quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Picture Puzzle #25

Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título
Podem consultar a rubrica nos seguintes blogues: Bookeater/Booklover
Puzzle #1

Pistas: título em português


 Puzzle #2
  
Pistas: título em português


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Opinião - Mataram a Rainha!

Título Original: On a tué la Reine ! (#1 A Época dos Venenos)
Autor: Juliette Benzoni
Editora: Planeta Manuscrito

Número de Páginas: 280

Sinopse
 Fugida do convento onde a mãe a queria obrigar a tomar o véu para assegurar a fortuna paterna, Charlotte de Fontenac refugia-se em casa da tia de Brecourt, irmã do defunto pai. A jovem perde-se na noite e surpreende um ritual aterrador numa capela abandonada... Um desconhecido arranca-a à sua perigosa contemplação... Tudo se passa numa época em que o vento pestilencial do caso dos venenos sopra sobre Paris e a corte de Luís XIV. Madame de Brecourt envia Charlotte para o Palais Royal, para a corte da jovem duquesa de Orleães, Madame, a pitoresca princesa Palatina. Um caminho singular, o dos palácios reais, abre-se diante de Charlotte, mais perigoso do que se imaginaria. Um capricho da natureza fá-la parecer-se com um antigo amor de Luís XIV, o que lhe vale o ódio silencioso de madame de Maintenon, em vias de tomar o lugar de madame de Montespan. No momento de maior perigo é a rainha Maria Teresa que vem em seu socorro, mas por pouco tempo, pois morre no espaço de quatro dias...
Mortes suspeitas, missas negras, um amor que não ousa dizer o seu nome e protecções que desaparecem uma após outra. Que vai ser de Charlotte?


Opinião 
 Nascida a 30 de Outubro de 1920 em Paris, Juliette Benzoni começou como jornalista e, apenas em 1963 decidiu dedicar-se a escrita com a série Catherine, uma rival a altura do sucesso Angélique que estava a tomar as livrarias francesas. Rapidamente, a escritora deixou-se dominar pela escrita e escolheu a história francesa para panorama de fundo dos seus livros, ganhando assim o cognome de a Rainha dos Romances Históricos, sendo ainda hoje, assim considerada.

Com 8 séries escritas, tendo 5 delas mais de 100 edições em todo o mundo e traduzidas em mais de vinte línguas, a autora tem pisado os palcos franceses e as suas ligações históricas através de personagens fortes, um pormenor histórico cuidado e uma leitura viciante que conquistou leitores durante 5 décadas.
O meu amor a História é imenso e engloba todos os seus contrastes mas é a parte política, as intrigas de corte, os casamentos e alianças, a parte que mais me chama a atenção e Juliette já me tinha conquistado com o primeiro volume da trilogia Segredo de Estado, onde toca nestes assuntos de uma forma sublime num dos reinados que mais me fascina. Tal como nesse livro, Mataram a Rainha! é um exemplo exímio de como transpor a história para as histórias. Com um cuidado histórico precioso, uma escrita poderosa recheada de humor, sarcasmo e um detalhe impressionante, onde os factos são respeitados e os rumores perfeitamente enquadrados, Juliette prova porque é que quando se fala neste género, o seu nome vem logo a sair.
Ao longo das páginas deste livro sentimos o espírito de Versalhes já a brilhar muito antes do local estar pronto, pois mais do que isso, a corte de Luís XIV era, em sim mesma, uma corte ostensiva, poderosa, onde as intrigas se escondiam atrás de sorrisos afectados, regras de cortesia e estratos sociais. O brilho do Rei-Sol e do seu palácio de sonho passa em cada palavra e acção, em cada momento, por trás dos quais se escondem poções, segredos e o medo que aterrorizava a restante Europa, a bruxaria.
Saber unir a acção histórica com a ficção, construindo um enredo onde nada é descurado, é para poucos e a autora consegue-o na perfeição. Centrando-se na nobreza francesa, transmite-nos os costumes, as maledicências, os rumores e os hábitos da corte que iluminou a Europa, fascinando-nos a cada momento de leitura, impedindo-nos de pousar o livro e mantendo-nos cativos das ambições destas personagens que foram tão reais como nós. Ao utilizar uma personagem fictícia bem posicionada sem ser em demasia, a autora pode concentrar-se em entreter e ensinar. Através de Charlotte, vivemos os seus perigos, os seus amores e convivemos directamente com as mais altas personalidades, permitindo que se deslinde mistérios nunca antes tocados, que se conspire enquanto se dança, que se morra enquanto vénias são feitas. Para além do cuidado histórico, a autora soube conciliar a parte ficcional, deixando-nos encantados com Charlotte e que estejamos longe e perto de todos os acontecimentos importantes.
As personagens são bem construídas, sem que nada seja deixado ao acaso e servem a nossa curiosidade pois enquanto personagens reais, são humanas, cometem erros, têm medos, celebram vitórias, mentem e sorriem, sem nunca deixarem de relembrar quem foram. Mesmo com as personagens ficcionais, elas não deixam de ter personalidade, vida ou um certo peso na história por não terem sido reais. Todas têm o seu objectivo de interligar os factos com a ficção para uma narrativa coesa e interessante que agarra o leitor sem que este esqueça que bocados desta história existiram.
Juliette Benzoni foi e é a Rainha do Romance Histórico e soube contar como ninguém a História da França na ficção. Um romance histórico ímpar que irá proporcionar horas de aventura e suspense e agarrar os leitores a cada página, conseguindo colocar mentes a funcionar, a curiosidade a aumentar e deixar um laivo de satisfação durante dias e uma vontade imensa de arranjar o segundo volume.

7*

Estamos no Cantinho do Mês

O ChaiseLongue foi o escolhido pela Filipa Moreno do Labirinto dos Livros para ser o blogue apresentado na sua rubrica Cantinho do Mês, que faz este mês um ano!

É com muito orgulho que o Chaise participa numa data tão importante de um espaço que está connosco desde o início e que faz parte dos primeiros blogues que comecei a seguir e que deram origem a este local, onde posso extravasar o meu amor pelos livros e partilhar convosco os novos vícios e ódios de estimação.

Muito Obrigada pelas palavras que expressam tão bem aquele que que eu queria que fosse o espírito deste espaço tão meu!

Visitem:

 




terça-feira, 4 de setembro de 2012

Teaser Tuesday (36)

Regras:

  • Pegar no livro que estamos a ler
  • Abrir numa página à sorte
  • Partilhar duas frases dessa página. Não incluir spoilers!
  • Partilhar o título e o autor do livro



"E permaneceu imóvel, espantada, à medida que ele se inclinava para a frente e a beijava nos lábios. A fragrância do perfume dele rodeou-a por breves instantes. Uma das mãos de Ammar subiu e acariciou-lhe os cabelos."
p. 75, Os Leões de Al-Rassan, Guy Gavriel Kay  


Rubrica original do blog Should Be Reading

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Opinião - Divergente

Título Original: Divergent (#1 Divergent)
Autor: Veronica Roth
Editora: Porto Editora
Número de Páginas: 352

Sinopse
 Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a fação a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família... e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.

Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se enamora por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo, que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama... ou acabar por destruí-la.

Opinião 
 Depois do sucesso da trilogia Os Jogos da Fome, as distopias chegaram para marcar um lugar sólido nas estantes de vários leitores. Divergente é o herdeiro mais directo desta nova vaga e a sua publicação foi um sucesso. Saído da mente de uma jovem estudante de Escrita Criativa, é já um sucesso nos mais de 15 países onde foi publicado e hoje Veronica é escritora a tempo inteiro estando neste momento a preparar o terceiro volume da série que saíra no Outono de 2013.

Nascida em Chicago, cidade onde se desenrola a acção de Divergente, Veronica viu o seu primeiro livro receber os prémios Katherine Tegen Books de 2011, o Favorite Book of 2011 e Best Young Adult Fantasy&Science Fiction 2011 do Goodreads, entre outros, tendo o livro recebido opiniões entusiasmantes da parte dos seus leitores.
Este livro estava na lista dos que eu quero muito comprar devido as comparações entre este livro e a trilogia Os Jogos da Fome que adorei mas acabei por o ler através do Clube Blog-Ring uma vez que a oportunidade surgiu. Também em mim este género de livro tem suscitado uma grande atenção, muito devido a forma como estas recentes autoras têm apresentando as suas distopias.
Divergente toca de uma forma muito parecida aos livros de Suzanne Collins, emergindo sobre os mesmos temas da falta de liberdade, controlo dos órgãos de poder, divisão acentuada de classes e a soberania da lei do mais forte. Ao escolher também uma rapariga que marca pela mesma personalidade rebelde e lutadora de Katniss, Veronica podia estar a chegar perto da cópia mas as semelhanças terminam aqui. A sociedade desta Chicago do futuro está dividida de uma forma mais linear, que prende o cidadão a uma única qualidade ou característica, criando não uma sociedade mas quatro que convivem entre si, nem sempre da melhor forma.
O que a autora nos apresenta é a decadência dessa forma de governo, os seus segredos e tiranias por trás de uma aparência não tão clara como seria suposto, e apresenta-nos Tris como a evolução ou solução dessa sociedade que apresenta em si um pouco de algumas facções, apresentando um perigo para essa sociedade ideal onde o cidadão não pensa e deve cingir-se a posição que cada facção guarda para si. Encontrámos portanto uma crítica a sociedade, uma visão quase perfeita que falha pela ambição de alguns dos seus membros e que poderá ser solucionada pela união das características de todas as facções. Divergente é, então, um grito pela individualidade própria, pelas decisões pessoais e uma amostra de que não se pode considerar o ser humano igual e que todas as diferenças são necessárias à sobrevivência e entendimento.
Transmitir algo tão forte num livro juvenil é arriscado e pode tal mensagem passar despercebida pelas crises e amores de uma jovem de 16 anos que, por mais forte que seja, também detém o direito aos seus medos de miúda e, daí, talvez não. A perda da juventude, das brincadeiras e graçolas pode afectar gerações como mais nada o pode fazer e, apesar da jovem vida de Tris, este é um alerta que em determinadas conjunturas a idade pode pouco importar. Este livro acaba por carregar em sim uma mensagem política e social mais forte do que aparenta a primeira vista.
Apesar de tudo isto poder ser absorvido neste livro, a autora dedicou-se em demasia ao romance da história e podia ter passado mais deixando a protagonista longe de tais condicionantes ou podia ter transmitido esse romance de uma forma mais chegada à maneira como nos apresenta Tris, acabando esta por ter falhas e disparidades na personalidade, que de alguma forma incoerente, consegue mesmo assim tornar o leitor seu companheiro e faz com que este a aceite melhor. As restantes personagens são mistérios que prometem ser desvendados e que passarão da clareza à profundidade, se a autora conseguir manter o ritmo da história, podendo tudo alterar-se no segundo volume.
De resto, é uma narrativa bem construída, uma leitura viciante que absorve o leitor e o deixa a desejar por mais. A escrita de Veronica é directa, crua, sem grandes malabarismos mas com um sentido de “preto no branco”, absorvendo através das emoções mais elementares aqueles que pegam no seu livro. Consegue, ainda, distanciar-se da trilogia de Collins e criar algo próprio que fará muitos dos seus leitores pensarem um pouco para lá da história entrelinhas.
Uma leitura revigorante que nos faz desejar que toda a YA fosse mais assim e, sem dúvida, um calmante para os fãs de Jogos da Fome que ansiavam por algo do género. Espero que o segundo volume seja muito melhor.

4* Opinião Clube BlogRing seguindo a classificação do Goodreads

Opinião - Tatuagem

Título Original: Ink Exchange (#2 Wicked Lovely)
Autor: Melissa Marr
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 272

Sinopse
 Leslie, de dezassete anos, não sabe nada sobre fadas nem
sobre as suas lutas obscuras pelo poder. Quando se sente
atraída por uma tatuagem estranhamente bela, só sabe que tem de a ter, convencendo-se de ter encontrado um símbolo tangível das mudanças de que precisa desesperadamente na sua vida. A tatuagem traz mesmo mudanças - não do tipo que Leslie sonhou, mas mudanças sinistras e irresistíveis, que ligam Leslie a Irial, um rei das fadas tenebroso e temível que luta pela alma da sua corte. Aos poucos, Leslie é arrastada cada vez mais para dentro do mundo feérico, incapaz de resistir ao seu fascínio e de compreender os seus perigos... Melissa Marr dá seguimento aos seus contos de Fadas numa história sombria e arrebatadora de tentação e consequências, e de heroísmo quando menos se espera.

Opinião 
 Multifacetada na carreira, Melissa Marr foi professora de Literatura, empregada num bar de motards, tatuadora e ainda trabalhou numa escavação arqueológica. Já viveu em vários estados e considera que tudo o que fez é pesquisa para os seus livros. Depois de ter crescido a acreditar em fadas, fantasmas e outras criaturas, decidiu aplicar os seus conhecimentos sobre o folclore na sua escrita aliada ao mundo que sempre a fascinou.

Escreveu Wicked Lovely e agora é escritora a tempo inteiro. Uma das precedentes do romance paranormal YA, Melissa decidiu dar vida aos contos de fadas de uma forma moderna e obscura onde as fadas vivem lado a lado com os seres humanos e não são nada de fiar.
Há dois anos atrás, quando Amores Rebeldes foi publicado, o factor fadas levou-me a comprar o livro e a lê-lo num ápice. Uma leitura fácil e diferente no género mas que não me levou a seguir a série. Apesar de ter-me sentido atraída pela sinopse deste Tatuagem, algo na leitura anterior me impediu de o comprar, e com tantos livros que tenho descoberto, Wicked Lovely ficou perdida na minha memória até que através de uma troca, me vi com o segundo volume na mão.
Lembro-me que uma das coisas que gostei na altura foi as fadas não serem boazinhas e de não haver romance em demasia e que a protagonista não tivesse de ficar com o mais belo e perfeito mas a caracterização das Cortes feéricas pareceu-me fraca na altura. Com este livro, a autora incidiu sobre a Corte pela qual me sentia mais curiosa, a das Trevas que me parecia ter mais material interessante do que a do Verão e, sobre o significado e a força de uma tatuagem sobre a pessoa que a coloca na pele. As ideias da autora são interessantes e, até certo ponto, até bem conseguidas, o que dá um equilíbrio a narrativa contudo não posso deixar de pensar que autora podia ter ultrapassado mais barreiras, que a narrativa podia ser mais obscura e as personagens mais fortes. Por mais que tenha tentado sair da doçura e delicadeza associada as fadas, Wicked Lovely, pelo menos nestes dois volumes, ainda está muito presa a essa ideia, o que sufoca a originalidade das suas fadas.
Tatuagem, mesmo assim, consegue ser um livro mais bem conseguido, talvez por incidir na parte mais cruel deste mundo e, assim, ter inerente algumas novidades que tornam a leitura deste segundo volume mais apelativa. Mais cruel e deprimente, as personagens deste segundo volume têm uma profundidade que no primeiro não encontrámos, talvez por serem membros das Trevas e terem de ter alguma negritude associada a elas. Apesar disso, não me senti satisfeita com a história pois a autora podia ter aproveitado para sair da área mais romântica e juvenil mas decidiu a mesma implicar um triângulo amoroso que só veio estragar a concepção deste livro. Se se tivesse mantido pela área negra, aprofundando-a, teria conseguido uma narrativa mais forte e atractiva e, o que acontece, é que após esta leitura senti o mesmo vazio de quando terminei o primeiro volume.
Esta não é uma série complexa nem tem uma escrita demasiado complicada ou juvenil, até é bastante directa e tenta fugir aos cânones do actual romance paranormal YA mas falto algo que leva a que estes livros não tenham tantos fãs e a mim parece-me que o que falta é verdadeira emoção. A sensação é de que não sentimos nada, não há nada que salte cá para fora e nos puxe para a história pois mesmo que estas personagens fossem mais ao meu gosto acabaram por se tornar um pouco indiferentes ao longo de leitura quando eu queria sentir com elas e não conseguia.
Não que eu não tenha gostado do livro, gostei mas queria muito mais do que ele realmente me deu. Infelizmente voltei a não me sentir tentada a seguir o resto da série pois enquanto leitora preciso de mais do que este livro me deu. Gosto do conceito mas continua a faltar qualquer coisa que não me permite gostar tanto do livro quanto queria.


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Opinião - As Cinquenta Sombras de Grey

Título Original: Fifty Shades of Grey (#1 Fifty Shades of Grey)
Autor: E. L. James
Editora: Lua de Papel
Número de Páginas: 552

Sinopse
 As Cinquenta Sombras de Grey é um romance obsessivo, viciante e que fica na nossa memória para sempre. Anastasia Steele é uma estudante de literatura jovem e inexperiente. Christian Grey é o temido e carismático presidente de uma poderosa corporação internacional. O destino levará Anastasia a entrevistá-lo para um jornal universitário. No ambiente sofisticado e luxuoso de um arranha-céus, ela descobre-se estranhamente atraída por aquele homem enigmático, sombrio, cuja beleza corta a respiração. Voltarão a encontrar-se dias mais tarde, por acaso ou talvez não. O implacável homem de negócios revela-se incapaz de resistir ao discreto charme da estudante. Ele quer desesperadamente possuí-la. Mas apenas se ela aceitar os bizarros termos que ele propõe... Anastasia hesita. Todo aquele poder a assusta – os aviões privados, os carros topo de gama, os guarda-costas... Mas teme ainda mais as peculiares inclinações de Grey, as suas exigências, a obsessão pelo controlo… E uma voracidade sexual que parece não conhecer quaisquer limites. Dividida entre os negros segredos que ele esconde e o seu próprio e irreprimível desejo, Anastasia vacila. Estará pronta para ceder? Para entrar finalmente no Quarto Vermelho da Dor? As Cinquenta Sombras de Grey é o primeiro volume da trilogia de E.L. James que é já o maior fenómeno literário do ano em todos os países onde foi publicada, da Austrália aos Estados Unidos, da Inglaterra à Nova Zelândia.

Opinião 
 Mãe de dois filhos, esposa e a trabalhar na televisão, E. L. James está na boca do mundo desde que a sua fanfic da saga Luz e Escuridão foi publicada em livro, estando a trilogia completa e um quarto livro a caminho. As Cinquenta Sombras de Grey é um fenómeno literário desde o seu lançamento no ano passado, desde mães a jovens fãs da obra de Stephanie Meyer, este livro não tem deixado ninguém indiferente, oscilando entre o amor e o ódio dos leitores. Aqui em Portugal, o primeiro livro já vai na quinta edição e o segundo será lançado em Outubro.

Chocante para uns, atractivo para outros, já foi traduzido em 37 línguas, é bestseller na maioria dos países e já vendeu mais de 40 milhões de cópias por todo o mundo, detendo o recorde de vendas mais rápidas de sempre, ultrapassando Harry Potter. Graças a este sucesso literário, E. L. James foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes do ano.
Este livro não estava na minha wishlist pela simples razão de ser uma fanfic da saga da Stephanie Meyer e pelas péssimas opiniões que li de pessoas com quem partilho gostos literários mas, como gosto de ter a minha própria opinião e gosto de saber do que falo e, até tem havido excelentes opiniões, a minha curiosidade levou a melhor e o livro lá veio cá para casa, mesmo tendo esperado algum tempo para ser lido.
A verdade, é que há muito que eu devia ter aprendido a seguir o meu instinto, portanto, devia ter fugido deste livro a sete pés em vez de lhe dar uma oportunidade, que sinceramente ele não merece. Não por o livro ser chocante, não por as cenas de BDSM serem muito fortes mas porque, pura e simplesmente, E. L. James não sabe escrever livros. A escrita da autora é má, simplória, pouco atractiva e choca mais pela falta de qualidade do que pelas cenas sexuais. Ler este livro foi, para mim, uma perda de tempo, dinheiro e uma lição a aprender sobre as minhas compras e instintos. Até escrever a opinião dele, me parece uma perda de tempo mas já que o li há que justificar as minhas impressões.
Para além de uma escrita fraca, as personagens da autora, e falo de Anna e Grey porque as outras estão lá apenas para preencher páginas e não têm qualquer objectivo no livro, são daquelas personagens que a minha mente não esquecerá de tão más que são. Continuo sem perceber como é que uma moça licenciada, que lê e supostamente é culta consegue ser tão nada. Anna não tem personalidade, força de vontade, humor, nem sequer dá pena, é apenas irritante, sem sal, aborrecida e consegue destruir a nossa paciência numa única fala. Se a ideia era ter uma Bella, acho que a autora conseguiu ultrapassá-la. Anna é ainda mais vazia, é uma personagem que não foi construída, é bidimensional, é um protótipo e mais ela não merece da minha parte. Quanto a Grey, é o típico cúmulo a que um homem pode chegar e de atractivo, sensual tem pouco. Perseguidor, obsessivo, controlador, irritante, é o tipo que não quero de certeza à minha porta e, peço desculpa, mas não consigo sentir mais do que uma fúria imensa por esta personagem na qual a autora depositou toda a sua energia.
Esta história não tem alicerces, seguimento, construção, não foi sequer pensada, é uma algaraviada de pensamentos e cenas parvas e enjoativas. Quanto ao BDSM do livro, não o achei chocante pelo assunto em si mas porque estas devem ter sido as piores cenas de sexo que alguma vez li. Chocante não é a cena do tampão, é sim a forma como a escritora apresenta a relação dos protagonistas, a forma como este livro apresenta o sexo, a forma como as coisas mais ignóbeis são apresentadas como normais. Já o BDSM, deve ter sido a única coisa menos chocante de tão suave que foi.
Por último, e não podia deixar este assunto sem comentário, a vozinha da deusa interior da Anna consegue ser ainda mais idiota que ela. Não quero nem vou tentar perceber qual foi a ideia ao colocar este “acessório” na narrativa porque conseguia ser mais irritante do que tudo o resto junto. Ridículo, não chega para adjectivar a suposta consciência da Anna, e é engraçado porque sem esta parte, possivelmente o livro teria menos partes nulas porque ainda estou para perceber porque era preciso 500 páginas para isto.
Como já devem ter percebido, eu fiquei na facção dos que odiou e espera nunca mais olhar para este livro. Se gostarem, força leiam mas ninguém me convence a voltar a olhar para isto nem como é possível isto já ter vendido tanto. Eu dispenso.

1*