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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Opinião - Scarlet

Título Original: Scarlet (#2 Crónicas Lunares)
Autor: Marissa Meyer
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 384


Sinopse
 Cinder elabora um plano para fugir da prisão e, se for bem-sucedida, irá tornar-se a fugitiva mais procurada da Comunidade. Do outro lado do mundo, a avó de Scarlet Benoit desapareceu. Scarlet entra em pânico e, na sua busca, acaba por descobrir que existem muitas coisas sobre a avó que desconhece, assim como ignorava o grave perigo que correu toda a vida. Quando Scarlet encontra Wolf, um lutador de rua que poderá ter informações sobre o paradeiro da avó, sente-se relutante em confiar nele, mas ao mesmo tempo sente-se inexplicavelmente atraída. Scarlet e Wolf tentam desvendar o mistério do desaparecimento da avó, mas deparam-se com outro quando encontram Cinder. Além de todos os problemas em que estão mergulhados, ainda terão de antecipar os passos da maléfica rainha Levana, que fará qualquer coisa para que o belo príncipe Kai se torne seu marido, seu rei, seu prisioneiro.


Opinião

  Marissa Meyer é fã de coisas bizarras, tem estranhas manias e é escritora de distopias baseadas em contos de fadas clássicos que adora desde pequena e que pensa adorar talvez para sempre. Dona de três gatos com nomes muito longos e fora do comum, é fã de Navegantes da Lua e já escreveu mais de quarenta fanfictions sobre elas, organiza a biblioteca por cores e talvez não seja uma cyborg. Talvez.


  Cinder, o seu primeiro livro, foi publicado o ano passado e é o primeiro volume de uma série de quatro, em que cada um deles será baseado num conto de fadas. O próximo volume será Cress e está previsto para daqui 133 dias e será sobre Rapunzel. Os direitos para cinema ainda não foram vendidos mas por agora os fãs esperam mesmo ansiosamente é pelo próximo livro.


  Scarlet é o segundo volume das Crónicas Lunares. Publicado em Fevereiro deste ano, está traduzido para treze países e é baseado no conto de O Capuchinho Vermelho.


  Depois de uma estreia espectacular com Cinder, Marissa Meyer volta a lançar o feitiço e a ultrapassar todas as expectativas com Scarlet, um digno herdeiro do seu antecessor que, mais uma vez, une o brilho e encanto de um conto de fadas à adrenalina e irreverência de um futuro distópico com androides, cyborgs e rainhas lunares malvadas. Com a sua escrita divertida, cheia de adrenalina, doçura e carisma, a autora volta a envolver-nos numa história que leva a imaginação para lá do infinito e que torna os contos de fadas da nossa infância numa versão viciante, fantástica e arrebatadora onde jovens são mais do princesas ou Navegantes da Lua, são mesmo heroínas que não precisam de príncipe nenhum para as salvar, basta-lhes a sua astúcia meio louca e desvairada apimentada com um doce e falso encanto de inocência desprotegida.


  Num enredo cheio de reviravoltas, segredos e acção, este livro é um atentado aos nossos frágeis corações desesperados pois do início ao fim, tudo acontece e muitas são as vezes em que vamos arregalar os olhos de surpresa e sentir o coração quase parar do choque. Numa corrida contra o tempo, numa fuga desesperada, Scarlet e Cinder vão ter de enfrentar o desconhecido ao lado de quem menos esperam e, se uma vê a sua vida virar-se do avesso por causa de uma lenda urbana, a outra vai ter de aprender a enfrentar quem realmente é enquanto a paz entre dois mundos se desfaz em frágeis pedaços. Numa narrativa cheia de coragem, adrenalina e humor inesperado, muito nos é desvendado sobre este mundo extremamente imaginativo de Meyer. Da Comunidade Oriental à França, numa fuga numa nave espacial, descobrimos mais sobre o passado de Cinder, o que a une a Scarlet e os planos de Levana para conquistar o mundo, em cenas que nos deixam estupefactos de surpresa e não nos permitem largar o livro até ao virar da última página. Mas mais segredos são colocados no nosso caminho, mais aventuras estão prestes a ser vividas e o fim deixa-nos, literalmente, a salivar pelo próximo livro enquanto a nossa mente já imagina o que irá acontecer a seguir.


  A adaptação de o Capuchinho Vermelho a este mundo é tão brilhantemente alcançada como a de Cinderela ao livro anterior. A forma como a autora encaixou ambos os contos, unindo todas as peças, é de deixar qualquer um não só admirado como apaixonado por esta história. Desde a desenvoltura e temeridade de Scarlet à ingenuidade e brutalidade de Wolf, tudo foi feito para nos conquistar e surpreender. Os elementos do conto são bastante bem enquadrados na história, permitindo à imaginação da autora e à nossa voar um bocadinho mais alto, principalmente a parte lupina que além de original adiciona um bocado mais de ambição e malevolência à Levana. 


  As personagens continuam carismáticas e fantásticas bem como irreverentes e um bocadinho loucas. Cinder continua a ser uma heroína de encher as medidas que, acompanhada da androide mais fofa de sempre, tem de fazer de tudo para se manter em liberdade, descobrir o que lhe aconteceu e, ainda acabar com Levana. Já Scarlet tem também uma faceta desvairada e corajosa mas enquanto Cinder é mais racional ela é completamente impetuosa. Mas Wolf foi para mim a surpresa deste livro. Não sei do que estava a espera mas não era certamente disto e, definitivamente, estou rendida a ele. É uma personagem de todo inesperada e que, parece-me, irá arrancar muitos suspiros. De resto, desde Kai a Levana, a todo um elenco de novas personagens, todos contribuíram para tornar esta leitura algo não só aliciante, como divertida e encantadora.


  Depois de Cinder, Marissa Meyer conseguiu o impensável e fez ainda melhor. Escreveu Scarlet. Uma caixa de surpresas, doce e apetitosa, viciante e audaz, que conquista ainda mais os fãs e nos faz desesperar pelo próximo. Cress esperamos por ti e não nos desiludas porque as expectativas são ainda maiores. Das melhores séries distópicas da actualidade, dos melhores retellings alguma vez escritos, As Crónicas Lunares são para a criança insatisfeita e ousada que existe dentro de cada um de nós.

7*
 
As minhas opiniões da série

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Tentações: Scarlet [Planeta Manuscrito]

A autora best-seller do The New York Times regressa agora com o segundo
livro da série Crónicas Lunares, uma moderna distopia baseada
nos contos de fadas clássicos.

Na sua livraria dia 19 de Setembro



Título: Scarlet
Título Original: Scarlet
Autor: Marissa Meyer
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 384
Preço: €18.85
 
 
 
 
*Marissa Meyer*
 Vive em Tacoma, Washington, na companhia do marido e de dois gatos. É fã de coisas bizarras, como Sailor Moon ou Firefly e organiza a biblioteca por cores. Desde criança que é apaixonada por contos de fadas,um mundo que não tenciona abandonar. Pode ser que seja cyborg, ou talvez não. Cinder é o seu primeiro romance.  


Scarlet
Sinopse: Cinder elabora um plano para fugir da prisão e, se for bem-sucedida, irá tornar-se a fugitiva mais procurada da Comunidade. 
    Do outro lado do mundo, a avó de Scarlet Benoit desapareceu. Scarlet entra em pânico e, na sua busca, acaba por descobrir que existem muitas coisas sobre a avó que desconhece, assim como ignorava o grave perigo que correu toda a vida.
   Quando Scarlet encontra Wolf, um lutador de rua quepoderá ter informações sobre o paradeiro da avó, sente-se relutante em confiar nele, mas ao mesmo tempo sente-se inexplicavelmente atraída.
   Scarlet e Wolf tentam desvendar o mistério do desaparecimento da avó, mas deparam-se com outro quando encontram Cinder.
  Além de todos os problemas em que estão mergulhados, ainda terão de antecipar os passos da maléfica rainha Levana, que fará qualquer coisa para que o belo príncipe Kai se torne seu marido, seu rei, seu prisioneiro.  
 
 
Porquê uma tentação?
Porque eu AMEI o primeiro volume Cinder e estou há meses desesperada para colocar as mãos em cima deste livro que tenho a certeza também vou amar!
 
 
 
O Primeiro Volume da Série
 
 
 *Opinião*

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Opinião - Cinder

Título Original: Cinder (#1 Lunar Chronicles)
Autor: Marissa Meyer
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 326

Sinopse
 Com dezasseis anos, Cinder é considerada pela sociedade como um erro tecnológico. Para a madrasta, é um fardo. No entanto, ser cyborg também tem algumas vantagens: as suas ligações cerebrais conferem-lhe uma prodigiosa capacidade para reparar aparelhos (autómatos, planadores, as suas partes defeituosas) e fazem dela a melhor especialista em mecânica de Nova Pequim. É esta reputação que leva o príncipe Kai a abordá-la na oficina onde trabalha, para que lhe repare um andróide antes do baile anual.

Em tom de gracejo, o príncipe diz tratar-se de «um caso de segurança nacional», mas Cinder desconfia que o assunto é mais sério do que dá a entender.

Ansiosa por impressionar o príncipe, as intenções de Cinder são transtornadas quando a irmã mais nova, e sua única amiga humana, é contagiada pela peste fatal que há uma década devasta a Terra. A madrasta de Cinder atribui-lhe a culpa da doença da filha e oferece o corpo da enteada como cobaia para as investigações clínicas relacionadas com a praga, uma «honra» à qual ninguém até então sobreviveu. Mas os cientistas não tardam a descobrir que a nova cobaia apresenta características que a tornam única. Uma particularidade pela qual há quem esteja disposto a matar.


Opinião

Desde pequena que Marissa sente uma ligação aos livros, daí talvez que uma das suas primeiras palavras tenha sido história e que o seu brinquedo preferido fosse um livro macio, daí que quisesse ser escritora desde que descobriu que tal carreira existia. O primeiro passo deu-se aos catorze anos quando a melhor amiga a apresentou aos desenhos animados Navegantes da Lua e à fanfiction, duas coisas que para si estariam ligada durante muito tempo já que sobre um pseudónimo Marissa iria escrever mais de quarenta histórias baseadas nas cinco guerreiras da Lua.

A sua paixão pela escrita resultaria num Bacharelato de Escrita Criativa e Literatura Infantil e num mestrado em Publicação. Mais tarde, trabalharia como editora, compositora e revisora até, finalmente, publicar seu primeiro livro Cinder. Nomeado para dois prémios, o livro já conta com traduções para mais de vinte idiomas apesar de ter sido apenas publicado o ano passado. O primeiro livro de uma série de quatro, Cinder surgiu da participação da autora num concurso com um conto sobre o Gato das Botas no futuro e foi originalmente uma história NaNoWriMo. Para a personagem principal a autora inspirou-se na actriz Mew Azama que representa a Navegante de Júpiter.

Esqueça o sapatinho de cristal. Esqueça o badalar da meia-noite, a abóbora e os ratinhos. Esqueça a fada madrinha e tudo o resto porque esta Gata Borralheira vai-lhe contar uma história que não mais irá esquecer. Aqui a Cinderela é mecânica, cyborg e sem papas na língua. Bem-vindos a Nova Pequim.

Debaixo das luvas com que sempre anda, Cinder esconde uma verdade que ainda repugna a Comunidade, guarda-a para que os olhares enojados e os comentários maldosos não passem da soleira da sua porta, esconde-a para que a sua reputação não sofra nem ela. Sem recordações de um passado normal, cyborg desde um primeiro momento de olhos abertos, ela não conhece nada antes desta vida, uma vida suja e maltratada onde poucos a amam e muitos lhe viram a cara até ao dia em que o príncipe da sua nação entra na sua oficina e altera todo seu mundo, tudo o que sabe e tudo o que ela é. De uma vida triste, solitária e resignada, ela parte para uma intriga que não compreende e esconde segredos que não conhece, onde o perigo é maior do que ela pensa, onde o seu inimigo tem outra cara, onde pode perder quem ama mas salvar um povo que nunca a quis aceitar.

Numa estreia espectacular, Marissa consegue ultrapassar expectativas, conquistar corações, fazer-nos devorar o seu livro e suplicar por mais enquanto constatámos que não mais veremos a Cinderela e os cyborgs da mesma maneira, que não mais veremos um conto de fadas sem exigirmos ainda mais. Pegando na ideia de um clássico que todos conhecemos, a autora consegue transpor a alma do conto de fadas para uma dimensão futurista onde a história é diferente, onde nada é o que devia mas que consegue manter o espírito, onde, se olharmos através do espelho continuaremos a ver o conto de fadas mas o seu reflexo irá devolver-vos algo ainda mais brilhante, algo original, inesperado, algo que ficará na nossa memória e atiçará a nossa imaginação.

Com uma escrita doce, divertida e emocionante, a autora consegue enganar-nos à primeira vista já que não nos apercebemos de imediato do arrebatamento que nos toma desde a primeira palavra mas apenas quando sentimos os ares mudarem, apenas quando sentimos o primeiro arrepio é que percebemos que já estámos perdidos, é que percebemos que esta não é uma história de cristais e varinhas mas de electrónica e metais. Ao longo de uma narrativa emotiva e voraz, vemos de outra forma as diferenças e os sonhos, a liberdade e a opressão, a modernidade e a magia, concebemos novas ideias, adaptámos velhos conhecimentos e somos embalados por uma voz que, ao princípio tímida, irá ganhando cada vez mais força até nos ter completamente encantados. Com um enredo de reviravoltas e segredos, momentos inesperados e uso de velhos símbolos para novos significados, Cinder vai-nos mantendo, página a página, ofuscados com a sua simplicidade aparente, presos pela sua dualidade perfeita de futuro e conto, surpreendidos pela força com que se vai desenvolvendo e tornando uma história que é muito mais.

Através de personagens que estão longe de ser típicas, sentiremos a revolta, a dor, a esperança. Poderemos ver os medos do passado, o presente assombrado e o futuro incerto mas também sentir a doçura, a ingenuidade e os sonhos de quem ainda não chegou ao fim e está apenas no início. Cinder é uma protagonista que vai espantar e conquistar, que fará esquecer as diferenças e vos fará preferir esta Cinderela pois ela é um misto de revolta e desejo, de orgulho e medo, de doçura e força, é algo que não estão a espera e vos irá surpreender em cada momento. Não é uma adolescente típica, é uma mecânica e não uma princesa, é o resultado de valores antigos unidos com inovações tecnológicas que vos deixará de rastos, é uma caixinha de surpresas que tem sempre mais um truque. Ela é a protagonista de quem têm estado a espera e que revolucionará as distopias e os retellings, que vos fará sorrir e apertar o coração, aquela de que se orgulharão.

Este livro é uma união perfeita de originalidade e história conhecida, é um livro que todos pensam que sabem como começa e acaba mas que vos trocará todas as voltas. O enredo é explosivo, encantatório, é o céu antes da tempestade eclodir, é por isso, um feitiço disfarçado de calmaria onde as amarras não são fortes o suficiente para segurar o que está para vir.

Depois de lerem este livro, o filme da Disney saber-vos-á a pouco, o conto de Perrault será uma fantasia obscurecida e nada mais vos irá satisfazer como este conto de fadas moderno que revolucionará as memórias de infância e as mentes de hoje.

7*