Título Original: A Kiss of Shadows (#1 Meredith Gentry)
Autor: Laurell K. Hamilton
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 464
Sinopse
Entre num mundo
emocionante, voluptuoso, e tão ameaçador quanto belo. Onde dominam
paixões ardentes de seres imortais, outrora adorados como deuses ou
demónios.
Os mais supremos seres sobrenaturais são fadas Sidhe,
uma raça tão bela e poderosa que foi em tempos adorada como os deuses.
Não só são luxuriosos, como incrivelmente bons amantes. Quando têm
sangue real... são literalmente viciantes. Fadas de sangue puro não
toleram as cidades e raramente vivem entre os humanos. Mas Meredith
Gentry não é de puro-sangue. Ela tem sangue humano e por isso é mortal.
Talvez também por isso, sinta que não pertence a lugar nenhum. Meredith
Gentry, princesa da corte real das Fadas, faz-se passar por humana em
Los Angeles, onde trabalha como detective privada. Mas, agora, o
carrasco da rainha foi enviado para a levar de volta para casa - quer
ela queira quer não. Subitamente, Meredith vê-se como um mero peão
encurralado
nos terríveis planos da sua tia. A tarefa que a aguarda: desfrutar da
companhia constante dos homens imortais mais bonitos do mundo. A
recompensa: a coroa - e a oportunidade de salvar a sua vida. O castigo
por fracassar: a morte.
Opinião
Com um milhão de cópias vendidas em todo o mundo, esta série
de, actualmente, seis livros sendo que dois já estão publicados em Portugal e o
terceiro vem a caminho, saiu da imaginação da mesma autora de Anita Blake, a #1 do New York Times, Laurell K. Hamilton,
especialista em romances paranormais altamente perigosos onde a sedução é uma
arma de alto calibre. Seres feéricos de todo o género juntam-se num mundo
actual onde estes convivem lado a lado com seres humanos mas com as suas
próprias regras e hierarquias, com ódios e amores tão duradouros quanto a sua
imortalidade.
Já tinha parado a olhar para este livro várias vezes mas a
curiosidade nunca me havia levado a melhor e, com opiniões tão díspares, a
incerteza desta leitura levou-me a passar-lhe um pouco ao lado. Só que, depois
de mo terem recomendado afincadamente, não lhe resisti da última vez que olhei
para ele e trouxe-o para a minha estante até que chegasse o momento de eu
finalmente lê-lo.
Como já devem ter percebido, eu adoro uma boa intriga
política, os detalhes e regras de uma sociedade e as formas de as ultrapassar,
a maneira como as relações se desenvolvem em determinado ambiente, ou não tivesse
seguido a área que segui. Este livro tem tudo isto e ultrapassa-se a si
próprio. Numa história onde seres imortais reinam é necessário saber lidar com
as características aptas a eles e saber desenvolver uma história condizente,
algo que a autora conseguiu numa escala máxima, ao misturar seres perfeitos e
bizarros na mesma dimensão e tornando algo horripilante em aceitável.
Num livro onde o sexo é algo banal, Hamilton dá-nos cenas de
extrema beleza e força, numa voluptuosidade que pode chocar ou maravilhar, e
onde se torna algo vital a uma sociedade longe dos protótipos comuns, onde
criaturas arrogantes, cruéis e extremamente poderosas percorrem caminhos nunca
antes sonhados quais estrelas de cinema que estão acima do mais comum dos
mortais, mas que em certa medida, também correm perigos inimagináveis e tem de
se adaptar a regras e conceitos que estão para lá das suas vivências.
Com personagens fora do comum, seres cujo conceito de certo
e errado são tao diferentes dos nossos, a escritora consegue não que as
adoremos mas que as compreendamos e que aceitemos os extremos em que estas
vivem de uma forma quase automática, acabando por nos transpor para este mundo
com um fascínio quase obsessivo. Apesar da quantidade avultada de personagens,
faz-nos conhecer cada uma delas, o seu poder e fraquezas, apresentando-nos estes
imortais em situações extremas.
O próprio enredo, para além da forte carga sexual, carrega
também uma forte carga de mistério e horror, fazendo com que ambas se
entrelacem de uma forma perfeita, em que uma não existe sem a outra. Fazendo-me
recordar a minha escritora preferida, Anne Bishop, num plano mais actual, temos
uma sociedade complexa em que cada atitude pode condenar à morte ou a tortura
ou a dar a glória, em que cada acto e pensamento são pensados com ambição e para
a sobrevivência, envolvidos em sentimentos tão fortes como o ódio, a vingança
ou o desejo, dando-nos uma trama em que muitos se podem sentir perdidos ou “fora
de água”.
Este livro é daqueles que se estranha e depois entrenha-se
de uma forma subtil e poderosa, onde cada descrição é tão visual e explícita
que todos os nossos sentidos são embargados como por uma droga que não se quer
largar, deixando-nos não uma presença possessiva mas um pequeno chamativo que
nos trará de certeza de volta à sua leitura.
Senti de todas as formas, possíveis e imaginárias, cada sensação
que este livro nos pode dar e é de espantar como cenas de repulsa nos podem transmitir
ou fazer compreender o que cada personagem sente em cada momento. No fundo, a
escritora pega em emoções humanas e leva-as a outra dimensão, a dimensão do
bizarro, do sedutor, do inconfessável.
Vou de certeza, a seguir o resto da série pois anseio por
saber mais e fiquei assoberbada pelo poder deste livro. Pouco banal ou comum,
este livro agarra todas as atenções como uma diva ciente do seu talento e vai
levar-vos a uma experiência que tão cedo não esquecerão.
6*