Autor: Jacqueline Carey
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 400
Sinopse
A nação de Terre d’Ange é um lugar de beleza e graça sem par. Diz-se que os anjos deram com a terra e a acharam boa… e que a raça resultante da semente dos anjos e dos homens se rege por uma simples regra: Ama à tua vontade.
Phèdre nó Delaunay é uma mulher atingida pelo Dardo de Kushiel, eleita para toda a vida experimentar a dor e o prazer como uma coisa só. O seu caminho tem sido estranho e perigoso, e ao longo de todo ele o devotado espadachim Joscelin tem estado a seu lado. A natureza dela é uma tortura para ambos, mas ele jamais violou o seu voto: proteger e servir. Agora, os planos de Phèdre põem a promessa de Joscelin à prova, já que ela jamais esqueceu o seu amigo de infância, Hyacinthe. Passou dez longos anos em busca da chave para o libertar da sua eterna servidão, um acordo por ele feito com os deuses — tomar o lugar de Phèdre em sacrifício e com isso salvar uma nação. Phèdre não pode perdoar — nem a si própria nem aos deuses. Está determinada a agarrar uma derradeira esperança de redimir o seu amigo, nem que isso signifique a morte.
A busca irá levar Phèdre e Joscelin mundo fora, para cortes distantes onde reina a loucura e as almas são moeda de troca, e por um lendário rio abaixo até uma terra esquecida de quase todo o mundo. E até um poder tão imenso que ninguém ousa proferir o seu nome.
Opinião
Geroge R. R. Martin, Robert Jordan e Juliet Marillier não pouparam
elogios à esta trilogia. Desde sofisticada, elegante a inesquecível, O Legado de Kushiel ganhou um lugar no
mundo da Fantasia através de uma imagem única da Europa Renascentista e de um
enredo complexo fascinante pontuado por personagens únicas que deixaram
rendidos os amantes deste género de leitura.
De livro para livro, a acção torna-se mais intricada,
levando-nos por caminhos tão tortuosos quanto magníficos que nos tiram o fôlego
a cada descoberta e nos deixam arrebatados perante a beleza obscura desta
história. Neste Avatar de Kushiel,
dez anos após os acontecimentos anteriores, o encanto mantém-se mas tudo o que
podiam esperar é ultrapassado.
Como já devem ter percebido esta é uma das minhas séries
mais queridas a par de Jóias Negras e
de Crónicas de Gelo e Fogo. Depois de
à três anos atrás o primeiro volume me ter chamado a atenção na montra da
Bertrand do Colombo de tal maneira que tive de o comprar nesse mesmo dia, e sim
tinha a primeira capa portuguesa, tem sido com ansiedade que tenho aguardado
cada lançamento e com voracidade tenho lido cada um destes livros. Agora, a aproximarmo-nos
do fim, já foi com nostalgia e ainda mais vontade que me agarrei a este quinto
volume.
Encontrar algumas das minhas personagens mais queridas dez
anos mais velhas, naqueles que foram anos de paz sobre o reinado de Ysandre,
foi um dos motivos da nostalgia. Como o próprio Joscelin diz a Phèdre, eles já
foram jovens e impulsivos, e é amadurecidos pela experiência e pela convivência
que os vamos encontrar neste livro, longe da tempestuosidade que marcava o
início da relação deles. Mais calmos e menos orgulhosos, é isso que vai
proporcionar alguns dos maiores obstáculos à sua relação, momentos que nos
deixam com o coração nas mãos e que demonstram que a perícia da autora aumenta
de livro para livro, conseguindo ultrapassar-se a si própria.
Rever personagens como Hyancinthe, Melisande ou Ysandre e o
Cruarch em panoramas completamente diferentes ao que estamos habituados é uma
mais valia e torna este livro ainda mais intenso do que a restante série, a
juntar a curiosidade que o leitor tem sobre o que aconteceu com cada um deles e
restante elenco, cada reencontro é um intensificar das emoções do leitor. Também
aparecem outras de livros anteriores, o que nos faz reviver as circunstâncias
em que apareceram e ajudam, mais uma vez, a matar a curiosidade acerca dos
acontecimentos que ocorreram do último livro para este.
A juntar a isto a nova demanda de Phèdre, entrelaçada com a
do passado, esta leitura é muito mais intensa e complexa, mais pelo psicológico
do que pela acção propriamente dita, que nos arrasta num turbilhão de emoções através
da beleza indiscutível da escrita de Carey e de todos os novos cenários que
autora nos oferece neste livro, tornando-se uma viagem alucinante pelo passado europeu
transformado para esta narrativa. Em cada nova cidade e relato terão reminiscências
de memórias de cidades já descritas e que neste livro ganham uma nova consciência
e que vai mexer com os vossos sentidos. A provar que é uma mestra, Carey pega
em coisas conhecidas de todas nós e torna-as algo deste seu mundo sofisticado e
belo, dando-lhes um novo espírito. Descrições de intensa mestria que levarão os
amantes mais eruditos desta trilogia à um novo patamar, transformando algo
banal em algo de surpreendente.
Como se não bastasse, as almas mais sensíveis preparem-se
para descrições de arrepiar que impressionam até um coração mais forte. Até a
mim que nunca me senti atacada pelos pormenores únicos desta série, este livro
impressionou. A autora pega no que de mais macabro existe no imaginário do ser
humano e dá-nos a maior provação pelo que os nossos heróis já passaram. Para uma
leitura calma no início, temos um final que nos vai deixar obcecados para saber
o que irá acontecer a seguir.
Mais escuro, mais forte e imensamente mais intenso, Avatar de Kushiel é a preparação perfeita
para um grande final que deixará os fãs arrebatados e que nos levará a loucura
em cada página. E prova, mais uma vez, que Jacqueline Carey é um nome a guardar
quando se fala de Fantasia.
7*















