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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Opinião - Faefever

Título Original: Faefever (#3 Fever)
Autor: Karen Marie Moning
Editora: Dell
Número de Páginas: 257


Sinopse
 He calls me his Queen of the Night. I’d die for him. I’d kill for him, too.

When MacKayla Lane receives a page torn from her dead sister’s journal, she is stunned by Alina’s desperate words. And now MacKayla knows that her sister’s killer is close. But evil is closer. And suddenly the sidhe-seer is on the hunt: For answers. For revenge. And for an ancient book of dark magic so evil that it corrupts anyone who touches it.

Mac’s quest for the Sinsar Dubh takes her into the mean, shapeshifting streets of Dublin, with a suspicious cop on her tail. Forced into a dangerous triangle of alliance with V’lane, a lethal Fae prince, and Jericho Barrons, a man of deadly secrets, Mac is soon locked in a battle for her body, mind, and soul.


Opinião

  Dez anos na advocacia deram uma certeza a Karen Marie Moning. Ela não queria isto, queria sim escrever. Escrever histórias na Escócia, sobre druidas cheias de humor e paixão e depois de inúmeros trabalhos em part-time e muitas horas de escritas ela conseguiu-o escrevendo a série Highlander. A autora que começa a escrever as quatro e meia da manhã religiosamente, que vive nas montanhas de Blue Ridge, tem um Ferrari e casou com um homem que adora livros nunca mais conseguiu resistir ao chamamento da mitologia celta e trocou a Escócia pela Irlanda e os druidas pelos Tatha de Danann. Assim surgiu a série Fever e nós agradecemos.

  Karen está neste momento a escrever a segunda trilogia neste mundo e os direitos de Fever já foram vendidos à DreamWorks. Faefever é o terceiro volume da série e está traduzido para dez línguas não incluindo o português.

  Desde o primeiro volume que Karen me conseguiu agarrar por completo com uma história obscura e intensa que, de livro para livro, se vai tornando mais viciante, mais densa e poderosa. Com uma escrita fluída e simples mas cheia de garra e humor, a autora conseguiu criar um mundo perigoso e envolvente, cheio de elementos misteriosos, sombrios e fantásticos que nos vão sendo revelados em momentos de puro suspense e repletos de adrenalina. Um ataque aos nossos sentidos que vai melhorando e está cada vez mais perto do clímax, Fever é uma série a seguir e este terceiro volume vem apenas confirmar isso, destacando-se como o volume onde a brincadeira acabou e a guerra a sério pode destruir tudo.

  Faefever é uma explosão de emoções e surpresas e mostra bem como esta série é enganadoramente simples. Numa trama em que nada corre como esperado, a história adensa-se cada vez mais e o que não faltam são complicações e reviravoltas que aumentam a nossa curiosidade e nos deixam de boca aberta e, algumas vezes, sem ar. Cada momento é cheio de tensão, violência ou sensualidade, cada capítulo apenas nos deixa ainda mais ansiosos por ler mais uma página, mais um capítulo. Este é o livro em que tudo acontece sem quase nada se descobrir, este é o livro que vai virar o jogo por completo. Com um final de cortar a respiração e capaz de provocar apoplexias e que nos dá vontade de devorar o próximo imediatamente, este livro não é só viciante. É excitante, cru e arrasador. É a prova que esta é uma série a ler dentro deste género.

  Já não é apenas uma questão de vida ou morte. Não se pode confiar em ninguém, todos têm segredos e objectivos pessoais, cada um joga o seu próprio jogo, todos querem o prémio final mas ninguém está perto de o conseguir nem de salvar o mundo. O mal é palpável, a derrota é quase inevitável e a vingança pode não ser razão suficiente para apanhar os maus da fita. Cada vez é mais urgente unir forças para conseguir evitar o domínio dos Unseelie mas parece que é tarde demais e que todos irão pagar caro pelo orgulho e ambição. O final do segundo volume prometia um próximo volume mais sombrio e desesperado e assim foi. Brutal e intenso, este é o livro em que vemos tudo se precipitar rapidamente para um fim indesejado, é quando percebemos que ninguém é invencível e que no mundo real o mal geralmente ganha. Agora resta esperar que seja por pouco tempo…

  Mac é frágil neste livro e quase se pode dizer que está sozinha. Numa corrida contra o tempo e com demasiados inimigos e amigos incertos, ela não tem ninguém em quem se apoiar nem sabe quem está realmente do seu lado. Isso mostra uma Mac não menos lutadora e vingativa mas sem dúvida mais necessitada de apoio, mais frágil, mais capaz de baixar as barreiras e, inevitavelmente, alguém que acaba por não ver com clareza quando devia. Barrons é um mistério cada vez maior e cada vez mais irresistível. Continuo a não gostar de Rowena e a desconfiar de V’lane cada vez mais e cheira-me que muita coisa vai mudar. As personagens de Karen são como a sua história, sombrias, arrogantes, orgulhosas e cínicas, mais vilões do que heróis, mais negras que as próprias sombras. E é por isso que gosto tanto delas.

  Faefever é uma viragem na história. O meu livro preferido até agora apenas me fez gostar ainda mais desta série e deixou-me capaz de devorar o resto sem dó nem piedade. Karen Marie Moning afirma-se mais uma vez como uma autora a seguir, capaz de criar uma história que ainda agora começou.


As minhas opiniões da série

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Opinião - O Crime de Lorde Arthur Savile

Título Original: Lord Arthur Savile's Crime
Autor: Oscar Wilde
Editora: Quasi
Número de Páginas: 88


Sinopse
 «O Crime de Lord Arthur Savile coloca-se com muita graça para lá do Bem o do Mal. Trata-se da história de um assassínio, mas o acto é perpetrado num mundo que, pela sua própria frivolidade, não é menos irreal do que aquele, deliberadamente fantástico, das Mil e Uma Noites. Para acentuar esta semelhança, todo o conto, que se desenrola numa Londres onírica, se rege pelo conceito islâmico de Destino.(...).», by Jorge Luis Borges



Opinião 
  Este conto foi originalmente publicado com outros em 1887, o primeiro ano daquele que é considerado o período mais intelectual do seu autor, Oscar Wilde, irlandês de nascimento, londrino de vivência, dândi e génio. Dramaturgo, escreveu contos infantis e críticos e a sua obra mais conhecida é o seu único romance, O Retrato de Dorian Gray.

  Este pequeno conto onde podemos ter uma pequena amostra da beleza, do cinismo e do requinte da escrita de Wilde, é sobre o destino ou melhor é mais como sobre enfrentá-lo de frente em vez de nos escondermos e como aquilo que prevemos se pode virar contra nós. Uma história sobre um homício premeditado, até onde vai a nossa vontade de sermos felizes sem obstáculos e como o cinismo governa a forma como seremos recordados, O Crime de Lorde Artur Savile é uma pequena pérola  que aconselho a todos que já leram este autor e àqueles que ainda não tiveram o prazer do lerem.

 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Opinião - O Príncipe Mecânico

Título Original: Clockwork Prince (#2 As Origens)
Autor: Cassandra Clare
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 368


Sinopse
 No submundo mágico da Londres vitoriana, Tessa Gray encontrou por fim a segurança com os Caçadores de Sombras. Mas esta torna-se efémera quando forças desonestas na Clave se revelam para destruir a sua protectora, Charlotte, e substituí-la como chefe do Instituto. Se Charlotte perder a sua posição, Tessa será posta na rua - e presa fácil para o misterioso Magister, que deseja usar os poderes de Tessa para os seus fins obscuros.

Com a ajuda do bonito e autodestrutivo Will e do devotado e dedicado Jem, Tessa descobre que a guerra do Magister contra os Caçadores de Sombras é pessoal. Ele culpa-os de uma tragédia íntima que lhe destruiu a vida. Para desvendar os segredos do passado, o trio viaja através das névoas do Yorkshire para uma mansão que contém horrores indizíveis, dos bairros-de-lata de Londres para um salão de baile encantado, onde Tessa descobre que a verdade sobre a sua paternidade é mais sinistra do que alguma vez imaginou. Quando encontra um demónio mecânico com um aviso de Will, apercebe-se que o Magister sabe de todos os seus movimentos… e que um deles os traiu.

Tessa descobre que o seu coração está cada vez mais atraído por Jem, apesar do seu anseio por Will e dos sombrios estados de alma que continuam a abalar a sua confi ança. Mas algo está a mudar em Will… a parede que construiu à sua volta desmorona-se. Conseguirá o Magister libertar Will dos seus segredos e dar a Tessa as respostas sobre quem é e para que nasceu? A verdade leva os amigos para o perigo, e Tessa descobre que quando o amor e mentiras se misturam podem corromper até o coração mais puro.


Opinião


  Cassandra Clare tornou-se uma das autoras mais amadas da literatura juvenil com a sua série Caçadores de Sombras, cujo primeiro livro já foi adaptado para cinema. Em 2008 a autora decidiu escrever mais uma saga neste mundo mas desta vez passada 130 anos antes em plena época vitoriana com antepassados das personagens da sua primeira série. Anjo Mecânico, o primeiro livro dessa trilogia foi um sucesso e com a publicação do último volume, Princesa Mecânica, a trilogia tornou-se uma das mais vendidas juntamente com Os Jogos da Fome e Harry Potter.

  Tal como a série Caçadores de Sombras também As Origens poderá chegar a cinema estando os direitos já vendidos mas o filme só seguirá para a frente consoante o sucesso de A Cidade dos Ossos. Príncipe Mecânico é o segundo volume, foi nomeado para dois prémios e está traduzido para dezassete línguas. A trilogia tal como a primeira série já foi adaptada para manga.

  Sabem quando é que sabemos que adorámos um livro profundamente? Quando sentimos como nossas as dores das personagens, quando vivemos intensamente cada momento como se tivesse sido connosco, quando somos total e completamente quebrados. É assim que me sinto neste momento, cheia de uma tristeza atroz e de uma certa raiva e ao mesmo tempo de uma alegria imensa. Oh Cassandra. Oh querida Cassandra. Isto é tudo culpa desta autora que cada vez mais se afirma como uma das minhas preferidas, é culpa dela, da sua forma de criar histórias apaixonantes, personagens marcantes e mundos irresistíveis, é culpa do seu humor único, da sua escrita vívida, intensa e emocional, do seu jeito único para torturar os seus leitores a cada página com reviravoltas inimagináveis e palavras atormentadas que nos tocam no mais fundo do nosso ser. Excedeste-te com este livro, de todas maneiras.

  Com um enredo que, como sempre nos livros de Cassandra, nos entretém, nos vicia, nos emociona e tortura, este livro não foi excepção, aliás posso mesmo dizer que este é o livro mais forte em emoções e momentos tortuosos que li desta autora, isto porque este é um livro que nos apaixona de uma forma voraz, feito de felicidade e tristeza, de doçura e crueldade, uma história que nos faz sorrir enquanto lágrimas caem. Cheio de acção e reviravoltas, segredos e mentiras, Príncipe Mecânico está cheio de revelações determinantes, de acontecimentos inesperados, de reviravoltas fortemente emocionais mas nele a trama só se adensa ainda mais, as perguntas só aumentam, as dúvidas crescem e os mistérios tornam-se ainda mais complexos. 

  Tal como aconteceu com Anjo Mecânico, o ambiente sombrio, a elegância diurna e a depravação nocturna de Londres, é o ambiente perfeito para esta história, dando-lhe um palco adequado tanto para os terrores e depravações como para a beleza. Durante toda a trama somos assolapados pelas consequências dos mal-entendidos, pela dor das traições e pelos enganos propositados ou inconsequentes que marcam esta leitura e nos surpreendem, deixando-nos em choque ou simplesmente sem palavras. Aliás, a adrenalina é uma constante neste livro, página a página, pois nunca sabemos o que irá acontecer a seguir ou que mudará nas próximas linhas. Juntemos a isso o humor sagaz, irónico e cínico já habitual da autora, e temos uma leitura viciante que nos fará ler pela noite dentro e nos impedirá de pensar noutra coisa que não seja o que acontecerá a seguir. Mas não só disso é feita esta história. A família, de sangue ou criada por laços de carinho, a amizade e o amor, têm papéis cruciais nesta história e são estes que ligam as personagens bem como as marcam, são estes laços que nos fazem sentir ainda mais próximos destas personagens.

  Will, Tessa e Jem. Este é o trio que nos encherá e partirá o coração, o trio que adorámos com todas as suas qualidades e defeitos, o trio que faz desta história algo de adorável e a torna ainda mais atormentada. É impossível não gostar destes três e não esperar que autora arranje uma maneira de serem os três felizes sem se magoarem ou separarem. Depois temos Charlotte e Henry, o casal fofo que dirige o Instituto, a querida Sophie, o misterioso Magnus, o sossegado Gideon e tantas outras personagens irresistíveis, complexas e cheias de sentimentos que sentimos de imediato uma ligação intensa com elas. São elas que tornam esta história algo de extraordinário e que lhe dá um brilho especial.

  Pensar que esta trilogia poderia não ter sido publicada parece quase mentira mas ainda bem que Cassandra Clare lutou por ela pois As Origens é uma estrela brilhante na literatura juvenil. Intenso e arrasador, este livro só conseguiu com que amasse ainda mais esta história e estas personagens. É tão bom quando uma história nos arrebata e quebra desta maneira.




As minhas opiniões da série...

E da outra série

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Opinião - Shadowhunters and Downworlders: A Mortal Instrument Reader

Título Original: Shadowhunters and Downworlders: A Mortal Instrument Reader
Autor: Holly Black / Kendare Blake / Gwenda Bond / Sarah Rees Brennan / Rachel Caine / Cassandra Clare / Sarah Cross / Kami Garcia / Michelle Hodkin / Kelly Link / Kate Milford / Diana Peterfreund / Sara Ryan / Scott Tracey / Robin Wasserman
Editora: SmartPop
Número de Páginas: 198


Sinopse
 Cassandra Clare’s Mortal Instruments series, epic urban fantasy set in a richly imagined world of shadowhunters, vampires, werewolves, fairies, and more, has captured the imaginations and loyalty of hundreds of thousands of YA readers. Originally a trilogy (City of Bones, City of Ashes, City of Glass), the series has extended to six titles, plus a prequel trilogy, the Infernal Devices, and a planned sequel series, the Dark Artifices. A feature film is planned for 2013.

Shadowhunters and Downworlders, edited by Clare (who provides an introduction to the book and to each piece), is a collection of YA authors writing about the series and its world.


Opinião
  Composto por vários ensaios sobre personagens e temas da série Caçadores de Sombras escritos por autores YA, alguns até de banda-desenhada, este é um livro de companhia a saga que aconselho apenas há quem é fã de saga e goste de ler dissertações e dissecações.

  Para mim não faz sentido escrever este livro agora. Primeiro porque as sagas em redor deste mundo ainda não foram todas publicadas aliás, a original ainda nem terminou por isso muitos dos temas abordados ainda terão muito por ser explorados. Depois porque apenas um ensaio reflecte ligeiramente sobre a outra saga, As Origens, uma grande falha a meu ver. Por último, por mais que adore esta saga, acho que ainda não passou assim tanto tempo para a começarmos a dissecar, isso irá acontecer daqui dez, vinte anos quando tudo tiver terminado e as saudades precisarem de ter um fio condutor e os fãs de reflectirem sobre ela. Pura e simplesmente este ainda não é o momento, a história ainda está demasiado viva. Chama-se a isto pôr "a carroça há frente dos bois".

   Dos treze ensaios poucos são bons ou interessantes ou dizem de facto algo de novo. O que muitos destes autores escrevem, os fãs mais atentos e com jeito para escrever escreveriam exactamente o mesmo mas sem tentar que isto pareça um  trabalho demasiado sério e, muito possivelmente, chegariam mais depressa aos restantes leitores. Aliás o mais interessante enquanto fã da série, para mim, é mesmo a introdução da Cassandra Clare onde explica as inspirações para os Caçadores de Sombras. De resto, tirando uma outra excepção, são dispensáveis.


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Opinião - The Sixth

Título Original: The Sixth
Autor: Avery Hays
Editora: Diadema Press
Número de Páginas: 353


Sinopse
 Avery Hays brings us an effervescent adventure from the dawn of the modern age, with a heroine who is strong of heart and quick of wit. Welcome to the gaslit, cobblestoned streets of Paris, 1910. Florbela Sarmentos is twenty-one and knows what she wants: art, romance, and to free her father from the prison of Portugal's despotic King Manuel II. Born in Lisbon, educated in London and at a painting academy in Cherbourg, France, the cosmopolitan Florbela moves to Paris and takes up residence in the wildly bohemian enclave of La Ruche, there to pursue a creative life. Some of the yet-to-be-discovered artists living in her building are Diego Rivera, Amedeo Modigliani and Marc Chagall. By day she paints, and by night she attends parties with the residents of La Ruche, who introduce her to collectors and creative spirits in Paris's fabled Sixth Arrondissement. Along the way, Florbela attracts several hot-headed admirers, two of whom become so inflamed with jealousy that they become each other's deadly enemies. But Florbela's fledgling artistic and social life is soon eclipsed, when she can no longer escape the political shadow of her father, a Portuguese writer imprisoned in Lisbon for criticizing the corrupt monarchy. Florbela tries to find news of her father through Portuguese political exiles and sympathizers in Paris - with alarming results. When she contacts a friend of her father, Professor Almeida, he turns up dead, killed by an assassin from the pro-monarchist society Ordo Crucis Incendio - the Order of the Burning Cross. Professor Almeida's dying words lead Florbela to a secret, encrypted painting that might save her father and overthrow the king. Now, Florbela is the assassin's next target. With the help of Armand, a dashing French rebel, Florbela fights to bring the secret painting to the Portuguese resistance fighters. It just might save her country...and her life.


Opinião

  AM.D. Hays trabalhou, viveu e viajou por mais de trinta países nos seis continentes mas actualmente reside nos Estados Unidos enquanto trabalha no seu próximo romance, outro trabalho em conjunto com o seu marido, W.S.T Hays. O seu primeiro romance é uma colaboração de ambos e foi publicado no dia 31 de Outubro deste ano ainda não estando traduzido para qualquer língua.


  Não é todos os dias que encontrámos um livro estrangeiro cuja história seja sobre um acontecimento da História de Portugal por isso, foi com grande curiosidade e entusiasmo que comecei a ler The Sixth, um livro cuja história assenta no fim da monarquia e na implantação da república. Escrito com cuidado e muito detalhe, o livro é rico em descrições que acabam por se tornar exageradas e extremamente aborrecidas, dando a sensação que em mais de metade do livro nada de significativo para a história acontece, o que torna a leitura pouco fluente e cheia de informação desnecessária. O ponto positivo deste livro, a escrita, acaba por perder por isso, deixando em evidência os muitos pontos negativos da primeira obra de Avery Hays.


  A narrativa começa mal logo desde início quando vários erros históricos sobre esta época da História de Portugal são descritos e usados como fundo para a história, o que a torna desde o início, pouco credível e errónea. Não há desculpa para a falta de pesquisa quando, ainda por cima, mais tarde nos apercebemos do cuidado que a autora teve em relação à história artística de Paris da época. Como se não bastasse, a autora também utiliza mal expressões portuguesas, cometendo erros ortográficos imperdoáveis ou usando palavras do português do Brasil em vez de no português de Portugal.


  O enredo é supérfluo e aborrecido. A acção é extremamente lenta e com o avançar dos acontecimentos vai se perdendo em descrições desnecessárias, o que faz com que a história acabe por se perder da ideia original. A isso também ajuda o facto de ser tão repetitivo pois mais de metade da história passa-se em festas ou em jantares que nada trazem de novo à história, aliás, a história acaba por se centrar mais nas pouco credíveis relações amorosas e no problema da protagonista com a roupa de um dos pretendentes. As situações românticas chegam mesmo a ser ridículas pois não existe nenhuma razão para a protagonista ter três pretendentes nem se percebe como se criam essas ligações. Pareceu-me tudo muito exagerado e mal desenvolvido como tantas outras coisas neste livro.


  As personagens são ocas, sem personalidade ou qualquer característica que apele ao leitor. As próprias relações entre elas não têm emoção ou sentido, sendo mal exploradas e desenvolvidas. 


  The Sixth podia ter sido um bom romance histórico mas acaba por ser uma salganhada de erros sem pés nem cabeça. Uma grande desilusão.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Opinião - Tigana, A Lâmina na Alma

Título Original: Tigana (#1.1 Tigana)
Autor: Guy Gavriel Kay
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 320


Sinopse
 Tigana é uma obra rara e encantadora onde mito e magia se tornam reais e entram nas nossas vidas. Esta é a história de uma nação oprimida que luta para ser livre depois de cair nas mãos de conquistadores implacáveis. É a história de um povo tão amaldiçoado pelas negras feitiçarias do rei Brandin que o próprio nome da sua bela terra não pode ser lembrado ou pronunciado. Mas anos após a devastação da sua capital, um pequeno grupo de sobreviventes, liderado pelo príncipe Alessan, inicia uma cruzada perigosa para destronar os reis despóticos que governam a Península da Palma, numa tentativa recuperar um nome banido: Tigana. Num mundo ricamente detalhado, onde impera a violência das paixões, este épico sublime sobre um povo determinado em alcançar os seus sonhos mudou para sempre as fronteiras da fantasia.


Opinião

  Quando Christopher Tolkien precisou de um assistente para editar o trabalho do pai, escolheu um estudante de Filosofia cujos pais eram amigos da sua segunda esposa, Baillie, um jovem chamado Guy Gavriel Kay. Guy mudou-se para Oxford em 1974 para ajudar Christopher com a edição d’O Silmarillion e durante esse processo aprendeu bastante sobre escrita e edição e também ganhou um gosto pela fantasia, um gosto que o levaria, após terminar a sua graduação em Direito, a começar a escrever ficção.


  Anos mais tarde, Guy publicou o seu primeiro livro, A Árvore do Verão, o início de uma trilogia onde a influência de Tolkien era bem visível e que foi lida por gerações de leitores, A Tapeçaria de Fionavar. Mas, foi em 1990 que Guy Gavriel Kay encontrou o seu lugar na Fantasia, com um livro que pela primeira vez mostrou a sua voz e estilos únicos e que iriam marcar todos os livros que seguiram. Tigana é a obra-prima de Kay, o livro que revolucionou a Fantasia Histórica apesar de o autor preferir dizer que os seus livros não têm um género específico. Vencedor de dois prémios, nomeado para o Aurora, Tigana está traduzido para dezasseis línguas e anos depois, finalmente, chega às livrarias portuguesas.


  Depois de me ter apaixonado pela escrita de Kay em A Tapeçaria de Fionavar e Os Leões de Al-Rassan heis que finalmente leio o famoso Tigana e, mais uma vez, voltei a apaixonar-me pela voz arrebatadora deste autor que, com uma escrita de beleza ímpar, palavras onde as emoções fluem e as lendas ganham vida, nos conta uma história de perda, de vingança e recordação que irá prender-nos o fôlego, arrebatar-nos a alma e devastar-nos os sentimentos. Kay é um mestre sem igual, um autor que consegue transmitir as ambiguidades e conflitos do ser humano, um autor capaz de contar histórias sublimes que nunca mais seremos capazes de esquecer, um autor que eleva os sentimentos nobres como a coragem, a lealdade e a esperança a um patamar que poucos poderão um dia alcançar.


  Sendo este o primeiro volume de dois, A Lâmina na Alma é uma apresentação de um mundo onde poderemos ver resquícios dos vários territórios italianos no tempo da Renascença, territórios divididos por dois poderes tiranos onde o rancor tem crescido cimentado pela recordação e saudade. Como vem sendo habitual no trabalho deste autor, são múltiplas as culturas, crenças e sociedades representadas, com políticas, histórias e línguas próprias, que vamos descobrindo ao longo da leitura através de personagens ou lendas tal como vamos absorvendo a rivalidade entre os tiranos, as diferenças de actuar de cada um, os ódios e revoltas que cada um cimenta, as suas próprias histórias e as próprias rivalidades entre territórios e suas diferenças. Como mundo fantástico, Tigana é um regalo para qualquer leitor fã de mundos e histórias complexas pelas suas vastas características bem desenvolvidas, pelos pormenores requintados e pela força da sua história.


  A narrativa é poderosa e sublime. Conta-nos uma lenda de incomensurável beleza, de exílio e amor à pátria e à família, de vingança e perda, de recordação e esquecimento que nos destrói e preenche, que marca irrevogavelmente todo aquele que a lê, não nos deixando pensar em mais nada senão no que se seguirá na próxima página. Existe uma tristeza nesta história que se infiltra nas palavras e se transcende, uma tristeza que sentimos com as personagens, que nos absorve, tal o talento do autor para transbordar sentimentos das suas palavras. Feita de momentos únicos, predestinados que poderão mudar tudo, esta é uma história de fatalidades, de coragem e lealdade, tanto de ódio como de esperança, uma história feita de música e poesia que recorda sempre tudo o que se perdeu. E de amor, pois não há sentimento que mova mais os homens que este seja a uma mulher, ao filho, ao irmão ou à pátria.


  Subtilmente, a história vai se adensando e a cada momento torna-se mais profunda. Através de conspirações, segredos e revelações, cada peça deste complexo puzzle vai se juntando e as ligações entre acontecimentos e personagens começam a fazer sentido bem como a revelar facetas escondidas das personagens, passados que levam há quem são e o que procuram de facto e actos que nos fazem compreender melhor e trazem um maior misto de sentimentos ao leitor. Muito ainda está por revelar e muito ainda irá acontecer até que esta complexa tapeçaria esteja completa mas até lá não há como não nos deliciarmos com os encontros e desencontros que irão levar as personagens até ao confronto final.


  Como já é hábito, as personagens de Kay são ambíguas, complexas, cheias de profundas camadas que o leitor vai conhecendo em cada ocasião e que em todas o consegue surpreender. Poderia dizer-se que esta é uma história de heróis e vilões mas não, esta é sim, uma história que mostra que todos somos heróis e vilões, todos temos defeitos e qualidades, todos podemos ser santos e pecadores. Cada personagem é eximiamente elaborada, cada uma tem a sua aura própria, cada uma é importante. Aqui não há personagens há odiar, há personagens a adorar, a respeitar, a admirar. Poucos escrevem personagens assim, personagens tão reais como as palavras que as descrevem. 


  Tigana é considerado uma obra-prima. E é. Um livro que mais de vinte anos depois continua a chegar a gerações de leitores, um livro que continua a arrebatar todos aqueles que o lêem, um livro cuja história continua a provocar sentimentos. Falta agora o segundo volume para sabermos o fim. A espera será, certamente, dolorosa e o final, o final será, seja ele qual for, glorioso.