Título Original: Under The Never Sky (#1 Under The Never Sky)
Autor: Veronica Rossi
Editora: Planeta Manuscrito
Número de Páginas: 296
Sinopse
O mundo mantinha-os
separados, mas o destino reuniu-os. Aria viveu toda a vida no Casulo
protegido de Reverie. Este era o seu mundo e nunca pensou sobre o que
estaria para lá das fronteiras. Mas, quando a mãe desaparece, Aria vê-se
confrontada a sair para o exterior para a procurar, e a sobrevivência
no deserto o tempo suficiente para a encontrar parece impossível. Então
Aria encontra um estranho chamado Perry. Ele também está à procura de
alguém.
Mas é um Externo, um Selvagem, contudo é a única pessoa capaz de a manter viva na travessia do deserto. E se conseguirem sobreviver serão a esperança um do outro para encontrar respostas às perguntas que vão surgindo à medida que se vão conhecendo.
Mas é um Externo, um Selvagem, contudo é a única pessoa capaz de a manter viva na travessia do deserto. E se conseguirem sobreviver serão a esperança um do outro para encontrar respostas às perguntas que vão surgindo à medida que se vão conhecendo.
Opinião
Nasceu
no Rio de Janeiro mas foi na Califórnia que continuou os seus estudos, tendo
estudado em Los Angeles e em São Francisco a chamada fine art. Adora todos os cães em que mete os olhos em cima, dá
nomes aos seus computadores (o actual chama-se Romeo), é uma grande fã de saias
e vestidos com bolsos, gostava de conhecer o mundo inteiro e gosta de Os Jogos da Fome. Como é que sei? Ela é team Finnick (resta saber se o é antes
ou depois de terem escolhido o actor para o papel).
Veronica
continua a viver na Califórnia com o marido e os dois filhos e tornou-se
escritora publicada em 2012 com Sob o Céu
que Não Existe. Os direitos das suas trilogias estão vendidos para vinte e
cinco países e os direitos para filme já foram vendidos a Warner Bros. Quando não
está a escrever, Veronica lê, pinta a óleo e conta os minutos até poder voltar
as suas histórias.
Desde que foi publicado Sob o Céu que Não Existe chamou-me a atenção
e após as muitas críticas positivas tornou-se claro para mim que este livro era
algo de sensacional ou, pelo menos, assim o esperava só que, este livro, não
foi nada do que seria expectante. Foi sim, uma caixinha de surpresas que
estranhei bastante e que, quando me apercebi, estava completamente entranhada
na minha mente. O primeiro livro de Veronica Rossi começa de forma abrupta,
somos atirados de forma violenta para um mundo totalmente novo e temos de
descobrir por nós mesmos afinal o que é Reverie, o que são os Moradores, o que
são os Selvagens. Nas primeiras páginas, estranhei a escrita e o mundo, as
personagens deixaram-me de pé atrás mas há meio do livro tudo soava natural e
sensacional, tudo mudou e eu percebi o porquê do sucesso fulgurante de Veronica
Rossi.
A escrita continuou a soar-me
estranha e difícil mas nada é simples ou fácil neste livro. Aliás, a escrita
conjuga-se perfeitamente com o mundo complicado e bastante rastreiro de Rossi,
um mundo que custa a perceber mas cujas peças nos vão sendo dadas ao longo da
leitura para nosso maravilhamento e deleite podermos descobrir o complexo
puzzle que é este mundo. Com um sentido de humor delicioso e uma subtileza
quase vil, a autora dá-nos uma história que à primeira vista nos pode ser estranha
e até desadequada mas que se vai entranhando de tal forma que, quando damos
conta, estamos completamente viciados nela tal é o poder de reviravolta da
autora.
Ao longo da leitura somos
apresentados a um mundo fascinante e complexo, um mundo difícil de desbravar,
cheio de enigmas que incita-nos a ler vorazmente e nos deixa salivar por mais
no fim. Se no início parece tudo muito exagerado, desencaixado ou perdido a
partir de um momento importante tudo faz sentido, tudo encaixa, tudo se torna
mais vívido. Mas desenganem-se se pensam que a primeira parte deste livro é má.
Não é, faz todo o sentido para a história e para a relação dos personagens, é
essa estranheza que nos faz perceber o quão genial a imaginação e o poder de
persuasão de Rossi são. Ao longo de todo o enredo, muitas são os momentos
fortes em emoções, muitos são os momentos que podem acelerar ou parar um
coração, sejam eles perfeitamente executados ou mais primitivos mas é o sentido
de humor da autora e a sua percepção da alma humana que realmente nos conquistam.
Numa leitura cheia de acção como esta,
pode-se facilmente esquecer os momentos mais introvertidos mas Rossi não deixa
que isso aconteça. Também em momentos mais parados podemos ser atacados pelas emoções
e são nesses momentos que percebemos as diversas camadas que um pensamento, um
sentimento, uma acção podem ter aos nossos olhos e aos demais. Cheia de
pormenores subtis, esta narrativa cativa cada vez mais conforme avançámos na
leitura e muitas são as revelações e surpresas que nos guarda. Graças a essa
subtileza a história acaba por ter muito por onde crescer, deixando a
expectativa para os próximos bem alta e a curiosidade quase a roçar o desespero
de saber o que acontece a seguir.
Tal como a narrativa também as
personagens soaram desadequadas ao início. Aria e Perry não me convenciam nem
me suscitavam qualquer tipo de ligação até que de repente ela lá estava e
página a página aprendi a adorar este casal de protagonistas que não só cresce
bastante ao longo da história como revelam grandes qualidades e fundos bem mais
agradáveis do que as suas superfícies. A verdade é que eles não são perfeitos e
ao vermos primeiro os seus defeitos torna mais fácil gostarmos das suas
qualidades portanto a autora foi bastante inteligente em deixar-nos ver
primeiro o pior. O restante elenco de personagens é surpreendente e parece-me
ainda têm muito para nos mostrar.
Depois de terminar este livro a
certeza é uma. Tudo era verdade, este livro é sensacional e pode-se tornar uma
distopia tão adorada ou mais do que Divergente
e Jogos da Fome afinal, o próximo
livro promete ser ainda melhor. Sob o Céu
que Não Existe mostra assim, que ainda há muitas cartas a dar neste género
e que Veronica Rossi merece a legião de fãs que já conquistou.
6*

