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terça-feira, 2 de julho de 2013

Opinião - Uma Espia no Meu Passado

Título Original: The Light Behind the Window/ The Lavender Garden
Autor: Lucinda Riley
Editora: ASA
Número de Páginas: 496

Sinopse
 Côte d'Azur, 1998. Émilie lutou sempre contra o seu passado aristocrático. Agora, com a morte da mãe, é obrigada a confrontá-lo pois é a única herdeira do imponente castelo da família. Mas com a casa vem uma pesada dívida e muitas interrogações: qual era a finalidade do quarto secreto que descobre por baixo da adega? Quem é a misteriosa Sophia, que assina um comovente caderno de poemas? Quem foram os protagonistas da trágica paixão que mudou o curso da história da família? Londres, 1943. Em plena Segunda Guerra Mundial, a inexperiente Constance Carruthers é recrutada pelos serviços de espionagem britânicos e enviada para Paris. Um incidente separa-a do seu contacto na Resistência Francesa, obrigando-a a refugiar-se junto de uma família aristocrata que entretém membros da elite de Hitler ao mesmo tempo que conspira para libertar o país. Numa cidade repleta de espiões e no auge da ocupação nazi, Constance vai ter de decidir a quem confiar o seu coração. Constance e Émilie estão separadas por meio século mas unidas por laços que resistiram à força demolidora do tempo. Os segredos que o passado encerra pulsam ainda em busca de redenção.

Opinião

  Aos vinte e quatro anos, Lucinda já era uma estrela. Fosse, cinema, televisão ou teatro, ela já tinha feito de tudo um pouco, menos pegar na sua experiência e contá-la e, foi exactamente isso que fez, escreveu um livro sobre as vicissitudes e brilhos da carreira de actriz. Sob o pseudónimo de Lucinda Edmonds escreveu vários livros mas foi anos mais tarde como Lucinda Riley que ficou conhecida. Em 2010 recomeçou a escrever e hoje tem três romances publicados estando dois deles traduzidos cá.

  A inspiração para Uma Espia no Meu Passado veio enquanto Lucinda estava a trabalhar em A Menina na Falésia. Nessa altura, estava a regressar à Grã-Bretanha com a família vinda da casa que têm na Côte d’Azur quando decidiram ficar na Provença por uma noite. Enquanto percorriam as estradas e pensavam que estavam perdidos, heis que apareceu na sua frente o mais requintado château que alguma vez tinham visto. No pátio a beber um copo de rosé com o cheiro da lavanda no ar e apreciando as enormes e antigas janelas do château, Lucinda compreendeu que o seu próximo livro iria ser situado ali. Uma Espia no Meu Passado foi publicado em 2012, está traduzido para oito países e é o mais recente trabalho da autora. 

  Abre a alta janela e deixa o sol entrar, deixa o doce cheiro da lavanda pairar no ar. De frente a estante, percorre com os dedos as lombadas já usadas, acarinhadas pelos anos até chegares lá, ao pequeno caderno amarelado pelo tempo. Retira-o com cuidado, sopra delicadamente o pó e o esquecimento da sua capa, senta-te na cadeira almofadada e recosta-te. Abre-o com cuidado, acaricia as suas páginas antigas e adoradas e prepara-te para uma história sobre amores proibidos e coragem infinita num tempo onde a Morte caminhava lado a lado connosco. 

  Dois destinos entrelaçam-se nas memórias de uma guerra. Um caderno de poemas esconde vestígios de amores proibidos. Um livro valioso guarda a amizade e a coragem de tempos de traição, ódio e luta. Numa época de morte, sentimentos cresceram e perduraram em páginas empoeiradas até que o destino decidisse relembrá-las, até que a história devesse ser contada.

  Depois de A Menina na Falésia, Lucinda havia arrebatado o meu coração, por isso, as expectativas para este livro eram bastante elevadas e, mais uma vez, esta autora mostra que para criar uma boa história, daquelas que somos incapazes de esquecer, é preciso compreender a alma humana, perceber como os segredos são capazes de nos corromper, que o passado marca-nos indefinidamente e que o amor não obedece a quaisquer regras. De uma forma intensa, poderosa, lírica, ela quebra-nos, arrasa-nos inúmeras vezes, faz-nos gritar contra o silêncio sobre as injustiças e as dores, faz-nos chorar pelas pequenas réstias de felicidade pura que podemos vislumbrar, faz-nos quedar em estupefacção e entendimento por gestos inexplicáveis. Com uma capacidade inata àqueles que olham as recordações através dos objectos simples que guardam na memória um toque mais cuidadoso, Lucinda leva-nos através do tempo a uma viagem tão dolorosa quanto sublime.

  A família é a protecção, o amor incondicional, o perdão sempre esperado. É o nosso passado que devemos cumprir ou com ele aprender, é o nosso presente de lições e carinhos, é o nosso futuro para empreendermos o que nos foi incutido. É o que nos torna o que somos, para o bem e para o mal. Aqui compreendemos o significado das ligações do sangue, o quanto nos podem magoar por amor em excesso ou por falta de atenção, o quanto nos podem marcar os segredos dos nossos. Entre duas famílias, unidas num tempo e local, diferentes nos seus corações, observámos, compreendemos as cicatrizes que o amor e o sangue são capazes de nos deixar, os sacrifícios que por eles podemos fazer, os medos e os sonhos aos quais nos condicionam. 

  Num tempo de horrores, a coragem pode ser gritada ou silenciosa, pode vir de grandes actos ou de pequenos gestos, pode condenar-nos a momentos parados no tempo, pode glorificar-nos com a vida marcada por cicatrizes. Muitos foram os heróis da Segunda Grande Guerra e muitos foram os esquecidos, entre eles os que tinham de sorrir ao inimigo com o coração cheio de ódio para salvarem vidas todas as horas e mesmo assim puderem perder as próprias. Em época de atrocidades e gestos macabros, era manter viva a chama da esperança que salvava sanidades e aguentava almas atormentadas desejosas de um fim. A guerra fazia-se por todo o lado, seja em campos sangrentos, banhos de gás ou salões ricamente ornamentados e, mesmo em tempo de guerra, mesmo sobre a dor e o ódio, podia florescer o mais delicado dos sentimentos.

  Numa narrativa assombrosa, vivemos várias vidas em várias épocas e locais, deixámo-nos esmagar pela força das emoções, pelas memórias guardadas e relembradas. Através de um elenco de personagens apaixonantes, corajosas e vívidas, aprendemos a vida tal como ela foi, como ela é, como ela poderá ser. Por entre reviravoltas estonteantes, mágoas e sorrisos, somos arrebatados para uma história que muda a nossa alma desde o fundo mais recôndito. Com duas mulheres, aprendemos o que é realmente o amor e o verdadeiro final feliz, aprendemos que a coragem vem tanto de tempos negros como de necessidades interiores, que lar é mais do que um local, é as pessoas e as memórias. 

  Uma Espia no Meu Passado é feito de objectos esquecidos, memórias escondidas, segredos nunca revelados. É feito de famílias feitas do amor e não do sangue, de sobreviver a tudo e fazer tudo para salvar quem amámos, de saudades e caprichos. Mais um excelente livro de Lucinda, mostrou-me que esta é uma autora que deve-se sempre recordar e ler quando se pode porque as suas palavras mudam-nos e alcançam-nos como uma força motriz de beleza etérea e sentimentos feitos de tempestades.


7*

Podem encontrá-lo aqui

Tentações: Uma Espia no Meu Passado [ASA]

Já disponível nas suas livrarias

 Título: Uma Espia no Meu Passado
Título Original: The Light Behind the Window
Autor: Lucinda Riley
Editora: ASA
Número de Páginas: 496
Preço: €16.90
ISBN: 9789892323619
*Lucinda Riley*
   Nasceu na Irlanda. Enquanto atriz, trabalhou no cinema, teatro e televisão britânicos. A sua obra está já publicada em 16 países. Atualmente, divide o seu tempo entre o Reino Unido e França.*
Uma Espia no Meu Passado
 
Sinopse: Côte d`Azur, 1998. Émilie lutou sempre contra o seu passado aristocrático. Agora, com a morte da mãe, é obrigada a confrontá-lo pois é a única herdeira do imponente castelo da família. Mas com a casa vem uma pesada dívida e muitas interrogações: qual era a finalidade do quarto secreto que descobre por baixo da adega? Quem é a misteriosa Sophia, que assina um comovente caderno de poemas? Quem foram os protagonistas da trágica paixão que mudou o curso da história da família?   Londres, 1943. Em plena Segunda Guerra Mundial, a inexperiente Constance Carruthers é recrutada pelos serviços de espionagem britânicos e enviada para Paris. Um incidente separa-a do seu contacto na Resistência Francesa, obrigando-a a refugiar-se junto de uma família aristocrata que entretém membros da elite de Hitler ao mesmo tempo que conspira para libertar o país. Numa cidade repleta de espiões e no auge da ocupação nazi, Constance vai ter de decidir a quem confiar o seu coração.   Constance e Émilie estão separadas por meio século mas unidas por laços que resistiram à força demolidora do tempo. Os segredos que o passado encerra pulsam ainda em busca de redenção. 
Porquê uma tentação?
Li recentemente A Menina na Falésia da mesma autora e adorei o livro logo não podia resistir a experimentar o mais recente livro de Lucinda, cuja escrita me deixou completamente apaixonada.
 O outro livro publicado da autora
Podem encontrá-lo aqui 
*retirado do site Wook 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Tentações: Uma Espia no Meu Passado [ASA]

Nas suas livrarias a partir de 18 de Junho

Título: Uma Espia no Meu Passado
Título Original: The Light Behind the Window
Autor: Lucinda Riley
Editora: ASA
Número de Páginas: 496
Preço: €16.90
ISBN: 9789892323619 


*Lucinda Riley*
 Nasceu na Irlanda. Enquanto atriz, trabalhou no cinema, teatro e televisão britânicos. A sua obra está já publicada em 16 países. Atualmente, divide o seu tempo entre o Reino Unido e França. *





Uma Espia no Meu Passado
Sinopse:  Côte d'Azur, 1998. Émilie lutou sempre contra o seu passado aristocrático. Agora, com a morte da mãe, é obrigada a confrontá-lo pois é a única herdeira do imponente castelo da família. Mas com a casa vem uma pesada dívida e muitas interrogações: qual era a finalidade do quarto secreto que descobre por baixo da adega? Quem é a misteriosa Sophia, que assina um comovente caderno de poemas? Quem foram os protagonistas da trágica paixão que mudou o curso da história da família?   Londres, 1943. Em plena Segunda Guerra Mundial, a inexperiente Constance Carruthers é recrutada pelos serviços de espionagem britânicos e enviada para Paris. Um incidente separa-a do seu contacto na Resistência Francesa, obrigando-a a refugiar-se junto de uma família aristocrata que entretém membros da elite de Hitler ao mesmo tempo que conspira para libertar o país. Numa cidade repleta de espiões e no auge da ocupação nazi, Constance vai ter de decidir a quem confiar o seu coração.   Constance e Émilie estão separadas por meio século mas unidas por laços que resistiram à força demolidora do tempo. Os segredos que o passado encerra pulsam ainda em busca de redenção.


Podem encontrá-lo aqui

*informação retirada do site Wook



terça-feira, 5 de março de 2013

Opinião - A Menina na Falésia

Título Original: The Girl on the Cliff
Autor: Lucinda Riley
Editora: Edições ASA
Número de Páginas: 528

Sinopse
 Grania Ryan tem em Nova Iorque a vida com que sempre sonhou. Tudo é perfeito até ao dia em que o seu desejo mais íntimo é brutalmente estilhaçado. Arrasada, Grania decide voltar à Irlanda e aos braços da sua adorada família. E é aqui, à beira de uma falésia, que conhece Aurora Lisle, a menina que vai mudar profundamente a sua vida. A ligação entre ambas é imediata e profunda. Pouco a pouco, Grania descobre que as histórias das suas duas famílias estão estranha e intrinsecamente ligadas... De um agridoce romance na Londres do tempo da grande guerra a uma relação tempestuosa na Nova Iorque contemporânea; da devoção a uma criança terna e carente a memórias esquecidas de um irmão perdido, o passado e o presente das famílias Ryan e Lisle estão unidos há um século. Cem longos anos de equívocos e segredos, paixões e ódios... Apenas a intuição e a coragem de Aurora poderão quebrar o feitiço e vencer as barreiras que o passado ergueu. Assombrosa, terna e comovente, a história de Aurora é uma inspiração para todos nós. Um exemplo de como a esperança e o amor podem ultrapassar todas as perdas.

Opinião

Nasceu na Irlanda mas mudou-se para Londres para ser uma estrela. Trabalhou como actriz em filmes, televisão e teatro mas aos vinte e quatro anos Lucinda decidiu pegar nessa experiência e escrever um livro, um livro que seria o primeiro de sete sob o pseudónimo de Lucinda Edmonds contudo a sua vida pessoal colocou a veia de escritora em pausa mas a paixão pela História e o envolvimento na construção de uma casa na Tailândia fizeram-na regressar as histórias como Lucinda Riley.
Desde 2010, Lucinda escreveu três romances que têm conquistado os leitores um pouco por todo o mundo. A Menina na Falésia, primeiro romance da autora publicado em Portugal, é um bestseller internacional, faz parte da lista do New York Times e já foi traduzido para mais de dez línguas.
Tal como a História, a vida é cíclica, tudo o que aconteceu pode voltar e em cada geração a história pode repetir-se mas ciclo nenhum é igual e os finais dependem não só das linhas escritas pelo destino mas também da alma dos que os reescrevem. Gerações partilham amores, segredos e rancores, duas famílias guardam amargas recordações em cartas envelhecidas, caixas guardadas a sete chaves mas quando uma criança lhes arrebata os corações o perdão torna-se algo possível.
Ao longo de décadas, escolhas e memórias têm deixado a sua marca em duas famílias que unidas por sangue, amores e desilusões se afastaram e esperaram, temendo o passado mas mais ainda a ironia das Moiras e o passado não muito distante. Na falésia, no fim do mundo, passagem para outro mundo uma dança delicada, bela e absorvente pode mudar tudo, devolver tudo e dar o que nunca se esperou. Entre passado e presente, entre três cidades tão diferentes a história escreve-se mas o final, ah esse final, é impossível de se prever.
Lucinda escreve-nos uma história intemporal, mágica onde as ligações familiares são como uma dança de beleza única, uma dança de recuos e decisões, uma dança de tristeza e felicidade que nos arrebata, nos quebra e devolve-nos a vida e as emoções com uma força quase divina. Com uma escrita delicada mas poderosa, a autora cria uma narrativa de acasos e certezas, um enredo onde nada é como esperámos, onde tudo é possível. Como primeira obra lida da autora, A Menina na Falésia é uma vitória agridoce, uma leitura de lágrimas onde a felicidade não pode ser plena mas é humana, recheada de erros e escolhas difíceis, onde o caminho é escrito através de atalhos, de coisas escondidas e monstros reais, uma leitura em que o ser humano e a família, o amor maternal e o crescimento nos são relatados com a verdade crua mas também com soberba mestria e doçura.
Contado na forma de memórias e histórias recontadas, este livro é um relato onde duas famílias se unem e separam, onde as crianças mágicas forçam escolhas e amores indestrutíveis, onde elas são a chave, a chave que pode unir ou separar. Como um bailado de intensa espiritualidade, este livro não é um conto de fadas mas este é ambicionado pelos desejos e sonhos das personagens e, as princesas, as etéreas e inesquecíveis princesas transformam esta história da vida humana em algo mágico, algo cruel, algo maravilhoso. De geração em geração, vamos conhecer medos, anseios, escolhas e amores, vamos conhecer mulheres e homens que escreveram a sua história e dos seus descendentes umas vezes com altruísmo, outras com destruição eminente, vamos sofrer e compreender, vamos perceber que o ser humano pode ser a coisa mais forte e doce ou a mais egoísta e avassaladora.
Entre expectativas e reviravoltas nunca, em página alguma, poderão adivinhar o que vão encontrar a seguir, nunca em momento algum poderão estar preparados para a forma como afinal nós não compreendemos a mente e o coração humano mas que autora conhece tão mas tão bem. Cada capítulo é uma experiência nova e não, a felicidade nunca está garantida porque há que guerrear por entre os tumultos e os erros por ela pois ela exige uma força e uma capacidade que nem todo o ser humano consegue. Em palavras que podiam ser transmitidas numa dança, a autora apresenta-nos as fragilidades, o sombrio fundo da alma humana, o seu egoísmo mas também a luz que ilumina os nossos corações, a vontade férrea de dar e os nossos sentimentos que podem elevar-nos ou quebrar-nos.
Com personagens que marcaram a vossa memória para sempre, personagens que vos provocarão fúria mas também um doce carinho, viverão cada história desta história entrelaçada como se pudesse ser a vossa e conhecerão a doce, inteligente e etérea Aurora, não a Bela Adormecida mas a menina que será os vossos olhos, a vossa voz ao longo desta leitura, a menina que vos conquistará, a menina que é tempestade e a bonança. Aurora é uma personagem que não mais esquecerão, uma personagem que ficará gravada a fogo em nós leitores, uma personagem como poucas são criadas. Com ela entenderão a vida, os sentimentos, as escolhas, com ela iremos viver para todo o sempre.
Esta foi a minha primeira leitura desta autora e não pode ser a última pois Lucinda Riley tornou-se um nome obrigatório na estante com uma história única e soberba, uma história que vive e revive perante os nossos olhos. Uma escritora exímia, de talento incontestável Lucinda é uma autora que todos deviam ler e reler e garanto-vos que não ficarão pela primeira vez.

7*