sexta-feira, 13 de abril de 2012

Opinião - Avatar de Kushiel

Título Original: Kushiel's Avatar (1/2 #3 Kushiel's Legacy)
Autor: Jacqueline Carey
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 400

Sinopse
 A nação de Terre d’Ange é um lugar de beleza e graça sem par. Diz-se que os anjos deram com a terra e a acharam boa… e que a raça resultante da semente dos anjos e dos homens se rege por uma simples regra: Ama à tua vontade.

Phèdre nó Delaunay é uma mulher atingida pelo Dardo de Kushiel, eleita para toda a vida experimentar a dor e o prazer como uma coisa só. O seu caminho tem sido estranho e perigoso, e ao longo de todo ele o devotado espadachim Joscelin tem estado a seu lado. A natureza dela é uma tortura para ambos, mas ele jamais violou o seu voto: proteger e servir. Agora, os planos de Phèdre põem a promessa de Joscelin à prova, já que ela jamais esqueceu o seu amigo de infância, Hyacinthe. Passou dez longos anos em busca da chave para o libertar da sua eterna servidão, um acordo por ele feito com os deuses — tomar o lugar de Phèdre em sacrifício e com isso salvar uma nação. Phèdre não pode perdoar — nem a si própria nem aos deuses. Está determinada a agarrar uma derradeira esperança de redimir o seu amigo, nem que isso signifique a morte.
A busca irá levar Phèdre e Joscelin mundo fora, para cortes distantes onde reina a loucura e as almas são moeda de troca, e por um lendário rio abaixo até uma terra esquecida de quase todo o mundo. E até um poder tão imenso que ninguém ousa proferir o seu nome.


Opinião 
 Geroge R. R. Martin, Robert Jordan e Juliet Marillier não pouparam elogios à esta trilogia. Desde sofisticada, elegante a inesquecível, O Legado de Kushiel ganhou um lugar no mundo da Fantasia através de uma imagem única da Europa Renascentista e de um enredo complexo fascinante pontuado por personagens únicas que deixaram rendidos os amantes deste género de leitura.
De livro para livro, a acção torna-se mais intricada, levando-nos por caminhos tão tortuosos quanto magníficos que nos tiram o fôlego a cada descoberta e nos deixam arrebatados perante a beleza obscura desta história. Neste Avatar de Kushiel, dez anos após os acontecimentos anteriores, o encanto mantém-se mas tudo o que podiam esperar é ultrapassado.
Como já devem ter percebido esta é uma das minhas séries mais queridas a par de Jóias Negras e de Crónicas de Gelo e Fogo. Depois de à três anos atrás o primeiro volume me ter chamado a atenção na montra da Bertrand do Colombo de tal maneira que tive de o comprar nesse mesmo dia, e sim tinha a primeira capa portuguesa, tem sido com ansiedade que tenho aguardado cada lançamento e com voracidade tenho lido cada um destes livros. Agora, a aproximarmo-nos do fim, já foi com nostalgia e ainda mais vontade que me agarrei a este quinto volume.
Encontrar algumas das minhas personagens mais queridas dez anos mais velhas, naqueles que foram anos de paz sobre o reinado de Ysandre, foi um dos motivos da nostalgia. Como o próprio Joscelin diz a Phèdre, eles já foram jovens e impulsivos, e é amadurecidos pela experiência e pela convivência que os vamos encontrar neste livro, longe da tempestuosidade que marcava o início da relação deles. Mais calmos e menos orgulhosos, é isso que vai proporcionar alguns dos maiores obstáculos à sua relação, momentos que nos deixam com o coração nas mãos e que demonstram que a perícia da autora aumenta de livro para livro, conseguindo ultrapassar-se a si própria.
Rever personagens como Hyancinthe, Melisande ou Ysandre e o Cruarch em panoramas completamente diferentes ao que estamos habituados é uma mais valia e torna este livro ainda mais intenso do que a restante série, a juntar a curiosidade que o leitor tem sobre o que aconteceu com cada um deles e restante elenco, cada reencontro é um intensificar das emoções do leitor. Também aparecem outras de livros anteriores, o que nos faz reviver as circunstâncias em que apareceram e ajudam, mais uma vez, a matar a curiosidade acerca dos acontecimentos que ocorreram do último livro para este.
A juntar a isto a nova demanda de Phèdre, entrelaçada com a do passado, esta leitura é muito mais intensa e complexa, mais pelo psicológico do que pela acção propriamente dita, que nos arrasta num turbilhão de emoções através da beleza indiscutível da escrita de Carey e de todos os novos cenários que autora nos oferece neste livro, tornando-se uma viagem alucinante pelo passado europeu transformado para esta narrativa. Em cada nova cidade e relato terão reminiscências de memórias de cidades já descritas e que neste livro ganham uma nova consciência e que vai mexer com os vossos sentidos. A provar que é uma mestra, Carey pega em coisas conhecidas de todas nós e torna-as algo deste seu mundo sofisticado e belo, dando-lhes um novo espírito. Descrições de intensa mestria que levarão os amantes mais eruditos desta trilogia à um novo patamar, transformando algo banal em algo de surpreendente.
Como se não bastasse, as almas mais sensíveis preparem-se para descrições de arrepiar que impressionam até um coração mais forte. Até a mim que nunca me senti atacada pelos pormenores únicos desta série, este livro impressionou. A autora pega no que de mais macabro existe no imaginário do ser humano e dá-nos a maior provação pelo que os nossos heróis já passaram. Para uma leitura calma no início, temos um final que nos vai deixar obcecados para saber o que irá acontecer a seguir.
Mais escuro, mais forte e imensamente mais intenso, Avatar de Kushiel é a preparação perfeita para um grande final que deixará os fãs arrebatados e que nos levará a loucura em cada página. E prova, mais uma vez, que Jacqueline Carey é um nome a guardar quando se fala de Fantasia.

7*

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Opinião - Inverno de Sombras

Título Original: Inverno de Sombras
Autor: L. C. Lavado
Número de Páginas: 313

Sinopse 
 "Toda a verdade esconde um segredo

Em 1833, em Lisboa, cinco monges reúnem-se para decidir o destino a dar a uma caixa secreta e à sua chave. Muitos anos depois, uma família ainda as guarda, escondidas do mundo através das gerações. Mas há alguém que entende que é a chegada a hora desse poder lhe pertencer e está decidido a encontra-las e a fazê-las mudar de mãos.

Os protagonistas desta história são seres mágicos, feiticeiros poderosos sedentos de sangue. Feitiçaria, magia, segredos e uma história de amor inesquecível percorrem alguns dos lugares mais conhecidos de Lisboa e a zona mais sinistra de Paris, numa guerra colossal de feiticeiros dominados por uma obsessão que culmina numa das maiores batalhas que jamais vista.
Numa autêntica caça ao tesouro, as peças vão-se movendo como num jogo de xadrez, com momentos em que o tempo fica parado e é preciso suster a respiração até que possamos perceber o que escondem as motivações de Danton, o protagonista desta história, filho de dois poderosos feiticeiros, e dos estranhos seres mágicos que o acompanham.

O passado colide com o presente e tudo acontece…mas não como todos esperam."


Opinião
 Um livro recheado de magia e intrigas, Inverno de Sombras apresenta-nos um registo mais pesado e sedutor da escrita de Liliana Lavado. Por alguns dos lugares mais emblemáticos de Lisboa até a zona mais sinistra de Paris temos uma guerra colossal de feitiçaria, uma obsessão demasiado poderosa, um amor recheado de mal-entendidos e uma Caixa que pode mudar tudo. Mais uma vez, Liliana Lavado surpreende e mostra que de escritora principiante tem muito pouco. Com uma história intensa, digna de qualquer fantasia urbana de relevo, Inverno de Sombras é um livro a marcar.
 Numa segunda ronda do meu papel como leitora Beta desta escritora perante as duas obras que podiam ser escolhidas, esta pareceu-me a escolha mais condizente com o meu tipo de leitura, uma vez que prometia uma fantasia urbana mais “graúda” e dark, decidi que estava mais virada para estes lados do que para algo mais romântico.
A primeira coisa que reparei foi que este livro era mais coeso do que o que tinha lido anteriormente, transmitindo a sensação de que foi mais bem preparado ou que houve uma maior dedicação a esta história e que, claro, facilitou muito mais esta leitura, independentemente de eu estar mais ligada a este género. A segunda é que transparece muito mais a escrita da autora, ou seja, a energia que ela consegue transmitir pelas palavras, neste livro, está duplicada. Talvez por ter uma maior margem de manobra ou pela própria linha de pensamento que tinha para este livro, ela consegue dar uma crueza e uma sensibilidade tal à leitura que cada momento é vivido intensamente, seja da gargalhada pura ao rio de lágrimas, quer à raiva excessiva ou ao sorriso parvo, o que torna-se difícil despegar os olhos do estamos a ler.
Se tal força se sente muito se deve ao grande elenco de personagens que Inverno das Sombras nos proporciona. A diversidade das personagens é uma das qualidades da escritora e nota-se em cada uma delas a força bruta com que foram construídas e, se há coisa que se nota, é que para criar personagens da “pesada”, a Liliana tem um talento especial, o que deu ainda mais brilho a esta história. Cada uma à sua maneira, cada uma com a sua história, por piores que sejam, são personagens que prendem o leitor pelas emoções excessivas, quer a paixão ou o ódio. Aqui tenho de salientar o Danton, para mim a melhor personagem não só do livro mas daquilo que já li, de todas as personagens da autora. Em contrapartida, tem também a mais aborrecida mas como é mais que crucial para a história ele ser assim, acaba por se tornar um factor menor.
Mas aquilo que eu adorei foi a expressividade deste enredo. A maneira como tudo está ligado entre si, como cada detalhe atirado ao ar deve ser retido por mais insignificante que seja porque de um momento para o outro vai surgir uma surpresa à vossa frente. Aliás, uma das coisas em que a Liliana é boa é em reviravoltas e bombas inesperadas e neste livro o timing é absolutamente perfeito, deixando o leitor à beira do ataque cardíaco rapidamente.
A história em si está bem montada, de forma a que seja possível juntar as peças do puzzle e a compreender-mos no que ela resulta, como começa, não se sentido estranheza com toda a parte fantástica do livro. Este só peca pelos poucos pormenores que tem em relação aos feiticeiros e as querelas entre sim, havendo uma necessidade de mais informação que pode pôr os nervos em franja.
Por último, e nunca menos importante, a minha querida Lisboa, as minhas partes preferidas da minha querida cidade como pano de fundo tão bem estruturadas e ligadas que fazem inveja a todas as cidades que aprecem nos livros que lemos. Aqui fica a prova que esta é uma cidade merecedora de ser palco de qualquer acção.
Ansiosa pelo próximo, fiquei ainda mais fã e espero que a publicação esteja para breve porque este é um livro que ficava mais do que bem na minha estante.

6*

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Picture Puzzle #7



Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título


Picture #1

Pistas
Título em português





Picture #2

Pistas
- Título em português ou inglês 
- Relação com o Purgatório 



terça-feira, 10 de abril de 2012

Opinião - O Outro Lado do Mundo

Título Original: The Farthest Shore (#3 Earthsea Cycle)
Autor: Ursula Le Guin
Editora: Livros do Brasil
Número de Páginas: 180

Sinopse
 Não tem sinopse

Opinião 
 
Este é o último volume da trilogia original de Terramar, série que granjeou a Ursula Le Guin um lugar incontestável na Fantasia, e que desde os finais dos anos 60 tem conquistado leitores por todo o mundo, sendo um marco na Literatura tão grande quanto O Senhor dos Anéis. Leitura obrigatória para todos aqueles que adoram Fantasia, dos mais pequenos aos mais experientes, esta é uma série que continuará a marcar gerações de leitores.
Este livro já devia estar lido à mais tempo, não fosse a falta de tempo e o excesso de estudo, teria sido lido com a mesma rapidez dos anteriores mas, por outro lado, e mesmo sabendo que há mais livros deste mundo à minha espera, a verdade é que a sensação de que este é o último não me tem largado, talvez porque a escritora o escreveu com esse mesmo propósito e eu não me consigo esquecer disso.
A realidade é que este livro tem uma finalidade muito própria, é o final de uma longa demanda e o conquistar de um sonho e, por isso mesmo, deve ser lido como se fosse o último, devemos esquecer que Terramar está à distância de uma livraria ou mesmo ao nosso lado. O Outro Lado do Mundo merece ser lido como se fosse o último fôlego de uma velha lenda.
Se o primeiro livro é instrospectivo, uma descoberta por nós próprios, se o segundo é uma fuga do Mal e do obscuro, uma demanda por um sonho maior, este livro é a descoberta que o sonho é real. Por terras jamais visitadas, mares nunca antes navegados, ao lado de povos desconhecidos, Ged prepara o seu acto final como maior mago de todos os tempos para iniciar uma lenda muito maior.
Surge-nos uma nova personagem que irá acalentar o objectivo da demanda de Ged, um futuro herói que vemos crescer ao lado do mago durante as suas aventuras por terras longínquas em busca de um grande mal que assola até os dragões. Estas aventuras permitem apresentar-nos um terceiro volume mais colorido e aventureiro, dando-nos uma maior visão de Terramar e da sua pluralidade em termos de povos e culturas.
Ao longo destas aventuras assistimos a um Gavião mais contido, dmais humano mas que não perde a imagem de mago poderoso que o livro anterior nos deu. A sensação que dá é que O Feiticeiro de Terramar apresenta-nos o ínicio, Os Túmulos de Atuan o apogeu e este livro, não a queda mas a maturação da personagem. A relação entre o Gavião e Arren faz recordar a de Merlin e Artur, existindo uma pequena ligação entre ambas as lendas mas não é por isso que este livro perde a beleza primitiva tão típica da escrita de Le Guin.
Também neste livro nos são passadas mensagens preciosas, tanto espirituais como naturais, escondidas por subterfúgios poderosos e brilhantes que inconscientemente se infiltram na nessa mente e nos permitem ler o livro nos dois sentidos que ele nos apresenta.
Ao ser mais vivo, não é tão clara a escrita soberba da escritora mas acaba por ser o livro que mais prende o leitor pelas descrições simples e primitivas e pela força que ela nos transmitem, acabando por realçar-se mais do que os livros anteriores e, o que acontece na parte mais obscura é que, apesar de ser uma parte importante, não tem tanta sonoridade como teve o segundo livro. Para mim não é o melhor dos três mas tem uma beleza própria que o faz sobressair.
Como sempre, não há como ficar indiferente ao lirismo carregado da escrita da autora. É uma escritora magnífica que não precisa de explicar o significado das suas palavras, pois elas estão lá, tao transparentes como se ela estivesse a fazer um jogo de crianças. Foi um prazer conhecer esta autora e espero regressar a ela em breve porque tornou-se um nome obrigatório na minha estante.
E agora sim, é bom pensar que Terramar não acaba aqui.

7*

Teaser Tuesday (22)

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro

"E agora ardia de desejo por todo o lado.
O Dardo de Kushiel aguilhoava com força."
p. 83, Avatar de Kushiel, Jacqueline Carey 
 
Rubrica original do blog Should Be Reading

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Leitura Elitista: Ainda Existe?

Enquanto leitora tenho assistido ao longo dos anos àquilo a que se pode chamar snobismo literário ou elitismo da parte de algumas críticas, revistas e leitores quanto à géneros como a Fantasia e a Ficção Científica. A verdade, é que não noto tanto ataque e acho que hoje em dia estes dois géneros têm uma grande preferência por parte dos leitores, pelo menos nos meios por onde ando, mas isso não quer dizer que já não exista. Quantos de vocês já não terão ouvido que lêem demasiada literatura comercial, "livros com coisas estranhas" e que vivem no mundo da fantasia quando deviam ler livros "a sério"? Quantos de vocês já não o disseram?

Eu já ouvi coisas como "por leres demasiado livros desses vives num conto de fadas e não sabes o que é a realidade". Isto é ridículo até porque leio de tudo um pouco mesmo que ache que não vá gostar. Uns dias até tenho sorte e gosto mesmo. No fundo, apesar de me ter iniciado nos clássicos como Alexandre Dumas, Walter Scott, Leo Tolstoi ou Victor Hugo, a minha passagem para a Fantasia como Harry Potter ou Philip Pullman, deu-se de uma forma natural e nada problemática e, talvez, seja por isso que eu não entendo este snobismo que muitos têm contra alguns géneros. O livro serve para desanuviar, para nos transportar para outros mundos, para nos fazer pensar, sonhar e acreditar. Serve para nos ensinar, também. Mas como é que se pode colocar limitações a algo que é infinito em toda a sua sabedoria?

A verdade, é que depois de ver o The Jane Austen Book Club, este tem sido um tópico que me tem dado que pensar já que o filme fala sobre duas das minhas escritoras preferidas: Jane Austen e Ursula Le Guin. Continuo sem perceber como é que se pode dizer que uma melhor que a outra? Eu não consigo. Se Jane têm um senso intransponível, uma forma de criar personagens únicas e de a partir de histórias simples nos dar algo complexo que puxa por tudo aquilo que forma um ser humano, Ursula cria mundos únicos a partir de problemas actuais e cria algo de único. São ambas diferentes, logo não se podem comparar.

Por exemplo, se me pedissem para escolher entre Duna e Guerra e Paz, eu ficava com os dois. Não existe leitura apropriada e um clássico não é diferente de um clássico de FC, se são ambos assim considerados é porque ambos são bons livros, apenas não se podem comparar porque são de géneros diferentes. Um escritor de Fantasia não é menor que um escritor de Literatura Contemporânea, até porque o primeiro tem de criar todo um mundo novo e o segundo tem de aproveitar o mundo real para criar algo mais. No meu ver, não é assim que se distinguem os bons escritores dos maus.

Existe um clássico que é um bom exemplo de que o "anti-natural" sempre existiu na chamada Literatura Apropriada. O que é Alice no País das Maravilhas senão um livro de fantasia muito pouco infantil? A Ilíada pode mesmo ser considerada hoje em dia a primeira obra de Fantasia, o que não deixa de ser engraçado, uma vez que é a maior obra da Literatura Ocidental E a primeira.

Pergunto-vos, será um leitor de Fantasia menos do que um leitor de literatura contemporânea ou dos clássicos? Não é, lamento informar-vos, até porque se fosse eu própria estava numa crise existencial. Há clássicos soberbos e há os medíocres, há obras de fantasia magníficas e há outras que estão boas para o lixo. Isto é igual em todos os géneros, há coisas que não são comparáveis. Cada género tem os seus bons e maus mas entre eles não é possível comparar porque cada género tem as suas especificidades e características.

Mas isto é apenas a minha modesta opinião, de uma jovem cujos livros preferidos são O Conde de Monte Cristo de Alexandre Dumas e a Trilogia das Jóias Negras de Anne Bishop.

Ser Blogger tem destas coisas...

Sabem aqueles momentos simples, que parecem que não têm importância nenhuma mas que mexe convosco de uma forma inexplicável? Pronto, acabei de ter um desses momentos!

Em algumas ocasiões não consigo deixar de pensar se às vezes não escrevo só para mim e se o ChaiseLongue é apenas mais um blogue que por aí anda neste mundo vasto que é a Internet. Há dias em que não tenho vontade de escrever nada, que não sei o que ando para aqui a fazer...
 Não sei se isto são dúvidas que me assolam só a mim ou se assolam a todos nós bloggers mas sei que por vezes necessitámos de algo que nos dê um sinal e força para continuar. Hoje recebi o meu sinal, naquela que é a primeira crise de existência do blog.

Já vos aconteceu clicar num link qualquer apenas por curiosidade e o sítio onde vai dar acaba por ser uma enorme surpresa?
 Bem, eu cliquei neste link:

http://ofblog.blogspot.pt/2012/04/first-impressions-of-portuguese.html

E tive um desses momentos. Sei que não é nada de especial e que isto mais parece um ataque de narcisismo da minha parte e que para alguns isto pode ser algo sem importância mesclado com a minha vaidade, mas para mim foi algo que me atingiu, um daqueles momentos luminosos e que quis partilhar convosco, nem que seja porque tal como eu são portugueses e, espero, que tal como eu ainda tenham esperança que o nosso nome volte a andar na boca do Mundo por uma boa razão, como acontece nessa opinião.

São estas coisas parvas e simples sem significado que nos dão outra energia e nos renovam o espírito. E mais uma vez, tenho de agradecer aqueles que têm lido e apoiado o blogue. Um grande obrigada a todos!


Nota: O link acima é uma opinião à Revista Bang!11

domingo, 8 de abril de 2012

Opinião - O Portão do Corvo

Título Original: Raven's Gate (#1 The Gatekeepers)
Autor: Anthony Horowitz
Editora: Gailivro
Número de Páginas: 240

Sinopse
 Matt Freeman é apanhado pela polícia durante um assalto e enviado para Yorkshire, ao abrigo de um programa governamental de recuperação de jovens delinquentes - LEAA. Desde o primeiro momento, Matt sente que algo muito estranho envolve a sua nova tutora e toda a aldeia.
Entretanto, o jovem rapaz descobre a existência de Os Velhos, forças do mal tão antigas como a própria Humanidade, que pretendem destruí-la. E só Matt os pode impedir...
Esta é a sua missão... é o preço por ser diferente... e por ter o poder.
Ninguém o quer ajudar, ninguém acredita nele, e quem o faz... morre.

Esta história dá corpo a uma perfeita fusão entre o Fantástico, o Paranormal e o mais actual universo da Era atómica. Há ainda o dinamismo de incursões através da Pré-História e ao fascinante mundo de criaturas tão perigosas como os dinossauros. Da primeira à última página, "O Portão do Corvo" envolve o leitor numa teia frenética de perguntas e respostas, como é o ritmo da vida de Matt Freeman e da própria Humanidade.
Em 2006, com O Portão do Corvo, Horowitz recebeu três prémios: Lancashire Children's Book of the Year, Big Bishop Book Award e o Redbridge Children's Book Award.


Opinião 
 Conhecido pelo seu sucesso, Alex Rider, que depois de sucesso em livro passou a sucesso no grande ecrã, Anthony Horowitz tornou-se um dos nomes da literatura YA. Mais tarde decidiu alterar o seu tipo de livro e, de adolescentes formados em espiões, decidiu dedicar-se a adolescentes envolvidos com Males maiores em que rituais satânicos e a caça às bruxas se tornam uma realidade. Num registo mais obscuro, em que o medo pode assaltar o leitor em cada página, o autor criou a série The Gatekeepers, sendo este o seu primeiro volume e que repetiu o sucesso da sua série anterior.
Este é o tipo de livro que não habita a minha estante pelo simples motivo que não tem nada a ver comigo e, o facto de este estar, é uma simples coincidência, ou melhor, uma promoção aproveitada de forma nada pensada. Desde aí, o livro tem estado a espera que eu ganhasse coragem para ler estas míseras 240 páginas e tirasse a dúvida se gosto ou não deste género porque apesar de eu fugir dos filmes de terror, os livros são diferentes. E cheguei à conclusão que eu fujo do terror sim mas também fujo dos clichés como “o diabo da cruz”.
A verdade é que este livro não é outra coisa senão uma reunião de clichés bastante rasca e, ainda por cima, daqueles que eu já não posso mesmo ver à frente, o que fez com que esta fosse uma leitura hostil que me ensinou a evitar aquilo que sei que não gosto porque, às vezes, não vale a pena dar segundas oportunidades e estar a torturar-nos com algo que não gostámos nem nunca vamos gostar. Pelo menos enquanto me lembrar deste.
O Portão do Corvo é um livro pequeno e inicia uma trilogia, logo à partida, já não é um livro com muita informação e tem uma data de mistérios que só vão ser resolvidos nos próximos volumes, mas o autor podia ter tido o cuidado de nos dar pequenas linhas de conhecimento para nos orientar ao longo da trama e isso ao acontece. Somos atirados para algo sem sentido, sem explicações, detalhes, profecias bem feitas, ou o que quer que seja. A história está aí e se quiserem deslindem-na porque apesar da escrita até rápida e fácil de Horowitz, temos praticamente diálogos e descrições que pretendem ser assustadoras e que nos deixam com um grande sentimento de “eu já li/vi isto em algum lado”. O enredo em si é conjugação de clichés como por exemplo, uma aldeia inteira que afinal são um bando de satânicos e precisam de fazer um sacrifício de sangue para acordar um Mal maior e temos também uma sociedade secreta que é suposto impedi-los mas acaba por não fazer nada. Chato, repetitivo e enervou-me até a ponta dos cabelos.
Contudo, acaba por ser a informação inoportuna ou não aproveitada que nos tira do sério pois não faz qualquer sentido na história que estamos a ler. Continuo sem perceber para que passar o livro todo a falar de uma coisa que não é explicada, nos deixa perdidos e a espera que algo aconteça quando nada acontece.
No meio de tanta coisa “má” houve uma que me despertou a curiosidade: a união entra a ciência e a religião que o escritor implica nos rituais, ambas expressas no seu suposto lado mau, dão algo de inovador e que devia ter sido melhor explorada e teria contribuído muito para o livro.
Sem ser isso, é um livro com uma história igual a de todos outros sem uma qualidade por aí além. Definitivamente, não fiquei fã nem do género, nem da série nem do autor. 

1*

Uma Feliz Páscoa

é o que o ChaiseLongue vos deseja, recheada de amêndoas e folares, gargalhadas familiares e um sol radioso!


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Aquisições *MARÇO*

Atrasada eu sei! Mas finalmente aqui estão os livros que chegaram à estante este mês. Entre trocas e achados, consegui um número razoável de livros sem me chatear muito ou irritar a carteira.
Quero agradecer à Kel e à Rute pelas trocas e à Sara pelo achado. Muito obrigada meninas!


Trocas:
Desejos Ocultos Anne Stuart
A Carta Sarah Blake
Meia-noite e quatro Stephen King
Escravos do Amor Kate Pearce
 


Compras:
Rosa Irlandesa Nora Roberts (opinião)
Como Tentar Um Duque Kasey Michaels (opinião)
O Beijo de um Libertino Judith James
  

Compra:
Crónica de Paixões e Caprichos Julia Quinn
Nas Asas do Amor Sarah Sundin


 

Opinião - Como Tentar Um Duque

Título Original: How to Tempt a Duke (#1 Daughtry Family)
Autor: Kasey Michaels
Editora: Harlequin
Número de Páginas: 352

Sinopse
 Poderia fazer com que ela cedesse à tentação?
Tinha voltado da guerra com o título de duque, mas Rafael Daughtry lutava contra uma força bem mais poderosa do que o exército de Napoleão: a sua família. Felizmente uma amiga de infância, Charlotte Seavers, aceitara a contragosto fazer um pacto com ele. Rafael proporcionar-lhe-ia o lar que ela perdera e Charlotte seria a dama de companhia das suas indisciplinadas irmãs gémeas. Mas, quem poderia protegê-lo a ele? Aquela adolescente de aspecto jovial de que ele se recordava convertera-se numa mulher sensual, cuja beleza e segredos zelosamente guardados o deixavam obcecado e ao mesmo tempo cativado. Charlotte tinha um bom motivo para recear os homens, mas conseguiria resistir à enorme capacidade de sedução de Rafael?


Opinião 
 Senhora de prémios e honrarias, Kasey Michaels é autora de mais de cem livros bestsellers com direito ao RITA Award e a constar no Romance Writers of America. Esta romancista brilha no romance contemporâneo mas também dá cartadas no romance histórico, como é exemplo, a série Daughtry Family.
Dos dias de hoje para o confronto entre os dois maiores generais da História, Kasey leva-nos a Londres após o regresso a casa dos oficiais ingleses e a uma história de amor que nos faz esquecer uma época sangrenta.
Antes que perguntem, eu comprei o livro pela capa. Acho que não há rapariga romântica que resista a este vestido, é tão bonito! Obviamente que também li a sinopse, claro, e pareceu-me ser um livro bastante fofo e essa foi a outra razão por ter vindo para casa.  Infelizmente, este é um daqueles livros que nos apaixonámos pelas capas e o interior acaba por ser muito menor do que o exterior. Neste género, acaba por existir uma fórmula base que a maioria das autoras segue e dentro dessa fórmula há um estilo em que cada leitora se identifica mais. Este faz parte do estilo que não tem nada a ver comigo.
A escrita da autora é fluida e agradável de se ler mas a sua construção de personagens não é das mais apelativas nem a história que criou. Lê-se bem e rapidamente mas não é um livro que apegue ou incentive a seguir o resto da série. A história está bem situada e tem umas quantas situações interessantes mas não senti um apelo especial, pelo menos pelo casal principal. Posso pensar seguir o resto da série por causa das irmãs do protagonista mas o entusiasmo, sinceramente, não é muito.
O casal principal é a grande razão para isso. Rafe e Charlie pareceram-me “sem sal”, não senti o grande sentimento da parte deles antes uma grande falta de ligação entre ambos, o que contribuiu para a falta de química entre casal e com que as cenas protagonizadas pelos dois me parecessem muito forçadas. Para além disso, a autora não jogou bem com as suas personalidades, que não me atraíram e saem muito do estilo a que estou habituada e de que gosto.
A personagem mais interessante acabou por ter um final triste, o que fez com que a minha falta de vontade para com o livro aumentasse. Contudo, as irmãs de Rafe mostraram ser umas protagonistas mais à altura, com duas personalidades distintas e interessante que me parecem ir causar uma grande diferença nos próximos livros. Veremos se estarei com vontade para os seguir.
Quanto ao enredo em si, os pormenores históricos estão bem delineados e coerentes mas faltou ritmo e emoção à narrativa. Se calhar não achei tão interessante por causa dos protagonistas e quero dar um desconto a esta parte do livro por causa disso porque a forma como a autora nos apresenta o romance diz-nos que é um amor dedicado, de muitos anos e algo tímido, o que faz com que Kasey a conte de forma delicada e doce mas que acaba por não convencer.
Torna-se mais um daqueles livros que se lê mas não tem nada de especial para agarrar o leitor. Um daqueles com uma linda capa cuja leitura não corresponde às expectativas. 

3*