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sábado, 9 de março de 2013

Opinião - Acácia, Outras Terras

Título Original: Acacia: The Other Lands (#2.1 Acácia)
Autor: David Anthony Durham
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 336

Sinopse
 Um rei assassinado pelo seu mais antigo inimigo.
Um império dominado por um povo austero e intolerante.
Quatro príncipes exilados determinados a cumprir um destino.
Recuperar o trono de Acácia poderá ter consequências devastadoras.

A luta apocalíptica contra os Mein terminou. Uma vitoriosa Corinn Akaran reina no Império Acaciano do Mundo Conhecido. Apoiada no seu conhecimento de artes mágicas do livro A Canção de Elenet, ela reina com mão de ferro. E reconstruir um império desgastado pela guerra não é fácil. Das misteriosas Outras Terras, chegam à corte notícias inquietantes, e Corinn envia o seu irmão, Dariel, como emissário pelos mares tempestuosos das Encostas Cinzentas.

Ao chegar àquele distante continente, este antigo pirata é apanhado numa rede de velhas rivalidades, ressentimentos, intrigas e uma crescente deslealdade. A sua chegada provoca um tal tumulto que o Mundo.

Conhecido é de novo ameaçado pela possibilidade de invasão — algo que tornaria os anteriores perigos numa brincadeira de crianças. Sem aparentes obstáculos, um novo ciclo de acontecimentos que irá arruinar e remodelar o mundo está prestes a começar…


Opinião

Com raízes nas Caraíbas, este autor nascido na Grande Maçã e criado no estado sulista de Maryland, casou com uma escocesa e passou os últimos quinze anos a mudar-se entre estados americanos, Reino Unido, Escócia e França antes de assentar na Califórnia onde vive com a mulher e os filhos. Professor universitário, David estreou-se na escrita enquanto andava na faculdade, tendo escrito diversos contos premiados e dois romances que nunca viriam a ser publicados até que em 1999, quando viveu em França, deu vida ao seu primeiro livro publicado e que através do qual iniciaria a sua carreira de escritor de ficção histórica pelo qual foi premiado.

Antes de entrar na Fantasia, Durham escreveria mais dois livros baseados em factos históricos até que em 2007 o primeiro volume de Acácia foi publicado e o catapultou para a fama como o autor revelação do género nas últimas décadas. A sua trilogia está a ser traduzida em dez países e os direitos do primeiro livro foram vendidos para cinema. Acácia – Outras Terras é a primeira parte do segundo livro da trilogia e chega-nos finalmente, um ano depois do volume anterior.

Uma dinastia que durante vinte e duas gerações reinou em pleno poder. Uma dinastia quebrada pela guerra, pela morte e pela traição. Uma dinastia renascida das cinzas, uma família unida pelo sangue e separada pelos ideais. Dez anos depois, os Akaran têm de novo o Mundo Conhecido aos pés mas nada correu como seria esperado pois no trono senta-se a bela e as promessas que encheram os corações há muito que foram feitas em pó mas nada foi esquecido e as vozes estão prestes a levantar-se. Corinn, Dariel e Mena são os últimos de um passado marcado pelo luxo e opressão e cada um deles já provou o que vale só que por trás das faces esconde-se mais do que se quer ver e mais uma vez eles serão colocados à prova, mais uma vez a coroa pode cair e o sangue derramar-se.

Depois dos acontecimentos que se desenrolaram nos dois livros anteriores, foi com expectativa e alguma ansiedade que finalmente regressei a Acácia pois Durham conseguiu iludir e trocar as voltas aos seus leitores nos volumes anteriores e tudo o que pensávamos saber sobre esta história ganhou novos horizontes, novas importâncias e um desenlace completamente inesperado. Através de uma escrita marcada pelo compasso dos murmúrios intriguistas, do bater da esperança e dos gritos de revolta, Durham apanha-nos de novo de surpresa e volta a mostrar-nos que Acácia não é uma história linear mas um intricado mundo onde culturas, religiões, ideais e povos diversas têm a sua própria identidade e objectivos e que nada mas mesmo nada acontece como seria de prever. Numa narrativa que sofre pela divisão do livro encontrámos mais uma vez uma complexidade quase simples que desta vez é marcada por uma diversidade, cultural e social, que não encontrámos tão exposta nos anteriores.

Os príncipes Akaran, são de novo, o centro da história mas desta vez partilham o protagonismo com novas personagens que irão mudar os acontecimentos e mostrar que dez anos de paz não escondem o amor que Aliver ganhou dos seus seguidores e que depois de vinte e duas gerações de poder total e opressão será Corinn, a bela e fria rainha, a ter de pagar pelos erros da sua dinastia. Ao longo destas páginas iremos ver as intrigas ganhar força, veremos o movimento que envolve uma corte, os apoios e os inimigos, e a forma como para o bem e para o mal actos passados e presentes marcam uma geração, um império e uma família. Com revelações surpreendentes e acontecimentos inesperados, a acção deste livro ganha vida própria e supera tudo o que se podia pensar deste mundo pois mais uma vez as cartas podem não ser as que esperámos e os peões podem não ser quem pensámos.

Recuperar o trono devastou mais e da forma mais profunda qdo que se poderia imaginar e o facto de desta vez percorrermos um espaço geográfico maior vai-nos proporcionar uma visão mais vasta das correntes que subjugam, dos laços que apertam e das ínfimas ligações que podem virar a maré para um lado ou para o outro. Outra novidade é pudermos observar tanto a opulência do palácio como a revolta e a miséria dos pobres o que nos permite perceber até onde vai o poder, até onde a intriga chega e como um pequeno passo pode mudar tudo para todos.

Fica claro também que os príncipes Akaran, tão diferentes, tão poderosos à sua maneira, lendas vivas que carregam o peso de um nome maldito, terão de percorrer caminhos diferentes e que as qualidades e defeitos de cada um vão colocá-los a prova e eles terão de provar que não só amadureceram como não são quem todos pensão. É através deles que mais notámos a complexidade e humanidade que o autor dá as personagens, deixando-nos entrever tanto o lado lendário como o lado mais pessoal, conseguindo com que não só os compreendamos como os admiremos.

Um livro que fica marcado pelo corte da acção a meio que não ajuda os leitores, este terceiro volume de Acácia é provavelmente e finalmente o volume pelo qual quem ainda não é fã esperava e aquele que fará os já rendidos esperarem impacientemente pelo próximo livro. David mostra neste livro, mais uma vez, o que vale como autor e que não deve ser esquecido quando se fala em Fantasia épica pois ele ainda não mostrou tudo o que vale. Que o próximo venha rápido e que volte a surpreender.

6*

As minhas opiniões da série:
Acácia, Ventos do Norte
Acácia, Presságios de Inverno

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Opinião - Acácia, Presságios de Inverno

Título Original: Acacia: The War with the Mein (#1.2 Trilogia Acácia)
Autor: David Anthony Durham
Editora: Saída de Emergência
Nº de Páginas: 368


Sinopse
 Um rei assassinado pelo seu mais antigo inimigo.
Um império dominado por um povo austero e intolerante.
Quatro príncipes exilados determinados a cumprir um destino.
Recuperar o trono de Acácia poderá ter consequências devastadoras.

Há muito que o Reino de Acácia deixou de ser governado em paz a partir de uma ilha Idílica por um rei pacificador e pela dinastia Akaran. O cruel assassinato do rei trouxe muitas mudanças e grande sofrimento. Com a conquista do Trono do Mundo Conhecido por parte de Hanish Mein, os filhos de Leodan Akaran são forçados a refugiarem-se em zonas longínquas que desconhecem. Sem tempo para fazer o luto pelo seu pai, os jovens príncipes são separados e jogados à sua sorte num mundo cada vez mais hostil. E é entre piratas, deuses lendários, povos guerreiros e espíritos de feiticeiros que encontram a sua força e a sua verdadeira essência. Entretanto, Hanish continua empenhado na sua missão de libertar os seus antepassados e finalmente entregar-lhes a paz depois da morte. Mas para isso, os Tunishnevre precisam de derramar o sangue dos príncipes herdeiros…
Conseguirá Hanish capturar os filhos do falecido rei Akaran? Voltarão a cruzar-se os caminhos dos quatro irmãos? Estará o coração de Corinn corrompido e rendido à paixão por Hanish ou dormirá com o inimigo apenas para planear a reconquista do Trono de Acácia? E se, de olhos postos na vitória, os herdeiros de Akaran voltarem a sofrer o mais duro dos golpes?


Opinião 
 A segunda parte do primeiro volume da Trilogia de Acácia, traz-nos as mudanças e as resoluções que todo o Mundo Conhecido está prestes a sofrer e, mais uma vez, o controlo do Trono está entre Hanish Mein e os herdeiros de Leodan Akaran. Com destinos afastados mas entrançados os quatro príncipes têm uma guerra para vencer, em que vão ter de escolher entre o passado e um novo futuro, entre lutarem por si próprios ou convocarem os antepassados e em que nada pode correr como estão a espera. Numa aventura inigualável por um novo mundo, Durham dá-nos a sua visão tão elogiada no mundo da Fantasia.
Mais uma vez, vou ter de referir a pena que tenho que este livro tenha sido dividido em duas partes. Apesar de achar que a divisão foi bem feita, uma vez que cada parte conta uma história diferente, acho que este livro teria tido uma maior aceitação entre os leitores se tal divisão não tivesse acontecido. Por outro lado, tenho de elogiar as capas desta série. São lindas! E são umas lombadas que ficam tão bem na estante!
Quanto ao livro em si, não estava a espera de nada de surpreendente e de uma segunda parte calma, em que não houvesse grandes mudanças… como eu estava enganada! O autor começa calmamente para a partir do meio do livro nos encher de grandes momentos, surpresas inesperadas e um final auspicioso surpreendente, prometendo dois próximos volumes enigmáticos. Para quem pensava, como eu, que sabia como esta trilogia ia terminar, este livro desengana-nos por completo.
Infelizmente, achei que a acção foi demasiado rápida, não sei se é por estar habituada à lentidão do Martin, mas pareceu-me que foi tudo pouco explícito e que vários momentos e situações teriam sido muito melhores aproveitadas se mais explicadas ou se tivessem sido mais demoradas. Em contrapartida, temos mudanças de alto risco na história, mortes que me surpreenderam muito, principalmente a de uma personagem que eu considerava indispensável para esta história mas enfim, o autor lá terá as suas razões.
Mesmo assim, fiquei estupefacta com o rumo que o livro levou, e apesar de achar que devia ter sido melhor explorado e feito com mais calma e pormenor, este segunda parte consegue agarrar o leitor a meio do livro com momentos brilhantes de escrita.
Outra coisa que tem-se de elogiar é as suas personagens. A variedade de personalidades que encontrámos, principalmente nos príncipes Akaran é soberba, e o escritor soube aproveitar as características da meninice, as reviravoltas do passado e a forma como cada um foi criado para criar quatro personalidades distintas, fortes entre si, e que acabam por se tornar os pontos altos deste livro. De salientar, Corinn, a minha personagem preferida, que neste livro demonstra muito mais do que seria de esperar da princesa fútil. Também, Maender e Hanish, são duas personagens de peso, diferentes entre si, que proporcionaram momentos de grande relevo.
Mantêm-se as características na escrita e a qualidade soberba deste Mundo Conhecido. Durham apresenta-nos novas sociedades e povos e uma mensagem acerca da pluralidade de povos que devia ser ouvida actualmente e que nos põe a pensar.
Foi um livro que me surpreendeu mas ao mesmo tempo queria muito mais dele, vamos ver o que o próximo volume nos traz. Recomendo-o a qualquer pessoa que goste de Fantasia e não seja elitista porque muito possivelmente não sabem o que estão a perder.



6*

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Opinião - Acácia, Ventos do Norte

Título original: Acacia - The War With The Mein
Autor: David Anthony Durham
Editora: Edições Saída de Emergência
Número de páginas: 368


Sinopse
Um assassino enviado das regiões geladas do norte numa missão.
Um império poderoso cercado pelo seu mais antigo inimigo.
Quatro príncipes exilados, determinados a cumprir um destino.
Prepara-te, leitor, para entrar no mundo deslumbrante de Acácia.

Leodan Akaran, rei soberano do Mundo Conhecido, herdou o trono em aparente paz e prosperidade, conquistadas há gerações pelos seus antepassados. Viúvo, com uma inteligência superior, governa os destinos do reino a partir da ilha idílica de Acácia. O amor profundo que tem pelos seus quatro filhos, obriga-o a ocultar-lhes a realidade sombria do tráfico de droga e de vidas humanas, dos quais depende toda a riqueza do Império. Leodan sonha terminar com esse comércio vil, mas existem forças poderosas que se lhe opõem. Então, um terrível assassino enviado pelo povo dos Mein, exilado há muito numa fortaleza no norte gelado, ataca Leodan no coração de Acácia, enquanto o exército Mein empreende vários ataques por todo o império. Leodan, consegue tempo para colocar em prática um plano secreto que há muito preparara. Haverá esperança para o povo de Acácia? Poderão os seus filhos ser a chave para a redenção?

Opinião 
Foi com muita expectativa e curiosidade que aguardei o lançamento deste primeiro volume da trilogia de David A. Durham ao longo do ano. Afinal, a crítica compara-o a grandes autores do Fantástico como George R. R. Martin e considera-o «a grande revelação dos últimos anos na Fantasia». Como se esta já não fosse uma boa razão para não ficar indiferente à chegada de Acácia às nossas livrarias, a sua sinopse deixou-me, literalmente com “água na boca”. Uma promessa de Impérios, batalhas, intrigas e de profecias, bastou para que a minha “alma épica” não pudesse resistir ao “chamamento” deste livro.
A primeira coisa que me prendeu logo desde o início é as parecenças de Acácia com os Impérios da nossa História. Nota-se em cada pormenor da concepção deste mundo as influências dos Grandes Impérios do nosso passado em termos culturais, sociais ou bélicos, o que fez com que me identificasse de imediato com a estrutura da história e me adaptasse às mudanças que vão ocorrendo ao longo da trama. Como estudante de História e fã de literatura fantástica, esta junção entre uma e a outra de uma forma tão intrínseca deixou-me maravilhada pois é raro tais matérias serem tão bem aproveitadas e adaptadas a novas realidades.
Durham apresenta-nos ainda problemas actuais como a droga e o (eterno) tráfico humano que são a base da economia acaciana e o seu maior segredo pois ligado a ele está uma Liga que controla até a casa real, esteja ela do lado de quem estiver. Não vós faz lembrar nada? Numa base de sociedade antiga, o escritor consegue agregar os sistemas económicos e os problemas de actualidade, criando um Mundo Conhecido que nos traz lembranças do nosso próprio mundo.
Mas uma das maiores características é, sem dúvida, a multiplicidade de povos que povoa este Mundo Conhecido. Com influências variadas, estes povos apresentam uma complexidade de culturas, etnias, religiões e língua, trazendo um brilho diferente a toda a história e que me deixou perplexa. Aqui, em cada página, uma parte do nosso mundo está representado.
A parecença maior que encontrei com Martin, foi que o autor dá voz a cada uma das personagens, portanto também aqui pudemos ver a trama a desenrolar em várias perspectivas diferentes. Tem, de facto, um pouco da brutalidade deste mas não é nada de semelhante, até porque este é um volume introdutório e por isso ainda há muito para descobrir em Acácia.
As personagens ainda são um completo mistério, há muito para descobrir e entender destas mas daquilo que já li, agradou-me imenso. Parece quase como uma promessa no ar de que muito ainda está para vir e para acontecer. Adorei os destinos diversificados dos irmãos Akaran, deu um ar totalmente novo à história e adorei os vilões de tanto que dá vontade de odiá-los.
Os capítulos inicias são basicamente apresentação deste mundo e é nos últimos que existe uma movimentação bastante interessante e que deixou muitas duvidas mas que deu ainda mais interesse.
Depois de uma leitura intensa posso dizer-vos que estou perdida por este novo mundo e que valeu cada dia de espera. Para mim foi uma das melhores leituras do ano e mal posso esperar pela segunda parte que deve desvendar muito do que os Mein e os Akaran têm guardado para nós.

7*