terça-feira, 13 de março de 2012

Opinião - Minha Querida Inês

Título Original: Minha Querida Inês
 Autor: Margarida Rebelo Pinto
Editora: Clube do Autor
Nº de Páginas: 216

Sinopse
A história trágica de D. Inês de Castro, pela sua universalidade e intemporalidade, é inesgotável. Margarida Rebelo Pinto revela-nos os meandros deste universo fascinante, desmontando todos os passos da vida de D. Inês na semana que antecede um destino inelutável: a sua execução no dia 7 de Janeiro de 1355. Através da perspectiva de D. Inês vamos conhecendo os segredos da alma desta heroína e as maquinações das razões do Estado que determinaram o fim de uma vida mas não do amor.
Uma estreia surpreendente no romance histórico de uma escritora que, pela sua extraordinária capacidade de penetrar no íntimo de cada personagem, dá voz a D. Inês, D. Pedro, D. Afonso IV e a outros protagonistas deste momento inesquecível da nossa História. Despidos das suas máscaras, ficamos a conhecer melhor as suas forças, fraquezas, motivações e desejos íntimos. Novas e surpreendentes revelações deste período único da História de Portugal dão sentido à frase que eterniza o amor de D. Inês e de D. Pedro: “Até ao fim do mundo”.


Opinião 
 É a escritora nacional mais lida por terras lusas. Os seus livros são bestsellers. Amada por uns, odiada por outros, Margarida Rebelo Pinto é um caso de sucesso na literatura portuguesa com os seus livros light e femininos. Agora, atreveu-se a escrever algo que nunca havia experimentado e, pegando na mais bela e trágica história de amor portuguesa, estreia-se no romance histórico contando-nos em primeira pessoa os últimos dias de vida daquela que foi rainha depois de morta e que inspirou escritores ao longo da nossa História: Inês de Castro.
Esta escritora fez parte de uma fase da vida. Não é daquelas que adore mas algumas das suas citações marcaram-me ao longo de outras fases da minha jovem vida mesmo depois da professora de Português ter dito que isto não era leitura para uma menina com tão bom gosto em livros. Bem, eu pensava que a professora era parva e que se o livro me fazia rir então valia a pena. Mas à alguns anos que não lia esta autora e confesso que estava de pé atrás com este livro. Conhecendo a sua escrita e depois das más opiniões que li, tive a certeza que não o ia ler mas como a minha avó não me ouve e comprou o livro, decidi pegar nele e ver pelos meus próprios olhos o resultado.
E há coisas que os meus olhos não deviam ler. Não sou sensível ou pudica, aceito bem as coisas mas a minha alma de amante de História e a menina que adorava a história de Pedro e Inês sentiu-se muitas vezes ao longo da leitura completamente abismada e ultrajada porque esta é uma história de amor que a escrita vulgarizou por completo. Não há gestos do amor intenso que fez Pedro desafiar tudo e todos por Inês mas antes uma obsessão da parte dela e uma total indiferença da dele. Diria mesmo que a relação deles acaba por se cingir à relação carnal, não existindo cumplicidade enquanto casal senão pelas palavras de Inês.
O facto de termos uma pequena, intensa e nada abonatória imagem de Pedro não contribuiu. O aparecimento curto juntamente com todos os falatórios acerca da personalidade e orientação de Pedro faz cair por terra qualquer imagem dourada que se tenha do infante. E, confesso, eu nunca tinha ouvido falar acerca do assunto que a autora aborda mas vou investigá-lo mais a fundo. Ou seja, a típica imagem do homem é mau que a autora repete, até aqui aparece e, lá se foram os meus (poucos) sonhos cor-de-rosa ao ar e não fiquei nada agradecida.
A obra concentra-se nos últimos dias de vida de Inês de Castro que é a voz que mais se faz ouvir neste livro mas que me desiludiu. Eu sei qual era o papel da mulher nesta época mas vá lá, alguma coisa de diferente tinha de haver neles para terem provocado aquele estrago todo! Esta Inês é insonsa, desconfiada e mais obcecada que apaixonada por Pedro. Quanto aos restantes POV’s houve uns que me suscitaram interesse e existiram ideias que já me haviam passado pela cabeça acerca daquilo que levou à morte da castelhana mas parece que a escritra está a tentar desculpar um dos momentos mais horrendos da nossa história que é coisa que não consigo atingir. Houve outros que eu dispensava por completo. Credo.
Quanto à escrita, sim, temos aquelas citações maravilhosas e depois temos uma junção horrenda da escrita antiga com a nossa. A sério, tanto cuidadinho com as falas deles e depois mete-me “traficar” ali no meio? Compreendo o esforço e gostei mas preferia a fala corrente para evitar estas gaffes tão visíveis ali no meio. Depois existe uma repetição das mesmas ideias de uma forma tão abusiva que quando voltava aparecer só me irritava. Eu percebi a primeira, sim?
No fundo este livro é sobre sexo, o quanto as mulheres intrigam e manipulam, sexo, no quanto os homens são fracos de mente, sexo e no quão santa era a Rainha D. Isabel. Fim da história. Esqueçam lá o amor eterno. Sinopse mentirosa, podem ter a certeza.
Resumindo: têm uma adoração pela história romântica nacional e gostam de História? Não leiam. Evitam irritação, uma dor de cabeça e a vossa mente e olhos. Vão por mim. E tenho de ter uma conversa com a minha avó acerca dos livros que ela compra.

2*

segunda-feira, 12 de março de 2012

Opinião - Os Túmulos de Atuan

Título Original: The Tombs of Atuan (#2 Earthsea Cycle)
Autor: Ursula Le Guin
Editora: Livros do Brasil
Nº de Páginas: 184

Sinopse
 «O Ciclo de Terramar», tantas vezes comparada a clássicos como «O Senhor dos Anéis» de J.R.R. Tolkien, traz à fantasia e à ficção científica uma nova sensibilidade e um número de admiráveis, impressionantes e simpáticas personagens. É uma tetralogia magnífica; uma saga admirável que despoleta com «O Feiticeiro e a Sombra» – livro premiado com o 'Boston Globe Horn Book Award of Excellence' de 1969 – e continua com a publicação de «Os Túmulos de Atuan». O universo destas narrativas envolve-nos, desde o princípio, numa atmosfera mágica e deveras inquietante. Este segundo volume é uma obra onde impera o suspense, os encontros místicos, os horrores inomináveis, mas também o sentido de humor. É neste cenário que os destinos dos heróis, Tenar e Gued, irão entrecuzar-se. Tenar, a grande sacerdotisa, é uma criança que foi despojada da própria identidade e afastada da família para se dedicar às entidades do além: Aqueles-Que-Não-Têm-Nome, as forças misteriosas dos túmulos de Atuan. Gued, o jovem feiticeiro, é o bravo herói que arrisca a vida no labirinto proibido em busca do grande tesouro, o famoso Anel de Erreth-Akbe. Ao mesmo tempo, é também sua missão libertar Tenar daquele local tenebroso. Esta tetralogia é considerada uma das maiores criações da literatura fantástica, quer pela beleza formal quer pela sensibilidade e sabedoria emanadas pelas personagens. «O Ciclo de Terramar» é, sem dúvida, uma das obras mais marcantes do percurso literário de Ursula K. Le Guin.

Opinião 
 Ursula Le Guin é um dos nomes incontestáveis da ficção-científica e Earthsea é uma das maiores obras de sempre da literatura fantástica. Com milhares de cópias vendidas por todo o mundo, Earthsea tem feito parte do imaginário de miúdos e graúdos, demonstrando que os ingredientes mais básicos podem criar uma história inesquecível e que ultrapasse tudo o que se pode imaginar.
Neste segundo volume, Le Guin vai mais longe e traz-nos mais uma aventura do nosso mago que virará lenda, desta vez num dos locais mais recônditos e assombrosos de Terramar, em busca de um objecto de extremo poder, de respostas a enigmas e encontrará muito mais do que estava a espera…
Depois de ler o primeiro volume, rapidamente me decidi a ler o segundo pois o “bichinho” que O Feiticeiro de Terramar deixou não é fácil de combater e, verdade seja dita, a vontade também não era muito. Neste Os Túmulos de Atuan vemo-nos confrontados com um ambiente mais escuro, personagens mais obscuras e um poder antigo que aí ainda domina. Tenho a dizer que gostei mais deste cenário. Os rituais inerentes ao culto dos Sem-Nome, o crescimento e formação de Tenar enquanto sacerdotisa de um culto esquecido e temido, o descobrimento do Labirinto, todo o ambiente em redor dos Túmulos de Atuan está tão bem pensado, tão intensamente “negro” que é difícil não vivermos cada momento com a jovem que vai descobrindo os seus domínios. Através das páginas é fácil a percepção do quão antigo e poderoso aquele local é e o medo e o assombro que ele provoca salta sobre nós sem o conseguirmos evitar. Mais uma vez a escrita soberba de Le Guin transporta-nos para onde ela quer sem qualquer resistência da nossa parte.
A própria construção das personagens torna-as inerentes a este mundo que elas protegem. Existe uma escuridão e algo sobrenatural nas acções de cada uma, sendo possível sentirmos o domínio dos Sem-Nome sobre elas e percebermos que elas fazem tão parte daquele sítio esquecido que é difícil desligarem-se dele. Em cada uma está personificado algo de mau, cada uma delas mostra-nos as consequências de quem leva a crença ao exagero, à obsessão.
Quanto a Ged, cá está ele outra vez num combate contra um inimigo antigo, em busca de um objecto de valor concedido por uma desconhecida. Este livro está menos centrado nele mas quando Ged faz a sua aparição, a profundidade desta personagem é notada até porque aquela que nada teme. A forma como a relação deste com Tenar é descrita, a maneira como se desenvolve até ao momento final, tem uma beleza tão crua que não deixa ninguém indiferente. Senti-me arrebatada pelos momentos de diálogos entre os dois, pois é tal a sua profundidade que se tornou difícil esperar por cada reencontro.
Num livro que anda a um passo vagaroso, é no seu final que está o clímax. Le Guin construí um final digno daquilo que construiu e sabe encaminhar as suas personagens para momentos tanto de ternura como de solidão, e passar do poder para a fraqueza em poucos segundos. Temos o que mais primitivo há dos sentimentos descritos de uma das formas mais poéticas, digamos assim, que alguma vez li.
Depois deste livro é ainda mais difícil não ficar fã desta escritora. Definitivamente estou rendida e espero em breve ler o resto das suas obras e aconselho a quem ainda não leu a pegar nesta autora porque isto é mesmo das coisas mais formidáveis que já li. 

7*

Opinião - Querido Inimigo

Título Original: Dear Enemy
Autor: Jean Webster
Editora: Biblok
Nº de Páginas: 191

Sinopse
 Sallie McBride, uma rapariga de boas famílias, converte-se sem querer na nova encarregada do orfanato rural John Grier, um cargo para o qual não está preparada... Presa no campo, sem mais companhia do que o político retirado e o médico que trata os órfãos, Sallie descobrirá que há uma vida para lá da alta sociedade de Nova Iorque, aprenderá a ser altruísta... e conhecerá o seu verdadeiro amor.

Opinião 
 Da família de Mark Twain, Jean Webster foi uma mulher activa que se envolveu na política, estudou economia e atendia aos mais diversos eventos sociais, acabando por passar as suas actividades e interesses para os seus livros. Defensora dos direitos das mulheres, é evidente em cada uma das suas personagens femininas os ideais em que acreditava.
Querido Inimigo não foi excepção e tal como o seu percursor Daddy Long-Legs atingiu o estatuto de bestseller, trazendo um pouco de bom senso e divertimento a um mundo em plena mudança.
Este foi o único livro que consegui da colecção de chick-lit que saiu numa revista, acho que o verão passado, com muita pena minha mas só me soube da colecção quando ela já estava a terminar.
Querido Inimigo é contado na forma de correspondência, melhor dizendo, são nos apresentadas as cartas que a protagonista envia para as restantes personagens e, é através destas que ficamos a conhecer a sua história e como esta se desenvolve. Este método acaba por criar confusão no leitor uma vez que apesar de a escrita de Sallie ser muito expressiva e descritiva, nunca nos é apresentado a perspectiva das outras personagens, apenas sabemos a versão da protagonista, o que torna a história estranha e irreal porque, a meu ver, é muito complicado perceber desta forma como é que as personagens se relacionam ou como se desenvolvem os sentimentos entre elas. Acho que para uma ideia destas teria sido bom haver um certo apego e mais conhecimento entre leitor e enredo geral.
Porque a verdade é que o livro é giro, divertido e leve para os espíritos mais necessitados. A forma extremamente “expansiva” com que Sallie nos vai relatando as suas aventuras permite-nos rir com ela e aceitar os seus desejos, pedidos mais loucos e acharmos que ela tem razão por mais exagerados e fúteis que possam ser.  Aliás, se não fosse a própria Sallie, a sua personalidade e desvairos este livro não era nada, ou pelo menos não teria o mesmo impacto. Tenho pena de não me ter identificado com o sistema “correio” porque sinto que se tivesse sido de outra forma este teria sido um dos livros mais divertidos que já li.
Também a sua história, tão pouco aprofundada, é uma das razões para nos fazer gostar desta leitura. Imaginem uma miss da alta sociedade encarregue de 111 criancinhas que ninguém sabe de onde vieram e que, segundo a sociedade e o bom doutor, já têm o destino traçado e não é dos melhores. E ela que é quase obrigada a aceitar o cargo passa a adorar os seus filhos emprestados. Momentos geniais de riso puro mas faltam pormenores porque há momentos enternecedores que se perdem pela rapidez com que se passam.
A outra coisa que não me convenceu foi aquele amor repentino entre Sallie e doutor. Fiquei a pensar se eles teriam batido os dois com a cabeça ou algo assim. É que não há indícios, ou pelo menos não daqueles que nos fazem compreender quem são os casais da trama, que estes dois iam acabar assim. Não é que eu não tivesse percebido à primeira mas assim do nada? E depois termina assim, abruptamente, quando eles se encontram nos braços um dou outro. Momento pelo qual eu não dei por nada.
Mas a que dar a mão à palmatória e quando um livro me faz rir como este merece ser elogiado, até porque este humor sarcástico do início do século XX é delicioso e mesmo feminino, e eu fiquei com pena de não haver mais e de não ter sido um pouco mais longo.
Isto podia parecer quase uma história de hoje (quase) e acho que quem quer passar umas poucas horas a descontrair, se o tiver em casa, que o agarre, sente-se e desfrute da Sallie.

4*

domingo, 11 de março de 2012

Quando um filme...

Nos delicia e inspira desta maneira é difícil não ficarmos com os olhos pregados ao ecrã


Fiquei com vontade de ler o que me falta da Jane Austen e aprofundar a minha "relação" com a Ursula Le Guin. Um filme digno dos amantes de livros!



Deixo-vos o trailer do  The Jane Austen Book Club

quinta-feira, 8 de março de 2012

Opinião - Eneida

Título Original: Eneida
Autor: Vergílio
Editora: Bertrand
Nº de Páginas: 367


Sinopse
« Canto as armas e o varão que nos primórdios veio das costas de Tróia para Itália e para as praias de Lavínio, fugitivo por força do destino, e muito padeceu na terra e no mar por violência dos deuses supernos, devido ao ressentimento da cruel Juno; muito sofreu também na guerra, até fundar uma cidade e introduzir os deuses no Lácio; daqui provêm a Raça Latina, os antepassados Albanos e as Muralhas da Grandiosa Roma.»

Opinião 
 Há livros que perduram para além de um Império, para além de uma língua, para além da História. Este é um desses livros. A quem diga que Vergílio ameaçou queimar a sua maior obra para as gerações seguintes não lerem aquilo que era uma propaganda e, a qual se havia arrependido de escrever, ao Imperador Octávio César Augusto e que foi morto por isso. Especulação à parte, verdade ou lenda, pela sua mente ou pela de Octávio, Vergílio escreveu uma obra que eternizou não um herói mas uma civilização e um homem: Roma e Octávio.
E, finalmente, reeditaram o raio do livro! Desculpem lá mas eu andava a três anos a procura desta edição e nada de nada. Mas mais vale tarde do que nunca neste caso. Apesar de ter sido uma leitura obrigatória, confesso que ao longo dos anos tenho ganho um carinho especial a estas epopeias escritas tão brilhantemente à tanto tempo atrás e sentia uma grande curiosidade em relação a esta, pois ainda só havia lido as de Homero e a do nosso Camões, que foi inspirada nesta.
Eneida é mais do que um livro sobre heróis, é uma lição de história sobre uma época brilhante de Roma. Através da versão de Vergílio sobre as origens de Roma, conhecemos o pensamento, o palco político e entre subterfúgios não muito subtis, vimos ser enaltecido um homem que marcou a História de uma Civilização que muitos quiseram imitar ao longo dos séculos.
Não senti por esta a afeição que sinto pela Ilíada mas é impossível negar-lhe a destreza e a beleza com que foi escrita. Mais directa, menos cansativa acaba por ser uma leitura mais fácil que as de Homero, apesar de eu preferir as deste. Tenho pena que não esteja em verso como as outras mas paciência, é o que se pode arranjar.
Para os que não sabem, este livro é antes de tudo um exemplo sublime como no século I a.C. já se fazia boa propaganda política. O sentido desta obra era dizer aos romanos que Octávio César Augusto era o homem que ia dar a glória ao Império, o herdeiro de heróis e que com ele Roma ia atingir o seu auge. Não foi muito subtil mas tendo em conta que os pequenos romanos aprendiam a ler e escrever com esta obra, foi sem dúvida um acto de génio.
Quanto a história do herói que lhe deu o nome, temos os ingredientes que existem nas suas antecessoras: um herói com destino traçado, uma deusa que vai fazer de tudo para o impedir, uma descida aos infernos, uma luta por um novo território, amores impossíveis, perigos iminentes no mar. Mas mesmo assim o escritor conseguiu com que esta não parecesse uma cópia das outras mas algo  mais inovador e, tendo em conta as voltas que teve de dar para criar uma nova lenda, algo de original, unindo duas civilizações e heróis mais antigos à novos.
Obviamente, esta é uma obra como poucas. Através de pormenores, simples frases, o escritor estava a transmitir às próximas gerações o ideal de um romano, os valores morais de um povo, o respeito aos deuses e a sua história. Ou seja, através de um livro eram educadas milhares de crianças com os mesmos ideais. Onde é que já viram isto?
Este livro tem, além disso, alguns pontos que puderam ajudar historiadores a entender algumas pontas soltas, tanto de Roma como da Grécia, em vários aspectos, um deles a sua religiosidade, tendo a sua descrição dos três patamares do Hades servido para a descrição mais tarde concebida por Aligheri em Divina Comédia.
Obra obrigatória a qualquer estudante, apaixonado ou curioso da História, mitologia ou Roma, este é um dos livros intemporais de sempre e vale a pena descobrir o porquê.


6*

Ele vem cá!!!







Como se vocês já não soubessem não é?
Eu vou lá estar dia 18 com o meu exemplarzito (ainda não sei é qual) para ser assinado e para ouvir o senhor, toda feliz e contente *.*

E vocês? Lisboa ou Porto? Já escolheram qual o livro que vão levar??

quarta-feira, 7 de março de 2012

Picture Puzzle #3


Esta semana temos mais dois puzzles. Preparados?


Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título



Puzzle #1

Pistas:
1- Título em portugês


 


































Puzzle #2

Pistas - 
1- Título em inglês

   













terça-feira, 6 de março de 2012

Teaser Tuesday (19)

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro

"Agora ela podia pensar de novo. Fora libertada do feitiço da luz."
p. 72, Os Túmulos de Atuan, Ursula Le Guin  

Rubrica original do blog Should Be Reading

segunda-feira, 5 de março de 2012

Opinião - O Feiticeiro de Terramar

Título Original: A Wizard of Earthsea (#1 Earthsea Cycle)
Autor: Ursula Le Guin
Editora: Livros do Brasil
Nº de Páginas: 208

Sinopse
Não tem nesta edição.

Opinião 
 Vencedor de três prémios de literatura, entre eles o Lewis Carrol Shelf Award em 1979, a Earthsea Cycle foi o marco de uma década e de uma viragem na science fiction ou mesmo na literatura em geral. Produto da New Wave da década de 60, esta trilogia, cujo este livro é o primeiro volume, colocou a sua autora, Ursula Le Guin, no pódio dos grandes nomes da science fiction. Resultado de uma época, esta é ainda hoje uma leitura obrigatória para qualquer leitor de qualquer género.
Eu cresci enquanto leitora com a colecção Estrela do Mar da Presença, da qual fazem parte os primeiros quatro livros de Terramar mas estou a lê-los dez anos depois dessa minha fase inicial. Porquê? Porque na altura eu não sabia quem era a Ursula Le Guin nem qual a sua importância, porque os livros não me chamaram a atenção, nem capa nem títulos, e ficaram perdidos na minha memória até ter lido algumas opiniões sobre eles no Fórum Bang! bem positivas e, como arranjei as edições da Argonauta a €1,5 cada, percebi que estava mesmo na altura de ler estes livros, até porque pelos vistos a Sra. é um génio.
E, definitivamente, ainda bem que o li agora com 20 anos em vez de o ler com 10 porque não teria conseguido abranger tudo aquilo que este livro é. Como a maior parte de vocês já deve saber porque devem ter lido o livro muito antes de mim, este é um livro que não tem quase diálogos, tem umas poucas personagens, não nos dá muitos detalhes sobre a aprendizagem de Ged que está sempre a fugir de uma sombra. Isto é o resumo desta obra e não nos diz em nada o que este livro realmente é. Brilhante, surrealista, profundo e único.
Numa demanda contra o mal que libertou, Ged vai ter de aprender sozinho tudo aquilo que se negou a aprender enquanto aluno e aprendiz. Da fase sonhadora da adolescência, da qual é tirado abruptamente por um erro, este feiticeiro terá de crescer e aperceber-se que o poder não é tudo e que fugir de nada resolve. E que ser o maior feiticeiro de sempre não depende apenas do quão talentoso se é.
Uma lição sobre a vida, o destino e as escolhas, O Feiticeiro de Terramar inunda-nos com o seu mundo fantástico em que os dragões ainda existem, em que o conhecimento de um nome ainda dava poder sobre uma pessoa, em que almas antigas se unem para criar algo novo. Um mundo complexo, um arquipélago cheio de magia e novas aprendizagens é o plano de fundo para a criação de uma lenda e o inicio de uma aventura fantástica.
Já não bastava os cenários de Earthsea e a sua complexidade para nos apaixonar, ainda temos a escrita soberba de Le Guin para acompanhar. Complexa e detalhada, não necessita de acção para ser adorada ou admirada. Bastam-nos as cenas de uma riqueza filosófica imensa, o cuidado com os detalhes e os subterfúgios por trás de cada expressão ou acto. Tem poucos diálogos mas aqueles que existem estão cheios de sabedoria antiga e de lições para toda a vida que conseguem captar a nossa atenção no momento e não mais serem esquecidas.
A personagem deste livro é Ged, cujas mudanças subtis vão ocorrendo à nossa frente, de forma a moldar um feiticeiro num rapaz cheio de planos. É impressionante como nem nos vamos dando conta da sua transformação até ao momento em que ele decide enfrentar a sombra. Parece que tudo faz parte de uma sequência de acções cuidadosamente planeadas e pensadas, como se ele estivesse a ser guiado para um futuro maior.
Este livro é, sem sombra da dúvida, um clássico que merece ser lido por todas as gerações e espero que as futuras consigam compreender a sua mensagem sublime. Recomendo.


7*

The book is...


“The book itself is a curious artifact, not showy in its technology but complex and extremely efficient: a really neat little device, compact, often very pleasant to look at and handle, that can last decades, even centuries. It doesn't have to be plugged in, activated, or performed by a machine; all it needs is light, a human eye, and a human mind. It is not one of a kind, and it is not ephemeral. It lasts. It is reliable. If a book told you something when you were fifteen, it will tell it to you again when you're fifty, though you may understand it so differently that it seems you're reading a whole new book.” 
Ursula Le Guin

domingo, 4 de março de 2012

Opinião - A Árvore do Verão

Título Original: The Summer Tree (#1 The Fionavar Tapestry)
Autor: Guy Gavriel Kay
Editora: Livros do Brasil
Nº de Páginas: 352

Sinopse
 No início de A Árvore do Verão, cinco jovens canadianos são levados para Fionavar, o primeiro dos mundos conhecidos, por um dos magos desse mundo, Loren Silvercloak. Aparentemente, vão apenas assistir à celebração do quinquagésimo aniversário do reinado de Ailell, o monarca que preside aos destinos de Brennin, no seu palácio de Paras Derval. Mas Silvercloak não lhes disse tudo, e poucos dias passados os jovens começam a persentir que o papel que estão destinados a desempenhar na sua visita a Fionavar é bem mais complexo do que ao princípio admitiam.

Opinião 
 Um clássico da Ficção – Científica, A Tapeçaria de Fionavar foi a obra que colocou Guy Gavriel Kay no pódio dos grandes escritores do género, tendo-se seguido Os Leões de Al-Rassan e Tigana. Uma aventura por um mundo paralelo, uma viagem para algo para lá da imaginação, uma fórmula reutilizada tantas vezes no cinema ou na literatura após este sucesso e mesmo antes dele, A Árvore do Verão reúne alguns dos melhores elementos da fantasia e da ficção-científica para criar uma história ímpar.
Se eu vos contar à quanto tempo estou para comprar Os Leões de Al-Rassan, vocês não acreditavam e como ainda não o consegui fazer, aproveitei ter encontrado este livro numa feira com um preço chamativo para me iniciar na escrita deste autor. A primeira coisa que me chamou a atenção foi o facto deste livro não me parecer ter alguma coisa a ver com o referido que está na minha wishlist a que tempos pois as sinopses são bastante diferentes.
Com uma fórmula usada e abusada no cinema, confesso que acabei por me identificar mais com esta do que com as do grande ecrã mesmo que a história tenha sido escrita em 1984 e estejamos em 2012 e muita coisa já se tenha passado tanto na literatura como no cinema. Em alguns pormenores, a tal fórmula é diferente, uma vez que não vamos nem para o passado nem para o futuro mas para um mundo paralelo que é todo ele um típico da epic fantasy, com anões e tudo.
A primeira coisa que reparei nas primeiras páginas é que se este livro foi um sucesso e uma “novidade” na sua época, hoje ela soou-me muito rudimentar no início. É uma história simples, concebida para entreter os fãs da fantasia que já não podiam com todos aqueles mundos pormenorizados ao milímetro mas que mesmo assim exala uma certa qualidade que a quem dera a muitos escritores hoje em dia ter.
E foi esta qualidade que acabou por me agarrar às suas páginas e fazer esquecer que vivo numa época muito mais a frente. Quando entrámos em Paras Derval é a fantasia épica no seu estado mais puro que nos espera. Com uma escrita directa e, parece-me, capaz de muito mais, Guy Gavriel Kay introduz-nos numa demanda em que cinco desconhecidos são a chave para combater um Mal que esperou mil anos. Sim, é uma solução repetida mas daquelas bem repetidas e acho que se nos colocarmos no lugar dos leitores dos anos 80, era um daqueles livros mesmo bons. E, contudo, posso dizer que repetida ou não, este livro proporcionou-me muitos bons momentos de leitura, sendo que não o larguei enquanto não o terminei e tenho mesmo de ir comprar os outros dois porque eu quero saber como isto acaba!
A construção deste mundo está bem conseguida e cada povo, cada personagem e território fez-me querer saber mais e mais. Este é daqueles bons livros introdutórios, com um bom andamento de história, grandes acontecimentos e muita acção. Ainda estão muitos segredos e mistérios por revelar, o que deixou a minha curiosidade em pulgas. Temos diversidade de personagens muito grande e parece-me que no próximo livro há muito mais por descobrir.
Um dos meus pontos favoritos deste livro é o vilão da história, apesar de só se ter um vislumbre. Sabem aquela sensação de “mas agora não um vilão a sério?”. Bem, este é a Encarnação do Mal num estado puro. Conhece os nossos medos mais obscuros e a sua própria face é a do Mal. Brilhante e deixou-me a salivar por mais.
Conclusão, vou procurar o resto da trilogia e lê-la porque não vou aguentar sem saber o que se passa a seguir. E, claro, estou com curiosidade de ler o restante trabalho do escritor. Por último, descobri que prefiro a fantasia rudimentar do que aquela que é mais evoluída e uma grande treta.



5*

sexta-feira, 2 de março de 2012

As minhas Melhores Amigas

Primeiro espero que a minha melhor amiga não veja isto porque apesar de ela ser tão compreensiva com a minha obsessão, acho que ela não ia gostar de ser trocada por estas duas. E quem são elas? As minhas mesas de cabeceira, escolhidas especialmente para a leitora cá de casa! Digam lá senão dão um jeitaço?=p


quinta-feira, 1 de março de 2012

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Opinião - A Invenção de Leonardo

Título Original: Pasqual´s Angel
Autor: Paul J. McAuley
Editora: Saída de Emergência
Nº de Páginas: 465

Sinopse
 O que aconteceria se Leonardo da Vinci ignorasse a pintura e dedicasse o seu génio exclusivamente à mecânica e engenharia, criando protótipos das máquinas que desenhou nos seus famosos Cadernos? É esta a ideia de A Invenção de Leonardo, onde as suas invenções acabam por desencadear uma Revolução Industrial em pleno período do Renascimento.Com um talento singular para imaginar, descrever e fazer sonhar, Paul McAuley arrebata-nos para as ruas tortuosas desta Florença alternativa, onde máquinas a vapor se misturam com artistas, príncipes e filósofos. E quando um assistente do famoso pintor Rafael é assassinado, é Pasqual, um jovem aprendiz de pintor, e Nicolau Maquiavel, o famoso estadista, que vão atrás do assassino. Mas o que descobrem é uma teia perigosa de espionagem industrial, conspiração e magia negra, que envolve não só as repúblicas italianas, mas também a poderosa Espanha, a Inquisição e o próprio Papa.A Invenção de Leonardo convida-nos a fazer uma viagem única, tão original quanto arrebatadora, onde personagens de ficção se cruzam com grandes figuras da época, como Copérnico, Miguel ngelo, Rafael, Maquiavel e a própria bela e misteriosa Gioconda. E no final todos fazemos a mesma pergunta: E se tivesse sido assim?

Opinião
 Por séculos, Leonardo Da Vinci tem sido tema das mais espantosas conspirações, foi actor e orquestrador das mais variadas situações ligadas aos maiores segredos da Humanidade, sendo ele próprio um deles. Um génio para lá da sua época, uma mente deslocada em séculos de aprendizagem e de ideias, este tem sido o homem sobre se tem mais falado e escrito durante a nossa era.
Neste livro é nos prometida uma Revolução Industrial em pleno Renascimento com todos os nomes sonantes que caracterizaram uma época, que mudaram o Mundo e ficaram para a História pelos seus feitos extraordinários. Será que este livro está a par com a magnificência dos seus protagonistas?
Tenho este livro em casa há algum tempo e se quiserem que vos diga já nem me lembro porque o comprei porque, apesar de Leonardo ser uma das minhas personagens históricas de eleição, esta sinopse não me dizia nada e terá sido por isso que esteve tanto tempo em lista de espera. Parece que já estava a adivinhar já que esta foi uma leitura tremendamente insonsa. Não me consegui identificar com este livro em qualquer momento apesar de retratar a minha época favorita com muitos daqueles que eu admiro, este livro foi uma desilusão.
Primeiro porque a tal Revolução Industrial mal está caracterizada ou explicada o que provoca estranheza num leitor que está a ler sobre a Florença Renascentista e apanha com palavras e pormenores do século XIX porque apesar de sabermos que isto vai acontecer, não há qualquer tipo de preparação para isso e, até meio do livro ou mais, parece que estamos a ler sobre uma investigação policial no século XVI e depois apanhámos com situações que acabam por criar uma sensação de perda de informação.
A escrita do escritor também não ajuda. Não há descrições ou caracterizações para nos ajudar e acho que se não tivesse querido escrever algo grandioso este até podia ser um livro interessante. Não era preciso vaporettos, balas e outras coisas estranhas as quais ele nem dá um nome, o que para alguém como eu, fora das coisas mecânicas e invenções, faz com que pareça que estejamos a ler chinês.
Mesmo o próprio enredo está mal estruturado e, se no início, até corre bem, depois é o desastre total. Primeiro temos uma série de assassinatos, depois temos flashs de industrialização, depois temos feitiçaria e magos e… voltamos a ler uma e outra vez a ver se lemos bem. Máquinas e magos? Mas isto não era sobre indústria em pleno Renascimento? Que tem uma coisa a ver com a outra? Eu tenho imaginação mas tanta assim não dá…
Nada faz sentido. No fim descobri que havia uma conspiração daquelas gigantescas e sabem que mais? Continuei sem perceber patavina. E eu gosto de livros complicados! Mais uma vez, falta pormenores e muitos para alguém perceber alguma coisa disto. Ou então sou eu que não atingi o objectivo.
Também pensava que o livro era sobre Leonardo Da Vinci mas ele só aparece quase no fim muito subitamente e depois puff! Desaparece outra vez. E, agora a sério, Maquiavel um jornalista de segunda?! Acho que ainda sinto uma dor no coração só de me lembrar…
Definitivamente, não o meu género, longe disso. Acho que mais valia ter continuado na estante e ainda bem que hoje em dia tenho mais cuidado com o que compro porque este livro não foi nada uma boa ideia. Chamem-me antiquada mas há limites que a minha mente não está disposta a passar. Este é daqueles livros que se lê bem até meio e que depois disso é muito a custo.

3*

Picture Puzzle #2





E cá estamos nós com mais dois puzzles esta semana:

Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título

Puzzle #1

Pistas:
-título em português

 





Puzzle #2

Pistas:
-título em português;
- a segunda imagem é algo metafísico



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Teaser Tuesday (18)

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro

"Pasqual lembrou-se que o amor que Nicolau tinha pela argumentação era capaz de o fazer roubar a alma a qualquer um, unicamente pelo prazer da vitória."
p.77, A Invenção de Leonardo, Paul J. McAuley


Rubrica original do blog Should Be Reading

Aquisições do Mês (Fevereiro)

Num mês de reinicio de aulas aproveitei para dedicar as comprinhas a obras que necessitava, apesar de algumas já terem sido lidas, dá sempre jeito ter o nossos próprios exemplares em casa. Apenas dois livros foram comprados por prazer, sendo que um deles já tendo sido lido à algum tempo, já à muito que ambicionava juntá-lo à estante. Aproveitei também para adquirir dois clássicos a um preço simpático.
Um deles foi comprado no âmbito do Clube de Leitura Bertrand Fantástico e acabou por se revelar uma leitura surpreendente.



O Beijo das Sombras Laurell K. Hamilton
este foi o que foi comprado por prazer e recomendado pela minha Homónima do Pedacinho Literário

Duna Farnk Herbert
Comprei por causa do Clube de Leitura Bertrand Fantástico
Opinião






Shirley Charlotte Brontë
A Feira das Vaidades William Thackeray
os clássicos que juntei à estante

Alice do Outro Lado do Espelho Lewis Carroll
Uma leitura muito querida, finalmente na estante


As Troianas Eurípides
Rei Édipo Sófocles
Já lidos mas necessários!

Os Historiadores Michel Vovelle e outros
Necessário para um trabalho e, claro, uma obra obrigatória na estante de um aluno de História

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Opinião - Bel-Ami

Título Original: Bel-Ami
Autor: Guy de Maupassant
Editora: Biblioteca Novis-Visão
Nº de Páginas: 320

Sinopse
 Guy de Maupassant é considerado um dos mais influentes contistas e romancistas franceses da segunda metade do século XIX, apesar de uma actividade literária que durou apenas dez anos, durante os quais escreveu cerca de trezentos contos e seis romances. Entre estes últimos, salienta-se Bel-Ami, no qual o autor oferece um retrato do seu tempo e da sua classe social, narrando as peripécias de George Duroy, que deambula pelas ruas de Paris em busca de dinheiro e êxito. Uma obra em que se patenteiam os princípios literários de Guy de Maupassant, nomeadamente o estilo objectivo, a linguagem rigorosa e o realismo psicológico.
  
Opinião 
 Um clássico da literatura do século XIX, Bel-Ami é um retrato da classe alta burguesa da Paris jornalística e republicana em que os conhecimentos e a forma de estar bastavam para ir longe e deitar muitos abaixo. Numa sociedade de “cunhas”, segredos e escândalos, Guy de Maupassant dá-nos um retrato real e actual do seu tempo usando de todos os meios para construir o seu maior romance e aquele que o colocou no topo da literatura clássica do seu século.
A adaptação deste filme chegou aos cinemas nacionais na passada quinta-feira e foi o desejo de o ir ver que me fez, finalmente, ler este livro. Entre tantos clássicos que ainda me faltam ler, este não estava nas prioridades porque nunca me havia chamado a atenção mas como é raro eu ver um filme sem ler o livro primeiro, actualmente, lá fui a casa da avó buscar esta edição, muito mal traduzida diga-se de passagem, para me situar e saber o que esperar.
Fiquei agradavelmente surpreendida porque o livro não foi nada do que eu estava a espera e mais uma vez me relembrei porque gosto tanto de clássicos. Guy de Maupassant tem uma escrita fluida e nada complicada, sendo facilmente perceptível o que o escritor nos quer transmitir com a sua história. para além da história de um rapaz que soube rapidamente na escala social, temos também um retrato da sociedade parisiense que me fez lembrar o nosso Eça mas não com o seu talento. Ou seja, de uma forma sarcástica e irónica temos uma caracterização do pior dos senhores de bem e da situação política e social de Paris na altura que Tânger é passa a fazer parte do domínio francês.
Para esta “caricatura” Maupassant tem um leque de personagens elegantes e cheias de clichés, representado cada uma o seu papel no palco da boa vida parisiense, com os seus costumes e tradições, a forma como conviviam no dia-a-dia e as preocupações daqueles que dominavam os destinos da França. De uma forma mais subtil que a do nosso Eça, o escritor retrata esta classe social como ambiciosa e de aparências em que o que interessa é vingar na vida e mostrar aos outros a riqueza e o poder pessoal mesmo que em termos de personalidade nos detenhamos em pessoas quase ridículas que se deixam enganar com facilidade e que fecham os olhos a tudo o que não as possa atingir pessoalmente.
Depois temos o roteiro pela Paris dos burgueses, os locais mais emblemáticos em que aqueles que importavam marcavam presença de forma assídua. Tenho pena de não ter visto um pouco mais de descrição para me situar melhor porque acho que seriam cenários muito interessantes de explorar.
Mesmo assim acho que lhe falta um pouco de profundidade e mais detalhes, gostava de ter visto algumas coisas mais desenvolvidas e algumas questões foram tratadas de forma abrupta. Outra coisa é que este tipo de leitura dá azo a livros de muitas páginas e este é pequeno mas no seu caso percebe-se porque acontece.
De resto é um clássico que não me marcou como outros mas que ainda bem que tive a oportunidade de o ler pois acabou por me dar umas horas agradáveis e de fácil leitura em que não foi preciso puxar muito pela cabecinha.


5*