quinta-feira, 3 de maio de 2012

Opinião - O Beijo das Sombras

Título Original: A Kiss of Shadows (#1 Meredith Gentry)
Autor: Laurell K. Hamilton
Editora: Saída de Emergência
Número de Páginas: 464

Sinopse
 Entre num mundo emocionante, voluptuoso, e tão ameaçador quanto belo. Onde dominam paixões ardentes de seres imortais, outrora adorados como deuses ou demónios.

Os mais supremos seres sobrenaturais são fadas Sidhe, uma raça tão bela e poderosa que foi em tempos adorada como os deuses. Não só são luxuriosos, como incrivelmente bons amantes. Quando têm sangue real... são literalmente viciantes. Fadas de sangue puro não toleram as cidades e raramente vivem entre os humanos. Mas Meredith Gentry não é de puro-sangue. Ela tem sangue humano e por isso é mortal. Talvez também por isso, sinta que não pertence a lugar nenhum. Meredith Gentry, princesa da corte real das Fadas, faz-se passar por humana em Los Angeles, onde trabalha como detective privada. Mas, agora, o carrasco da rainha foi enviado para a levar de volta para casa - quer ela queira quer não. Subitamente, Meredith vê-se como um mero peão
encurralado nos terríveis planos da sua tia. A tarefa que a aguarda: desfrutar da companhia constante dos homens imortais mais bonitos do mundo. A recompensa: a coroa - e a oportunidade de salvar a sua vida. O castigo por fracassar: a morte.


Opinião 
 Com um milhão de cópias vendidas em todo o mundo, esta série de, actualmente, seis livros sendo que dois já estão publicados em Portugal e o terceiro vem a caminho, saiu da imaginação da mesma autora de Anita Blake, a #1 do New York Times, Laurell K. Hamilton, especialista em romances paranormais altamente perigosos onde a sedução é uma arma de alto calibre. Seres feéricos de todo o género juntam-se num mundo actual onde estes convivem lado a lado com seres humanos mas com as suas próprias regras e hierarquias, com ódios e amores tão duradouros quanto a sua imortalidade.  
Já tinha parado a olhar para este livro várias vezes mas a curiosidade nunca me havia levado a melhor e, com opiniões tão díspares, a incerteza desta leitura levou-me a passar-lhe um pouco ao lado. Só que, depois de mo terem recomendado afincadamente, não lhe resisti da última vez que olhei para ele e trouxe-o para a minha estante até que chegasse o momento de eu finalmente lê-lo.
Como já devem ter percebido, eu adoro uma boa intriga política, os detalhes e regras de uma sociedade e as formas de as ultrapassar, a maneira como as relações se desenvolvem em determinado ambiente, ou não tivesse seguido a área que segui. Este livro tem tudo isto e ultrapassa-se a si próprio. Numa história onde seres imortais reinam é necessário saber lidar com as características aptas a eles e saber desenvolver uma história condizente, algo que a autora conseguiu numa escala máxima, ao misturar seres perfeitos e bizarros na mesma dimensão e tornando algo horripilante em aceitável.
Num livro onde o sexo é algo banal, Hamilton dá-nos cenas de extrema beleza e força, numa voluptuosidade que pode chocar ou maravilhar, e onde se torna algo vital a uma sociedade longe dos protótipos comuns, onde criaturas arrogantes, cruéis e extremamente poderosas percorrem caminhos nunca antes sonhados quais estrelas de cinema que estão acima do mais comum dos mortais, mas que em certa medida, também correm perigos inimagináveis e tem de se adaptar a regras e conceitos que estão para lá das suas vivências.
Com personagens fora do comum, seres cujo conceito de certo e errado são tao diferentes dos nossos, a escritora consegue não que as adoremos mas que as compreendamos e que aceitemos os extremos em que estas vivem de uma forma quase automática, acabando por nos transpor para este mundo com um fascínio quase obsessivo. Apesar da quantidade avultada de personagens, faz-nos conhecer cada uma delas, o seu poder e fraquezas, apresentando-nos estes imortais em situações extremas.
O próprio enredo, para além da forte carga sexual, carrega também uma forte carga de mistério e horror, fazendo com que ambas se entrelacem de uma forma perfeita, em que uma não existe sem a outra. Fazendo-me recordar a minha escritora preferida, Anne Bishop, num plano mais actual, temos uma sociedade complexa em que cada atitude pode condenar à morte ou a tortura ou a dar a glória, em que cada acto e pensamento são pensados com ambição e para a sobrevivência, envolvidos em sentimentos tão fortes como o ódio, a vingança ou o desejo, dando-nos uma trama em que muitos se podem sentir perdidos ou “fora de água”.
Este livro é daqueles que se estranha e depois entrenha-se de uma forma subtil e poderosa, onde cada descrição é tão visual e explícita que todos os nossos sentidos são embargados como por uma droga que não se quer largar, deixando-nos não uma presença possessiva mas um pequeno chamativo que nos trará de certeza de volta à sua leitura.
Senti de todas as formas, possíveis e imaginárias, cada sensação que este livro nos pode dar e é de espantar como cenas de repulsa nos podem transmitir ou fazer compreender o que cada personagem sente em cada momento. No fundo, a escritora pega em emoções humanas e leva-as a outra dimensão, a dimensão do bizarro, do sedutor, do inconfessável.
Vou de certeza, a seguir o resto da série pois anseio por saber mais e fiquei assoberbada pelo poder deste livro. Pouco banal ou comum, este livro agarra todas as atenções como uma diva ciente do seu talento e vai levar-vos a uma experiência que tão cedo não esquecerão.

6*

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Picture Puzzle #10



Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título

Picture #1

Pistas: título em português; Fantasia





Picture #2

Pistas: título em português



terça-feira, 1 de maio de 2012

Aquisições *ABRIL*

Ainda sem visitar a Feira do Livro para meu grande desgosto mas com a descoberta das trocas, este foi um mês recheado e, espero, um bom augúrio para o mês em que hoje entrámos. Deixo-vos as compras e trocas deste mês com um grande obrigada às meninas com quem adquiri estes livrinhos.


Compras


O Circo dos Sonhos, Erin Morgenstern (opinião)
Avatar de Kushiel, Jacqueline Carey (opinião)



O Cavaleiro de Westeros e Outras Histórias, George R. R. Martin (Autografado!!)
Mansfield Park, Jane Austen (opinião)


 Trocas



A Senhora da Noite e das Brumas e A Rainha das Terras da Luz, Inês Botelho




 Helena de Esparta, Princesa de Ninguém, Esther Friesner
Esther: A Rainha da Terra Prometida, Solmaz Kamuran
O Reino de Nurver, Sara Machado

Opinião - O Fruto Proibido

Título Original: Delicious
Autor: Sherry Thomas
Editora: Quinta Essência
Número de Páginas: 334


Sinopse
 Famosa em Paris, mal-afamada em Londres. Verity Durant é tão conhecida pelos seus dotes culinários quanto pela sua vida amorosa. Contudo, essa será a menor das surpresas que espera o seu novo empregador quando este chega a Fairleigh Park, a propriedade que acaba de herdar após a inesperada morte do seu irmão.
Para Stuart Somerset, uma estrela política em ascensão, verity Durant é apenas um nome e a comida é apenas comida, até degistar o primeiro prato confeccionado por ela. Até então, a única vez que experimentara tamanho despertar dos sentidos fora numa perigosa noite de paixão com uma estranha que desaparecera com a madrugada. Dez anos de espera pelo prato principal é muito tempo, mas quando Verity Durant entra na sua vida, apenas uma coisa conseguirá satisfazer Stuart. O apetite dele pela luxúria será vingança ou o mais excepcional dos acepipes - o amor? O passado de Verity alberga um segredo que poderá devorá-los a ambos, ao mesmo tempo que tentam alcançar o mais delicioso dos frutos…


Opinião 
 Considerado o melhor romance do ano 2008 pelo Library Journal, com críticas espantosas e elogios como «delicioso», «irresistível» e «espantoso», O Fruto Proibido sai da mente brilhante daquela que é considerada «a mais original escritora de romances históricos da actualidade» pela própria Lisa Kleypas, não para a nossa mesa mas para a nossa estante.
Vencedora do RITA Awards, Sherry Thomas traz-nos um verdadeiro banquete de sensações, onde a história da Gata Borralheira ganha outro paladar e nos transporta através dos sentidos para um “felizes para sempre” totalmente inesperado, onde os prazeres da mesa se unem ao romance sensual e onde a nossa imaginação ganha vida através de uma escrita maravilhosa e intrépida.
Neste momento, esta é a minha escritora preferida de romances históricos depois de ter lido o maravilhoso Um Amor Quase Perfeito (opinião) e, por isso, ler este livro, onde um dos meus contos preferidos ganha uma nova dimensão e onde o meu mais recente hobbie é protagonista, tornou-se quase uma leitura obrigatória. De salientar a magnífica capa e os extras lá dentro, este é um livro que delicia ainda antes de o lermos.
Quando iniciei esta leitura já conhecia o estilo soberbo da escritora, as suas personagens fortes e humanas, a escrita bela e encantadora mas mesmo assim, não pude deixar de ficar surpreendida com a beleza e encanto deste livro. Através de descrições gastronómicas de deixar água na boca, de uma história de amor que põe a da Cinderela e do seu príncipe a um canto, temos um romance extremamente sensorial, trágico e romântico, em que o destino tudo pode alterar e em que os segredos e mistérios têm um lugar primordial na lista de ingredientes.
Mais uma vez, temos um leque de personagens espantosas, com defeitos e ambições, que nos chegam ao coração de uma forma vagarosa e bastante emotiva e que nos fazem desejar um final feliz a todo o custo. Uma protagonista decidida, uma mulher que não liga a regras e longe das convenções conquista-nos pela sua força e dedicação, estando longe da protagonista virginal, passiva e jovem, Verity é perfeita para esta história. Somerset está, também, longe do protagonista habitual. Nada de mulherengo ou perverso, um homem ligado a um sonho de uma noite e que lutou contra todos para chegar longe, este faz as delícias de qualquer romântica que tenha imaginado um Mr. Darcy mais sedutor. Cada personagem foi pensada e magistral a cada momento mas tenho de chamar a atenção para o outro casal da história porque maioritariamente, quando existem dois casais num romance, há um que se sobrepõe a outro e eu não achei isso neste livro. Cada um me conquistou à sua maneira e não posso deixar de salientar o quão maravilhoso foi ver esse outro amor ganhar vida.
O enredo é sublime, um recontar mais sensual e misterioso da Cinderela, um conto de fadas da vida real que ganha vida humanamente e no qual podemos acreditar pois poderia ser uma história verídica. Gostei muito de cada detalhe da história, da forma como a autora vai ligando as peças, como junta várias histórias à mesma, dando-lhe um final perfeito. Os pormenores culinários fizeram a delícia da minha alma recém-descoberta de cozinheira, demonstrando um certo conhecimento da área e um gosto pela boa comida que é transmitido através de cada descrição da comida. Também de salientar o cuidado da pesquisa histórica em cada momento do livro que assim obrigava como também no caso gastronómico, é sempre bom puder observar estes pequenos extras.
Por fim, não consigo escolher um dos livros como favorito e o lugar de Sherry Thomas está mais que garantido na minha estante. Esta é uma escritora obrigatória para qualquer amante de romance histórico, da mais exigente à novata, para se deixarem encantar por um amor intemporal que remete a conto de fadas.

6*

sábado, 28 de abril de 2012

Opinião - Mansfield Park

Título Original: Mansfield Park
Autor: Jane Austen
Editora: Book.it
Número de Páginas: 448

Sinopse
 Mansfield Park é seguramente a obra mais controversa e menos amada pelos apreciadores da escrita de Jane Austen. O problema parece estar na personagem principal, a frágil, tímida e insegura Fanny Price, em tudo distinta das heroínas de Sensibilidade e Bom Senso, Orgulho e Preconceito, Persuasão ou Emma. Nascida no seio de uma família pobre, Fanny Price é levada com apenas 9 anos para Mansfield Park, a rica propriedade dos Bertrams. Infeliz e maltratada pelos tios e pelas duas primas, só no primo Edmund encontra afecto. Curiosamente, e ao contrário do que seria expetável da protagonista de um livro de Jane Austen, Fanny não se rebela contra os códigos e as condutas dominantes, acentuando o final feliz da narrativa a passividade da protagonista. Por estas e outras razões, Mansfield Park - publicado pela primeira vez em 1814, em três volumes - é um romance complexo e de alguma forma estranho para os leitores assíduos de Jane Austen.

Opinião 
 Jane Austen é uma das maiores romancistas do século XIX, senão mesmo de sempre. Os seus romances ainda hoje proliferam em fãs, são adaptados ao cinema e à televisão, ainda vendem milhares de cópias por todo o mundo. Criadora de personagens que se tornam exemplos ou desejos para os seus leitores, como o afamado Mr. Darcy, é através de uma perspectiva irónica que nos dá a conhecer o quadro social do seu tempo.
Com heroínas prontas a combater as injustas regras da sociedade, esta é uma das razões para o choque deste Mansfield Park. Diferente de todos os seus outros romances, este livro baralhou os seus leitores e deixou para muitos, uma desilusão. Para outros, foi uma surpresa inquestionável.
Eu considero-me uma fã de “primeiro ciclo” de Jane Austen. O Orgulho e Preconceito é um dos livros/filmes mais marcantes da minha vida e li Persuasão e detestei a Paltrow como Emma e é por isso que nem consigo pensar em ler o livro. Ando feita maluca para ler/ver o Sensibilidade e Bom Senso mas graças ao Clube de Leitura Bertrand da Jane Austen, no qual me inscrevi recentemente, foi este o próximo livro nos muitos que ainda tenho de ler desta senhora.
Realmente, a primeira coisa em que se nota neste livro é na “falta de sal” de Fanny Price, uma jovem muito bem comportada e ajuizada, que faz a vontade a todos e por todos é mal tratada, tirando o nosso protagonista, Edmund, outro excelente exemplo de comportamento. Comparados com os outros protagonistas de Jane, deixam realmente a desejar e não consegui sentir afinidade com eles, sendo que a dada altura, só conseguia pensar que eles eram tão aborrecidos que eu só queriam que eles não ficassem juntos e ganhassem um pouco mais de vida, o que aconteceu mas não chegou para me convencer.
O que estes protagonistas têm de chato, as outras personagens são um delírio em termos de caricaturas. Cada uma delas representa as falhas de uma sociedade altamente pudica, disfarçadas de qualidades, o que nos deixa estupefactos a olhar para a página. As críticas assentes a cada personagem, são apresentadas de uma forma tão doce e educada, tão disfarçada que não pudemos deixar de admirar a personalidade por trás das palavras. Miss Austen devia ser uma grande senhora e acho que teríamos uma conversa muito interessante se séculos não nos separassem.
Outra coisa que reparei, é que a ironia característica da autora, está muito mais saliente, não é subtil nem disfarçada, está ali a vista de todos para nos rirmos bem alto do quão ridículo certas situações chegam a ser e, no meu ver, foi o que salvou o livro. Gostei desta faceta menos trágica e romântica da autora, que me proporcionou uns bons momentos de divertimento à conta do belo humor inglês, das suas regras e hipocrisia.
No fim, o que me deixou insatisfeita, foi exactamente o fim. Muito rápido, pouco explicado após acontecimentos tão escandalosos, deixou um sabor amargo na boca, como se a própria escritora não estivesse para aturar mais ninguém. Um fim insonso para protagonistas insonsos.
Mesmo assim, não posso deixar de dizer que gostei realmente deste livro e que toda a paródia que se desenvolveu ao longo do enredo, cada momento em que o horror e a tragédia abatiam a pobre Fanny, me proporcionaram uma leitura maravilhosa.
Agora fico a pensar o que se seguirá e espero que todos tenham oportunidade de ver esta faceta de Jane Austen. Quem ainda não leu esta senhora, ainda vai a tempo, por isso, aproveitem!

6*

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Picture Puzzle #9




Regras:

  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens representativas das palavras dos títulos (uma imagem por palavra, ignorando os "e, o(s), a(s), de, etc.);
  • Fazer o post e convidar o pessoal a tentar adivinhar o livro;
  • Se estiver a ser difícil podem ser fornecidas pistas mas está ao critério do administrador do blogue;
  • As imagens não têm de literalmente representar o título

Picture #1

Pistas:título em português;YA




Picture #2

Pistas: título em português






    

terça-feira, 24 de abril de 2012

Opinião - O Vampiro Lestat, 1º Volume

Título Original: The Vampire Lestat (#2 1/2 The Vampire Chronicles)
Autor: Anne Rice
Editora: Publicações Europa-América
Número de Páginas: 254

Sinopse
 "Lestat, personagem de Entrevista com o Vampiro, tem uma história para contar. O segundo volume da saga «Crónicas dos Vampiros» acompanha Lestat ao longo de várias eras, à medida que ele procura as suas origens e desvenda o segredo da sua obscura imortalidade.
Extravagante e apaixonado, Lestat mergulha nos lascivos lupanares de Paris do século XVIII, na Inglaterra dos druidas e na Nova Orleães finissecular. Após um sono profundo de cinquenta e cinco anos, Lestat está fascinado pelo mundo moderno. Quando quebra o código de honra dos vampiros, que lhes impõe o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na esperança de que os imortais se ergam e se unam para descobrirem o mistério da sua existência. E é então que Lestat, o caçador, se transforma numa presa."


Opinião 
 Crónica Vampíricas tornou-se um sucesso em 1976 quando o seu primeiro volume foi publicado e, em pleno século XXI, ainda não perdeu a sua personalidade cativando as novas gerações que procuram um tipo de vampiro “à moda antiga” num mundo recheado de literatura vampírica. Dois filmes e onze livros depois, apesar de Anne Rice actualmente se dedicar à religião esta será sempre a série que a tornou um dos nomes da literatura gótica e vai marcar sempre a forma como os vampiros são vistos, logo a seguir ao Drácula de Bram Stoker.
O Vampiro Lestat conta-nos a história da personagem com o mesmo nome, sendo que nesta primeira parte, é nos relatados acontecimentos muito anteriores aos que ocorrem em A Entrevista com o Vampiro. Se o primeiro serviu para aguçar a curiosidade dos leitores, este é a intensificação, a (re)descoberta, o livro que vai manter o leitor agarrado até às últimas páginas. Se Anne Rice é a “mãe dos vampiros” e Bram Stoker “o pai”, podem ter a certeza que Lestat é um “irmão mais novo” à medida para Drácula.
Mais uma vez, foi difícil resistir à escrita desta escritora e, mais uma vez, vi confirmado o seu enorme talento pois neste livro ela apresenta-se com uma obscuridade e beleza superior as do livro anterior, tornando impossível não seguir Lestat pelas ruas de Paris do século XVIII completamente enfeitiçados. Quer pelas descrições da cidade em pleno “Século das Luzes” com a Revolução à porta, quer pelos cenários animalescos ou pela intensa narração que vai nos vai prendendo a cada parágrafo. É inevitável não nos arrepiarmos com a sedução de algumas cenas macabras, como lemos algo que nunca aceitaríamos com um espanto mudo, completamente rendidos à voz que se solta de cada palavra.
Já referi que Lestat é tudo o que odiamos e amamos. Neste livro é menos e mais, ao mesmo tempo, permitindo-nos conhecer o antes e o que levou ao vampiro que Louis tão bem recorda, deixando-nos antever as fragilidades e lutas, permitindo-nos conhecê-lo ainda melhor e seduzindo-nos com o seu eu de uma forma tão descarada e brilhante, umas vezes, introspectiva e frágil, noutras, Lestat é a personagem “excelência” deste livro, é a alma e o carácter de uma história sombria sobre uma época luminosa construída em cima de sangue e obsessões. A maneira como a escritora consegue transpor a época e o ambiente para a personagem, para a própria história deixou-me maravilhada por aquela Paris escura e efervescente, pela maneira como o velho e pagão se mistura e separa do novo e racional.
Com as novas e restantes personagens, fiquei muito com a sensação de que, com as suas presenças curtas e fortemente acentuadas, elas marcarão Lestat para o resto da série, mesmo que não sobrevivam muito mais. A verdade, é que ele as monopoliza mas a sua influência é enorme nele e, apesar, de vermos maioritariamente Lestat, elas estão tão vincadas na história quanto ele. As mudanças bruscas de carácter são justificadas pela liberdade, pela loucura, pelas descobertas interiores e são necessárias para chegarmos a uma conclusão que me parece ainda vir longe. Referencio que existe uma personagem que nunca pensei reencontrar neste livro e me fez querer juntar peças e saber muito mais!
Por fim, o livro não seria o mesmo sem os pensamentos e dúvidas de Lestat, acho que se tivesse sido escrito de outra forma, não teria o fascínio que o caracteriza nem nos agarraria da mesma maneira. A maneira filosófica e por vezes ingénua e egoísta com que o vampiro lida com as coisas marca muito este livro e penso que faz com que tenhamos sempre uma predileção por este vampiro.
Ansiosa por mais e completamente fascinada por Lestat, espero ler em breve a continuação e depois de um final assim, preciso de saber mais, muito mais. Estou rendida a estas Crónicas Vampíricas.

7*