Autor: Philippa Gregory
Editora: Civilização Editora
Número de Páginas: 475
Sinopse
Um romance dramático de paixão, política e traição, da autora de Duas Irmãs, Um Rei. Com a sua característica combinação de magnífica narrativa com um contexto histórico autêntico, Philippa Gregory dá vida a esta época de grandes mudanças, numa fascinante história de traição, lealdade, política e paixão.
Maria Stuart, Rainha dos Escoceses, está em prisão domiciliária em casa de Bess de Hardwick, recém-casada com o Conde de Shrewsbury, mas continua a lutar para recuperar o seu reino.
Maria é Rainha da Escócia mas foi forçada a abandonar o seu país e a refugiar-se na Inglaterra, governada pela sua prima Isabel. Nesta época, a Inglaterra é um país com um protestantismo mal alicerçado, pressionado pelo poder da Espanha, da França e de Roma, e a presença de uma carismática governante católica pode ser perigosa. Cecil, o conselheiro-mor da Rainha Isabel, concebe então um plano para que Maria viva enclausurada com a sua cúmplice, Bess de Hardwick. Bess é uma mulher empreendedora, uma sobrevivente perspicaz, recém-casada com o Conde de Shrewsbury (o seu quarto marido). Mas que casamento resiste aos encantos de Maria? Ou à ameaça de rebelião que a acompanha a todo o momento? No seu cativeiro privilegiado, Maria tem de aguardar pelo regresso à Escócia e pelo reencontro com o seu filho. Mas esperar não significa nada fazer!
Opinião
Philippa Gregory é um dos nomes de respeito quando se fala
em ficção histórica, visto que os seus livros têm conquistado fãs por todo o
mundo e fazem parte da lista de bestsellers
do New York Times. Historiadora e
escritora, a sua paixão pelo período Tudor resultou em Duas Irmãs e um Rei, um livro que alcançou um sucesso tal que levou
Hollywood a comprar os seus direitos e a realizar um filme com o mesmo nome com
Eric Bana, Natalie Portman e Scarlett Johnson como protagonistas. A partir daí,
Gregory escreveu outros livros sobre a dinastia dos Tudors, seis no total, e
tem tido um enorme sucesso com a sua série da Guerra das Rosas que já vai no
terceiro livro.
A Outra Rainha faz
parte da série dos Tudors mas ao contrário dos restantes não incide sobre uma
Tudor mas antes sobre uma Stuart, sobrinha-neta de Henrique VIII, rainha da
Escócia, da França e, para alguns, da Inglaterra. Maria foi a grande rival de
Isabel na luta pelo trono inglês, entre católicos e protestantes, entre
independência e tradição. Enquanto Isabel estava sozinha no mundo, Maria era a
predilecta de espanhóis, franceses e do Papa e foi criada para ser a rainha
mais poderosa alguma vez vista, a grande senhora da Europa católica mas nada
correu como a Rainha dos Escoceses planeou e um destino que estava escrito nas
estrelas foi estilhaçado pela força de uma ruiva que ficou conhecida com a
maior monarca do seu tempo.
Este era o livro que eu mais queria ler de Gregory pois a
história trágica que rodeia Maria Stuart, a maior rival de uma das minhas
personagens históricas preferidas, foi na História, símbolo de mudança, de um
novo mundo e da queda das maiores casas reais europeias, sendo ela a
personificação do poder régio antigo e da derrota do mundo perante a Rainha Virgem e, por isso, devia ser um
livro com uma carga emocional e de tensão muito grande, pois estamos a falar de
uma época de grandes conflitos e desentendimentos, o que realmente, o livro
apresenta, apesar de ser uma leitura com muitos momentos mortos e que por
várias vezes, não consegue segurar a atenção do leitor.
Aquilo que me custou mais neste livro foi o facto de ter
três narradores que, supostamente, deviam representar cada um uma facção
diferente mas que a determinada altura parecem ser bastante controversos, pois
ora dizem uma coisa mas fazem outra diferente, ora se amam, ora se odeiam,
confundido um pouco o leitor. Apesar de gostar da personagem de Bess, gostava
que o livro tivesse sido contado só da perspectiva de Maria pois a leitura não
teria sido tão confusa e o livro seria mesmo e apenas sobre esta trágica
personagem. Mesmo com três narradores, há muitos momentos da acção que passam
em aberto e que nem um ou outro explicam, passando ao lado do leitor ou a acção
repete-se pelos três narradores, tornando-se repetitiva. Acho, por isso, que
devia ter havido uma maior organização da narração que teria facilitado a
leitura do livro.
Quanto às personagens, como já vem sendo hábito, a autora
não está aqui para romancear ou aperfeiçoar as personalidades históricas,
mantendo-as fiéis a forma como passaram para a História. Tal como acontece em A Rainha Vermelha, esta não é uma
protagonista para se gostar facilmente pois apesar de a História a ter passado
como uma princesa de conto de fadas, Maria era arrogante, vaidosa, falsa e
totalmente dependente da atracção que exercia pelos homens, o que autora
demonstra na perfeição. A personagem que nos salta mais a vista é Bess, uma
mulher já virada para a nova visão do mundo, humanista e banqueira, e que vai
ser o elo e um símbolo da corte isabelina, sendo ela própria um retrato das
qualidades e defeitos desta corte.
Apesar dos três narradores serem as personagens mais
presentes, a história faz-se muito da presença inconsciente de algumas
personagens que conseguem assim monopolizar as atenções das personagens
principais e da acção à sua volta. Não sendo fã da retratação da rainha Isabel
feita por Gregory, algumas das cenas mais bem conseguidas são com ela, sendo
que uma delas demonstra bem o pes de ser uma mulher no trono com uma religião
diferente quando todo o mundo está contra ela.
Como sempre, a escritora mantém-se fiel ao retrato da época
e demonstra um extremo cuidado com os pormenores históricos, apesar do seu
palpável favoritismo pessoal por certas personagens em relação a outras o que
pode dificultar a leitura do leitor. Confesso que me sinto algo desiludida com
este livro e esperava muito mais desta autora. Penso que a história desta
rainha podia ter sido escrita e vista de outra maneira e que mesmo com o
cuidado histórico que esta autora tem, ela tende muito a escrever por uma
perspectiva pessoal que pode entrar em conflito com a do leitor como aconteceu
comigo com o retrato algo degradante da rainha Isabel que a autora faz tanto
neste como noutro livro.
Para quem gosta de romances históricos aconselho muito mais
a série da Guerra das Rosas que é, para mim, a melhor de Philippa até agora. Para
quem gosta da história da Inglaterra e tem curiosidade sobre esta personagem,
penso que se quiser ler o livro deve fazê-lo mas sem expectativas muito altas.
2*Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads
