Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand
Número de Páginas: 664
Sinopse
Escócia, século VI. Bridei tem quatro anos quando os seus pais o confiam a Broichan, um poderoso druida do reino de Fortriu, com quem aprenderá a ser um homem erudito, um estratega e um guerreiro. Bridei desconhece que a sua formação obedece ao desígnio de um concelho secreto de anciãos e que está destinado a desempenhar um papel fundamental no destino do instável reino de Fortriu.
Porém. Algo irá mudar para sempre o seu mundo e, provavelmente, arrasar os planos de Broichan: Bridei encontra uma criança, ao que tudo indica abandonada pelos Boas-Gente. Todos concordam que o melhor será assassiná-la, mas Bridei decide salvá-la a todo o custo. E assim, ambos crescem juntos, e a bebé Tuala transforma-se numa bela mulher.
Contudo, Broichan presente o perigo que ela representa, pois a jovem poderá vir a ter um papel importante no futuro de Bridei… ou causar a sua perdição.
Opinião
Juliet Marillier é um dos nomes possantes do Fantástico. Considerada
a herdeira de Marion Zimmer Bradley, a neo-zelandesa conquistou milhares de fãs
em todo o mundo com a aclamada e amada trilogia Sevenwaters. Conhecida pelas suas histórias, pelas suas
protagonistas, a escritora desenhou mundos que fazem parte do imaginário de
todos os que já tiveram o prazer de a ler e é considerada por muitos como
insubstituível.
Mas não só Sevenwaters
apaixonou os seus leitores. As Crónicas
de Bridei é considerada pelos fãs como o trabalho mais maduro desta
escritora de renome, baseado em factos históricos e condimentado com a fantasia
marilliana, apresenta-nos a história
de um rei de um povo muitas vezes esquecido: os Pictos.
Eu já li Sevenwaters
há uns bons aninhos e nos últimos tempos havia-se cimentado uma grande vontade
de ler mais obras desta autora, tendo escolhido esta trilogia devido aos
factores que apresentei acima. Juntando isso aos elogios e às paixões que
Juliet provoca nos seus fãs mais assíduos, decidi que estava realmente na
altura de eu regressar a ela.
Como podem imaginar, ler algo desta escritora é,
absolutamente, maravilhoso. A sua forma de contar histórias qual bardo celta
sentado a lareira, prendendo os seus ouvintes com as suas palavras tão emocionais,
agarra todo aquele que lê os seus livros. E este livro tornou-se um vício em
poucos minutos. Quase que não o larguei, tal foi a forma como este enredo me
agarrou. Do início ao fim, foi uma promessa de histórias antigas contadas à
antiga, com heróis, seres sobrenaturais, druidas e profecias. Cada página
deixava um sentimento, fosse ele doce ou doloroso, conseguiu atingir-me de uma
forma que só as boas histórias conseguem.
É já conhecido o jeito da escritora de fazer as suas
personagens sofrerem até ao último minuto, seguirem a sua demanda com todos os
obstáculos inimagináveis e concedendo-nos o tão merecido “felizes para sempre”.
Pois o destino de Bridei não desilude. De uma forma mais real e consistente,
talvez devido ao facto de estarmos a falar de uma personagem histórica,
Marillier leva-nos a conhecer as encruzilhadas de um jovem que está destinado a
ser rei, em quem todos depositam a sua fé e que tem de escolher o caminho certo
até ao seu propósito, tudo isto com uma história de amor digna desta escritora
onde tudo vai parecer impossível até o par romântico aceitar o seu destino.
Tal como me recordava, também nestas personagens existe uma
profundidade para lá do que poderíamos imaginar, conseguindo a autora dar-nos
heróis e vilões com defeitos e qualidades à sua altura. Cada um tem o seu papel
na história, e neste constituinte das suas obras é raro haver mudanças
radicais. Amámos os bons, odiamos os maus, exactamente como quando líamos
contos de fadas em pequenos.
Esta é a magia de Marillier, demonstrar que o esforço e a
luta valem a pena, que o bem vai vencer o mal, e, no fim, fazer-nos acreditar
nisso. Por isso, sim, deixei-me enredar neste livro, menos maravilhoso mas mais
forte, mais consistente e que me deu razões para continuar a conhecer mais das suas
obras.
7*

















