Título Original: Bring Up the Bodies (#2 Thomas Cromwell Trilogy)
Autor: Hilary Mantel
Editora: Civilização
Número de Páginas: 440
Sinopse
Continuando o que
começou com o premiado Wolf Hall, regressamos à corte de Henrique VIII
para testemunhar a ascensão de Thomas Cromwell enquanto planeia a
destruição de Ana Bolena.
Em 1535 Thomas Cromwell é Primeiro-ministro de Henrique VIII, e o seu sucesso ascendeu a par do de Ana Bolena. Mas a cisão com a Igreja Católica deixou a Inglaterra perigosamente isolada e Ana não deu um herdeiro ao rei. Cromwell vê o rei apaixonar-se pela discreta Jane Seymour. A gerir a política da corte, Cromwell tem de encontrar uma solução que satisfaça Henrique VIII, salvaguarde a nação e assegure a sua própria carreira. Mas nem ele nem o próprio rei sairão ilesos dos trágicos últimos dias de Ana Bolena.
Com esta vitória histórica de O Livro Negro, Hilary Mantel torna-se o primeiro autor britânico e a primeira mulher a receber dois prémios Booker, além de ser o primeiro autor a consegui-lo com dois romances consecutivos.
Em 1535 Thomas Cromwell é Primeiro-ministro de Henrique VIII, e o seu sucesso ascendeu a par do de Ana Bolena. Mas a cisão com a Igreja Católica deixou a Inglaterra perigosamente isolada e Ana não deu um herdeiro ao rei. Cromwell vê o rei apaixonar-se pela discreta Jane Seymour. A gerir a política da corte, Cromwell tem de encontrar uma solução que satisfaça Henrique VIII, salvaguarde a nação e assegure a sua própria carreira. Mas nem ele nem o próprio rei sairão ilesos dos trágicos últimos dias de Ana Bolena.
Com esta vitória histórica de O Livro Negro, Hilary Mantel torna-se o primeiro autor britânico e a primeira mulher a receber dois prémios Booker, além de ser o primeiro autor a consegui-lo com dois romances consecutivos.
Opinião
Com uma carreira com mais de vinte anos enquanto escritora,
Hilary Mantel é hoje considerada a melhor autora de prosa inglesa moderna da
actualidade e tudo graças a um livrinho chamado Wolf Hall e a um homem chamado Thomas Cromwell. Em 2009, Hilary venceu
o Man Booker Prize e foi nomeada para o Costa, o ano passado repetiu a façanha,
venceu o Costa e tornou-se a primeira autora britânica a vencer dois prémios
Booker e a primeira a consegui-lo com dois romances consecutivos. Ao reescrever
a História, Hilary mal sabia que estava a fazê-la.
Esta autora nascida em 1952 no Derbyshire, estudante de
Direito, vencedora de um prémio por um artigo que escreveu sobre Jeddah e
crítica de cinema, viveu no Botswana e na Arábia Saudita durante nove anos até
regressar a Inglaterra nos anos 80. Experimentou todo o tipo de géneros, venceu
os mais diversos prémios e alcançou a fama ao contar a história do homem
esquecido do reinado de Henrique VIII.
Depois do sucesso estonteante de Wolf Hall, o primeiro livro da trilogia de Thomas Cromwell, Hilary
apresentou ao mundo O Livro Negro. Publicado
em 2012 ainda com mais sucesso que o seu antecessor, já está traduzido para vinte
e um países e promete um final de deixar cabeças a rolarem.
Esta é uma nova dinastia, este é um país em mudança, este é
o homem que mudou a História. Numa corte onde vale tudo para se subir alto na hierarquia
do poder, onde as mulheres se tornaram peões para o desejo de um homem e as ambições
das suas famílias, onde por mais baixo que se tenha nascido a astúcia pode
levar longe, intrigas podem criar crimes, olhares podem tornar-se traição e a
consciência e a vontade de um rei pode fazer cair até uma rainha. Dono de uma
inteligência arguta, de uma intuição como poucas, Cromwell é agora um dos
homens mais poderosos de Inglaterra mas ele sabe o quão rápido os favores de
Henrique podem virar, sabe quão esfomeados estão os lobos por carne e poder,
sabe que uma rainha sem varão pode ser esquecida mesmo que a paixão tenha
desafiado o Mundo. Agora, as peças estão na sua mão e ele tem de escolher entre
lealdades e sobrevivência, entre rei e rainha.
Depois do magnífico Wolf
Hall era difícil Hilary superar-se mas a verdade é que ela conseguiu o
impossível. O Livro Negro é um relato
brilhante e primoroso de uma corte e da vida de um homem, é uma concepção
genial sobre intrigas, ambições e poder, é uma narrativa intensa onde fúria e
terror andam de mãos dadas com argúcia e frieza. Escrito numa prosa única e
soberba que não deixa ninguém indiferente, este é o melhor livro, juntamente
com o seu antecessor, sobre o reinado de Henrique VIII que já tive o prazer de
ler. Hilary descreve com a mestria dos que observam as intricadas regras de um
jogo e as compreendem a fundo, cria como só quem sabe o faz. Aqui, ela eleva a
fasquia tão alto que poucos poderão algum dia pensar em alcançá-la porque,
escrever sobre os Tudors com cuidado, conhecimento e rigor não é para todos. Mais,
dá vida e humanidade a um homem acusado pela História, a um homem que brilhou e
caiu do mais alto precipício, um homem tantas vezes esquecido mas que sempre
esteve nas sombras de cada gesto.
Mais do que paixões e vontades escreveram a história de
Henrique VIII, é preciso compreender a política para puder perceber como a
religião se tornou uma questão de vida e morte na sua Inglaterra, é preciso
tentar perceber o que movia este rei, os seus desejos e vontades, os seus
sonhos e actos e, neste livro, podemos visualizar quão profundamente um homem
mudou tudo para conseguir alcançar o seu feito mais desejado. Numa complexa
teia de ligações, ambições e ideais, esta corte fez-se de saber medir o próximo
passo, de pensar as palavras antes de as dizer, de dançar à volta de acusações e
sussurros sempre com um sorriso de quem também sabe demais mas, principalmente,
de com um olhar puderem determinar os humores de um rei volátil e poderoso. Num
ambiente de tensão e mudanças profundas, de favores dados de manhã e retirados
à noite, esta foi uma corte feita de segundas palavras, intenções disfarçadas à
qual o mais fraco não conseguiria sobreviver.
Cromwell soube-o fazer como ninguém e este livro elogia-o,
mais, coloca um espelho à sua frente e mostra o homem tanto como o político,
descreve os seus actos públicos com a frieza e capacidade de um mestre, recria
os medos e pesadelos de um homem que sabia qual o preço a pagar pela elevada posição
e amizade dedicada do rei. Uma personagem tantas vezes esquecidas mas que teve
a sorte de ser recriada pela mais sublime das mestras, alguém que o viu como
poucos, alguém que o entendeu como quase ninguém. Um homem de mistérios,
jogador de todas as cartas, que esteve de todos os lados da cena política
inglesa e que até ao último momento conseguiu sempre sair por cima. Um homem
que mudou a política e a religião, um homem que pensou em números,
livre-pensamento e na vontade dos homens, Cromwell foi a figura que prevaleceu
contra todos os amigos e inimigos do rei, o homem que mudou um país e a
História com a sabedoria de quem sabe que apenas uma vontade pode prevalecer no
fim.
Num retrato verosímil das personalidades que fizeram parte
desta História, este livro mostra-os através das suas falhas, dos seus medos,
dos seus desejos, mostra a alma escondida por trás do brilho e dos falsos
sorrisos. Numa narrativa perfeita, recria passo a passo, a ascensão e a queda
de uma rainha, a subida de um homem, o palco de um reinado que marcou o futuro
de um país. Profundamente complexa e claramente humana, esta narrativa olha aos
factos com olhos clínicos e entendedores, vê os rumores como armas a usar, faz
a História não como a queremos imaginar mas, por mais desagradável que seja,
como ela poderá mesmo ter sido feita.
Genial, magnífico, brilhante. Do melhor que já se escreveu
sobre os Tudors e um dos melhores livros que já li, O Livro Negro é um relato impressionante que nunca poderá ser
ultrapassado. Um dos melhores livros do ano e que me deixa a salivar por aquele
que será, de certeza, o melhor fim que alguma trilogia já teve.
7*
As minhas opiniões da série
