Título Original: The Book Thief
Autor: Markus Zusak
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 463
Sinopse
Molching, um pequeno
subúrbio de Munique, durante a Segunda Guerra Mundial. Na Rua Himmel as
pessoas vivem sob o peso da suástica e dos bombardeamentos cada vez mais
frequentes, mas não deixaram de sonhar. A Morte é a narradora
omnipresente e omnisciente e através do seu olhar intemporal, é-nos
contada a história da pequena Liesel e dos seus pais adoptivos, Hans, o
pintor acordeonista, e Rosa, a mulher com cara de cartão amarrotado, do
pequeno Rudy, assim como de outros moradores da Rua Himmel, e também a
história da existência ainda mais precária de Max, o pugilista judeu,
que um dia veio esconder-se na cave da família Hubermann. Um livro sobre
uma época em que as palavras eram desmedidamente importantes no seu
poder de destruir ou de salvar. Um livro luminoso e leve como um poema,
que se lê com deslumbramento e emoção.
Opinião
Filho de pai austríaco e mãe alemã, Markus cresceu a ouvir histórias da Alemanha Nazi, compreendendo o poder das palavras e dos símbolos e sabendo que a visão da Nação unida era tão real quanto a presença das pessoas que à sua maneira se debateram contra as amarras de um líder, de uma guerra e de um povo.
Filho de pai austríaco e mãe alemã, Markus cresceu a ouvir histórias da Alemanha Nazi, compreendendo o poder das palavras e dos símbolos e sabendo que a visão da Nação unida era tão real quanto a presença das pessoas que à sua maneira se debateram contra as amarras de um líder, de uma guerra e de um povo.
Nasceu em Sidney, é o mais novo de quatro irmãos e aos
trinta anos afirmou-se como um dos romancistas mais aclamados dos nossos dias
mas não deixou de ser surfista nem de ver filmes. Pai de uma menina, Markus
escreve livros para jovens e já foi galardoado com vários prémios.
A Rapariga que Roubava
Livros é o sexto trabalho de Markus e um fenómeno literário a escala
mundial. Vencedor de quase dez prémios literários e nomeado para outros tantos,
este é daqueles livros que ficará para a posterioridade, um futuro clássico que
será lido por gerações. Neste momento a ser adaptado para cinema, deverá
estrear no próximo ano e conta Geoffrey Rush e Emily Watson para o elenco.
Para os amantes de livros, para os que apreciam a História
da Segunda Guerra Mundial, para os que compreendem o conceito de amizade, honra
e família, e para tudo o outro tipo de leitores, este é o livro que os irá
inspirar.
Esta é a história de uma rapariga que roubou um livro antes
de saber ler. Esta é a história de uma rapariga que roubava livros em vez de
comida. Esta é a história da rapariga que enfrentou a Morte e a inspirou.
Na Alemanha Nazi havia mais do que o Partido e os seus
longos braços. Existiam os Judeus. Existiam as classes baixas. Os que
trabalhavam, morriam, os que tinham medo de levantar a voz. A raça perfeita
também tinha imperfeições e este livro é a voz que lhes faltou. A voz dos que
tinham fome, dos oprimidos, dos sacrificados, contada por aquela que foi a
maior arma do Führer. A Morte. A bela,
a brilhante, a sublime. É ela que nos conta o outro lado da História dos que se
achavam vencedores e acabaram vencidos. É a sua voz que nos embala e aconchega
aqui.
Markus brilha neste livro com uma luz imensa, uma luz que se
transcende nas suas palavras, que nos alcança a alma e se fixa nos nossos
corações. De uma forma magistral, ele conta-nos uma história que podia ser
igual a tantas outras mas que na sua inocência em tempos de crueldade nos
arrebata como nenhuma outra, mesmo que saibamos que o Fim é certo e que ao
virar de cada página podemos perder alguém de quem aprendemos a gostar e a
admirar.
Este livro é sobre palavras, sobre o seu poder, e ninguém
seria melhor para as usar pois Zusak compreende o seu âmago, dá-lhes vida,
entrelaça-as com magia, transmitindo com elas sensações e sentimentos de uma
forma tão sublime que não podemos, não devemos, deixar de nos enternecer, de
chorar ou quebrar pela história destas palavras, destes livros, desta rapariga.
A verdade, é que ele é o mestre e esta a sua obra-prima.
Com um ritmo cadenciado, pautado por verdades, fábulas e
vozes sussurradas e um grito de revolta, este livro leva-nos a ver uma Alemanha
vista pelos olhos das crianças. Produtos de uma educação, de um regime, de um
tempo, elas viram, compreenderam e à sua maneira também mostraram o seu
desagrado, também sussurraram, também esconderam, também tremeram. Nos seus
corpos, os de Liesel e Rudy, sentimos as amarras do Nazismo, o medo, a
incompreensão. Pelos seus olhos, vemos o lado dos que apoiavam, o dos que
temiam, o dos que enfrentaram. Olhámos pelo olhar dos inocentes que à sua forma
a despiram para envergar a casaca da mudança e da esperança. Vemos pelos seus
olhos e pelos da Sábia quão efémera, suspensa e inacreditável é a vida.
Nesta história sobre histórias e vidas, há duas personagens
que se destacam. A protagonista, Liesel, a rapariga que roubava livros e a
narradora, a Morte, a própria. Na primeira encontrámos as marcas de uma época
negra e a força de uma educação pobre, por um lado doce, por outro mais bruta dígamos
assim, mas onde o amor, a justiça, a compreensão e a lealdade existem mesmo que
tenham de tremer por trás dos sorrisos. Enquanto a vida e a guerra passam por
ela, Liesel enfrenta a Morte, lê e rouba livros, aprende na cave o que o mundo
não lhe pode ensinar. Ela é o exemplo de uma inocência não desaparecida mas
endurecida, de quem perde mas não desiste. Ela é a inspiração e o mote para a
vida de muitos, até para a Morte.
Nesta história, a Morte é desmistificada. A Morte
acompanha-te. Está ao teu lado, leva os teus, espera por ti. Neste livro ela é
a narradora. Não, mais do que isso. Ela é A narradora, é o espírito, a
transportadora das palavras, a arma do Mal que embala as almas no seu colo e
lhes beija a testa. Por ela, sorrirão, segurarão o livro com mais força. Por ela,
amarão ainda mais a rapariga que roubava livros. A Morte é a razão da
magistralidade deste livro, é por ela, mais por ela, que o autor merece uma
ovação pois a forma magistral como ele lhe dá vida, como ele a humaniza é de um
talento sem igual porque depois de a conhecerem, nenhum outro narrador poderá ofuscá-la.
Por entre personagens únicas e vidas ímpares, vivesse uma
atmosfera de calma antes da tempestade. Cada um deles simboliza algo, vos dirá algo.
Todos terão algo para vos contar e ensinar neste livro, nesta obra-prima que
viverá gerações.
Um clássico da actualidade, um clássico que durará vidas, A Rapariga Que Roubava Livros é uma obra
que palavra nenhuma pode descrever mas onde todas as palavras ganham vida.
7*
