Autor: Margarida Rebelo Pinto
Editora: Clube do Autor
Nº de Páginas: 216
Sinopse
A história trágica de D. Inês de Castro, pela sua universalidade e intemporalidade, é inesgotável. Margarida Rebelo Pinto revela-nos os meandros deste universo fascinante, desmontando todos os passos da vida de D. Inês na semana que antecede um destino inelutável: a sua execução no dia 7 de Janeiro de 1355. Através da perspectiva de D. Inês vamos conhecendo os segredos da alma desta heroína e as maquinações das razões do Estado que determinaram o fim de uma vida mas não do amor.
Uma estreia surpreendente no romance histórico de uma escritora que, pela sua extraordinária capacidade de penetrar no íntimo de cada personagem, dá voz a D. Inês, D. Pedro, D. Afonso IV e a outros protagonistas deste momento inesquecível da nossa História. Despidos das suas máscaras, ficamos a conhecer melhor as suas forças, fraquezas, motivações e desejos íntimos. Novas e surpreendentes revelações deste período único da História de Portugal dão sentido à frase que eterniza o amor de D. Inês e de D. Pedro: “Até ao fim do mundo”.
Opinião
É a escritora nacional mais lida por terras lusas. Os seus
livros são bestsellers. Amada por
uns, odiada por outros, Margarida Rebelo Pinto é um caso de sucesso na
literatura portuguesa com os seus livros light
e femininos. Agora, atreveu-se a escrever algo que nunca havia experimentado e,
pegando na mais bela e trágica história de amor portuguesa, estreia-se no
romance histórico contando-nos em primeira pessoa os últimos dias de vida
daquela que foi rainha depois de morta e que inspirou escritores ao longo da
nossa História: Inês de Castro.
Esta escritora fez parte de uma fase da vida. Não é daquelas
que adore mas algumas das suas citações marcaram-me ao longo de outras fases da
minha jovem vida mesmo depois da professora de Português ter dito que isto não era
leitura para uma menina com tão bom gosto em livros. Bem, eu pensava que a
professora era parva e que se o livro me fazia rir então valia a pena. Mas à
alguns anos que não lia esta autora e confesso que estava de pé atrás com este
livro. Conhecendo a sua escrita e depois das más opiniões que li, tive a
certeza que não o ia ler mas como a minha avó não me ouve e comprou o livro,
decidi pegar nele e ver pelos meus próprios olhos o resultado.
E há coisas que os meus olhos não deviam ler. Não sou
sensível ou pudica, aceito bem as coisas mas a minha alma de amante de História
e a menina que adorava a história de Pedro e Inês sentiu-se muitas vezes ao
longo da leitura completamente abismada e ultrajada porque esta é uma história
de amor que a escrita vulgarizou por completo. Não há gestos do amor intenso
que fez Pedro desafiar tudo e todos por Inês mas antes uma obsessão da parte
dela e uma total indiferença da dele. Diria mesmo que a relação deles acaba por
se cingir à relação carnal, não existindo cumplicidade enquanto casal senão pelas
palavras de Inês.
O facto de termos uma pequena, intensa e nada abonatória
imagem de Pedro não contribuiu. O aparecimento curto juntamente com todos os
falatórios acerca da personalidade e orientação de Pedro faz cair por terra
qualquer imagem dourada que se tenha do infante. E, confesso, eu nunca tinha
ouvido falar acerca do assunto que a autora aborda mas vou investigá-lo mais a
fundo. Ou seja, a típica imagem do homem é mau que a autora repete, até aqui
aparece e, lá se foram os meus (poucos) sonhos cor-de-rosa ao ar e não fiquei
nada agradecida.
A obra concentra-se nos últimos dias de vida de Inês de
Castro que é a voz que mais se faz ouvir neste livro mas que me desiludiu. Eu sei
qual era o papel da mulher nesta época mas vá lá, alguma coisa de diferente
tinha de haver neles para terem provocado aquele estrago todo! Esta Inês é insonsa,
desconfiada e mais obcecada que apaixonada por Pedro. Quanto aos restantes POV’s
houve uns que me suscitaram interesse e existiram ideias que já me haviam
passado pela cabeça acerca daquilo que levou à morte da castelhana mas parece
que a escritra está a tentar desculpar um dos momentos mais horrendos da nossa
história que é coisa que não consigo atingir. Houve outros que eu dispensava
por completo. Credo.
Quanto à escrita, sim, temos aquelas citações maravilhosas e
depois temos uma junção horrenda da escrita antiga com a nossa. A sério, tanto
cuidadinho com as falas deles e depois mete-me “traficar” ali no meio? Compreendo
o esforço e gostei mas preferia a fala corrente para evitar estas gaffes tão visíveis
ali no meio. Depois existe uma repetição das mesmas ideias de uma forma tão abusiva
que quando voltava aparecer só me irritava. Eu percebi a primeira, sim?
No fundo este livro é sobre sexo, o quanto as mulheres
intrigam e manipulam, sexo, no quanto os homens são fracos de mente, sexo e no quão
santa era a Rainha D. Isabel. Fim da história. Esqueçam lá o amor eterno. Sinopse
mentirosa, podem ter a certeza.
Resumindo: têm uma adoração pela história romântica nacional
e gostam de História? Não leiam. Evitam irritação, uma dor de cabeça e a vossa
mente e olhos. Vão por mim. E tenho de ter uma conversa com a minha avó acerca dos livros que ela compra.
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