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segunda-feira, 26 de março de 2012

Opinião - Vidro Demónio

Título Original: Demonglass (#2 Hex Hall)
Autor: Rachel Hawkins
Editora: Gailivro
Número de Páginas: 288

Sinopse
 Sophie Mercer pensava que era uma bruxa.

Foi por essa razão que foi enviada para Hex Hall, um reformatório para delinquentes Prodigium (bruxas, mutantes e fadas). Mas isso foi antes de ela descobrir o segredo da família, e que a sua paixão escaldante, Archer Cross, é um agente de O Olho, um grupo determinado em eliminar todos os Prodigium da face da Terra.

Afinal Sophie é um demónio, um de dois que existem no mundo - sendo o outro seu pai. O pior é que os seus poderes ameaçam as vidas de todos aqueles que ela ama. É precisamente por isso que Sophie decide ir para Londres para a Remoção, um procedimento perigoso que irá destruir os seus poderes.

Mas ao chegar, Sophie faz uma descoberta terrível. Os seus novos amigos também são demónios, o que significa que alguém os anda a criar com planos para usar os seus poderes para o Mal. Entretanto O Olho está à caça de Sophie, e está a usar Archie para isso. E no meio de tudo isto Sophie ainda tem de lidar com os sentimentos que não deveria ter por Archie.


Opinião 
 Sophie Mercer não é uma protagonista como as outras. Esta é a primeira coisa que pensámos quando entrámos em contacto com Hex Hall pela primeira vez. Num reformatório para adolescentes pouco comuns, Sophie vai descobrir que tudo em que acreditava não é tão claro como pensava. Depois do choque do resto do seu mundo desabar sem mais nem menos, a bruxa que afinal é um demónio, vai ter de lidar com os segredos daqueles que estão intrinsecamente ligados a si e com um inimigo que afinal não é uma lenda para assustar criancinhas.
Depois de Hex Hall, tudo muda. Hawkins aproveita este Vidro Demónio para deslindar o que se passa fora do reformatório e para aprofundar o que são os Prodigium e qual a ligação de Sophie e do pai com o conselho que rege todas as criaturas fantásticas. A realidade é que não se sente falta do espaço de Hecate Hall neste livro. A alteração de cenário contribui para abrirmos novos horizontes na leitura das aventuras de Sophie e traz mistérios e novos conceitos que permitem uma leitura mais refrescante sem nos sentirmos presos ao livro anteriro e, por outro lado, impede-nos de ver as falhas que se iria encontrar se a autora tivesse mantido a mesma linha do livro anterior.
Este continua a não ser um livro perfeito e mantém as fraquezas que já havia apontado ao volume anterior mas este é bem mais interessante, apesar de continuar a faltar uma explicação que nos situe melhor na história e que poderia causar um apego maior à obra. O “corte” suave com a situação deixada anteriormente e a forma como se começa a abordar o mundo em redor destas criaturas fantásticas faz com que leiamos mais entusiasticamente este livro.
Contudo, existe uma discrepância entre história e informação. A autora continua sem nos conseguir transmitir qual será afinal o rumo da história. Com a introdução de várias coisas novas, Hawkins desnorteia-se um bocado e deixa os seus leitores com a sensação de vazio no fim. Passa-se muita coisa dispensável e o importante acaba por passar ao lado devido à sua pouca exploração. Uma leitura portanto que entretém mas que não deixa saudades nem boas memórias, exceptuando Sophie.
É engraçado porque eu continuo a sentir que Sophie é uma personagem boa de mais para a história que a autora lhe criou. Esta é uma protagonista que por mais abalada sabe que o que quer muitas vezes tem de ficar em segundo plano e que apesar da confusão estar instalada consegue não se tornar deplorável e manter uma posição decisiva. De resto, sinto que houve um esforço forte na sua caracterização mas não com as restantes personagens. Archer, por exemplo, aparece muito pouco, o que é uma pena, pois este é uma personagem bem mais interessante e misteriosa do que as restantes que aparecem regularmente. Não consigo sentir ligação com qualquer outra personagem e algumas permanecem uma incógnita para mim.
O livro termina de uma forma emocionante que equilibra o resto do livro e que dá curiosidade para ler o próximo mas acaba por destoar de uma forma estranha e não achei que encaixasse ou não me consegui identificar com o caminho que a série está a seguir. Gostava de ver o tema dos demónios mais explorado mas parece que ainda vai demorar.
No fim, acaba por ser mais uma leitura que não aquece nem arrefece e que ficou longe, muito longe, do que podia ser. Não fiquei com pressa de ler o próximo e agora tenho a certeza que este não é o meu tipo de livro.

 4*

segunda-feira, 19 de março de 2012

Opinião - Hex Hall

Título Original: Hex Hall (#1 Hex Hall)
Autor: Rachel Hawkins
Editora: Gailivro
Nº de Páginas: 240

Sinopse
 Virei-me para sair, mas a porta fechou-se a poucos centímetros da minha cara. De repente, um vento pareceu soprar através da sala e as fotografias nas paredes chocalharam. Quando me virei de novo para as raparigas, estavam as três a sorrir, os cabelos a ondularem-lhes a volta dos rostos como se estivessem debaixo de água. O único candeeiro da sala tremeluziu, e apagou-se. Eu apenas conseguia distinguir faixas prateadas de luz que passavam sob a pele das raparigas, como mercúrio. Até os seus olhos brilhavam.Começaram a levitar, as pontas dos sapatos regulamentares de Hecate mal tocando a carpete musgosa. Agora, já não eram rainhas do baile de finalistas, nem supermodelos – eram bruxas, e até pareciam perigosas. Apesar de me debater contra a vontade de cair de joelhos e colocar as mãos acima da cabeça, pensei, “Eu também seria capaz de fazer aquilo?

Opinião 
 
Nos últimos anos a literatura tem sido invadida por um género específico de livro, para um grupo alargado de leitores que ora adoram este tipo de livro, ora não o suportam. O estilo YA paranormal, recheado de adolescentes problemático(a)s que se apaixonam  por criaturas fantásticas, tem assolado as prateleiras das livrarias, com enredos pouco originais, em que por uma vez ou outra, surge algo “semi-novo” que provoca uma nova moda.
Hex Hall tem uma temática igual a tantas outras, com os mesmos ingredientes, os mesmos problemas e tenta ganhar um lugar ao sol neste género mediático. Não criou uma nova moda mas tem divertido aqueles que gostam de juntar todos estes seres imaginários num só espaço.
Eu não sou grande fã deste tipo de livros, o que não quer dizer que não seja surpreendida de vez em quando. Hex Hall de uma certa maneira conseguiu ser uma surpresa. Depois de uma fã ter insistido para eu ler este livro, já que fui eu que lho dei, percebi que o livro tinha tido o objectivo que eu pretendia, que era o de uma pessoa que mal lê, se divertir a ler um livro e até, ficar viciada. Mas, tal como eu tinha imaginado, não é o livro certo para mim.
Sim, surpreendeu-me mas só em alguns aspectos porque de resto é exactamente o tipo de livro que eu evito. Tem  a mesma receita de outros quinhentos livros com sinopses parecidas, parece uma cópia barata de Hogwarts, tem adolescentes histéricas e com problemas psicológicos e um amor proibido mais os tipos maus. Então no que foi que isto me surpreendeu?
Sophie Mercer. Hawkins conseguiu o que muitas escritoras deste género não conseguiram. Criar uma protagonista irónica, diferente, sincera e que não tem vergonha do que vão pensar nela. Basicamente, uma adolescente saudável que é bruxa. Quem fala da protagonista, fala do protagonista. O rapaz diferente, com um humorzinho daqueles que afinal não é nada o que parece. Pena a história de amor cliché porque estes dois mereciam muito mais do que isto.
Restantes personagens são tão típicas que não tiveram gracinha nenhuma. A directora fez-me lembrar a da escola das Winx, o que significa aborrecida até dizer chega (se não viram, não vejam). O resto é banal e foram tiradas daqui e dali. Nada de novo.
Depois temos a tal cópia de Hogwarts que tem um ponto positivo: é diferente. Todas as espécies de seres fantásticos juntos num reformatório por mau comportamento. Tem a sua piada, pena é não ter sentido nenhum nem estar bem explicado. Continuo sem perceber como é que eles aprendiam alguma coisa se não fossem para lá.
A outra parte que teve piada foi a descoberta da Sophie através de uma ancestral sobre o que realmente é. Isto sim foi original mas, mais uma vez, mal explicado. Acho que um bocadinho mais de profundidade não tinha feito mal, o livro até tinha ficado a ganhar e Hawkins podia sair do degrau “de todas as outras” e subir até ao topo mas fica comprovado que fazer livros para vender aos fãs dos outros é mais fácil.
Para mim, é uma pena, a escritora tem uma escrita divertida e sarcástica que nos faz rir e consegue dar-nos uma leitura fácil e agradável mas podia ser tão melhor que não consigo evitar pensar que ela tinha potencial para muito mais.
Se vou ler o seguinte? Vou, até porque a dona já mo emprestou e quero saber o que acontece a Sophie. Se os tinha comprado para mim? Ainda bem que não o fiz. Como até são emprestados, leio, divirto-me e não penso mais nisso.

4*