terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Opinião - O Espelho Negro

Título Original: The Dark Mirror
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand
Número de Páginas: 664

Sinopse
 Escócia, século VI. Bridei tem quatro anos quando os seus pais o confiam a Broichan, um poderoso druida do reino de Fortriu, com quem aprenderá a ser um homem erudito, um estratega e um guerreiro. Bridei desconhece que a sua formação obedece ao desígnio de um concelho secreto de anciãos e que está destinado a desempenhar um papel fundamental no destino do instável reino de Fortriu.
Porém. Algo irá mudar para sempre o seu mundo e, provavelmente, arrasar os planos de Broichan: Bridei encontra uma criança, ao que tudo indica abandonada pelos Boas-Gente. Todos concordam que o melhor será assassiná-la, mas Bridei decide salvá-la a todo o custo. E assim, ambos crescem juntos, e a bebé Tuala transforma-se numa bela mulher.
Contudo, Broichan presente o perigo que ela representa, pois a jovem poderá vir a ter um papel importante no futuro de Bridei… ou causar a sua perdição.


Opinião 
 Juliet Marillier é um dos nomes possantes do Fantástico. Considerada a herdeira de Marion Zimmer Bradley, a neo-zelandesa conquistou milhares de fãs em todo o mundo com a aclamada e amada trilogia Sevenwaters. Conhecida pelas suas histórias, pelas suas protagonistas, a escritora desenhou mundos que fazem parte do imaginário de todos os que já tiveram o prazer de a ler e é considerada por muitos como insubstituível.
Mas não só Sevenwaters apaixonou os seus leitores. As Crónicas de Bridei é considerada pelos fãs como o trabalho mais maduro desta escritora de renome, baseado em factos históricos e condimentado com a fantasia marilliana, apresenta-nos a história de um rei de um povo muitas vezes esquecido: os Pictos.
Eu já li Sevenwaters há uns bons aninhos e nos últimos tempos havia-se cimentado uma grande vontade de ler mais obras desta autora, tendo escolhido esta trilogia devido aos factores que apresentei acima. Juntando isso aos elogios e às paixões que Juliet provoca nos seus fãs mais assíduos, decidi que estava realmente na altura de eu regressar a ela.
Como podem imaginar, ler algo desta escritora é, absolutamente, maravilhoso. A sua forma de contar histórias qual bardo celta sentado a lareira, prendendo os seus ouvintes com as suas palavras tão emocionais, agarra todo aquele que lê os seus livros. E este livro tornou-se um vício em poucos minutos. Quase que não o larguei, tal foi a forma como este enredo me agarrou. Do início ao fim, foi uma promessa de histórias antigas contadas à antiga, com heróis, seres sobrenaturais, druidas e profecias. Cada página deixava um sentimento, fosse ele doce ou doloroso, conseguiu atingir-me de uma forma que só as boas histórias conseguem.
É já conhecido o jeito da escritora de fazer as suas personagens sofrerem até ao último minuto, seguirem a sua demanda com todos os obstáculos inimagináveis e concedendo-nos o tão merecido “felizes para sempre”. Pois o destino de Bridei não desilude. De uma forma mais real e consistente, talvez devido ao facto de estarmos a falar de uma personagem histórica, Marillier leva-nos a conhecer as encruzilhadas de um jovem que está destinado a ser rei, em quem todos depositam a sua fé e que tem de escolher o caminho certo até ao seu propósito, tudo isto com uma história de amor digna desta escritora onde tudo vai parecer impossível até o par romântico aceitar o seu destino.
Tal como me recordava, também nestas personagens existe uma profundidade para lá do que poderíamos imaginar, conseguindo a autora dar-nos heróis e vilões com defeitos e qualidades à sua altura. Cada um tem o seu papel na história, e neste constituinte das suas obras é raro haver mudanças radicais. Amámos os bons, odiamos os maus, exactamente como quando líamos contos de fadas em pequenos.
Esta é a magia de Marillier, demonstrar que o esforço e a luta valem a pena, que o bem vai vencer o mal, e, no fim, fazer-nos acreditar nisso. Por isso, sim, deixei-me enredar neste livro, menos maravilhoso mas mais forte, mais consistente e que me deu razões para continuar a conhecer mais das suas obras.  

7*

domingo, 25 de dezembro de 2011

Opinião - As Mentiras de Locke Lamora

Título Original: The Lies of Locke Lamora
Autor: Scott Lynch
Editora: Edições Saída de Emergência
Número de páginas: 544


Sinopse
 Diz-se que o Espinho de Camorr é um espadachim imbatível, um ladrão mestre, um amigo dos pobres, um fantasma que atravessa paredes. De constituição franzina e quase incapaz de pegar numa espada, Locke Lamora é, para mal dos seus pecados, o afamado Espinho.
As suas melhores armas são a inteligência e manha à sua disposição. E embora seja verdade que Locke roube dos ricos (quem mais vale a pena roubar?), os pobres nunca vêem um tostão. Todos os ganhos destinam-se apenas a ele e ao seu bando de ladrões: os Cavalheiros Bastardos. O submundo caprichoso e colorido da antiga cidade de Camorr é o único lar que o bando conhece. Mas tudo vai mudar: uma guerra clandestina ameaça destruir a própria cidade e os jovens são lançados num jogo de assassinos e traidores onde terão de lutar desesperadamente pelas suas vidas. Será que, desta vez, as mentiras de Locke Lamora serão suficientes?

Opinião

Considerado por muitos o livro do ano, objecto das críticas mais positivas e aplaudido por muitos, o primeiro livro de Scott Lynch já conquistou fãs por todo o Mundo. Prometendo emoção e aventura em doses desmedidas com um protagonista cheio de artimanhas, este livro é capaz de surpreender os amantes mais eclécticos do Fantástico e de conquistar os “amadores”.
Foi com expectativas elevadíssimas que iniciei esta leitura. Já havia namorado o livro no site da SdE, nas livrarias e já havia lido todas as opiniões que consegui sobre o livro e a opinião geral deixou-me em pulgas para me decidir a acrescentá-lo à minha estante. Infelizmente, li-o durante os últimos dias de aulas e não pude lê-lo com a rapidez que queria mas não esse factor até deu mais vontade ainda de o ler.
Basicamente, o que eu quero dizer com isto é que: contei as horas para puder lê-lo; que quando o agarrava era um problema para o largar; que cada página dava ainda mais vontade de o ler. Sim, sim e sim, As Mentiras de Locke Lamora é o melhor livro do ano! E porquê?
Primeiro, tem aquele que deve ser um dos melhores protagonistas que já tive o prazer de ler. Locke, é mais do que um protagonista, mais do que uma personagem, é a alma desta história do início ao fim. É com ânsia desenfreada que lemos cada bocadinho do seu passado e que aguardámos pelos seus planos mirabolantes, e o melhor de tudo, é que somos sempre surpreendidos. Esta é aquela personagem que nos faz lembrar personagens míticas do nosso subconsciente e que dá uma tareia ao Robin Hood sem se chatear muito. Resumindo, é o protagonista que todos adoram e não mais vão esquecer.
Como se já não bastasse, vem rodeado de mais um grupo de personagens brilhantes, desde os restantes Cavalheiros Bastardos, ao Capa, à Aranha ou ao Rei Cinzento, todos eles foram criados no sentido de nos entreter e incutir-nos o desejo de mais, muito mais. Existe muito mais nestas personagens do que está à superfície e é com deleite que quase lemos o livro de rajada para descobrir o que há por baixo de cada uma delas.
Aliado a este factor, há também todo um enredo capaz de nos parar o cérebro, tal é a imaginação e o requinte com que este livro nos é apresentado. Recheado de ideias, mudanças súbitas, acção e suspense em desmedido, As Aventuras dos Cavalheiros Bastardos são uma promessa ao retorno dos heróis antigos, dos verdadeiros bandidos em que a inteligência e a desfaçatez são os ingredientes para um golpe bem-sucedido.
Lynch cria todo este submundo ultrajante alicerçado no sarcasmo, na ironia, nos truques através de uma escrita que agarra até ao último fôlego com o objectivo de conquistar rapidamente e “à grande” aqueles que tiverem a ousadia de entrar em Camorr. Reunindo todos os ingredientes para um dos livros mais intensos que já li, o escritor colocou-se no topo à primeira, dando-nos algo tão básico: puro divertimento.
Ainda não leram? Então é melhor lerem porque este é leitura obrigatória.

7*

O ChaiseLongue deseja um Feliz Natal!

Antes de mais quero desejar-vos a todos um Feliz Natal tardio! Espero que tenham recebido muitas prendinhas e que a maior parte tenham sido livros, como aconteceu no meu caso =p



Agora, referente à actividade do ChaiseLongue nos últimos dias de 2011

Como sabem o Ano Novo está a chegar e por isso aqui a moça vai tirar uns dias com os amigos e o blog vai ter umas mini-férias a partir de quarta-feira até ao início de 2012.
Mas antes disso, vou tentar actualizar as opiniões atrasadas referentes as que são, possivelmente, as últimas leituras de 2011 que irão ter opinião ainda este ano. Portanto, vão ser uns últimos dias frutíferos espero!
Em segundo lugar, as rubricas já só retornam no próximo ano, visto que vou andar ocupada estes últimos dias.
E, por último, quero desejar-vos um magnífico, bookholic e intenso novo ano, não vá já não ter oportunidade de o fazer ;)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Booking Through Thursday - Personagem ou Enredo?

What’s more important to you? Real, three-dimensional, fleshed-out fascinating characters? Or an amazing, page-turning plot?
(Yes, I know, they are both important. But if you had to pick one as being more important than the other?)

Humm... Sinceramente? Uma coisa sem a outra é um caso perdido. Afinal de que me serve ter personagens excepcionais se um enredo for uma treta? De que me serve ter uma história digna de ser recordada se aqueles que a representam não têm ponta por onde se lhe pegue?
Nenhum deles é mais importante. Ambos o são porque são o que vão fazer com que o todo valha a pena ou não. Imagine-se por exemplo, o livro que eu acabei de ler, As Mentiras de Locke Lamora. É um livro que tem ambas as coisas num alto nível de qualidade. Agora, digam-me, aqueles que já tiveram o prazer de o ler, se conseguiriam gostar se o Locke e companhia não fossem como são? Ou se fossem mas o enredo não tivesse as mesmas reviravoltas... Seria então um bom livro?
Não me parece que seja possível escolher porque ambos se complementam.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pai Natal, eu quero...

Muita pouca coisa como tu sabes... Até porque o que eu quero muito só vai vir um mês depois, o que, deixa que te diga, é demasiado tempo!
Mas pronto, para me compensares podes pôr estes quatro no meu sapatinho, está bem? Tu sabes que um deles eu quero muito muito muito mas mesmo muito e que preciso mesmo de acabar a saga não sabes? E os outros, bem, não me vais obrigar a ir ver o filme sem ler os livros primeiro, pois não?!








Quanto aqueles que tu sabes, aqueles dois muito giros e importantes pelos quais eu posso ficar um nadita de histérica, é bom que mos tragas dia 27 de Janeiro, porque senão, vamos ter problemas, problemas sérios! E não custa nada fazer-me feliz, não achas?



                                          



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Teaser Tuesday (10)

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro

 "Ela usava umas calças de homem e uma blusa de seda larga com mangas encapeladas por baixo de um colete de couro próprio para confrontos que parecia estar já bastante usado. As suas botas de biqueira de metal (um gosto que nunca tinha perdido) tilintavam no chão enquanto saía de entre os guardas"
p. 174, As Mentiras de Locke Lamora de Scott Lynch


Rubrica original do blog Should Be Reading

sábado, 10 de dezembro de 2011

Opinião - Graceling, O Dom de Katsa

Título Original: Graceling (#1 A Saga dos Sete Reinos)
Autor: Kristin Cashore
Editora: Objectiva (chancela Alfaguara)
Número de páginas: 435


Sinopse
 No universo dos Sete Reinos. Katsa é uma Graceling, um ser raro com um dom extraordinário: desde os oito anos que é capaz de matar sem recurso a qualquer arma. O rei de Middluns, tio de Katsa, força a sobrinha órfã a usar o dom ao seu serviço, encarregando-a de matar todos os que lhe criem obstáculos.
Quando conhece um estranho príncipe cujo misterioso dom poderá estar à altura do dela, enfrenta pela primeira vez a perigosa sedução dos corrompidos pelo poder, mas aprende também a ter a coragem de confiar nos outros – e em si própria.
A oportunidade de empregar o seu talento ao serviço do Bem surge quando Katsa descobre que os Sete Reinos se encontram sob a ameaça de uma força sombria, que só um acto de heroísmo poderá vencer.
Com uma escrita elegante e envolvente, e um elenco de personagens inesquecíveis, Kristin Cashore cria um universo enfeitiçante, uma aventura que desafia a própria morte, e uma belíssima história de amor.
Quem entra nos Sete Reinos já não consegue sair…


Opinião 
 
Obra de estreia de Kristin Cashore, Graceling é o volume introdutório da trilogia A Saga dos Sete Reinos e pode ser considerado uma lufada de ar fresco no género da fantasia. Uma obra delicada onde os sentimentos mais nobres e a profundidade da relação humana é tomada como centro da acção para criar uma história enternecedora.
Eu comecei esta trilogia pela prequela Fogo, pelas razões que explico na sua opinião, tendo-me deixado levar pela doçura, ingenuidade e sensação de conto de fadas que o livro, bem como a escrita da autora, me transmitiram e, após opiniões claras que este primeiro volume era melhor, decidi-me a lê-lo numa altura em que necessitava de uma leitura leve e porque este mundo me havia suscitado uma sensação diferente do que é habitual.
Ao seu predecessor não falta a mesma capacidade de nos levar ao encanto quase infantil, através de personagens com um certo nível de sentimentalismo e nobreza e com histórias e cenários totalmente diferentes das que eu havia lido no outro livro. A escritora deve ser uma alma conquistada pelas histórias que nos ensinavam o bem e o mal e que nunca esqueceu a sensação que essas histórias nos transmitiam mas sem esquecer que todos nós temos um pouco de cada. Isso nota-se bastante nas suas protagonistas, ensinadas a fazer o mal mas que se rebelam contra tal e tentam ao máximo modificar os destinos que lhes destinam.
E é nas suas personagens que está o bom e o mau do livro. Apesar de ela alterar a base não altera o “miolo”. É fácil confundirmos os protagonistas de ambos os livros ou as restantes personagens umas com as outras. Mesmo modificando a caracterização física e pormenores da personalidade, é quase como se a escritora tivesse decalcado uma sobre a outra. Na minha sincera e pessoal opinião não acho que este primeiro livro seja melhor mas que tive a mesma sensação que outros tiveram quando leram o segundo livro de que este não me puxava tanto, exactamente, por já não ter originalidade.
Sem contar com o pormenor de que ambas as protagonistas estão envolvidas em “sociedades secretas” para combaterem o seu suposto lado mau; sem contar que às personagens secundárias parece que apenas foi mudado o nome, entre outras coisas que retiraram a esta leitura o sentimentalismo todo que a anterior me havia proporcionado. A única personagem que é ainda original é a Bitterblue que vai ser a protagonista do terceiro e último volume, e é nela que estou a depositar as esperanças do final da trilogia.
Por último, faltou algo a Po e Katsa. Sim, é de chorar as pedras da calçada mas o movimento, a emoção que dão vida a um livro perderam-se algures pelo caminho. Não há realmente um vilão que consigamos identificar, mal damos por ele e quando a acção surge é rapidamente cortada para haver demasiados momentos mortos. Pior, continuo sem perceber a finalidade, objectivo dos  graceling. Continua a não haver explicações para nada, sem uma ínfima pista.
Basicamente, continuo a achar que Kristin não soube dar corpo ao seu mundo e, pior ainda, que tem uma total falta de originalidade, imitando-se si mesma, o que consegue ser ainda mais deplorável do que copiar outro escritor. Quaisquer bons sentimentos que a leitura me pudesse ter trazido ficaram totalmente gorados. Ela prende-nos com um livro e repele-nos com o outro. Acho que não era esse objectivo.
Resumindo, não trouxe nada de novo. Soubesse o que sei hoje, tinha deixado este livro bem sossegadinho na estante da livraria donde o tirei e tinha-me ficado pelo Fogo.



3*

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Booking Through Thursday - Mistério ou Romance?

Todas as coisas são iguais, qual preferes, um mistério? Ou um romance?

Bem, eu iniciar isto a dizer que depende da minha disposição mas conforme olhei para a estante tive de repensar a coisa. Acabei de me aperceber que não leio e/ou compro um mistério à montes de tempo e que os últimos que li não me deixaram satisfeita. E dois deles eram romances da Nora Roberts, por isso, fazem parte das duas categorias. Portanto, repensado e revisto, sou uma menina de romances e...vou ter de o voltar a assumir.
Creio que na opinião de Amor Quase Perfeito referi o facto de já não ser tão romântica e de já não ler romances à algum tempo. Isso é verdade. Mas eles abundam na minha estante. Porque eu era uma romântica incorrigível e, muito possivelmente, ainda sou ou estou a voltar a ser. Ainda não me decidi.
A diferença é que agora acho que são todos iguais e ando a espera de algo que me cative como o livro referido acima. E, enquanto estou a ler isto, apercebo-me que li mais romances este ano do que pensava (Desejos de Chocolate, Eterna Paixão) , ou seja, acho que estou a voltar à fase normal.
.


 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Opinião - Presságio de Fogo

Título Original: The Firebrand
Autor: Marion Zimmer Bradley
Editora: Difel
Número de páginas: 564

Sinopse
 Neste livro a autora reimaginou a história da Guerra de Tróia e reconta-a do ponto de vista de Cassandra, a bela e atormentada princesa real de Tróia.
Na sua brilhante recriação da famosa lenda, a queda de Tróia desenrola-se de uma nova e ousada maneira a partir do julgamento de Páris, do rapto de Helena (esta não sendo aqui a perversa adúltera da lenda, mas sim uma mulher afectuosa e dedicada a Páris e aos seus filhos), e do levantamento dos exércitos gregos por Agamemnon, cunhado enfurecido de Helena, até à tragédia final da destruição da cidade, predestinada pelos deuses e pelo obstinado orgulho dos seus líderes masculinos.
A heroína deste conto épico é Cassandra, e a poderosa tensão do romance deriva tanto da luta interna, por ela travada, com as suas próprias lealdades divididas (visto que a sua lealdade ao pai, o rei, e aos irmãos é contraposta à sua submissão crescente à fé mais antiga no Matriarcado e na Terra-Mãe), como do amargo conflito entre Troianos e Gregosm no qual prevê fantasmagoricamente a destruição ou a maldição do tudo que lhe é querido, visto ter o poder da profecia.


Opinião 
 Quem não conhece Marion Zimmer Bradley? Quem não ouviu falar da sua forma de recontar uma história conhecida à sua maneira e torná-la única? Quase ninguém, em todo o mundo. Mesmo para quem não tenha lido a sua obra esta senhora da fantasia e do movimento feminista não é desconhecida. Há anos que ouço falar dela e quero ler a sua obra.
E quando as oportunidades surgem há que agarrá-las. Foi o que eu fiz quando o meu professor de Religião e Mitologia Grega nos pediu para fazer um trabalho sobre a recepção de um mito numa forma de cultura e me propôs tratar da Guerra de Tróia na perspectiva deste livro. Não vos vou contar a figura de parva que fiz à frente do professor e no meio do corredor. E tanta euforia porquê? Porque finalmente ia poder lavar a cara da vergonha e ler Marion Zimmer Bradley e porque ia fazer um trabalho sobre um dos meus temas preferidos de sempre: a Guerra de Tróia.
Apesar de tanto entusiasmo, demorei algum tempo a ler este livro visto que tive exames pelo meio e à medida que o ia lendo tinha de tirar apontamentos para o trabalho e tal pois a verdade é que tinha de ter o dobro da atenção a ler este livro. Até que perdi a cabeça e o li de rajada. Não consegui evitar. O problema é que mesmo assim não consegui deixar de ser uma leitora que já estudou este assunto de todas as perspectivas e foi ensinada a analisar esta história de uma forma crítica e objectiva. O que não me permitiu gostar tanto do livro como eu queria.
Tal como a Marion nos diz nos Agradecimentos, a mim também não me satisfaz a Íliada ou a Odisseia ou todas as tragédias gregas que falam sobre o assunto e que nos permitiram conhecer os pormenores da Guerra mais famosa de sempre. Este é um tema sobre o qual a minha mente não se farta e sobre o qual eu quero sempre saber mais. Mas não posso esquecer tudo aquilo que aprendi nas aulas ou o que li.
A verdade é que se eu tivesse lido este livro à três, quatro anos atrás, teria amado o livro até a exaustão. Hoje não consigo. E passo a explicar porquê. Estes não são os heróis que eu conheço das epopeias. Falta-me os momentos dramáticos e intensos, falta-me a honra, o orgulho, a sede de amor e poder que esta história nos transmite. Falta-me a magnitude e beleza das grandes histórias que foram transmitidas durante séculos.
Contudo, admito que este é um romance, mesmo tendo a escritora alterado muitos factos que me deixaram ultrajada, escrito de uma forma única e com uma protagonista sobre a qual eu sempre tive curiosidade: Cassandra. Eu nunca vivi bem com o facto de ela ser a única a ver a realidade desta guerra e ser uma das personagens mais esquecidas por todos. Ela foi um dos pontos altos deste livro e devo admitir que a escritora tem um talento soberbo para criar personagens femininas. Também a forma como nos conta esta história tão conhecida é bela, de uma visão, mais uma vez única, e que vale a pena ser lida.
Mas não consigo deixar de pensar que Marion relegou para segundo plano ou transformou em autênticos “homens das cavernas” os heróis por excelência de toda a literatura ocidental. A morte de Heitor foi uma facada no meu coração. Passa por nos completamente despercebida! Como é possível? O Odisseu não é o nosso Odisseu das patranhas e dos mil ardis. Onde está o amor intemporal de Andrómaca e Heitor, que protagonizaram o primeiro momento de amor romântico da literatura? O seu amor só é notado no sofrimento dela após a morte dele! Sem falar noutras coisas que me deixaram realmente desfeita com esta versão.
Desculpem o sentimentalismo desta opinião, que é a minha. Não posso relegar, apesar disto, a contadora de histórias que Bradley, e aconselho mesmo assim esta obra a quem gostar desta escritora e a quem não ligar a estes pormenores que para mim foram tão essenciais. E espero muito em breve ler As Brumas de Avalon e, quem sabe, recomeçar com esta grande senhora da Fantasia.

5*

Teaser Tuesday (9)

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro

"Ela fá-lo-ia perceber isto. Dobraria a obtusidade dele e fá-lo-ia perceber."
 p.129, Graceling - O Dom de Katsa, Kristin Cashore

 Rubrica original do blog Should Be Reading

sábado, 3 de dezembro de 2011

Opinião - O Sangue e o Fogo

Título Original: O Sangue e o Fogo - Trilogia Cénica
Autor: António de Macedo
Editora: Edições Saída de Emergência
Número de Páginas: 500

Sinopse
Quem se atreverá a entreabrir a porta do perigoso quarto onde se guarda e se esconde, da vista dos profanos, o código que decifra o segredo dos segredos?

Prepare-se para uma viagem fantástica que começa nas ruínas da lendária Khalôm, cujas ruas eram percorridas pelas almas dos mortos porque um terrível sortilégio impedia o acesso às regiões celestes a quem morresse dentro das suas muralhas; uma viagem que continua com o choque entre os fanáticos rigores da Inquisição e as acções de bruxas que assolam uma vila no Alentejo; uma viagem que termina com um professor que capta as frases ditas por Jesus um mês antes da sua crucificação e que podem abalar os pilares em que assentam os principais dogmas da Igreja.

Opinião
 Há algo que sempre me fez impressão neste país. Os bons escritores são aqueles que são publicitados, estão em tops e toda a gente lê por causa disso. Ou então são aqueles que dão reconhecimento ao nosso país mas só se lembraram deles passado um número de anos da sua morte. Ou então basta um prémio para os adorarem. Não quero com isto dizer que alguns não são bons escritores porque são mas essa é a minoria.
Há bons livros e maus livros tanto aqui como em qualquer outro lado e como portuguesa, leitora, estudante, cidadã é sempre com orgulho que quando leio um livro em português bom, realmente bom me sinta muito satisfeita. Principalmente quando esse livro sai dos cânones típicos da literatura que se escreve em Portugal. Principalmente quando é revolucionário para a sua época, quando combateu preconceitos e varreu do ombro os queixumes que se fizeram ouvir por aqueles que não sabem do que se fala nem se trata. E, acima de tudo, porque afinal, até somos inovadores mas há quem se esqueça disso.
Este livro é isso e muito mais. Para quem não sabe, O Sangue e o Fogo é constituído por três peças escritas por António de Macedo, como indica o título original do livro, é uma trilogia cénica, e foram idealizadas em alturas diferentes da sua vida, com objectivos diferentes. A última a ser escrita, foi-o em 1988, se não me falha a memória.
Para os leitores do Portugal de hoje, se calhar não o vão achar tão original mas é exactamente para não terem tais ideias, antes da sua leitura não podem deixar de ler o prefácio que o autor nos apresenta. É aí que a vossa mente é esvaziada e preparada para o que vão ler a seguir. Foi aí, ao conhecer a história das histórias, as razões e momentos que fazem delas mais do que histórias que o meu entusiasmo cresceu. Porque muitas vezes esquecemo-nos disso.
O meu maior medo quanto a este livro foi que ele fosse muito profundo, maçudo, muito intelectual. Para aqueles que são ou foram estudantes universitários acho que percebem onde eu quero chegar. Geralmente os professores tendem a parecer que vivem numa dimensão diferente da nossa, que falam outra língua, e nos ficamos a sentir-nos parvos porque eles são demasiado eruditos. Isso não acontece neste livro. É profundo sim, faz-nos pensar, é subtil por vezes mas quando damos conta já lemos metade dele sem nos aborrecermos e sem pensar “Não percebi nada disto”. Outras vezes é directo, sarcástico, da ironia mais suave que eu já vi. É tão brilhante que quando acabámos de processar a informação, dá gosto voltar atrás e reler mais uma vez.
Em cada uma das peças vemo-nos transportados para épocas e cenários diferentes. Cada uma delas tem uma história para ser contada, as suas personagens, os seus temas e objectivos. Em cada uma delas vão aprender algo de novo. O vosso espírito vai ser preenchido e a vossa mente vai sentir-se estimulada.
É brilhante, e se calhar até vão mesmo pensar que é inovador para o século XXI. Uma coisa é certa, vão gostar de saber que o seu escritor é português.

6*

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Booking Through Thursday - Humor de Leitura

Achas que o teu humor afecta as tuas leituras? Se estiveres de mau humor, escolhes uma leitura que te apoie ou algo que te anime? Escolhes livros diferentes, dependendo se está a chover ou um sol radioso? Para essa matéria, a tua cor de humor pode modificar o que estás a ler, de modo a que um livro engraçado não seja tão engraçado ou um sério tão profundo?

Esta é uma situação em que eu sou muito inconstante. Há dias em que afecta a minha escolha de leitura ou a forma como interajo com o livro mas o próprio livro pode mudar o meu humor, por isso não é algo certo, depende de vários factores.
Por exemplo, no quadro previsto na segunda pergunta, eu escolho sempre algo que me anime mas há aqueles dias em que me apetece ser sádica (são dias raros graças aos deuses!) e escolho algo que esteja tão sombrio quanto eu. Nesse tipo de situações estou mesmo para deprimir, por isso não vale a pena mas já aconteceu eu escolher um livro para alegrar e ele deprimir-me ainda mais ou escolher um denso e esquecer que não estava aos pulinhos feliz e contente e ficar. Lá está, depende.
O tempo não interfere em nada com as minhas escolhas de mesa de cabeceira. Lá porque sou uma pessoa outonal, do frio não quer dizer que guarde aqueles livros especiais para essa altura. Aliás, alguém me explica como é que se decide o que é um livro de Inverno e o que é um livro de Verão? É que um livro não é uma camisola, não é... A única coisa em que podia interferir é que numa situação posso ler ao ar livre mas como não é algo normal em mim, não me faz grande diferença.
Quanto à última pergunta, pode, oh se pode! Como já disse mais acima, o livro pode mudar o meu estado de espírito ou o livro surgir de forma diferente a meus olhos conforme o meu humor. Eu até posso estar muito bem, ler um livro animado e um parágrafo colocar-me a espumar pela boca (teoricamente) ou a levar-me a certo tipo de pensamentos tristes e eu nunca mais pego no livro. Não porque não era alegre, doce, fantástico. Mas porque determinado momento me trouxe recordações.
Posso pegar num livro dito profundo, achar que não estou boa da cabeça, estar numa fase Felicia Adams e, no fim do livro, sou a pessoa mais feliz do mundo.
E, agora pergunto: Não é isso que um livro nos deve trazer? Sentimentos profundos, risos, lágrimas, desgostos, saudade, felicidade? Se não nos fazem sentir nada, então aí sim, o livro é mau. É por isso que lemos e é por isso que gostamos de ler. Certo?