terça-feira, 22 de maio de 2012

Teaser Tuesday (25)

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro

"De novo sonhos. Mas de novo, à alvorada, a memória escapuliu-se-me. Tudo aquilo era muito aborrecido. O sonho fora agradável, confortável. Queria-o de volta, e nem sequer conseguia recordar sobre o que era."
p. 148, O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias, George R. R. Martin  

Rubrica original do blog Should Be Reading

sábado, 19 de maio de 2012

E se os primeiros livros da cultura ocidental nunca tivessem existido?


Imaginem que a Ilíada e a Odisseia nunca tivessem sido transmitidas a gerações de um povo ou que nunca tivessem sido escritas ou, mesmo, que nunca tivessem chegado a outras épocas, que tivessem sido esquecidas ou só fossem descobertas hoje...
 Será que a literatura como a conhecemos teria sido a mesma?

Muito possivelmente não.

 A verdade é que ambas as obras abriram um caminho no pensamento ocidental que em pleno século XXI se mantém pois a maneira de escrever pode mudar, o formato pode evoluir, ideias podem se alterar mas na essência, por mais racional e científica que a Humanidade hoje seja, o homem ainda sonha, ainda acredita em heróis e há "receitas" que irão funcionar sempre, quer tendo como cenário a Antiguidade ou um futuro onde as naves espaciais e os alienígenas proliferam.


 Se há séculos atrás Alexandre, o Grande dormia com os poemas homéricos debaixo da almofada e sonhava conquistar a glória dos grandes homens que ficaram enaltecidos para a eternidade, o que de facto, conseguiu, hoje são outras obras que povoam o imaginário dos homens e mulheres deste século, mas será que existe uma diferença? Claro que sim, houve evoluções técnicas, culturais e sociais mas, mais uma vez, a base dos nossos ideais foi construída a partir das motivações desses outros povos que originaram a Europa Ocidental, foram eles a base para tudo o que se lhes seguiu, mais tarde ou mais cedo.

O sentido de epopeia, no sentido lato, é de uma narrativa de feitos grandiosos de um único indivíduo ou de um povo, de acontecimentos excepcionais e servem para enaltecer um "homem ideal", um exemplo para a sociedade. Ora, esta ideia não vos parece familiar?

Dos grandes poemas, passou para romances, para a ficção científica, para a fantasia. Da literatura ao cinema, até à ópera, quantas das obras da cultura ocidental têm parecenças com os poemas de Homero? Será que a lenda do Rei Artur seria a mesma sem estas influências?

Deixo-vos alguns desses exemplos:


  • Eneida  século I a.C.; Vergílio
  • Argonáutica século III a.C.; Apolónio de Rhodes
  • Canção de Roland século XI; Turoldo (?)
  •  Tristão e Isolda  século XII; Béroul
  • Demanda do Santo Graal século XIII; origem desconhecida
  • El Cantar de Mio Cid século XIII; origem desconhecida
  •  Gesta de D. Afonso Henriques século XIII; origem desconhecida
  •  Divina Comédia século XIV; Dante Aligheri
  • Peregrinação século XVI; Fernão Mendes Pinto
  • Lusíadas século XVI; Luís Vaz de Camões
  • D. Quixote de La Mancha século XVII; Miguel de Cervantes
  •  Paraíso Perdido século XVII; John Milton
  • Viagens de Gulliver século XVIII; Jonathan Swift
  • Robinson Crusoé século XVIII; Daniel Defoe
  • Guerra e Paz século XIX; Leon Tolstoy
  • Tetralogia O Anel do Nibelungo século XIX; Richard Wagner
  • 2001 - Odisseia no Espaço século XX; Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke
  • Guerra das Estrelas século XX; George Lucas
  • Ulisses século XX; James Joyce

Como estes, tantos outros livros, filmes, óperas, não seriam a mesma coisa sem as primeiras influências que caracterizaram a cultura ocidental. Sem Heitor, Aquiles ou Ulisses e Páris, não teriam existido Aragorn, Romeu, Gulliver, Tyrion Lannister, Paul Atreides ou tantos outros.
Ou melhor, poderiam mas não seria a mesma coisa.





quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Passear na Feira do Livro

Depois de uma semana complicada que ainda não acabou já que os professores não dão descanso, posso finalmente falar-vos das minhas visitas a um dos eventos mais importantes na minha vida desde que me lembro de ser gente: a Feira do Livro.


Este ano graças ao tempo medonho, apenas pude visitar a Feira em dois dias (e também graças ao raio da agenda apertada). Eu sei que isto é uma queixa geral mas não posso deixar passar em branco o calendário escolhido nos últimos anos. Eu fui uma daquelas felizes crianças que passava o Dia da Criança na Feira do Livro e graças ao sol era presença assídua quase todos os dias. A verdade é que a pessoa que me levava hoje já não está em condições para me acompanhar, os amigos ligados aos livros são poucos e o tempo hoje também escasso...mas a alteração do calendário também foi responsável pela alteração dos hábitos pois não dá vontade de nenhuma de andar a chuva a percorrer a Feira nem de andar com os livros dentro dos saquinhos não vá a chuva os estragar.
Isto porque tecnicamente eu fui três dias à feira, só que no primeiro chovia tanto que eu nem cheguei perto dos stands. Quero a minha Feira em Maio/Junho outra vez para o ano, por favoooor!!

Mas chuva e ventania a parte, lá consegui colocar os pezinhos no Parque Eduardo VII!
Numa primeira visita com a mãezinha no Dia da Mãe, não vi a feira toda pois não estava com muito tempo e quando cheguei à Leya apanhei com  o Ruca e o espaço cheio como tudo, em que as criancinhas andavam ali quase perdidas, tal era a confusão que voltei para trás e lá me dirigi ao sítio do costume até porque este ano tínhamos livros a €5, campanha que fui aproveitar na SdE, trazendo três livrinhos para casa. Comprei portanto:

O Prestígio de Christopher Priest €5
Jovens Lobos de Simon Scarrow €5
Sangue do Assassino de Robin Hobb €16

 

Numa segunda visita, no penúltimo dia da Feira, fui acompanhada pela Kel do A Rapariga dos Livros, que coitada esteva à minha espera debaixo daquele calor e carregada de saquinhos e eu ainda a fiz correr os alfarrabistas e ir até aos Livros do Brasil! Uma tarde bem passada numa óptima companhia, apesar do calor em excesso. Eu seu só me queixo do tempo!
Como disse acima, descobri os alfarrabistas, yeah!, aproveitando para fazer umas comprinhas mais económicas apesar de ter ficado um pouco melindrada porque num dos stands encontrei dois livros da Anne Rice que me faltam por agora e os dois últimos da Tapeçaria de Fionavar mas não vendiam esta última em separado, teria de trazer a trilogia toda e quanto aos da Anne, teria de trazer os dois volumes correspondentes a um só livro, o que não me interessava. O caso foi resolvido, e posso não ter trazido os da Anne mas os do Gavriel vieram pois estavam ao mesmo preço no stand da editora que estavam no tal stand de alfarrabista. Conclusão, trouxe mais estes:

Refúgio
Inocência Perdida
Refém do Amor

Todos da Nora e todos a €5  


E mais estes:

O Fogo Errante
A Senda Sombria 

de Gavriel Kay a €5


Resultado: Trouxe mais livros do que o ano passado e gastei o mesmo!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Picture Puzzle #12


Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título

Picture #1

Pistas: título em português; romance; autora bestseller; capa azul



Picture #2

Pistas: título em português

terça-feira, 15 de maio de 2012

Teaser Tuesday (24)


Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro

"Houve um momento, há muito tempo (acho que o sol era então amarelo)em que me apercebia de que amaria qualquer voz que não fosse um eco da minha."
p., 20, O Cavaleiro de Westeros&Outras Histórias, George R .R. Martin



Rubrica original do blog Should Be Reading

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Opinião - Crónica de Paixões e Caprichos

Título Original: The Duke and I  (#1 Bridgertons)
Autor: Julia Quinn
Editora: ASA
Número de Páginas: 368

Sinopse
 As mães casamenteiras da alta sociedade londrina, estão ao rubro. Simon Bassett, o atraente (e solteiro!) Duque de Hastings, está de volta Inglaterra. O jovem aristocrata mal sabe o que o espera pois a perseguição das enérgicas senhoras é implacável. Mas Simon não pretende abdicar da sua liberdade tão cedo…

Igualmente atormentada pela pressão social, a adorável Daphne Bridgerton sonha ainda com um casamento de amor, embora a sua espera por um príncipe encantado comece já a ser alvo de mexericos.

Juntos, os jovens decidem fugir de um noivado, o que garantirá paz e sossego a Simon e fará de Daphne a mais cobiçada jovem da temporada. Mas, entre salões de baile e passeios ao luar, a paixão entre ambos rapidamente deixa de ser ficção para se tornar bem real. E embora Daphne comece a pensar em alterar ligeiramente os seus planos inicais, Simon debate-se com um segredo que pode ser fatal.


Opinião
 Traduzida em vinte e duas línguas, vencedora de três RITA Awards em quatro anos, Julia Quinn é finalmente traduzida em Portugal. Autora bestseller do New York Times, foi o membro mais jovem a entrar para o Romance Writers of America’s Hall of Fame.
A Série Bridgerton é composta por oito livros, sendo este o primeiro volume de uma série que já conquistou leitoras ávidas por todo o mundo, ou não tivesse Lisa Kleypas o considerado como o romance mais original do ano. Passado no século XIX, em plena Londres, vai ser difícil não se apaixonar pelas aventuras amorosas de oito irresistíveis irmãos por entre bailes, mexericos, muita etiqueta e ainda mais amor. Afinal, Nora Roberts considerou esta série «uma delícia!».
Através da blogosfera têm sido muitas as excelentes opiniões acerca desta série, o que me havia suscitado o interesse para conhecer a autora que anda a deixar as meninas felizes e, não é que quando eu andava a pensar nisso, Crónica de Paixões e Caprichos surgiu nas livrarias nacionais? Era bom que as editoras me lessem mais vezes o pensamento.
Para mim, este tipo de romance histórico não suscita dúvidas. A fórmula é geralmente a mesma e são muito poucas as escritoras que conseguem inovar num género em que o público feminino já se tornou mais do que exigente mas com tão boas perspectivas, confesso que tinha as expectativas em alta. E sabem uma coisa? Não saíram nada defraudadas.
Julia Quinn tem um estilo único num meio em que a concorrência é mais do que muita. Uma escrita irónica, divertida e maravilhosamente romântica que nos leva das lágrimas às risadas histéricas em poucos minutos, tal é a sua habilidade para nos colocar no meio da história. Há muito que não lia um livro com tanta atenção e, há muito, que não me divertia tanto nem, aliás, suspirava tanto. Quinn tem o poder de nos empolgar e entreter de forma viciante, em que se torna impossível largar o livro. Pensando bem, nem pensamos nisso.
As suas personagens são tão únicas e maravilhosas que não existe uma só que não nos marque, tornando difícil a tarefa de escolher uma personagem preferida. Cada uma dessas personagens é maravilhosamente construída, com o seu próprio feitio, com os seus próprios problemas, com o seu próprio charme e humor. O casal protagonista é absolutamente fofo e extremamente romântico e leva-nos ao rubro com as suas pequenas diferenças. Uma das coisas que gostei é que a autora não nos dá uma protagonista forte que vá perdendo esplendor enquanto se apaixona, antes pelo contrário, parece que a medida que a Daphne descobre que ama o Simon, ela torna-se ainda mais bonita, o mesmo acontecendo com ele, estando ambos em pé de igualdade, apesar dos segredinhos dele. De todas, apenas não gostei do pai dele, por razões óbvias mas de resto adorei a família Bridgerton.
A forma como a escritora construiu a história está, não só original como também genial, cada momento primou pela simplicidade e pela forma honesta e directa com que Julia escreve, levando-nos de um momento hilariante para outro sério com uma mestria que muitos gostariam de ter. O enredo está muito bem pensado, os pormenores são deliciosos, notando-se que Quinn tem paixão pelo que faz e que o consegue transmitir aos seus leitores. Para além disso, em termos históricos, está muito bem feito para o que é possível dentro deste tipo de livro, achei mesmo que as diferenças que este livro tem em comparação com outros romances dão-lhe um toque encantador e muito mais realista e conivente com a época, tornando-se um livro soberbo que agrada até as mais exigentes.
Depois de o ter terminado, adormeci com um sorriso nos lábios e, quando o livro faz isso, é muito mas mesmo muito bom sinal. Obviamente, fiquei fã da autora e vou seguir esta série com muito afinco e aconselho todas a fazerem o mesmo porque não sabem o que andam a perder, por isso, não percam mais tempo, leiam Crónica de Paixões e Caprichos.

7*

domingo, 13 de maio de 2012

Opinião - A Carta

Título Original: The Postmistress
Autor: Sarah Blake
Editora: Casa das Letras
Número de Páginas: 352

Sinopse
 1940. A França rendeu-se. As bombas caem sobre Londres. Roosevelt promete que não vai mandar os americanos lutar em «guerras estrangeiras». Mas a radialista americana Frankie Bard, a primeira mulher a fazer emissões radiofónicas da blitzkrieg em Londres, quer apenas levar a guerra até casa. Enquanto isso, em Franklin, Massachusetts, Iris James ouve as emissões radiofónicas e sabe que é apenas uma questão de tempo até a guerra chegar às margens da sua terra. Responsável pelo correio, Iris acredita que o seu trabalho é entregar e guardar os segredos das pessoas. A ouvir Frankie estão também Will e Emma Fitch, o médico da povoação e a sua mulher, ambos a tentarem escapar a uma infância frágil e a forjar um futuro mais risonho. Quando Will segue o canto da sereia de Frankie até à guerra, os piores receios de Emma tornam-se realidade. Will parte para Londres e as vidas das três mulheres entrelaçam-se. Alternando entre uma América ainda resguardada no casulo da sua incapacidade em compreender o perigo próximo e uma Europa a ser dilacerada pela guerra, A Carta traz-nos duas mulheres que se descobrem incapazes de entregar correspondência, e uma terceira mulher desesperada por uma carta, mas com medo de a receber.

Opinião  
 A II Guerra Mundial tem mantido após tantos anos um fascínio e um horror imensos sobre a Humanidade, tendo-se repetido o seu tema, as suas atrocidades e a coragem daqueles que fizeram frente a um homem e a um regime tanto na tela como nas páginas de um livro. A Carta é um desses livros, que ao contrário de tantos outros, não se baseia na guerra em sim mas nas acções que essa guerra provocou em três mulheres, ligadas entre si por acontecimentos, naqueles que foram esquecidos quando mais precisavam e que hoje são lembrados com pena e remorso.
Sarah Blake apresenta uma ideia original sobre um tema já tão batido e consegue com que os seus leitores relembrem, não só os que combateram, mas também os que os esperavam, os que fizeram a diferença sem pegar em armas e aqueles que tiveram de esperar impotentes pela sobrevivência no dia a seguir.
Como estão fartíssimos de saber eu estudo História e é normal que este tipo de tema me fascine pois como alguém disse, a História é feita de pequenos actos e são esses que levam aos grandes acontecimentos, há sempre uma história interessante por trás da História. Outra grande verdade, é que esta não é a minha área de eleição, talvez pela forma como tem sido banalizada por todo o lado, talvez porque a única coisa que eu consigo sentir é medo e respeito e nadinha de fascínio, o que não quer dizer que um livro assim não me chame a atenção.
Apesar de ser uma ideia original, a verdade é que ela foi pouco desenvolvida ou, se quiserem, mal desenvolvida. Temos três visões femininas de uma guerra mas ao mesmo tempo apenas duas estão realmente ligadas a ela de alguma forma. Temos também dois cenários em tempo de guerra, uma Londres a ser bombardeada e uma cidadezinha de Massachusetts que ouve as notícias todos os dias e confiam que os seus homens não terão de combater nesta guerra. Mais uma vez, também isto foi original, uma forma de conhecermos os dois lados desta guerra e, mais uma vez, a coisa não foi bem aproveitada. Se as imagens de Londres eram fortes e nos faziam pensar, as da pequena cidade deixam muito a desejar.
Nisto tudo, os grandes pontos negativos foram as personagens e a escrita da autora. As personagens não agarram, não apegam, pura e simplesmente não as entendemos. Não há qualquer tipo de ligação com as três protagonistas ou quaisquer outras personagens, pois não há uma construção psicológica que nos dê a conhecer as personagens. Era necessário algo mais para sentirmos ao lado deles.
Depois a escrita da autora não é nada de especial. Muito confusa, pouco descritiva e sem qualquer chama. Não há uma explicação lógica para qualquer acto e muitos dos acontecimentos não fazem qualquer sentido. Apenas na viagem de Frankie pela Europa podemos ver a alma que este livro podia ter tido, uma alma gigante e poderosa que morreu antes de começar.
Para além disso, o enredo é difuso e das várias histórias paralelas, não há nenhuma que chame a atenção sem ser a de Frankie, os relatos dos bombardeamentos de Londres. Escrito de outra forma, seria um livro interessante e que perdeu pelos vários pontos que mencionei em cima. Ganha numa coisa que em mim chamou a atenção, os pormenores históricos detalhados, o papel da rádio na II Guerra Mundial, as perspectivas dos atacados e dos que aguardavam. Aí ganhou pontos mas não suficientes para chamar a atenção ou marcar a diferença.
Outra coisa que me confundiu foi o título original, pois não tem nada a ver com o livro em si, já que a Postmistress passa por ser a personagem menos interessante e, que mais uma vez, podia ser muito mais.
Um livro que podia ser muito mais e que se ficou pelo que seria, um livro que se lê mas não se repete.

 3*

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Opinião - O Recife

Título Original: The Reef
Autor: Nora Roberts
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 368

Sinopse
 A arqueóloga marinha, Tate Beaumont, é apaixonada pela caça ao tesouro. Ao longo da vida, ela e o pai descobriram muitas riquezas fabulosas, mas há um tesouro que nunca conseguiram encontrar: a Maldição de Angelique - um amuleto com pedras preciosas, obscurecido pela lenda e manchado de sangue. Para encontrarem este artefacto precioso, os Beaumonts aceitam, hesitantemente, uma parceria com os mergulhadores Buck e Matthew Lassiter. Tate não fica feliz por partilhar o seu sonho, mas não tem alternativa.
E, à medida que os Beaumonts e os Lassiters disponibilizam recursos para localizar a Maldição de Angelique, as águas das Caraíbas adensam-se com desilusões sombrias e ameaças escondidas. A parceria entre as famílias é posta em causa quando Matthew se recusa a partilhar informação - incluindo a verdade sobre a morte misteriosa do seu pai, alguns anos antes. E conforme Tate e Matthew avançam com a sua desconfortável aliança… o perigo e o desejo ameaçam emergir.


Opinião 
 Nora Roberts é mais do que um fenómeno na literatura romântica. Primeira escritora a entrar para o Hall of Fame do Romance Writers of America, após inúmeras rejeições, hoje os seus livros são todos bestsellers e já vendeu mais de 4 milhões de cópias, firmando o seu lugar enquanto “rainha do romance”.
O Recife é um desses livros que conquistou leitoras por todo o mundo, um livro em que podemos contar com todos os ingredientes habituais numa leitura “noriana” num cenário idílico com um dos temas preferidos da escritora: uma maldição em nome do amor que perdurará séculos e está enterrada no fundo do mar.
Nora Roberts é uma das minhas escritoras de eleição e a minha companhia nos maus momentos. Por mais improvável que possa parecer, foi esta autora que me deu a conhecer a editora Saída de Emergência, muito antes do meu amor à fantasia. E este livro é um conjunto de tudo aquilo que me chega à alma. Os piratas fazem parte do meu imaginário desde pequena, a História é a minha vida e o mar o meu mundo desde sempre. Por isso, não é de espantar que este livro fosse um dos meus mais queridos da autora, o que, efectivamente, aconteceu.
Mais uma vez, temos romance e mistério, um artefacto valioso e antigo com uma maldição, uma história de amor mal acabada e uma que poderá curar as feridas do passado, tudo aquilo que um leitor desta autora gosta, mais, um novo cenário. Em pleno alto mar e dentro dele, esta história ganha contornos inigualáveis e mostra que Nora pode muito bem ultrapassar-se a si mesma.
As personagens da autora são sempre inesquecíveis mas temo bem que estas passaram a constar da minha lista dos preferidos. Tate e Matthew são um dos casais mais amorosos, divertidos e maravilhosos da escritora e enquadram-se na perfeição com o enredo que O Recife nos transmite e com as restantes personagens, também elas um marco entre as outras e que deixarão saudades. Apesar de neste livro não existir grande mistério, o vilão é, sem dúvida, um dos mais carismáticos que Nora já nos proporcionou.
Num livro em que a receita é mais que sobejamente conhecida, a escritora continua a surpreender e, para isso, muito valeu o cenário idílico deste livro. Senti-me trepidar com cada descrição do mar e do seu fundo, dos barcos afundados, dos tesouros descobertos, tudo isso fez com que a historiadora em mim quisesse arrancar tudo aquilo do livro e poder observar de perto cada maravilhosa descoberta.
Muito se deve elogiar Nora pelo cuidado que teve em pesquisar cada etapa de uma descoberta arqueológica, cada pormenor inerente a um simples objecto, os materiais que são utilizados, a estrutura dos barcos. Tudo isso faz com que seja uma delícia ler este livro mas também ajuda a paixão com que a autora nos transmite a descoberta, a necessidade de saber a história por trás, de proteger o passado e mantê-lo para as gerações futuras.
De resto, em termos de história, este livro pareceu-me diferente dos restantes, o que contribuiu não só para matar saudades deste tipo de leitura mas também para surpreender os leitores mais assíduos. Afinal uma mudança de cenário ou tema, muitas vezes basta para nos deixar felizes. O enredo, está mais uma vez, bem constituído, o rumo que levou está perfeito demonstrando porque tem esta senhora tanto renome neste tipo de livros.
Por fim, tenho a dizer que este livro superou as expectativas e que foi um prazer retornar a Nora Roberts e que ainda bem que ainda tenho tantos livros dela para ler.

6*

Picture Puzzle #11


Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título

Picture #1

Pistas: títullo em português ou inglês


Picture #2

Pistas: título em português ou inglês; Colecção Bang!





terça-feira, 8 de maio de 2012

Opinião - Os Dilemas do Assassino

Título Original: Golden Fool (#2.1 Tawny Man)
Autor: Robin Hobb
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 364

Sinopse
 O seu nome é murmurado com temor e respeito.
A sua figura move-se nas sombras da noite e das políticas.
Acaba de salvar o herdeiro do reino. Mas será suficiente?

Depois de salvar o príncipe das garras dos pigarços e de sofrer a mais devastadora perda possível ao fazê-lo, o lendário assassino regressa ao lugar a que em tempos chamou lar. Aí, esperam-no dias difíceis de adaptação, mas também o esperam oportunidades, velhos e novos amigos e até um filho adolescente. E espera-o também um príncipe, do seu sangue sem que o saiba, dotado com as magias desse sangue mas sem conhecimentos para lidar com elas, e prometido a uma princesa estrangeira. Como irá Fitz lidar com todos os desafios que o aguardam em Torre do Cervo? Que soluções encontrará para os seus dilemas?


Opinião 
 George R. R. Martin chamou aos livros de Robin Hobb «diamantes» e «obra-prima», opinião que muitos dos fãs de ambos tendem a concordar. A crítica enaltece a brilhante caracterização das suas personagens mas não deixa de elogiar o mundo complexo dos Seis Ducados. Os leitores, pura e simplesmente, perdem-se nas suas páginas de uma fantasia épica como há poucas.
Nesta segunda trilogia do Bastardo, Robin Hobb demonstra que os elogios são mais que bem merecidos e que Fitz&Cia. ainda têm muitas cartadas para dar na literatura. Numa série mais madura e não menos complexa, mistérios mais subtis ameaçam os Seis Ducados e mais uma vez, é o Catalisador que terá de os salvar.
E cá estou eu mais uma vez de volta do Fitz. Isto está a tornar-se um, hábito e dos bons. Depois da maneira como o primeiro volume terminou, seria de esperar que começar este traria algumas mudanças e revelações, o que de facto aconteceu. Ficou comprovado neste livro a sensação que o anterior me havia dado de mais acção e objectividade, apesar de mantermos os capítulos mais introspectivos do Fitz, sem os quais esta saga não seria a mesma. Mas tal como o nosso protagonista cresceu, a série amadureceu com ele, trazendo-nos novas perspectivas e atitudes e, também, novos desafios.
Neste livro ainda há personagens para recordar e muitas para conhecer. Algumas estão apenas na consciência de outras personagens, outras são tão diferentes que trazem uma nova dimensão a um mundo tão nosso conhecido, permitindo-nos encaixar todas elas no nosso consciente. Se umas nos permitem matar as saudades e nos agrada revê-las de uma nova forma, é bom descobrir o que existe por trás de cada nova personagem.
Quanto ao enredo, sinto que neste livro ainda estamos a descobrir o que a escritora nos preparou para esta nova saga, ainda estamos a dar passos na areia movediça mas, pouco a pouco, as suas intenções vão tomando forma, aguçando-nos a curiosidade e levando a nossa mente a estudar perspectivas, uma vez que pressinto que, novamente, a escritora vai dar um caminho tortuoso entre vários inimigos ao nosso protagonista. Mas entre premonições não conclusivas, a verdade é que este livro tem um estilo bem mais activo do que os anteriores sem deixar de ter o carácter mais pessoal.
Por falar no carácter mais pessoal, este livro tem momentos de cortar a respiração ou de quebrar o nosso coração. Os dilemas de Fitz estão ainda mais fortes e o Bastardo vai ter muitas decisões a tomar e muito, ainda, a descobrir sobre si próprio e sobre os que o rodeiam. Nota-se que este é um livro de adaptação, não só do protagonista ou restantes personagens, mas também do leitor pois há muita coisa que ficou em aberto no final de A Saga do Assassino e que ainda está por resolver.
Contudo, o estilo de Hobb mantém-se e, mais uma vez, será a par e passo que nos irá deslindar cada mistério. Tenho pena de ainda não ter conhecido uma certa personagem nem ter revido outras duas mas agradou-me os novos desenvolvimentos e espero que alguns desejos antigos se tornem realidade, o que se calhar já é pedir de mais à autora.
Depois de páginas recheadas de promessas de aventuras e novas revelações, tivemos um final prometedor que me faz ansiar por pegar no próximo volume e saber que perigos aguardam os Seis Ducados. A verdade é que a qualidade da primeira trilogia é aqui superada e nota-se que autora soube aproveitar as qualidades e emendar os erros que cometera, conseguindo uma nova série ainda mais prometedora.
Mantendo a qualidade a que já nos habitou, Robin traz-nos uma nova aventura que nos agarrará tanto quanto a primeira. Mal posso esperar pelo resto.

7*