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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Opinião - A Espada de Fortriu

Título Original: Blade of Fortriu (#2 The Bridei Chronicles)
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand
Número de Páginas: 576


Sinopse
 Depois de O Espelho Negro, chega-nos o segundo livro das crónicas de Bridei.
Inspirado numa poderosa figura histórica, contemporânea do célebre Rei Artur, Bridei é uma imagem de liderança e de carisma, a resposta de Marillier à pergunta: o que é preciso para ser um líder poderoso e carismático?
A Espada de Fortriu cobre os primeiros seis anos do reinado de Bridei como rei de Fortriu.
O reino de Fortriu gozou de cinco anos de paz desde que Bridei chegou ao trono. Agora, o rei prepara-se para uma guerra há muito esperada que, segundo pensa, banirá para sempre do Ocidente os invasores Galeses. A princesa Ana, refém de Fortriu desde a sua infância, é enviada para Norte, para se casar, estrategicamente, com um líder que nunca viu, e com isso ganhar um aliado no qual se baseia a vitória de Bridei. A sua escolta é conduzida por um homem que ela despreza: o enigmático Faolan, assassino e espião de Bridei.
A expedição é infortunada e, quando Ana chega junto do líder a quem fora prometida, numa fortaleza perdida nos Bosques de Briar, ela não se sente à vontade. Trata-se de um lugar cheio de segredos. Quando Ana descobre um prisioneiro mantido na mais austera reclusão, é confrontada com uma conspiração de silêncios. Entretanto, Faolan percorre um delicado caminho entre a lealdade e a traição.
As forças de Bridei marcham para o campo de batalha. Mas aos que ficam para trás é revelado que o seu rei marcha em direcção à derrota e, mais do que isso, o espera a morte certa. Só um mensageiro é capaz de o alcançar a tempo, mas chamá-lo porá em perigo o que é mais querido para Ana.

Opinião 
Depois dos acontecimentos decorridos em O Espelho Negro, este livro apresenta-nos uma história diferente. Cinco anos passados desde os acontecimentos anteriores, A Espada de Fortriu não só nos dá a conhecer a nova vida de Bridei e Tuala como se centra em duas das anteriores personagens secundárias que me suscitaram mais curiosidade: Ana e Faolan. Num espaço diferente e com uma narrativa ainda mais forte e introspectiva, Marillier volta a surpreender e a mostrar que não é só Sevenwaters que ela sabe escrever.
Após o fantástico primeiro volume de As Crónicas de Bridei, foi quase com desespero que me agarrei imediatamente a este segundo volume. A curiosidade espicaçou-me de tal maneira que não descansei enquanto não dei esta leitura por terminada. Se não me engano, li-o em dois dias!
Mais uma vez reencontrámos todas as personagens que me conquistaram no livro anterior numa nova fase das suas vidas. Está na altura de colocar os sonhos em funcionamento e pôr finalmente em prática tudo aquilo porque lutaram. O crescimento de algumas personagens é um dos factores interessantes deste livro. Ver finalmente o rei Bridei em acção, observar o resultado final de todo o ensinamento de Broichan é como chegarmos, por fim, aquilo que todos ambicionámos. E perceber que por isso as coisas não vão ficar mais fáceis e novos desafios espreitam no horizonte torna toda a profecia em redor do jovem, ainda mais interessante. Observámos não só o rei, o guerreiro e o apaixonado dos deuses mas também o marido e pai. Marillier mostra todos os lados do poder com a sua mestria e não se esqueceu de nos dar um vislumbre não só sobre este mas também de todos os que o rodeiam.
Mas o ponto alto é bem capaz de ser a viagem de Ana e Faolan e tudo o que decorre daí. Conhecer melhor estas duas personagens secundárias foi o que mais me entusiasmou. Todos os detalhes da viagem, as mudanças pessoais que ocorrem daí, envolvem alterações muito preciosas para o futuro e transformaram esta leitura em algo mais profundo e humano, do que seria de esperar. Faolan foi a surpresa deste livro, o que eu agradeço imenso, e acabou por merecer um lugar especial pois a sua complexidade está magnífica e foi uma das razões porque eu adorei este livro. Quanto as novas personagens, adoro a maneira como a autora entrelaça tudo e todos de forma a criar ligações especiais e, claro, a sua forma de criar histórias de amor verdadeiramente românticas.
O enredo está dividido em três espaços: a viagem, a corte e a batalha. Todos eles se interligam de uma forma consistente, criando momentos tão activos quanto emotivos em todos os cenários. Com o Juliet a acção não paralisa. Ela está sempre a tecer os fios do destino e há sempre uma razão para tudo. Este livro está cheio de pontos altos mas uns quantos em especial que me emocionaram de uma maneira que já não acontecia à algum tempo.
Posso dizer-vos que vale a pena enredarem-se nesta trilogia, há pouca coisa assim por aí.

7*

Opinião - O Espelho Negro

Título Original: The Dark Mirror
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand
Número de Páginas: 664

Sinopse
 Escócia, século VI. Bridei tem quatro anos quando os seus pais o confiam a Broichan, um poderoso druida do reino de Fortriu, com quem aprenderá a ser um homem erudito, um estratega e um guerreiro. Bridei desconhece que a sua formação obedece ao desígnio de um concelho secreto de anciãos e que está destinado a desempenhar um papel fundamental no destino do instável reino de Fortriu.
Porém. Algo irá mudar para sempre o seu mundo e, provavelmente, arrasar os planos de Broichan: Bridei encontra uma criança, ao que tudo indica abandonada pelos Boas-Gente. Todos concordam que o melhor será assassiná-la, mas Bridei decide salvá-la a todo o custo. E assim, ambos crescem juntos, e a bebé Tuala transforma-se numa bela mulher.
Contudo, Broichan presente o perigo que ela representa, pois a jovem poderá vir a ter um papel importante no futuro de Bridei… ou causar a sua perdição.


Opinião 
 Juliet Marillier é um dos nomes possantes do Fantástico. Considerada a herdeira de Marion Zimmer Bradley, a neo-zelandesa conquistou milhares de fãs em todo o mundo com a aclamada e amada trilogia Sevenwaters. Conhecida pelas suas histórias, pelas suas protagonistas, a escritora desenhou mundos que fazem parte do imaginário de todos os que já tiveram o prazer de a ler e é considerada por muitos como insubstituível.
Mas não só Sevenwaters apaixonou os seus leitores. As Crónicas de Bridei é considerada pelos fãs como o trabalho mais maduro desta escritora de renome, baseado em factos históricos e condimentado com a fantasia marilliana, apresenta-nos a história de um rei de um povo muitas vezes esquecido: os Pictos.
Eu já li Sevenwaters há uns bons aninhos e nos últimos tempos havia-se cimentado uma grande vontade de ler mais obras desta autora, tendo escolhido esta trilogia devido aos factores que apresentei acima. Juntando isso aos elogios e às paixões que Juliet provoca nos seus fãs mais assíduos, decidi que estava realmente na altura de eu regressar a ela.
Como podem imaginar, ler algo desta escritora é, absolutamente, maravilhoso. A sua forma de contar histórias qual bardo celta sentado a lareira, prendendo os seus ouvintes com as suas palavras tão emocionais, agarra todo aquele que lê os seus livros. E este livro tornou-se um vício em poucos minutos. Quase que não o larguei, tal foi a forma como este enredo me agarrou. Do início ao fim, foi uma promessa de histórias antigas contadas à antiga, com heróis, seres sobrenaturais, druidas e profecias. Cada página deixava um sentimento, fosse ele doce ou doloroso, conseguiu atingir-me de uma forma que só as boas histórias conseguem.
É já conhecido o jeito da escritora de fazer as suas personagens sofrerem até ao último minuto, seguirem a sua demanda com todos os obstáculos inimagináveis e concedendo-nos o tão merecido “felizes para sempre”. Pois o destino de Bridei não desilude. De uma forma mais real e consistente, talvez devido ao facto de estarmos a falar de uma personagem histórica, Marillier leva-nos a conhecer as encruzilhadas de um jovem que está destinado a ser rei, em quem todos depositam a sua fé e que tem de escolher o caminho certo até ao seu propósito, tudo isto com uma história de amor digna desta escritora onde tudo vai parecer impossível até o par romântico aceitar o seu destino.
Tal como me recordava, também nestas personagens existe uma profundidade para lá do que poderíamos imaginar, conseguindo a autora dar-nos heróis e vilões com defeitos e qualidades à sua altura. Cada um tem o seu papel na história, e neste constituinte das suas obras é raro haver mudanças radicais. Amámos os bons, odiamos os maus, exactamente como quando líamos contos de fadas em pequenos.
Esta é a magia de Marillier, demonstrar que o esforço e a luta valem a pena, que o bem vai vencer o mal, e, no fim, fazer-nos acreditar nisso. Por isso, sim, deixei-me enredar neste livro, menos maravilhoso mas mais forte, mais consistente e que me deu razões para continuar a conhecer mais das suas obras.  

7*

domingo, 25 de dezembro de 2011

Opinião - As Mentiras de Locke Lamora

Título Original: The Lies of Locke Lamora
Autor: Scott Lynch
Editora: Edições Saída de Emergência
Número de páginas: 544


Sinopse
 Diz-se que o Espinho de Camorr é um espadachim imbatível, um ladrão mestre, um amigo dos pobres, um fantasma que atravessa paredes. De constituição franzina e quase incapaz de pegar numa espada, Locke Lamora é, para mal dos seus pecados, o afamado Espinho.
As suas melhores armas são a inteligência e manha à sua disposição. E embora seja verdade que Locke roube dos ricos (quem mais vale a pena roubar?), os pobres nunca vêem um tostão. Todos os ganhos destinam-se apenas a ele e ao seu bando de ladrões: os Cavalheiros Bastardos. O submundo caprichoso e colorido da antiga cidade de Camorr é o único lar que o bando conhece. Mas tudo vai mudar: uma guerra clandestina ameaça destruir a própria cidade e os jovens são lançados num jogo de assassinos e traidores onde terão de lutar desesperadamente pelas suas vidas. Será que, desta vez, as mentiras de Locke Lamora serão suficientes?

Opinião

Considerado por muitos o livro do ano, objecto das críticas mais positivas e aplaudido por muitos, o primeiro livro de Scott Lynch já conquistou fãs por todo o Mundo. Prometendo emoção e aventura em doses desmedidas com um protagonista cheio de artimanhas, este livro é capaz de surpreender os amantes mais eclécticos do Fantástico e de conquistar os “amadores”.
Foi com expectativas elevadíssimas que iniciei esta leitura. Já havia namorado o livro no site da SdE, nas livrarias e já havia lido todas as opiniões que consegui sobre o livro e a opinião geral deixou-me em pulgas para me decidir a acrescentá-lo à minha estante. Infelizmente, li-o durante os últimos dias de aulas e não pude lê-lo com a rapidez que queria mas não esse factor até deu mais vontade ainda de o ler.
Basicamente, o que eu quero dizer com isto é que: contei as horas para puder lê-lo; que quando o agarrava era um problema para o largar; que cada página dava ainda mais vontade de o ler. Sim, sim e sim, As Mentiras de Locke Lamora é o melhor livro do ano! E porquê?
Primeiro, tem aquele que deve ser um dos melhores protagonistas que já tive o prazer de ler. Locke, é mais do que um protagonista, mais do que uma personagem, é a alma desta história do início ao fim. É com ânsia desenfreada que lemos cada bocadinho do seu passado e que aguardámos pelos seus planos mirabolantes, e o melhor de tudo, é que somos sempre surpreendidos. Esta é aquela personagem que nos faz lembrar personagens míticas do nosso subconsciente e que dá uma tareia ao Robin Hood sem se chatear muito. Resumindo, é o protagonista que todos adoram e não mais vão esquecer.
Como se já não bastasse, vem rodeado de mais um grupo de personagens brilhantes, desde os restantes Cavalheiros Bastardos, ao Capa, à Aranha ou ao Rei Cinzento, todos eles foram criados no sentido de nos entreter e incutir-nos o desejo de mais, muito mais. Existe muito mais nestas personagens do que está à superfície e é com deleite que quase lemos o livro de rajada para descobrir o que há por baixo de cada uma delas.
Aliado a este factor, há também todo um enredo capaz de nos parar o cérebro, tal é a imaginação e o requinte com que este livro nos é apresentado. Recheado de ideias, mudanças súbitas, acção e suspense em desmedido, As Aventuras dos Cavalheiros Bastardos são uma promessa ao retorno dos heróis antigos, dos verdadeiros bandidos em que a inteligência e a desfaçatez são os ingredientes para um golpe bem-sucedido.
Lynch cria todo este submundo ultrajante alicerçado no sarcasmo, na ironia, nos truques através de uma escrita que agarra até ao último fôlego com o objectivo de conquistar rapidamente e “à grande” aqueles que tiverem a ousadia de entrar em Camorr. Reunindo todos os ingredientes para um dos livros mais intensos que já li, o escritor colocou-se no topo à primeira, dando-nos algo tão básico: puro divertimento.
Ainda não leram? Então é melhor lerem porque este é leitura obrigatória.

7*

sábado, 10 de dezembro de 2011

Opinião - Graceling, O Dom de Katsa

Título Original: Graceling (#1 A Saga dos Sete Reinos)
Autor: Kristin Cashore
Editora: Objectiva (chancela Alfaguara)
Número de páginas: 435


Sinopse
 No universo dos Sete Reinos. Katsa é uma Graceling, um ser raro com um dom extraordinário: desde os oito anos que é capaz de matar sem recurso a qualquer arma. O rei de Middluns, tio de Katsa, força a sobrinha órfã a usar o dom ao seu serviço, encarregando-a de matar todos os que lhe criem obstáculos.
Quando conhece um estranho príncipe cujo misterioso dom poderá estar à altura do dela, enfrenta pela primeira vez a perigosa sedução dos corrompidos pelo poder, mas aprende também a ter a coragem de confiar nos outros – e em si própria.
A oportunidade de empregar o seu talento ao serviço do Bem surge quando Katsa descobre que os Sete Reinos se encontram sob a ameaça de uma força sombria, que só um acto de heroísmo poderá vencer.
Com uma escrita elegante e envolvente, e um elenco de personagens inesquecíveis, Kristin Cashore cria um universo enfeitiçante, uma aventura que desafia a própria morte, e uma belíssima história de amor.
Quem entra nos Sete Reinos já não consegue sair…


Opinião 
 
Obra de estreia de Kristin Cashore, Graceling é o volume introdutório da trilogia A Saga dos Sete Reinos e pode ser considerado uma lufada de ar fresco no género da fantasia. Uma obra delicada onde os sentimentos mais nobres e a profundidade da relação humana é tomada como centro da acção para criar uma história enternecedora.
Eu comecei esta trilogia pela prequela Fogo, pelas razões que explico na sua opinião, tendo-me deixado levar pela doçura, ingenuidade e sensação de conto de fadas que o livro, bem como a escrita da autora, me transmitiram e, após opiniões claras que este primeiro volume era melhor, decidi-me a lê-lo numa altura em que necessitava de uma leitura leve e porque este mundo me havia suscitado uma sensação diferente do que é habitual.
Ao seu predecessor não falta a mesma capacidade de nos levar ao encanto quase infantil, através de personagens com um certo nível de sentimentalismo e nobreza e com histórias e cenários totalmente diferentes das que eu havia lido no outro livro. A escritora deve ser uma alma conquistada pelas histórias que nos ensinavam o bem e o mal e que nunca esqueceu a sensação que essas histórias nos transmitiam mas sem esquecer que todos nós temos um pouco de cada. Isso nota-se bastante nas suas protagonistas, ensinadas a fazer o mal mas que se rebelam contra tal e tentam ao máximo modificar os destinos que lhes destinam.
E é nas suas personagens que está o bom e o mau do livro. Apesar de ela alterar a base não altera o “miolo”. É fácil confundirmos os protagonistas de ambos os livros ou as restantes personagens umas com as outras. Mesmo modificando a caracterização física e pormenores da personalidade, é quase como se a escritora tivesse decalcado uma sobre a outra. Na minha sincera e pessoal opinião não acho que este primeiro livro seja melhor mas que tive a mesma sensação que outros tiveram quando leram o segundo livro de que este não me puxava tanto, exactamente, por já não ter originalidade.
Sem contar com o pormenor de que ambas as protagonistas estão envolvidas em “sociedades secretas” para combaterem o seu suposto lado mau; sem contar que às personagens secundárias parece que apenas foi mudado o nome, entre outras coisas que retiraram a esta leitura o sentimentalismo todo que a anterior me havia proporcionado. A única personagem que é ainda original é a Bitterblue que vai ser a protagonista do terceiro e último volume, e é nela que estou a depositar as esperanças do final da trilogia.
Por último, faltou algo a Po e Katsa. Sim, é de chorar as pedras da calçada mas o movimento, a emoção que dão vida a um livro perderam-se algures pelo caminho. Não há realmente um vilão que consigamos identificar, mal damos por ele e quando a acção surge é rapidamente cortada para haver demasiados momentos mortos. Pior, continuo sem perceber a finalidade, objectivo dos  graceling. Continua a não haver explicações para nada, sem uma ínfima pista.
Basicamente, continuo a achar que Kristin não soube dar corpo ao seu mundo e, pior ainda, que tem uma total falta de originalidade, imitando-se si mesma, o que consegue ser ainda mais deplorável do que copiar outro escritor. Quaisquer bons sentimentos que a leitura me pudesse ter trazido ficaram totalmente gorados. Ela prende-nos com um livro e repele-nos com o outro. Acho que não era esse objectivo.
Resumindo, não trouxe nada de novo. Soubesse o que sei hoje, tinha deixado este livro bem sossegadinho na estante da livraria donde o tirei e tinha-me ficado pelo Fogo.



3*

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Opinião - Presságio de Fogo

Título Original: The Firebrand
Autor: Marion Zimmer Bradley
Editora: Difel
Número de páginas: 564

Sinopse
 Neste livro a autora reimaginou a história da Guerra de Tróia e reconta-a do ponto de vista de Cassandra, a bela e atormentada princesa real de Tróia.
Na sua brilhante recriação da famosa lenda, a queda de Tróia desenrola-se de uma nova e ousada maneira a partir do julgamento de Páris, do rapto de Helena (esta não sendo aqui a perversa adúltera da lenda, mas sim uma mulher afectuosa e dedicada a Páris e aos seus filhos), e do levantamento dos exércitos gregos por Agamemnon, cunhado enfurecido de Helena, até à tragédia final da destruição da cidade, predestinada pelos deuses e pelo obstinado orgulho dos seus líderes masculinos.
A heroína deste conto épico é Cassandra, e a poderosa tensão do romance deriva tanto da luta interna, por ela travada, com as suas próprias lealdades divididas (visto que a sua lealdade ao pai, o rei, e aos irmãos é contraposta à sua submissão crescente à fé mais antiga no Matriarcado e na Terra-Mãe), como do amargo conflito entre Troianos e Gregosm no qual prevê fantasmagoricamente a destruição ou a maldição do tudo que lhe é querido, visto ter o poder da profecia.


Opinião 
 Quem não conhece Marion Zimmer Bradley? Quem não ouviu falar da sua forma de recontar uma história conhecida à sua maneira e torná-la única? Quase ninguém, em todo o mundo. Mesmo para quem não tenha lido a sua obra esta senhora da fantasia e do movimento feminista não é desconhecida. Há anos que ouço falar dela e quero ler a sua obra.
E quando as oportunidades surgem há que agarrá-las. Foi o que eu fiz quando o meu professor de Religião e Mitologia Grega nos pediu para fazer um trabalho sobre a recepção de um mito numa forma de cultura e me propôs tratar da Guerra de Tróia na perspectiva deste livro. Não vos vou contar a figura de parva que fiz à frente do professor e no meio do corredor. E tanta euforia porquê? Porque finalmente ia poder lavar a cara da vergonha e ler Marion Zimmer Bradley e porque ia fazer um trabalho sobre um dos meus temas preferidos de sempre: a Guerra de Tróia.
Apesar de tanto entusiasmo, demorei algum tempo a ler este livro visto que tive exames pelo meio e à medida que o ia lendo tinha de tirar apontamentos para o trabalho e tal pois a verdade é que tinha de ter o dobro da atenção a ler este livro. Até que perdi a cabeça e o li de rajada. Não consegui evitar. O problema é que mesmo assim não consegui deixar de ser uma leitora que já estudou este assunto de todas as perspectivas e foi ensinada a analisar esta história de uma forma crítica e objectiva. O que não me permitiu gostar tanto do livro como eu queria.
Tal como a Marion nos diz nos Agradecimentos, a mim também não me satisfaz a Íliada ou a Odisseia ou todas as tragédias gregas que falam sobre o assunto e que nos permitiram conhecer os pormenores da Guerra mais famosa de sempre. Este é um tema sobre o qual a minha mente não se farta e sobre o qual eu quero sempre saber mais. Mas não posso esquecer tudo aquilo que aprendi nas aulas ou o que li.
A verdade é que se eu tivesse lido este livro à três, quatro anos atrás, teria amado o livro até a exaustão. Hoje não consigo. E passo a explicar porquê. Estes não são os heróis que eu conheço das epopeias. Falta-me os momentos dramáticos e intensos, falta-me a honra, o orgulho, a sede de amor e poder que esta história nos transmite. Falta-me a magnitude e beleza das grandes histórias que foram transmitidas durante séculos.
Contudo, admito que este é um romance, mesmo tendo a escritora alterado muitos factos que me deixaram ultrajada, escrito de uma forma única e com uma protagonista sobre a qual eu sempre tive curiosidade: Cassandra. Eu nunca vivi bem com o facto de ela ser a única a ver a realidade desta guerra e ser uma das personagens mais esquecidas por todos. Ela foi um dos pontos altos deste livro e devo admitir que a escritora tem um talento soberbo para criar personagens femininas. Também a forma como nos conta esta história tão conhecida é bela, de uma visão, mais uma vez única, e que vale a pena ser lida.
Mas não consigo deixar de pensar que Marion relegou para segundo plano ou transformou em autênticos “homens das cavernas” os heróis por excelência de toda a literatura ocidental. A morte de Heitor foi uma facada no meu coração. Passa por nos completamente despercebida! Como é possível? O Odisseu não é o nosso Odisseu das patranhas e dos mil ardis. Onde está o amor intemporal de Andrómaca e Heitor, que protagonizaram o primeiro momento de amor romântico da literatura? O seu amor só é notado no sofrimento dela após a morte dele! Sem falar noutras coisas que me deixaram realmente desfeita com esta versão.
Desculpem o sentimentalismo desta opinião, que é a minha. Não posso relegar, apesar disto, a contadora de histórias que Bradley, e aconselho mesmo assim esta obra a quem gostar desta escritora e a quem não ligar a estes pormenores que para mim foram tão essenciais. E espero muito em breve ler As Brumas de Avalon e, quem sabe, recomeçar com esta grande senhora da Fantasia.

5*