-me, como é que não enlouqueci a ler isto? Não faço a mais pálida ideia. 


  E o que me irrita mais é que a parte boa foi para aí umas cinco páginas, não serviu para nada e podia ter sido um plano de fundo fantástico para este livro porque sim, o póquer, mal explicado e sem emoção, foi a melhor parte deste livro. por favor, Las Vegas, não me abandones no meio deles!!!


  E resume-se assim o maior desastre literário do ano, de tão bom e maravilhoso que ele foi. Reprovado, reprovado, reprovado. E, nunca, mas nunca mais, me falem deste livro. Por favor. 

1*