Título Original: Darling Jim
Autor: Christian Mork
Editora: Editorial Presença
Número de Páginas: 316
Sinopse
Darling Jim reúne
thriller psicológico, suspense romântico, terror, lendas e contos de
fadas num enredo coeso e fascinante. Tudo começa com o aparecimento dos
cadáveres de duas irmãs e da tia de ambas, assassinadas numa casa de
Malahide. O mistério que envolve a sinistra descoberta parece insolúvel,
mas quando Niall, um jovem carteiro, descobre o diário de uma das irmãs
e decide fazer uma investigação por conta própria, a verdade começa a
vir à luz do dia. Uma história de amor trágica e um bardo dos tempos
modernos parecem ter estado na origem dos crimes. Malicioso e
irresistível, Darling Jim é um romance que nos fala dos perigos de nos
apaixonarmos pela pessoa errada.
Opinião
Uma notícia num jornal já amarelado dava conta de quatro
cadáveres, três irmãs e uma tia, que se teriam deixado suicidado, morrendo a
fome. Esta notícia perseguiu Christian Mørk durante
anos, até que ele decidiu que era daí que viria a primeira história da sua
autoria. Darling Jim, nascido de
factos reais, é um thriller
psicológico que não esquece as lendas e o sobrenatural, que vendeu mais de 38
000 exemplares na Dinamarca e foi traduzido para mais de trinta países.
Christian nasceu em Copenhaga mas
aos 21 anos partiu para os Estados Unidos. Concluiu os estudos em História,
Sociologia e Jornalismo, escreveu na Variety,
foi crítico de cinema e também fez parte dele na Warner Bros. Pictures. Nasceu
numa família de actores e quase foi um académico mas o seu desejo de escrever
um livro falou mais alto. Este é o livro.
Quando Darling Jim enlouqueceu os leitores pelo Facebook, antes da sua
publicação, eu só pensava que ia ter de arranjar o livro porque se todos
estavam loucos por ele, era porque era bom, mesmo bom. Li a sinopse tantas
vezes que quase a decorei e, admito, estava quase a morrer de curiosidade mas
não consegui comprá-lo na pré-venda e, aos poucos, com as opiniões após
publicação comecei a duvidar do facto de querer o livro, até ele ficar
esquecido no meio de tantos outros que eu queria, até ter esta oportunidade
para o ler.
Este livro é uma junção de conceitos, géneros e ideias, onde
o thriller psicológico e o sobrenatural se evidenciam. No início da leitura
temos uma premissa que consegue suster a curiosidade do leitor, muito devido a
escrita bem conseguida do autor, que, através de diálogos fluídos e de uma
narrativa directa, consegue manter o leitor interessado. Sendo um livro
simples, sem entrar em grandes dilemas, onde a história central é a única na
qual o livro se concentra, seria de esperar uma história tão bem conseguida
como as questões técnicas mas confesso que me senti algo desiludida.
Apesar da acção contínua e de ser um livro que é fácil de
ler, não é um livro que marque e que recordaremos para o resto da vida. Conforme
vamos conhecendo as três irmãs através dos diários, vamos percebendo o mistério
a volta das mortes macabras mas, também, rapidamente, chegámos a todas as conclusões.
O livro está bem construído mas não é espectacular, e talvez daí a minha
desilusão pois a meio do livro já tinha deslindado a história toda. Era simples
de mais, quando podia e tinha material para ser maior, sem entrar nos exageros
em que entrou. O amor pode levar aos actos mais insanos mas para mim, o rumo da
história, a dada altura, não fazia grande sentido, tinha de haver outra
explicação, tinha de haver ali mais alguma coisa mas não houve. Queria mais
drama, mais horror, mais segredos obscuros mas eles não apareceram.
A grande falha, é a falta daquele que era, a meu ver, o
diário mais importante, o da personagem mistério que acabámos por nunca chegar
realmente a conhecer. Apesar de já desconfiar de qual seria o seu segredo,
sinto que teria enriquecido a história, tê-la-ia tornado mais densa, mais real
e teria alterado um pouco o sentido do livro. As três irmãs foram o ponto mais
alto do livro pois até a mais forte das mulheres pode cair na cantiga do
bandido, e estas irmãs eram personagens fortes que susteram toda a narrativa e
a tornaram muito mais interessante através dos seus diários e diferentes
perspectivas e personalidades, longe de clichés aborrecidos. Tirando as três
irmãs, não achei que as restantes personagens tivessem presença suficiente para
sentirmos alguma coisa nem com Jim. Parece que ao lado dos acontecimentos
estavam todos meio apagados, só apareciam para fazer o que tinham a fazer e não
havia mais nada.
O fim só veio confirmar tudo aquilo que eu já tinha
percebido e, por isso, não me deu qualquer satisfação. A única coisa que
saliento, é que tem uma parte estranha que um dia tenho que reler porque
continuo sem perceber o sentido daquilo e acho que nunca vou perceber,
sinceramente ou então já não estava mesmo com vontade de perceber. Por último,
a parte sobrenatural, que foi o que gostei mais e durou tão pouco. Aí estava o
sinistro, o obscuro, a negritude que devia ter povoado o resto do livro, mesmo
que depois tenha sido usada para a parte muito estranha do final que eu não
percebi.
A conclusão que tiro é que gosto de ser surpreendida, de
grandes enredos e de não ter razão no final. Gosto de um livro forte e
equilibrado, com pés e cabeça e não consegui identificar-me com esta leitura. A
juntar as expectativas demasiado elevadas a tudo isso, não consegui sentir-me
cativada por esta leitura. Esperava muito mais e melhor da história, não basta
um escritor escrever bem para o livro ser bom. Parece que afinal, não fiz parte
da febre Darling Jim.
2*