Título Original: The Burning Times
Autor: Jeanne Kalogridis
Editora:Saída de Emergência
Número de Páginas: 463 (de bolso)
Sinopse
Transportando o leitor
para a França do séc. XIV, terra fértil em hereges - cátaros, gnósticos e
templários -, Jeanne Kalogridis conta-nos a história de Sybille, uma
rapariga com estranhos e inexplicáveis poderes.Como se não bastasse a
Guerra dos Cem Anos e a terrível Peste Negra, a Inquisição acende
dezenas de milhares de fogueiras para queimar hereges. E quando a avó de
Sybille é torturada e queimada, só lhe resta fugir para um convento. Os
seus dons de cura e premonição permitem-lhe subir na hierarquia da
Igreja e na admiração do povo que a adora como uma santa. Mas, aos olhos
do Papa, Sybille é uma ameaça e uma bruxa que tem de ser atirada ao
fogo. Quando é presa, cabe ao jovem inquisidor Michel interrogá-la. Este
agradece a Deus a sua sorte, pois sempre acreditou na santidade de
Sybille e assim poderá salvá-la. Mas quando ela lhe conta a sua
história, toda a fé do jovem ameaça ruir. Para piorar, de dia sofre
pressões para a queimar, e de noite arde de desejo por ela. No Tempo das
Fogueiras é um livro vitorioso, onde Kalogridis conseguiu criar uma
heroína de proporções épicas e um leque de personagens maravilhosas.
Opinião
Há momentos que marcaram para sempre a nossa imaginação e
épocas que suscitam um tal maravilhamento que serão retratadas de todas as
formas possíveis. A caça às bruxas e a Peste Negra são duas das razões para a
Idade Média ser conhecida como a Idade das Trevas que estando recheada de
pormenores e enredos, é uma inspiração para qualquer escritor que procure um
palco denso e rico para um livro deste género, o que a torna uma das épocas
históricas mais retratadas na literatura.
Jeanne Kalogridis retoma um dos temas habituais relacionados
com este tempo, numa história entre santidade e bruxaria, num estilo próprio e
de uma forma única que pode espantar os leitores assíduos do género e das suas
obras. Autora de vários romances históricos como A Noiva Bórgia e de Star Trek
pelo pseudónimo de J.M. Dillard, Kalogridis deixa o Renascimento para pisar
o palco da “Dark Ages”.
Sendo um tema com a qual me identifico mas que não tenho
lido com tanta regularidade, este é um livro que há muito me chama a atenção e
que tenho procurado com afinco pois pareceu-me que sairia dos cânones impostos
em vários livros com o mesmo tema. Com uma sinopse interessante, é um livro que
facilmente chama a atenção aos leitores do romance histórico e que prometia
pelas opiniões uma leitura interessante e assaz boa.
Primeiro, tenho de salientar a escrita concisa e detalhada
da autora, tendo de confessar que não esperava a qualidade com que este livro
está escrito nem os detalhes históricos precisos que se apresentam ao longo da
leitura e que me agradaram sobremaneira. Depois, a Jeanne sabe contar uma
história e através de uma visão alternativa e, quanto a mim, brilhante, dá uma
nova dimensão a um tema que tem sido repetido até a exaustão e que provoca no
leitor uma sensação de agradável ansiedade.
Contudo, nem tudo neste livro foi perfeito e, se até meio do
livro, foi uma leitura viciante, depois foi perdendo o interesse até ler o fim
em agonia. Como é que um livro pode provocar duas sensações tão distintas,
perguntam vocês? Bem, até meio do livro é com grande interesse e curiosidade
que vemos Sybelle a contar a sua história, que rica em pormenores e características
próprias, agarra ao leitor de forma inquestionável e acaba por ser o momento
alto do livro e o que nos faz gostar tanto dele e me fez lamentar haver tanto
pormenor no início do relato de Sybelle e depois ela contar tudo a correr, o
que terá contribuído para o sentimento com que fiquei em relação ao livro.
As personagens são outro dos factores que me dividiram. Simples,
apresentando também elas um detalhe histórico de qualidade roçam o que mais esotérico
a humanidade pode ter, sem serem personagens que provocam emoções, são pelo
menos, de uma mestria cuidada que combina perfeitamente com a história em si.
Mas, no fundo, cada uma delas tem um propósito e não uma personalidade própria,
o que se vai notando com o avanço da história. Resumindo, estão bem construídas
mas falta-lhes o factor x que nos ligue a elas.
Para mim, este livro só teve realmente um problema que
acabou por me levar à tal outra sensação distinta, e é o rumo que o enredo
leva. A visão única da autora leva-a por um caminho que se salienta do resto da
história e que corta a ligação entre o princípio e o fim. Quando comecei a
perceber onde a história ia dar e à medida que alguns segredos iam sendo
descobertos, senti-me algo enganada pois ao iniciar este livro, este não era um
caminho perceptível e tornou o final incoerente para mim, tendo me retirado aos
poucos o prazer desta leitura. Depois foi a velocidade com que terminou,
demasiado repentino, ficou com demasiadas coisas por explicar e fiquei mesmo
com a sensação que estava a ler um livro diferente do que comecei.
No Tempo das Fogueiras
é um livro de extrema qualidade mas de poucas emoções, é brilhante mas não
agarra, é coerente e bem construído mas tem um final totalmente diferente do
que seria de esperar. Dividiu-me e entristeceu-me, pois estava a gostar da
leitura e depois fui-me sentido desligada. Penso que este não será o melhor
trabalho da autora e espero ler algo mais dela pois a essência deste livro é
fantástica, a alma é que lhe faltou.
Sinto que não fui coerente com esta opinião mas a leitura
também não o foi.
4*